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segunda-feira, 9 de julho de 2012

NOTURNOS

A música de Chopin é o cânone entre as rosas. Os Noturnos lembram as noites, as noites de poesia e de música que se derramam do luar, do luar da lua azul. Inspirado nesta beleza, transcrevemos o Nocturne in C # minor para o banner do website www.fernandopinheirobb.com.br.
Quando a lua cheia aparece no céu pela segunda vez, no mesmo mês, chamamos de lua azul. Esse fenômeno ocorre de quatro em quatro décadas. É um espaço de tempo em que se consomem muitas vidas humanas.
É uma oportunidade que o universo nos concede para nos lembrar da luz de prata do luar, da suavidade que se vestem as noites escolhidas. Cantada em todos os tempos, a lua derrama claridade suave àqueles que buscam a inspiração, a ternura que suaviza o rigor do caminhar.
É uma senhora musa das noites que se iluminam. Nesse clima suave e enternecido, o homem faz o mergulho em suas origens e busca tirar de lá o sustento de suas necessidades existenciais. Nelas vê seus sonhos adormecidos e os planos que o imortalizarão em feitos de grandeza.
Sente, então, vontade de acordar para o seu mundo interno, ser original, ler e respeitar os caminhos que se cruzam, e revelar-se sem influência das ideias que distorcem a sua realidade. Caminhar, apenas caminhar. O tempo revela as oportunidades. De etapa em etapa, vai-se formando tudo aquilo que idealizamos.
O que nos parece fracasso é a prova do que pensamos ser verdade aqueles instantes em que deixamos a imaginação fugir dos sonhos.
Retomamos a certeza do sucesso pessoal, sublimando paixões que não foram resolvidas e que nos ajudam a observar melhor o caminho por onde passamos. Nessa movimentação de energias, abrem-se portas de novos ambientes a serem preenchidos como fitas virgens que viram mensagens.
A revisão dos sonhos que seguiram caminhos desconhecidos lembra-nos muito do que ocorre na lua azul. É a mesma lua cheia, repetida nas circunstâncias em que talvez deixamos de observá-la.
Assim como a cadeira vazia, o lenço molhado de lágrimas, os presentes devolvidos são marcas que nos fazem pensar, a lua cheia repetida no céu é a demonstração de carinho do universo que nos cobre mais uma vez de claridade suave a nos estimular a sermos o que verdadeiramente somos.
Nos ciclos do tempo em que a lua aparece, ficamos a imaginar a humanidade compreendendo o que chama de dor e alegria, sublimando emoções que mudam de estágios até se converterem em estados permanentes que revelam suas origens.
A última lua azul do milênio foi vista por milhões de pessoas que foram ver a chegada do ano de 1991 nas praias, nas estepes russas, nas savanas africanas, do Ocidente ao Oriente, onde o planeta inteiro ficou mais azul, mais azul.
A nova era vem surgindo com forças que despertam as ideias solidárias do viver, estimulando os movimentos em prol da ecologia, fazendo mais permeáveis as fronteiras para enaltecer a canção Imagine, de John Lenon que é mais real do que muitos imaginam.
Antes que venha a próxima lua azul, no ano de 2031 , em que a humanidade será outra, podemos adiantar que, em outubro de 2012, o planeta Elenin, que fez destroços na superfície do Sol de nosso sistema solar, terá a maior aproximação com a Terra. Este será um evento astrológico com repercussão no nosso planeta.
Atualmente, já existem 2 humanidades, a que vive em consciência unitária e a que vive em consciência dissociada, a consciência planetária que está indo embora. Vivendo em 4 pilares: simplicidade, humildade, transparência e alegria, podemos, pois este é o nosso caminho, ascender à consciência unitária, abandonando-nos à luz,
A lua azul está presente nas mudanças do ciclo. Quando surgir outra vez na Terra, reafirmamos, a humanidade será outra. Tudo que tira a visão da beleza dos jardins paradisíacos será removido. Os semeadores sabem que há flores se abrindo. A música de Chopin é apenas a ressonância, o cânone entre as rosas.
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PORTO DE TÚNIS

