Transição planetária. Acontecimentos que envolvem milhões de pessoas, memória institucional, narrativa de sonhos, relacionamentos, saúde mental, música, cinema e balé.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
quarta-feira, 4 de julho de 2012
POEMA DO ÊXTASE
A sonoridade de esplendor que se derrama no Poema do Êxtase, opus 54, do compositor Alexander Scriabin, eleva-nos ao maior grau do conhecimento humano, a intuição.
Acima da contemplação racional onde se fundamentam as teses da relatividade e a fuga das galáxias, vemos que o êxtase, em sua expressão maior, é a descoberta do homem que se sente parte integrante do todo universal que se espalha pelo infinito.
O ciclo da vida se movimenta incessante, desde as noites dos tempos perdidos na História, até os alvoreceres dos séculos onde a luz e a inteligência caminham juntas, agora percebidos pelo homem e continuam a surgir nas novas etapas da evolução.
Discutir a origem do Universo, apenas na tese do início de uma grande explosão (big bang), é situá-lo em uma época, mesmo que seja em milênio, mas numa contagem limitada e num determinado lugar que pode até abranger a galáxia inteira onde o nosso planeta se move como um minúsculo ponto.
O mais importante na vida para o homem é se descobrir em sua essência eterna para sentir o êxtase da comunhão de tudo que o envolve num caminhar sem fim.
A música de Scriabin traz o
conforto de algo mais, como os ventos das tardes ensolaradas, e tem o dom de
transmutar as sensações passageiras numa contemplação paradisíaca.
O Poema do Êxtase reúne o sonho e a poesia na música
das esferas resplandecentes. Tudo está em movimento.
Vislumbrando o conhecimento intuitivo, podemos dizer que o reino da morte somente existe dentro das paisagens da sombra, como nas lendas de Kalevala que inspiraram Sibelius a compor O Cisne de Tuonela.
As artes e os dons divinos já
demonstram a imortalidade do ser humano que resplandece, no desgaste da
matéria, num ciclo evolutivo mais consciente com a realidade do Universo.
Os planetas, as estrelas, as galáxias percorrem o mesmo
ciclo de vida imantado em tudo (nascer, crescer, morrer, transformar-se) para
constituírem outros aglomerados siderais.
Se há um parto animal, há um parto planetário e até mesmo de toda uma galáxia que pode receber o nome de uma grande explosão ou big bang.
A Astronomia clássica tem por evangelho a teoria de que os quasares – núcleos luminosos de galáxias muito distantes – possuem luminosidade superior a um bilhão de vezes maior que a do Sol de nosso sistema planetário.
Na Via–Láctea há mais de cem
bilhões de sóis. Em bilhões e bilhões de galáxias, quantos sóis existiriam?
Isto nos leva a afirmar que o Universo é luz, e a luz é inteligência.
Na descoberta de luas e sóis, galáxias e nebulosas,
poeiras luminosas que irradiam a beleza, o mundo dos poetas, revelando os sonhos,
mostra a realidade tecida em túnica inconsútil.
Luas cor-de-prata, luas alaranjadas, luas azuladas, luas das cores do pôr-do-sol, luas vestidas de arco-íris, luas cor-de-mel, luas de cores e nuanças que lembram a luminosidade do olhar de cada mulher, viajam em órbitas que o homem ainda não conhece.
As teorias existentes sobre a formação do Universo ainda se debatem, umas contra as outras, simplesmente porque algumas correntes científicas não podem definir como finito o tempo e o espaço. Os mundos nascem, crescem, envelhecem, contraem-se, explodem e renascem, numa incessante transformação.
A ideia de que o Universo teria surgido há 15 bilhões de anos, numa grande explosão, define a morte das estrelas implodidas, os buracos negros. As hipóteses permanecem ainda em aberto porque está surgindo a descoberta de novas muralhas de quasares.
Ainda numa visão limitada, podemos sentir que existem, além dessas muralhas, muitas moradas e jardins, numa concepção de grandeza que somente o paraíso poderia oferecer àqueles que se libertaram do ciclo da morte.
Estamos falando da morte da consciência, o esquecimento total da memória, quando da morte do corpo físico, vagando como sombras na erraticidade, são essas almas penadas no linguajar popular, ainda existente na Terra na consciência dissociada da terceira dimensão que está indo embora.
No entanto, essas almas penadas, o joio do trigo, não mais retornarão ao planeta que está sendo sacralizado, atualmente por mais de 1 bilhão de habitantes, a maioria mulheres, salve as mulheres, os restantes quase 6 bilhões, dos 7 bilhões de habitantes, vivem, no dizer da tradição hindu, no mundo maya (ilusão).
Nos reinos do amor, a sabedoria se expande em profusão e naturalidade, como a luz do sol que aquece e a luz da lua que enternece. As vibrações estão harmoniosamente ligadas umas as outras, na mais perceptível revelação da unidade.
Num nível de consciência mais profundo, os seres humanos podem perceber que tudo é manifestação cósmica, o que equivale a dizer, no conceito do filósofo Spinoza, tudo é manifestação do Um (O Universo é formado de uma só substância), e o conceito de Einstein (Tudo é energia), agora compreendida dentro da unidade e não mais dentro da dualidade que gera a separação.