Em apenas três minutos temos um panorama cultural da Tunísia, revelado no impressionismo de Jacques Ibert, compositor francês, que nos apresenta, dentro do ciclo Escalas, Porto de Túnis, fazendo lembrar os ventos nas tamareiras, os mercadores do cais, as mulheres vestidas de véus que encobrem o rosto para deixarem nos homens o mistério e ainda nos lembram os versos de Chabbi, poeta tunisiano:
“Lorsqu’un jour un peuple veut la vie force est, pour le destin, de répondre” (“Quando um povo quer viver, é forçoso que o destino o atenda”).
O compositor francês deixou importantes contribuições em todos os gêneros da composição clássica, excetuando-se oratórios. Livre de influências compulsórias, plasmou formas de beleza singular, numa flexibilidade que dá ao impressionismo dimensões maiores.
A música, que descortina a atmosfera desse porto do Mediterrâneo, consegue abafar as ressonâncias das ruínas de Cartago, localizadas a poucos quilômetros da capital tunisiana, onde há recordações de anfiteatros, casas de banho (termas), escravos e soldados romanos.
A plasticidade do impressionismo na pintura ou na música revela efeitos de luz ou de sons que se espalham na tela ou na harmonia musical. O estilo transforma a ideia, escondida nos sonhos, num corpo tangível.
Numa visão real desta escola de arte, foi vista por milhares de pessoas, numa noite de verão carioca, a lua quase cheia derramando claridade suave em rajadas de chuva. O luar sobre os pingos d’água era a placidez acima dos ventos e das folhas de árvores que se agitavam.
Assim como os galhos de árvores dançavam ao sabor dos ventos, a lua parecia transmitir sonoridade suave como o adágio dos concertos, o prelúdio das sinfonias, as serenatas ou os poemas sinfônicos dos grandes compositores.
A música das esferas resplandecentes derramava-se sobre o planeta conturbado pela agitação ruidosa de todos que não sabem por onde caminhar, perdidos na noite, que transpõem para dentro deles mesmos a escuridão.
Bastaria apenas um olhar, numa visão interna ou externa como naquela noite enluarada e suada de pingos d’água, para se ver um azul limpo e a claridade que nos leva ao impressionismo que os pintores e os compositores clássicos sentiram.
Quantos convites a natureza nos oferece para recompor o nosso estado de espírito ou estado emocional como preferem todos aqueles que estão mergulhados na emoção, sem aceitar ainda a realidade de um estágio evolutivo plenamente consciente e eterno!
A luz, que dá cor, brilho e imagens nas artes plásticas e na própria música, inspira-nos em pensamentos capazes de desvanecer, um pouco, a atmosfera sombria onde está mergulhado o planeta.
É o fenômeno da crisálida que está passando a Terra, a atmosfera sombria é a visão da lagarta, e o novo renascer de luz é a visão da borboleta que está nascendo. É o planeta sacralizado.
O ciclo Escalas que é, ao mesmo tempo, o tempo em escalas musicais e escalas de viagens, transmite a atmosfera de três portos do Mediterrâneo, sendo que o de Túnis tem a ressonância do comércio ambulante que exporta a beleza do país em lembranças que contêm um olhar contemplativo ou um adeus nostálgico.
Porto de Túnis desperta-nos a sensibilidade, sempre nos oferecendo abrigo depois das travessias dos oceanos desta vida. Quem sabe se não foi esta lua sobre a chuva que inspirou Jacques Ibert a compor a música que traz as imagens fluídicas do impressionismo?
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domingo, 8 de julho de 2012