O orgulho em não se abandonar-se à Luz, leva-os aos vales da sombra aonde chegam carregando desencantos à espera da transmutação. A humanidade desses vales está ligada à responsabilidade de seus atos, dentro do conhecido mecanismo de causa-e-efeito, numa compreensão necessária aos primeiros passos da evolução.
O carma e o livre-arbítrio só existem nos mundos dissociados, como a Terra que está deixando de ser um deles, neste final dos tempos, para ancorar a consciência unificada. É o retorno da luz pela seta de Sagitário (Nostradamus).
A nebulosa de Sagitário ou a constelação de Sagitário é o centro da Via-Láctea, a galáxia que abriga o sistema solar, onde a Terra gira. A descoberta dos raios adamantinos, os raios-gama dos cientistas e o alinhamento das Plêiades, Sol e Lua fizerem cumprir a profecia de Nostradamus e a profecia maior "olhai os sinais do céu" de Jesus.
Após transcender o livre-arbítrio, o homem tem a visão da sabedoria, podendo até duvidar, no início, se ele existe ou é a sabedoria que vive nele, mas, num segundo mais tarde, reconhece que, acima de qualquer manifestação humana, tudo é a vontade cósmica ou, mais enfaticamente, tudo é a vontade de Deus, compreensão agora que abriga a unidade.
Ainda sem a visão da vida, os desejos do homem giram sempre em torno da instabilidade. Hoje é uma coisa, amanhã é outra. Em cada passo, cria-se situação que inexoravelmente terá de passar, sem ser preciso culpar o destino, o caminho escolhido.
Assim como os cristais irradiam vibrações que despertam a beleza, a muralha de quasares iluminam os mundos paradisíacos onde, um dia, na alvorada dos milênios, o homem chegará.
O clima de poesia, de amor a tudo
que existe, como presença atuante do Universo, chega-nos com a força dos astros
e estrelas que igualmente iluminaram o rosto daqueles que semearam a beleza em
todas as artes, como fez na música o compositor russo Scriabin ao revelar ao
mundo O Poema do Êxtase.
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terça-feira, 3 de julho de 2012
SINFONIA PATÉTICA
Num choro e lamento que vêm da alma, derramando-se aos poucos lentamente, até diluir-se em murmúrio, o 4° movimento, um Adágio Finale, da sexta e última sinfonia de Tchaikowsky, inteiramente sem precedentes na história da música, como disse o maestro Isaac Karabtchevsky, foi escrito sob lágrimas.
Há dois grandes momentos em que a criatura humana pode chorar: quando o sonho vem e quando o sonho vai. A música do compositor russo é intensamente rica de espiritualidade que descortina os horizontes, os arco-íris, o mundo dos sonhos e, em murmúrio, apresenta ao homem embevecido tanta beleza.
A Sinfonia Patética é um hino lírico e triunfal do homem que contempla, numa roupagem de completa indigência, as blandícias do paraíso, apenas contempla sem ter ainda forças para chegar até lá.
Dentro da linguagem das parábolas, a Patética é a descrição daquele momento em que o filho pródigo, cansado de passar mal, começa a pensar na volta à casa paterna. Quantos júbilos explodem em seu peito, como se fossem fogos de artifícios que sobem no ar e caem em cascatas!
Com os olhos embaçados na atmosfera do sonho que passa, o homem brinca de ser feliz sem acreditar na existência da felicidade. No momento em que as nuvens mudam de lugar, chora como criança que perdeu um brinquedo.
Nessas horas tudo ao redor parece sombrio porque as nuvens não lhe permitem a visão. Até mesmo a Patética parece patética no sentido de tristeza. Mas a música de Tchaikowsky é de uma tonalidade azul como a imensidão dos espaços, essencialmente bela e fulgurante como a ternura dos amores.
No grande momento em que o homem percebe os seus sonhos vindo das fontes límpidas há uma espécie de materialização das gotas dessas fontes em seus olhos para demonstrar a todos o quanto é valioso o significado desta mensagem que traduz a finalidade do seu viver.
Com as cores que nascem em seu íntimo, começa a ver tudo numa pintura dos grandes artistas. Canção Triste, Serenata Melancólica e a Patética, de Tchaikowsky são vistas agora numa visão paradisíaca. Quem ama, vê o amor, na música, na poesia e nas lacunas que serão transmutadas pela mesma beleza.
A grande tristeza do homem é querer passar o tempo alheio a tudo, como se o Universo fosse exclusivamente ele só. Até mesmo a beleza que o rodeia, estimulando-o a caminhar, quase não é sentido.
Entorpecido por hábitos que provocam a doença, esquece que é um ser etéreo (eterno) que se liga à fonte para se apegar exclusivamente à personalidade (transitória), sem perceber que, igual ao filho pródigo, suas horas de passar no chiqueiro estão contadas. A espontaneidade, que se encontra em todos os gestos da natureza, fará nele o despertar da evolução.
A partir daí, compreenderá que o
amor é uma propriedade do espírito que tem intrinsecamente um atributo eterno.
Por mais que seja incompreendido, e resvalado a áreas secundárias ao seu objetivo
maior, ressurge lá na frente livre e espontâneo.
Não nos detemos diante do joio, mas o joio está sendo
afastado, em definitivo, do planeta, neste final de ciclo planetário.
A Terra, sacralizada e elevada à quinta dimensão unificada, não acolhe mais a entrada de mentes dissociadas do amor. Não se trata de escolha, é questão de vibração.
Há mundos afins que a grande massa do joio irá continuar a sua evolução, na mesma vidinha de sofrimento e de dor, e de lutas acerbas, a ilusão de que vivem é o real e o real é a ilusão, na versão prometeica que falsificou os sistemas de vida no planeta Terra. Esta consciência planetária está indo embora. O retorno da luz pela seta de Sagitário (Nostradumus) é uma realidade.
No ambiente vibracional para onde a grande massa do joio vai e está indo embora até que seja completado este ciclo planetário, é o mesmo ambiente em que esteve na jornada terrena, mudando apenas de espaço físico, inclusive os mesmos comparsas dos enredos comportamentais.
Nesse ambiente as condições de vida são árduas por causa da densidade de psicofera destorcida da realidade daquilo que os seres humanos são, seres etéreos que se ligam à fonte. Mesmo nessas circunstâncias, o amor de Jesus os acompanhará.
Assim como o diamante pode garantir a troca por outros valores materiais, o amor igualmente garante o equilíbrio de nossas emoções que se refletem na saúde e no estímulo para obtermos também os bens de consumo.
Se a maior honra para o homem é sentir-se um príncipe, tanto nas letras como na herança de um reino, por que não pensarmos que somos candidatos a príncipes de um reino maior? Melhor dizendo, somos eleitos sem sabermos.
Quando espalhamos o amor a todos, sentimos algo em comum com aqueles que nos rodeiam. Isto acontece nos recintos sociais onde conhecemos pessoas importantes que passam a nos apresentar aos seus pares na consideração que amplia nossas atividades.
O amor chama amor, o carinho de pessoas que passam a nos amar, numa riqueza de momentos que parecem refletir o brilho de Orion, onde comparamos o amor ao diamante que lá existe, como fez Fagundes Varela, no Evangelho das Selvas, e na música de Tchaikowsky viajando pelas estrelas.
Mudando apenas de compositor que abordou o mesmo tema, o 2˚movimento da Sonata Patética, de Beethoven valoriza muito o site do escritor Márcio Cotrim, membro da Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil (Cadeira patronímica de Tancredo de Almeida Neves, que dirigiu interinamente, no período de 19/9/1956 a 26/10/1956, o Banco do Brasil).
Para falar a respeito de Tancredo Neves, retomamos ao tema, o segundo parágrafo: “Há dois grandes momentos em que a criatura humana pode chorar: quando o sonho vem e quando o sonho vai.” Nunca o povo brasileiro chorou tanto por um homem, o homem que foi eleito mas não tomou posse no cargo de presidente da República.
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segunda-feira, 2 de julho de 2012
QUADROS DE UMA EXPOSIÇÃO
A suíte musical Quadros de uma Exposição, escrita em 1874, pelo compositor Módest Mussorgsky, um dos participantes do Grupo dos Cinco que impôs ao mundo a melhor representação da nacionalidade da música russa.
Ouvimos, nesta suíte, sons simbólicos de dez peças que compõem a exposição de pinturas e aquarelas do arquiteto Viktor Hartmann, sendo que na primeira denominada Passeio retrata o visitante da exposição de quadros, na segunda, Gnomos, seres espirituais que se refletem direta ou indiretamente nas florestas (TRANCHEFORT/1990).
O ciclo da Exposição finaliza com a apresentação de A Porta de Kiev: numa harmonia majestosa fluindo no ar, surge um hino nacionalista que se mistura ao repicar de sinos, num crescendo grandioso. Este é, a nosso ver, um dos pontos máximos da música russa.
Quadros de uma Exposição, de Mussorsgky, em sua forma original, teve orquestrações de compositores e regentes de várias nacionalidades: Yúri Túshmalov (1891), Leon Funtek (1921), Leonidas Leonardi (1924), Serguêi Gortchchóv (1955), Vladimir Ashkenazy (1983), sendo a mais famosa a do compositor Maurice Ravel, em 1922, numa arriscada tentativa de mudança de ambiente (TRANCHEFORT/1990).
Ganhou a música de Mussorgsky um elevado padrão de qualidade, dentro da mais rigorosa formatação acadêmica do compositor impressionista francês, mas perdeu um percentual da música eslava, mesmo que seja de 100% para 99%, nesse percentual estamos enaltecendo a proeza de Ravel e conservando a grandeza da música russa.
Nas mutações vertiginosas do planeta, no passado recente, vimos a desintegração da União Soviética, num processo de independência de nações.
A evolução planetária atinge todos os setores onde o homem caminha, despertando-o a novas posturas de vida que sejam capazes de lhe dar felicidade.
A racionalidade ortodoxa, caindo nas vertentes das doutrinas imediatistas, não amplia as dimensões da natureza humana. O homem dionisíaco da Grécia antiga já demonstrava possuir um referencial de vida bem mais amplo.