OS PÁSSAROS

A oportunidade é o vento que nos acaricia. Uma sensação de leveza nos embala aos grandes voos como se fôssemos pássaros que batem as asas e, quando atingem as alturas, planam suavemente.
Enquanto o homem não sentir o momento oportuno em que deve fluir nas energias dos seus sonhos, será sempre um pássaro batendo asas. Depois, muito depois flutuar observando as paisagens que ficaram lá embaixo.
Lutar, reclamar, denunciar são estímulos de uma sociedade que busca afirmação de seus propósitos. E como a sabedoria está evidente no equilíbrio das forças, como as asas estendidas dos pássaros no voo, vemos que há muitos movimentos nos lares, nas ruas, nos meios de comunicação para termos uma visão panorâmica do ambiente onde vivemos.
A conquista sempre foi o objetivo dos vencedores, até mesmo nos campos de batalha os grandes guerreiros nunca desprezaram a estratégia. Como o homem pode lutar sem conhecer as armas de que dispõe nem o ambiente onde terá de passar, sem saber ainda quando é o momento exato?
No final de um ciclo planetário, onde a luta, o livre-arbítrio tiveram um papel importante no acúmulo dos problemas não resolvidos pelo homem, mesmo apresentando a esperança e o milagre como recurso de restaurar um novo tempo, vemos que são gotinhas de chuva se desmanchando nas ventanias.
A separação do joio e do trigo é uma realidade que vivenciamos em sonho. Não é uma separação imposta por um deus ou por um diabo, expressões que caracterizam a dualidade da consciência planetária que está indo embora. O que determina a separação do joio e do trigo é a própria vibração de cada um que vai para onde está o mundo em que se coaduna com a sua realidade.
Quando o homem tiver a consciência de ser um ser etéreo que se liga à fonte, tudo será maior do que um milagre e a esperança será substituída pela plenitude do existir eterno. Enquanto busca a felicidade, deposita toda a sua alma num corpo animal que vai morrer, num corpo humano que vai morrer, numa situação conjugal ou profissional que vai acabar.     Alimenta-se de pingos d’água quando pode beber na fonte.
Os compositores clássicos do passado deixaram ao mundo a música que dura pela eternidade afora, música eterna; os mártires das causas nobres o estímulo na caminhada; os artistas o movimento da beleza; os sacerdotes de todos os templos o zelo dos grandes ensinamentos.
Numa visão poética, vemos a sabedoria em tudo: na chuva e no calor do sol, na saúde e na doença, no bem e no mal que se misturam para confundir os conceitos humanos.
A dualidade está indo embora do planeta. Pobre homem que pensa que o Sol nasce no horizonte e o livre-arbítrio guiando seus passos! O livre-arbítrio, compreensão necessária aos mundos dissociados, foi instituído com a finalidade de estabelecer a culpa.
Quem já bateu tanto asas e não conseguiu alçar voo, como fazem os pássaros, deve abandonar-se à luz, a luz que faz resplandecer as dádivas preciosas: o tempo, o lugar, os amores, o trabalho, as circunstâncias fluindo em sincronia.
O homem que luta desesperadamente é como se estivesse rodando o ponteiro do rádio sem ter a sintonia de qualquer emissora. O ruído da passagem de uma para outra lhe daria sons ininteligíveis e não aprenderia nada do que se passa em qualquer uma delas.
Vamos abandonar-nos à luz e ficarmos conscientes do momento oportuno para fluir nas energias que promovem a nossa evolução, sem bater asas, como fazem os pássaros planando.
Os pássaros de Respighi, em que ele buscou inspiração para compor uma pequena suíte para orquestra, certamente estavam fazendo acrobacias, em voos rasantes para encantar as pessoas e batendo asas para ganhar altura e, bem no alto, sustentados pelas correntes de ar, deslizavam espalhando seus cantos de alegria.
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sábado, 7 de julho de 2012

O MOLDÁVIA

No fluir das águas que atravessam os bosques, onde a vegetação tem a cor da esperança, o rio canta fazendo borbulhas entre pedras que recebem o brilho e o som e passam adiante revestidos da energia dos cristais.
Este cenário bucólico - águas cantantes, fontes borbulhantes - envolveu o pensamento de Smetana, o compositor tcheco que fez o poema sinfônico Moldávia e o retratou no ciclo Minha Pátria.
O nacionalismo dos compositores tem o encantamento e o sonho bem juntos como o pensamento e a palavra que se unem intrinsecamente e podemos afirmar que, quando a pronunciamos, o pensamento se materializa num nível que pode ser medido, registrado e ouvido em aparelhos de som.
Com maior precisão, o pensamento irradia a nossa alma, o cérebro é apenas o transmissor, e se revela no campo astral, espelhando e espalhando a nossa realidade do que somos, onde estão os registros akásicos (oriental), o livro da vida (ocidental).
Na dimensão de consciência planetária unificada, onde a Terra começa a ascender, os pensamentos humanos serão conhecidos por todos, assim como acontece nos sonhos em que não precisamos falar para nos comunicar.
Tudo que era lixo mental que não vale a pena recordar, não irá fazer parte do cenário comum que ainda hoje vemos em noticiário da mídia, pois quando comentamos comportamentos inadequados, colocamo-nos na inadequação.
O pensamento plasma os mais belos aspectos da vida, cria o que criamos e ainda cria o que vai acontecer, como vimos, nos sonhos, um maestro pensar numa orquestra e a orquestra surgiu, isto porque ele era, no passado terreno, regente dessa orquestra e estava tudo mantido nos registros akásicos ou o livro da vida.
O amor que temos pelos maestros, compositores, solistas de instrumentos musicais ou solistas do canto lírico (tenores, sopranos, mezzosopranos, etc.) cria um inefável enlevo que transmuta em beleza imperecível no decorrer dos tempos. Somos eternos, quem pensa que somos apenas o corpo físico, tem o direito de discordar. Não seremos o seu mestre.
Assim como o tempo é importante para que a vida resplandeça em sons, cores e movimentos, o espaço é o lugar onde o planeta se movimenta em ritmos sincronizados que não permitem 2/3 de água invadir apenas 1/3 da parte coberta de terra.
O lar, a família e a pátria são ninhos onde o amor nasce e se cria junto daquilo ou daqueles que estão mais próximos, como demonstrações reais de nossas primeiras necessidades existenciais. Antes que os filhotes de aves criem asas para voar é necessário o calor da família.
A consagração do compositor ganha ressonância maior quando abrange os costumes, as tradições, a cultura do povo que representa diante do mundo. A música é uma arte intensamente rica e atinge todas as nações tanto no estilo popular como no clássico.
Como já sabemos que o pensamento e a palavra estão interligados, devemos exercer um comando inteligente desde suas nascentes para que saiam como as energias das fontes cristalinas.
As farmácias, as casas de saúde, os hospitais estão ainda cheios de pessoas porque não sabem como é importante dirigir os pensamentos voltados à harmonia que reveste a natureza inteira. Em particular, nós estamos aprendendo.
O homem ainda sente necessidade de pedir emprestado energias aos cristais, aos minérios de modo geral, aos vegetais e até mesmo aos animais que estão bem próximos de sua escala evolutiva. Tudo isto é válido e de grande importância.
Por que não pensarmos mais alto? O pensamento rasteiro tem grande valor, mas os grandes voos da inteligência deslinda as paisagens mais abrangentes que sonhamos, um dia, encontrar. Os pensamentos retratam o homem e será sempre aquilo que pensa: pensou alto, será alto.
Assim como o poema sinfônico de Smetana espalha um clima de beleza dos bosques onde o rio Moldava canta, em borbulhas, tocando a sensibilidade das pedras, o pensamento cria o destino que pode ter o vigor das sinfonias, em movimentos que resplandecem nossos sonhos.
A fonte de toda a harmonia é o amor, por isso os compositores nacionalistas amaram suas terras de origem e as revelaram ao mundo como provas de que o berço, a família, a pátria têm um significado tão profundo e é sentido até mesmo pelos filhotes nos ninhos.
Como vivemos numa época em que está crescendo muito a população de rua, e ao recordar a campanha “Se esta rua fosse minha”, lembrando-nos da canção que acrescenta: “eu mandava ladrilhar com pedrinhas de brilhante só pra ver o meu amor passar” - é um apelo para que vejamos o que fazer com as crianças de rua. Eu duvido que um cavalo de puro sangue venha dormir na rua e passar fome. O dono não permite.
Um pensamento de amor fraternal nesse sentido já tem um direcionamento que modifica a situação existente. O amor, em qualquer de suas formas, tem esses segredos, altera, anima, até rejuvenesce e silencia.
Se não pudermos materialmente ajudá-las, vamos emitir um pensamento de amor a todas elas: são filhotes de nossos ninhos, amores de nossa terra, esperanças que nos pedem uma chance para viver.
Amemos a nossa gente, o espaço que nos viu nascer, como fez Smetana, o compositor em seu belíssimo poema sinfônico que, evocando de maneira sugestiva as paisagens do rio Moldávia, tem ressonância universal, ressaltando não apenas uma região da Europa ocidental, mas todo o mundo eslavo (moldávio, romeno, tcheco, búlgaro, servo-croata, esloveno, russo e ucraniano).
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SHEHERAZADE

O intermezzo no terceiro movimento, escrito para violino solo, é o momento musical em que Sheherazade, que empresta o nome à suíte sinfônica, opus 35, de Rimsky-Korsakov, surge diante do sultão para lhe revelar os contos das noites árabes.
Nas lendas do Oriente, ouvimos falar de um rei que, se sentindo humilhado pela traição de sua esposa, requisitava diariamente em seus aposentos uma nova virgem e, após os jogos da lua e dos ventos, mandava matá-la.
Preocupados com a escassez de candidatas e a fim de evitar novos derramamentos de sangue, seus ministros indicaram a bela Sheherazade que lhe contava estórias que se prolongavam pelas mil e uma noites.