A inspiração, a intuição, o mundo subjetivo, a revelação espiritual ou profética, os segredos do coração estão acima daquilo que muitos chamam de razão. Aliás, a própria razão ampliou-se em vertentes mais amplas, ainda não aceitas pela totalidade da comunidade científica.
A concepção racional, onde o Universo está mergulhado, não pode ficar restrita a teorias que falam em razão apenas na intelectualidade de argumentos superficiais. A outra visão, que vem de um nível mais profundo do ser humano, é muito superior e elucida os fenômenos dentro e fora da matéria.
Em suma, a razão ganhou novas vertentes do pensamento, ou melhor, se ampliou a espaços onde o sonho e o destino têm os seus domínios, é a volta do pensamento dos poetas, filósofos, músicos, maestros e compositores que viam o mundo se ampliando em outras dimensões.
Vale ressaltar que todo o nosso sistema planetário está em transformação. Em particular, a Terra, deixando ir embora a dimensão dissociada, acolheu a consciência unificada pela primeira vez, saindo de três dimensões dissociadas, sendo que a última durou 26.000 anos, fechando este ciclo, em 20 de maio de 2012, quando houve o alinhamento das Plêiades, Sol e Terra.
Esta foi a missão de Jesus: cortar essa cadeia dissociada que promove o confinamento. O ser etéreo se liga com a fonte. O retorno da luz, neste final de ciclo planetário, estabelece o fim do confinamento e o despertar da consciência eterna que a morte não aniquilará mais. É o fim do carma, é o fim da separação, é o fim das reencarnações expiatórias em que a consciência estava adormecida.
Nada do que é oculto ou falso será mantido. A consciência desperta se revelará em todos os habitantes do planeta. Os pensamentos de cada um serão notados por todos, assim como acontece nos sonhos quando dormimos, onde a fala não existe e sim a nossa realidade espiritual.
A Porta de Kiev, da suíte Quadros de uma Exposição, de Mussorgsky, revelando a fantasia e o sonho do compositor russo, nos faz refletir nas saídas deste momento conturbado em que o planeta cambaleia na inclinação do seu eixo, literalmente sim, e moralmente também, para a entrada de outra porta que nos conduz ao paraíso que fizermos no íntimo.
Enquanto era divulgada a notícia procedente do Oriente em que o tsunami fez oscilar o eixo da Terra, ouvimos dentro do Metrô – Estação Carioca, na cidade do Rio de Janeiro, a música Quadros de uma Exposição do famoso compositor russo.
A multidão de pessoas percebeu apenas o que estava mais ligado ao seu mundo íntimo, como é lógico, cada um tem seus próprios pensamentos, e ficamos, apenas, em silêncio a reter o que nos convém, a nível de interiorização de alma.
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CANÇÃO DOS BARQUEIROS DO VOLGA
Os ventos nas estepes frias sacodem os pinheiros em florestas mergulhadas na solidão. A neve se espalha por extensões de terra durante a maior parte do ano.
Os lobos seguem em caminhadas à procura de alimentos; aves pousam em reservas ecológicas, onde outros animais lhes fazem a perseguição. O voo é a fuga mais segura. Folhas de árvores caem e, em pouco tempo, são cobertas pela neve. A paisagem russa se reflete na música.
A Canção dos Barqueiros do Volga, possivelmente a mais popular do folclore russo, nos revela que os troikas deslizam, sofrem os moujiks e, ao som de mil balalaikas, gemem canções do Volga... de sonhadores... pois, os barqueiros também têm amores.
A música, sob compassos fortes e vigorosos, marca um arrebatamento selvagem e, ao mesmo tempo, desdobra um tom de melancolia, sem nenhum traço de tristeza mórbida, refletindo-se a solidão das terras impenetráveis que se misturam com as paisagens onde o rio corre por entre bosques e cachoeiras.
Os barqueiros do Volga cantam o vigor da vida que se espalha pelo verde das florestas, pelo vermelho do sangue que mantém a vida animal, pelo azul que revela o infinito, pela alma transparente aos sonhos guardados em outras dimensões.
A melancolia da música russa não pode ser apreciada isoladamente, como não aceitaríamos a vida sem as alegrias que se misturam à tristeza. Os sonhos, que estão à frente dos passos, representam apenas algo a fazer. O tempo é sempre um referencial marcante em nosso caminho.
Os barqueiros eslavos cantam a vida nas estepes frias e, lembrando-se dos seus lares, sentem a nostalgia que se transfere para os pinheiros. Não estão nostálgicos e afirmam cantando: “os barqueiros também têm amores... têm amores”.
A nostalgia, que está tão perto da tristeza e da saudade, é apenas uma falta de percepção dos amores que circulam em nossos ambientes de trabalhos, lazer e moradia. A solidão é bloqueio de oportunidades em que existem muitas pessoas querendo participar.
Como é importante observarmos tudo que chega a nossas mãos, numa lição preciosa que eterniza o momento. Não apenas a satisfação na pele, mas no envolvimento que possui raízes profundas.
São admiráveis as pessoas que passam um sorriso no olhar, como os pinheiros que passam o canto dos ventos, como fazem os cantores barqueiros afirmando que também têm amores... têm amores...