Como é importante a mulher na vivência de um casamento que se estende no futuro interminável. A lua-de-mel constante. Os planos e ideais do casal sempre colocados à luz do dia, à luz lilás ou rosa da alcova nupcial.
Assim como gostamos de ouvir prelúdios e sinfonias, suítes e noturnos, sonatas e adágios de concerto, árias de ópera e réquiens de missa, numa reciclagem interminável, a sonoridade da voz da mulher amada nos enlaça em febricitante alegria. Nesse enlevo, quanto mais a ouvimos, mais a desejamos.
Esse contentamento é doado aos filhos, familiares e amigos que vibram aplaudindo ostensivamente ou em silêncio. Esta atmosfera amena se espalha até mesmo pelos lugares por onde transitamos. Quando o casal está feliz, os filhos recebem a influência desta felicidade e passam aos seus amigos, desfazendo a seriedade dos tristes e dos zangados.
Esse clima suave e alentador propicia o encontro do casal e dos filhos na sala-de-estar e nos outros recintos onde a vida a dois é intensamente vivida, compartilhada e distribuída a toda família. Tudo está interligado: as estrelas nas constelações, os planetas nos sistemas solares, os rios nos oceanos, a família na sociedade, as sociedades na Pátria e as pátrias na humanidade.
Na Grécia olímpica esse encadeamento de beleza imperecível era conhecido pelo nome de Cosmos que quer dizer ordem, numa lição insuperável que devemos dar à nossa própria vida.
Antes que possamos sentir a harmonia das esferas, é necessário que a nossa vida seja ordenada no ritmo que flui normalmente, acompanhando o pulsar da natureza.
Diferente, nesse caminhar, seria o mesmo que acontece com a célula do câncer que resolveu trabalhar sozinha, mesmo dentro do organismo, mas longe das funções que a vitalizam, sim a vitalizam, pois elas se reproduzem e aceleram o processo de morte do indivíduo.
Parece inacreditável: o homem cercado pela abundância e sentir-se carente, dentro da lagoa grande e sentir sede, dentro de forças revitalizantes da natureza e sentir-se fraco.
A primeira mensageira dessas forças - a mulher - lhe envolve em carinhos que lhe dão um sentido mais amplo em seu viver. Quando veio ao mundo, foi o olhar materno que o acolheu e o acompanhará eternamente e, na juventude, recebe outros olhares femininos que lhe despertam os segredos do coração.
A nossa herança límbica dos mamíferos, a mãe alimentando e cuidando dos filhos, foi enfatizada no Senado Federal pelo escritor Leonardo Boff, ao ensejo da realização, em 7 de maio de 2012, do Colóquio Internacional sobre a Carta da Terra que apresentou importantes subsídios para a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável - Rio + 20.
        Sheherazade é aquela mulher que todos os homens gostariam de ter e sempre a encontram em suas esposas quando estão dispostos a ouvir suas narrativas que se prolongam em mil e uma noites.    
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sexta-feira, 6 de julho de 2012

O CANTO DA TERRA

Sabemos que muitos observadores da música chegaram à conclusão de que Gustav Mahler, em O Canto da Terra, estabelece a relação entre o caos e a ordem, o silêncio e o grito, a morte e a vida, como nos vulcões que adormecem e acordam.
Decifrando o mistério, nos versos de Dante, em que o Logos desabrocha em cada rosa, o artista das mil sinfonias (a de n° 8, conhecida também como Sinfonia dos Mil porque evoca o hino medieval Veni Creator Spiritus, de Hrabanus Maurus, escrito há mais de 1.000 anos), compreendeu que o homem é um anjo adormecido.
Ainda não ligado inteiramente à fonte, o homem tem necessidade de buscar, em evasivas diversas, o preenchimento de algo que ele mesmo nem sabe o que é. O ser etéreo, que ele é, não é percebido porque a sua mente está ligada aos interesses fugazes da matéria.
Nessa carência de equilíbrio, vagueia em lugares infestados de vibrações de pessoas que também ainda não se encontraram.
Busca sempre lá fora a resposta que está dentro de si. Por desconhecer a proteção divina, imantada em tudo, se agarra, na maioria das vezes, a pessoas que não têm condições de levar uma palavra de esclarecimento.
O desejo é saciado sempre na hora certa. Como o homem que vagueia sem rumo não sabe as implicações daquilo que buscou, há uma satisfação oportuna para que prove, às vezes com doses amargas, o sabor daquilo que tanto quis.
De experiência em experiência, consome o tempo, acumulando informações dos desencantos por que passa, sem ainda tomar uma decisão afirmativa do seu viver. Amante louco das ilusões, embriaga-se por bebidas ou emoções em desalinho, não querendo aceitar o resultado positivo daquilo que ficou.
Mas chegará um dia em que - num leve toque de uma experiência que já teve, o recrudescimento das ressonâncias - dá um salto, um salto quântico, e deixa para trás todas as ilusões que lhe tornaram infeliz. Numa visão poética, este é o salto para o paraíso.
Toda a preocupação do seu viver fica mergulhada na imensidão das forças cósmicas que impulsionam os mundos nos seus ninhos em movimentos. Mesmo trazendo as marcas das decepções e amarguras, sente sede de amar, doar-se, expandir a sensação de paz àqueles que estão caminhando um pouco atrás.
Quando a sua vontade vem revestida de sabedoria, ou melhor dizendo, quando deixa de ter a vontade, abandonando-se à luz, porque a luz é sabedoria, a primeira reação que tem é de ser um ser eterno e não simplesmente o corpo de formas materiais, sujeito à decomposição, algum dia no futuro, que a cada dia se desgasta.
Pela primeira vez sente o que é ser feliz, não sofre mais e nem se angustia. A sensação de leveza é constante como um pássaro que voa. Tudo é primaveril, tudo são flores, o aroma é suave e alentador. Quanta renovação benéfica vai surgindo como o vento do amanhecer! Essa sensação de perenidade fica retida num só instante, o instante completo, eis a plenitude.
A vida passa a ser sonho e realidade ao mesmo tempo. Com a beleza que sente, no íntimo, vê resplandecê-la em tudo que existe. Todos os seres são os seus amores. Rosas são corações que amam deixando o perfume.
Sonhando tocar, uma a uma, as estrelas do zodíaco cantante do criador das mil sinfonias, assim se expressou o poeta Luis Gastón Soublette:
    “Yo quiero buscarte entre los pliegues
    más secretos de tu religión sonora,
    alli donde no llegara ningún diapasón viviente
    sino tan sólo el chino pobre e sonriente
    el taoísta inmortal com su flauta de jade
    y su canción de la tierra”.     
(2)
(2) LUIS GASTÓN SOUBLETT (in Revista Musical Chilena - julho/agosto – 1990  –  Acervo: Biblioteca Nacional)


 

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quinta-feira, 5 de julho de 2012

ANTAR

O argumento musical da suíte Antar, de Rimsky-Korsakov, foi inspirado num conto poético de Senkovsky que relata o caminhar solitário de um poeta e guerreiro, no deserto de Sham, perto das ruínas de Palmira, onde afugenta uma ave gigantesca que perseguia uma gazela (TRANCHEFORT/1990).
À noite, Antar, em sonhos, viaja ao palácio encantado da fada Gul-Nazar que lhe agradece por ter salvo a vida quando tinha adotado o aspecto de uma gazela. Lá esquece as dificuldades da vida comunitária (TRANCHEFORT/1990).
É necessário sabermos seguir a direção que nos dá visão de nossos ideais, não importando se as circunstâncias atuais ainda não nos sejam completamente favoráveis. Se há um tênue deslizar de águas que saem da fonte, lá na frente correrá num grande fluxo, em direção ao mar.
Assim são os nossos sonhos. Nascidos em fontes sagradas têm a direção que a lei natural determinará. Os rios têm a gravidade que favorece o percurso, o homem possui a gravitação de seus interesses em torno da causa que beneficiará a todos. A evolução está em tudo. É por isto que vemos se extinguir movimentos de beleza restritos à área particular de pessoas que pensam sentir o infortúnio e o isolamento.
O que pertence ao interesse geral virá no momento adequado, embora haja embaraço naqueles que têm dificuldades em levar à frente tal empreendimento.
A semente faz esforço gigantesco até se arrebentar para renascer em outra forma que dá alimentos a outros seres. O meio externo exerce influência no reino em que vive, limitado à natureza que o compõe, mas não consegue ultrapassar as fronteiras que anunciam outra dimensão maior.
Naquela nascente sagrada, onde começa a vida que resplandece no mundo físico, há condições do homem saber a realidade da vida que afugenta todos os temores e elucida os enigmas do destino.
A missão inteligente, que envolve seus sonhos, nasce nessas paragens de comovente beleza que possuem leis próprias, definidas e eternas.
Assim como o homem se extasia diante da força dos rios que desembocam no mar, os sonhos que promovem a evolução humana acontecerão, não importando as idades, os séculos, os milênios. O que é um determinado tempo diante da eternidade?
Como é importante mantermos a ligação com os níveis superiores de consciência, a fim de que nossos sonhos, nascidos daquelas fontes, possam se exteriorizar incólumes diante do meio que não tem forças para desgastá-los.
Se as condições não estimularem o plantio, conservemos as sementes em nossas mãos no tempo permitido para conservação e confiemos que a hora surgirá no momento adequado, favorecendo-nos o trabalho.
Os semeadores de todas as épocas sabiam que a vida passa por estágios evolutivos, simples e cristalina ganha formas variadas na complexidade de suas manifestações, multifacetadas, mas sempre única em suas nascentes.
Todas as dificuldades humanas, que se movimentam nas influências do meio que cerceia os grandes voos, desaparecem quando as energias do sonho surgem revelando a realidade da vida. Daí a razão do homem buscar conhecer suas necessidades, suas lacunas no campo afetivo, suas possibilidades de caminhar abrindo espaços a todos que estão por ele ligados por algum envolvimento.
Quando os sonhos atingem a realidade tangível são acalentados pelo sonhador que não sabe onde nasce a beleza imperecível e se movimenta nas energias do pensamento que encontram o impacto de manifestações contrárias.
Essas manifestações vêm da educação e das crenças que ainda persistem na consciência dissociada que está, ainda, na maioria da população mundial. Os engramas são introjetados na mente que é jugulada por pressões de controle de massas.
Apenas 500 pessoas, não mais do que isto, controlam toda a vida do planeta e determinam o que os 7 bilhões de pessoas devem fazer, ao influxo dessa educação e dessas crenças.
Nos mundos unificados não existem confinamento e nem vínculo de subjugação. Trabalha-se sim, dorme-se sim, em escalas de tempo muito menores do que existem na Terra. Resta-lhe o tempo para recreação e lazer em que as artes têm a preferência.
Vestindo a franja de resistências, onde o medo do desconhecido está, a criatura humana é impedida de se libertar e permanece no confinamento, sem ter a possibilidade de contato com as esferas multidimensionais.
Se houver a certeza de que as leis imutáveis da natureza não são distorcidas pelo ambiente de desconfiança em que muitos grupos sociais vivem, então o homem compreenderá a realidade dos sonhos como a única que existe, por ser a própria vida.
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quarta-feira, 4 de julho de 2012