As árvores recebem a onda da vida, a onda galáctica que derrama os raios adamantinos, destinada a tudo e a todos. No entanto, o homem, vivenciando a ilusão, se reveste de franjas de resistência, não deixando essa onda entrar em sua vida.
O medo do desconhecido, imposto pelo fogo prometeico que falsificou esta humanidade, não permite ao homem a descoberta de sua realidade, a verdadeira essência. A educação, as crenças naquilo que pensam que ele é, desviam-lhe o caminho. E o que é pior: o desconhecido é ilusão e o verdadeiro é o ele que vive, numa ordem invertida, pois o fogo prometeico tem esse papel.
A separação do joio e do trigo é uma realidade neste final dos tempos, desta densa consciência planetária que está indo embora.
A Canção dos barqueiros do Volga ganhou o mundo inteiro porque traz a afirmação de um sentimento que afasta qualquer traço de nostalgia. O amor no coração preenche todas as lacunas.
A repercussão é comovedora porque
a canção surgiu, entre as paisagens russas, unindo os povos no mesmo sentimento
em que os casais buscam uma expressão particular. A nível transcendente aos
lares e pátrias, a força ainda é bem maior porque não há poluição nas fontes
límpidas e nos sentimos à vontade para mergulhar nessas fontes, fontes eternas.
Vídeo no Youtube: Russian Red
Army Choir - Song of the Volga Boatmen – 1965
As minhas amigas russas Irina Orlova, Galina Lukyanova, Yulia Shumkova, e a africana Mirabelle Omo, residindo atualmente em Moscou, que o amor seja a nossa liderança.
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sábado, 30 de junho de 2012
NAS ESTEPES DA ÁSIA CENTRAL
O poema sinfônico Nas
Estepes da Ásia Central, de Alexander Borodin, é encantador por sua poesia e a
beleza da paisagem. No programa a partitura vem antecedida por uma narrativa:
“Numa região desértica da Ásia central, ressoa pela
primeira vez uma pacífica canção russa. Ouvem-se passos de cavalos e de camelos
que se aproximam e a melopeia de uma canção oriental.” (1)
(1) Guia da Música Sinfônica – François–René Tranchefort – Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro – RJ – 1990.
A narrativa prossegue revelando que uma caravana atravessa a imensidão da estepe, protegida por um destacamento russo. Há dois grupos distintos, os vencedores e os vencidos, entoando cânticos. De longe, a música ressoa, numa só harmonia, pelo caminho, morrendo à distância (TRANCHEFORT/1990).
Os acontecimentos públicos e os fatos políticos mudam a história de uma nação. O destino dos povos nasce num pensamento, numa voz, num gesto que desperta as pessoas ligadas entre si, a fim de promoverem as situações.
A evolução humana tem estágios interligados que sustentam a tese de que tudo se transforma. Mundos de beleza imperecível se multiplicam no brilho das estrelas. Por que só haveria vida neste planeta?
Os ventos simbolizam as mudanças, a transformação na fidelidade de que nada se perde para confirmar a tese científica. E, numa expressão filosófica, tudo é válido: erros e acertos, lágrimas e sorrisos, tristeza e alegria e tantas outras alternativas que oscilam o viver humano.
Mas é sempre a liberdade que o homem busca, mesmo mergulhado nas ilusões que lhe revelam os desencantos. As horas amargas são importantes para lhe mostrar a fragilidade dos véus de fantasia.
Impossibilitado de compreender os movimentos do Universo, o homem caminha de cabeça baixa, imitando os animais, sem ver a grandeza que o sustenta nos espaços infinitos.
Este confinamento está acabando porque a Terra está ascendendo à quinta dimensão associada, em termos de consciência planetária. A densa consciência dissociada, em que a humanidade sofre os últimos estertores, está indo embora.
Nesse caminhar lento, repete fórmulas de comportamento que faz coibir os abusos e o desrespeito à ordem coletiva, sem observar que possui um código pessoal que clareia a visão em dimensões mais amplas. Nesse enlevo nasce a liberdade.
A partir de Copérnico, Galileu, a Ciência evoluiu tanto porque se libertou da pressão religiosa de Roma que não admitia, naquela época, a tese de que a Terra gira em torno do Sol. E, nestes últimos cinquenta anos, houve um avanço científico superior a todos os séculos da História.
Estamos imantados na evolução. A cultura dos povos tem marcas comuns a todos nós. O homem é o mesmo em qualquer parte do planeta e todos somos seres a caminho da integração cósmica que nos envolve sem que ainda possamos compreender a finalidade dos encontros, o destino dos amores, a dança das horas.
Em passado recente, a queda dos símbolos comunistas na Rússia trouxe uma lição de grandeza para o mundo inteiro que já não pode mais ver regimes de força oprimir a vida dos povos, principalmente na área econômica.
Mikhail Gorbachev e Boris Yeltsin entraram para a História porque estavam debruçados na renovação da Rússia, estimulados pelo povo que buscou e conseguiu, em 1991, a vitória na Praça do Kremlin sobre um golpe que visava dar vida ao leninismo mumificado.