POEMA DO ÊXTASE

A sonoridade de esplendor que se derrama no Poema do Êxtase, opus 54, do compositor Alexander Scriabin, eleva-nos ao maior grau do conhecimento humano, a intuição.
Acima da contemplação racional onde se fundamentam as teses da relatividade e a fuga das galáxias, vemos que o êxtase, em sua expressão maior, é a descoberta do homem que se sente parte integrante do todo universal que se espalha pelo infinito.
O ciclo da vida se movimenta incessante, desde as noites dos tempos perdidos na História, até os alvoreceres dos séculos onde a luz e a inteligência caminham juntas, agora percebidos pelo homem e continuam a surgir nas novas etapas da evolução.
Discutir a origem do Universo, apenas na tese do início de uma grande explosão (big bang), é situá-lo em uma época, mesmo que seja em milênio, mas numa contagem limitada e num determinado lugar que pode até abranger a galáxia inteira onde o nosso planeta se move como um minúsculo ponto.
O mais importante na vida para o homem é se descobrir em sua essência eterna para sentir o êxtase da comunhão de tudo que o envolve num caminhar sem fim.
A música de Scriabin traz o conforto de algo mais, como os ventos das tardes ensolaradas, e tem o dom de transmutar as sensações passageiras numa contemplação paradisíaca.
O Poema do Êxtase reúne o sonho e a poesia na música das esferas resplandecentes. Tudo está em movimento.
Vislumbrando o conhecimento intuitivo, podemos dizer que o reino da morte somente existe dentro das paisagens da sombra, como nas lendas de Kalevala que inspiraram Sibelius a compor O Cisne de Tuonela.
As artes e os dons divinos já demonstram a imortalidade do ser humano que resplandece, no desgaste da matéria, num ciclo evolutivo mais consciente com a realidade do Universo.
Os planetas, as estrelas, as galáxias percorrem o mesmo ciclo de vida imantado em tudo (nascer, crescer, morrer, transformar-se) para constituírem outros aglomerados siderais.
Se há um parto animal, há um parto planetário e até mesmo de toda uma galáxia que pode receber o nome de uma grande explosão ou big bang.
A Astronomia clássica tem por evangelho a teoria de que os quasares – núcleos luminosos de galáxias muito distantes – possuem luminosidade superior a um bilhão de vezes maior que a do Sol de nosso sistema planetário.
Na Via–Láctea há mais de cem bilhões de sóis. Em bilhões e bilhões de galáxias, quantos sóis existiriam? Isto nos leva a afirmar que o Universo é luz, e a luz é inteligência.
Na descoberta de luas e sóis, galáxias e nebulosas, poeiras luminosas que irradiam a beleza, o mundo dos poetas, revelando os sonhos, mostra a realidade tecida em túnica inconsútil.
Luas cor-de-prata, luas alaranjadas, luas azuladas, luas das cores do pôr-do-sol, luas vestidas de arco-íris, luas cor-de-mel, luas de cores e nuanças que lembram a luminosidade do olhar de cada mulher, viajam em órbitas que o homem ainda não conhece.
As teorias existentes sobre a formação do Universo ainda se debatem, umas contra as outras, simplesmente porque algumas correntes científicas não podem definir como finito o tempo e o espaço. Os mundos nascem, crescem, envelhecem, contraem-se, explodem e renascem, numa incessante transformação.
A ideia de que o Universo teria surgido há 15 bilhões de anos, numa grande explosão, define a morte das estrelas implodidas, os buracos negros. As hipóteses permanecem ainda em aberto porque está surgindo a descoberta de novas muralhas de quasares.
Ainda numa visão limitada, podemos sentir que existem, além dessas muralhas, muitas moradas e jardins, numa concepção de grandeza que somente o paraíso poderia oferecer àqueles que se libertaram do ciclo da morte.