A complexidade do problema russo, naquela época, se estendeu em todas as dimensões (sociais, econômicas, externas), porque não houve, na fase de mudança política, que aos poucos vai entrando em uma nova era pós-gorbacheviana, ajuda ampla e irrestrita dos países ricos. Como era de se esperar, apenas uma oferta na economia de mercado, dentro da globalização, que visa enriquecê-los ainda mais.
Assim, a liberdade e a democracia, que nascem nos ideais sublimes do homem, passam a ser manipulados por interesses unilaterais que dificultam o entendimento dos povos. Como meio de governar os povos, a democracia engloba a economia, o bem-estar da população.
Acreditamos no andar do tempo, na evolução do comportamento humano, no amor que está acima dos ídolos que distraíram pela manhã multidões e, à noite, caíram para se misturarem com as sombras.
As nove crônicas intituladas Derrubar o Gigante, de Fernando Pinheiro, que abordam a queda dos sistemas falsificados em todas as áreas, com o vislumbrar das novas direções em que o planeta está seguindo, em processo de evolução, foram publicadas no blog Fernando Pinheiro, escritor.
E, em cada alvorecer, vemos uma luz maior clarear nossos caminhos, que reflete psicologicamente na iluminação interna que temos de construir, acompanhando a evolução, com os pensamentos voltados ao planeta inteiro e, especialmente nestas horas, ao povo que sente os ventos das estepes.
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sexta-feira, 29 de junho de 2012
A SEDUÇÃO
Na mitologia grega, Eros se juntou a Psichê e gerou Luxúria. Não é apenas essa união de Eros e Psichê que a humanidade faz recrudescer. O mito de Prometeu está presente em tudo e ensejou a falsificação de todos os sistemas sociais.
Daí nasceu uma sociedade do medo. O medo é do ego, o ego é complicado e não admite simplicidade.
O orgasmo sexual tem conexão com o chacra mais poderoso que existe, por ser o chacra ligado à reprodução humana. É importante o orgasmo sexual, como é importante o intase (ausência de ilusões) e o êxtase, que é a prova do que temos, neste caso, sem dúvida colocando-se no nível mais elevado de consciência do que o orgasmo.
O êxtase ultrapassa o campo mental, esse campo onde o homem divide, separa, discrimina, se contradiz e se complica por critica e julgamento.
O êxtase nos dá o Samadhi e nos liberta dos engramas que ficaram no passado. A consciência do ser etéreo já é o êxtase que chega em ascensão ao todo, onde tudo ser interliga. Pois, na verdade, todos somos um.
A busca de uma aproximação amorosa entre os casais, geralmente, é antecipada pela sedução. O desejo, fluindo como expressão de conquista, não revela as necessidades reais que estão guardadas no íntimo de cada um.
Nesses casos, a vontade pessoal de realizar os sonhos, que têm ligação com a realidade tangível, deve prevalecer sobre os desejos de situações superficialmente conhecidas.
Muitas vezes, o conquistador abandona a conquista tão logo a obtém, simplesmente porque ela não corresponde à sua vontade que desvenda uma realidade contrária aos sonhos que idealizou.
Essas situações existem porque o homem comum está envolvido com os planos físico, emocional e mental. Se ele conseguisse fazer o alinhamento desses níveis ao centro de sua essência, elevaria o seu grau de consciência e teria visão de suas verdadeiras necessidades.
Enquanto isto não ocorrer, a avalanche de paixões e frustrações se desencadeará em círculos sucessivos, até que haja o desgaste de suas buscas.
Mesmo cansado e vencido, é preciso que o homem se erga e se comprometa a colaborar com a sua evolução que começa no conhecimento de si mesmo.
Quando o envolvimento amoroso tem apenas a curiosidade de conhecer alguém, pode resvalar para o terreno da leviandade, causando sérios prejuízos para quem usou a sedução como arma de conquista.
No banquete de Sócrates, na Antiguidade, ele buscou a apreciação de seus discípulos acerca do amor. Todos eles se referiam a este sentimento essencialmente no nível emocional.
O Mestre da civilização grega estabeleceu, naquela oportunidade, que ‘‘aquele que ama está divinizado’’, pois é o primeiro a reconhecer na pessoa amada a presença divina. Quem não conhece a expressão: minha deusa, referindo-se à mulher amada?
No salto quântico empreendido em que surge a quinta dimensão associada já não existe o desejo.
No entanto, aqueles que ainda mourejam nos caminhos da terceira dimensão, em direção desse salto, a vontade que sentem, diante dos variados campos sociais, deve ser dirigida partindo do núcleo do ser ao nível tridimensional, buscando em outra dimensão ampliar seus conhecimentos, a fim de aquilo que buscam tenha uma conotação de perenidade.
Não podemos avaliar o grau de envolvimento nas relações humanas, por que a maioria delas está vinculada a compromissos a serem cumpridos, mesmo que haja apenas um olhar, um gesto ou carinhos que podem levar à sedução, pois nada no Universo fica incompleto, na opinião do poeta indiano, Tagore, amado e traduzido, aqui no Brasil por Cecília Meireles.
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
LUA ENSOLARADA
No início da noite, quando surge a lua ensolarada, vemos que há forte influência da luz do dia. O sol se despede, poeticamente, com as cores que lembram o fogo, a paixão, depois diminui a tonalidade, refletindo, dentro de nós, o lirismo, o romantismo, o lado místico e espiritual.
Quando os olhares dos amores se cruzam, há uma ligação profunda que pode até dispensar as palavras, os gestos de confirmação. Mas ninguém abre mão dos encontros que fazem transformar os sonhos em realidade.
Na gravidez dos contrastes, a vida também nos reserva os amores, que ainda vão nascer em nossos corações, que vêm nos chegando em número e qualidade, até vermos em expansão um círculo de amizades tão numeroso como os rebanhos que pastam em prados verdejantes.
Quantas pessoas conhecemos em nosso dia-a-dia, apenas dando-lhes uma pequena saudação (“bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”), sem ainda termos uma aproximação maior! Depois de perguntarmos “tudo bem contigo”, “como vai a vida”, podemos contribuir com tantas outras palavras e gestos para que a amizade se transforme num amor verdadeiro.
Pensemos em amor, falemos em amor, mesmo que haja diferentes apreciações da palavra amor, pois é natural que cada um sinta a intensidade que vibra em seu coração. Um olhar, um gesto de carinho podem representar milhares de palavras do mesmo significado.
O romantismo que influenciou as letras, as artes, a música clássica, tem como símbolo, o símbolo da poesia: a lua. Em plena noite, a lua cheia derrama lençóis transparentes de prata. A luz suave que sentimos das noites enluaradas desperta bem mansinho a nossa alma enternecida.
Contemplando o crepúsculo desta civilização, pensamos que o momento em que vivemos se assemelha à lua ensolarada. O fogo, como símbolo das transformações, atinge o clima romântico que se reveste de novas roupagens para sobreviver. Na queima dos valores e símbolos transitórios, vemos o despertar da beleza em sua pureza original. Sempre depois da devastação, a bonança revela o princípio da vida renascendo sempre.
Chegou a hora de sabermos quem é quem na vida e não ficarmos mais sendo manobrados pelos vendedores da ilusão que colocam à venda milhares de informações que desviam a atenção de nossos caminhos.
A falsificação deste mundo, em que os sistemas sociais se comprazem, e que estão se extinguindo, passa como verdade a inexistência de outro mundo fora deste onde vivemos e, o que é pior, impede, nessa concepção, aos homens o acesso à sua multidimensionalidade.
Quantos anos a Terra permaneceu na terceira dimensão dissociada? Desde o fim da Era Atlântica, há 26.000 anos. De 26 a 26 mil anos, há mudança de dimensionalidade de consciência no planeta.
A fusão dos éteres, o quinto elemento no espaço sideral, a onda galáctica esparzindo os raios adamantinos, os denominados raios-gama dos cientistas, o retorno da luz pela seta de Sagitário (Nostradamus), são aqueles sinais do céu do final dos tempos que indicam a chegada da quinta dimensão unificada.
Assim como o corpo físico rejeita alimentos estragados, a nossa mente não pode se alimentar de desencantos que nos tiram a visão do paraíso. Fiquemos ao lado dos amores iludidos, se assim for preciso, mas não deixemos a ilusão deles nos atingir.
Esses amores nos chegam no clima da agitação, da pressa incontida, do apelo desesperador, da queixa por tudo, como se estivessem envolvidos pela claridade da lua ensolarada e vissem apenas o fogo romântico que dela se desprende.
Vamos estender o olhar àqueles que vêm ao nosso encontro, em situações que muitos fogem com medo, fazendo-lhes sentir que somos os amores de sua vida, como os pássaros, os peixes, os ventos, as chuvas, a luz do dia que se reflete na lua para transformá-la na lua ensolarada.
Blog Fernando Pinheiro, escritor
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segunda-feira, 25 de junho de 2012
OS TRIGAIS
É comovente apreciarmos a beleza feminina.
Encantos que se derramam da voz, do olhar que revela situações que gostaríamos
de estar envolvidos e do andar gracioso e veloz que lembra a gazela, a tigresa.
Como é natural, depois de uma experiência malsucedida, sente-se bloqueada para não ser atingida por outro golpe no mesmo lugar. Às vezes, para se recompor emocionalmente, é preciso passar por um certo período de tempo, até que tudo fique claro como naqueles dias em que desabrochou para a adolescência.
A vida caminha em frente descortinando novas paisagens íntimas em que podemos apreciar a beleza crescendo como os trigais que nos lembram a cor amarela, o sol, a sabedoria, o fulgor de uma época.
E, novamente, a mulher sente-se como esses animais dos campos e das selvas que correm à frente de todos os laços e, numa velocidade mais precisa, ninguém consegue prendê-la.
A conquista sempre esteve mais ligada à mulher do que ao seu parceiro. Se ela possui esses encantos e atrativos, sem dúvida merece ter o prêmio maior. Mas o homem não se apercebe disso e se atribui as honras de conquistador.
É necessário ainda pensar em conquista amorosa quando os casais não percebem mais o encanto da primeira hora e deixam-se ser envolvidos pelos momentos que lhes fazem lembrar sempre o trabalho, a roupa, a alimentação, a moradia, as contas a pagar.
Todos nós precisamos satisfazer as necessidades da matéria, mas a vida não se resume apenas nisso. Há os anseios do coração, os sonhos que estão mergulhados no sentimento maior.
Estamos atentos à observação dos que precisam de recursos materiais para realizar seus sonhos de amor, no campo da afetividade, do trabalho social e nas searas que exigem dinheiro para a divulgação.
O casal ou o grupo de pessoas que precisa se manter em expansão aos seus objetivos, antes de tudo necessita do amor, pois com isto atrai novas forças que o apoia ou novos investimentos daqueles que estão cientes da credibilidade dos negócios. Lisboa Serra, o presidente-fundador do Banco do Brasil, disse: o crédito é confiança.
A mulher que confia no amor tem maior chance de reconstruir um lar desfeito do que aquela que se liga mais na contagem dos bens materiais, colocando o candidato à parceria em segundo plano.
O outro aspecto fundamental da vida da mulher é manter seus encantos e gestos que saem de seus olhos, de seu andar, do seu falar, do respirar revelando emoções, dos sorrisos que colocam alegria em nosso coração.
A natureza feminina é revestida de sutileza e meneios que sacodem a alma de qualquer homem. Se as fêmeas dos animais selvagens já possuem atrativos que despertam a atenção de todos, a mulher realça ainda muito mais.
Para quem teve um grande amor e se foi por outros caminhos à procura de distrações ou deixou marcas de uma saudade, a preocupação material será sempre secundária, pois estará disponível a receber um novo amor que sente o mesmo que vai em seu coração.
Os ventos sacodem os trigais, a mulher o homem, nos movimentos que enriquecem as searas - o trigo, a alimentação, a vida presente.
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domingo, 24 de junho de 2012
LÍRIOS QUE CRESCEM
A ministra Nancy Andrighi, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ao finalizar conferência em recente seminário, em Brasília, citou o poeta Carlos Drummond de Andrade: "os lírios não nascem nas leis". Certamente, nas leis não se encontram o que está ao redor dos lírios.
São tantas as situações de desconforto que passam as pessoas, principalmente nas grandes cidades. Há uma procura interminável pelos bens de consumo em escala maior àquela que lhes dá o conforto emocional.
Como a maioria das festas sociais tendem a cair ao nível da viciação mórbida, onde se vê olhares lânguidos de paixão se entredevorarem como se houvesse uma luta pela sobrevivência. A sensibilidade por aquilo que está acima dos momentos fugazes quase não é notada.
Ainda vitimado pelo desejo de se completar, o homem busca, de qualquer maneira, o momento de não ficar solitário. Como existe a afinidade de tendências exercendo uma força de aproximação entre os seres semelhantes, os encontros acontecem.
Mas, em poucos dias, com a avaliação de valores íntimos, de uma ou de outra parte, há um desgaste no relacionamento que veio com sorrisos aparentemente alegres. Quantos liames de paixão são desfeitos, um longe do outro, após uma noite de dormir, onde o sono fez o papel regenerador!
No entanto, aqueles que persistem perambular nos lugares de consumo do álcool e dos tóxicos, estarão acumulando desencantos, desperdiçando energias, encurtando o tempo que eles têm para viver.
Cada um tem a hora de despertar. O momento de decisão por hábitos sadios só pode ser percebido por aqueles que sentem quando é chegada a hora. Mas podemos contribuir, com nossos pensamentos de amor, para que isto aconteça o quanto antes possível.
Quando o viajante dos caminhos de muitas voltas entende que a reta está em seus planos, um novo alento lhe dá forças a caminhar. Percebe, então, que o desconforto emocional, provocado por essas buscas perdidas, não tem mais nenhum sentido.
Como a crisálida, sente um renascer que lhe descortina paisagens íntimas, antes desconhecidas, agora ao seu alcance, à sua sensibilidade plena. A leveza de seus pensamentos o reconforta como os ventos de verão.
Não pensa mais buscar os encontros que se desmancham nas manhãs como os sonhos ao acordar. Vive simplesmente, esquecido dos planos que não pode executar, sabendo que seu caminho tem espaços próprios, diferentes daqueles que seguem em outra direção.
Convertido pelos argumentos da
vida, sente piedade e respeito pelos embaraços humanos. Desaparece a
condenação.
A princípio, sente tristeza por tanta desolação mas aos
poucos, vai percebendo que não há violação na natureza e o que terá de ser
feito, em benefício daqueles que ainda não se encontraram, virá sempre na hora
certa.
Tudo caminha em direção do
destino. As águas da fonte para os rios, os rios para o mar e o mar se
movimentando nas marés e nas chuvas num ritmo de círculos que se alteram.
Há um sentido pleno de grandeza quando se entende a
finalidade dos recursos colocados em nossas mãos, como os talentos, a
inteligência, a beleza, entre tantos outros que modificam circunstâncias
aparentemente irreversíveis.
Quando o homem compreender o seu destino, ele se sentirá feliz, vendo em tudo a manifestação divina, embora haja lodo e lama nos lírios que crescem.
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