Estamos falando da morte da consciência, o esquecimento total da memória, quando da morte do corpo físico, vagando como sombras na erraticidade, são essas almas penadas no linguajar popular, ainda existente na Terra na consciência dissociada da terceira dimensão que está indo embora.
No entanto, essas almas penadas, o joio do trigo, não mais retornarão ao planeta que está sendo sacralizado, atualmente por mais de 1 bilhão de habitantes, a maioria mulheres, salve as mulheres, os restantes quase 6 bilhões, dos 7 bilhões de habitantes, vivem, no dizer da tradição hindu, no mundo maya (ilusão).
Nos reinos do amor, a sabedoria se expande em profusão e naturalidade, como a luz do sol que aquece e a luz da lua que enternece. As vibrações estão harmoniosamente ligadas umas as outras, na mais perceptível revelação da unidade.
Num nível de consciência mais profundo, os seres humanos podem perceber que tudo é manifestação cósmica, o que equivale a dizer, no conceito do filósofo Spinoza, tudo é manifestação do Um (O Universo é formado de uma só substância), e o conceito de Einstein (Tudo é energia), agora compreendida dentro da unidade e não mais dentro da dualidade que gera a separação.
O orgulho em não se abandonar-se à Luz, leva-os aos vales da sombra aonde chegam carregando desencantos à espera da transmutação. A humanidade desses vales está ligada à responsabilidade de seus atos, dentro do conhecido mecanismo de causa-e-efeito, numa compreensão necessária aos primeiros passos da evolução.
O carma e o livre-arbítrio só existem nos mundos dissociados, como a Terra que está deixando de ser um deles, neste final dos tempos, para ancorar a consciência unificada. É o retorno da luz pela seta de Sagitário (Nostradamus).
A nebulosa de Sagitário ou a constelação de Sagitário é o centro da Via-Láctea, a galáxia que abriga o sistema solar, onde a Terra gira. A descoberta dos raios adamantinos, os raios-gama dos cientistas e o alinhamento das Plêiades, Sol e Lua fizerem cumprir a profecia de Nostradamus e a profecia maior "olhai os sinais do céu" de Jesus.
Após transcender o livre-arbítrio, o homem tem a visão da sabedoria, podendo até duvidar, no início, se ele existe ou é a sabedoria que vive nele, mas, num segundo mais tarde, reconhece que, acima de qualquer manifestação humana, tudo é a vontade cósmica ou, mais enfaticamente, tudo é a vontade de Deus, compreensão agora que abriga a unidade.
Ainda sem a visão da vida, os desejos do homem giram sempre em torno da instabilidade. Hoje é uma coisa, amanhã é outra. Em cada passo, cria-se situação que inexoravelmente terá de passar, sem ser preciso culpar o destino, o caminho escolhido.
Assim como os cristais irradiam vibrações que despertam a beleza, a muralha de quasares iluminam os mundos paradisíacos onde, um dia, na alvorada dos milênios, o homem chegará.
O clima de poesia, de amor a tudo que existe, como presença atuante do Universo, chega-nos com a força dos astros e estrelas que igualmente iluminaram o rosto daqueles que semearam a beleza em todas as artes, como fez na música o compositor russo Scriabin ao revelar ao mundo O Poema do Êxtase.
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terça-feira, 3 de julho de 2012

SINFONIA PATÉTICA

Num choro e lamento que vêm da alma, derramando-se aos poucos lentamente, até diluir-se em murmúrio, o 4° movimento, um Adágio Finale, da sexta e última sinfonia de Tchaikowsky, inteiramente sem precedentes na história da música, como disse o maestro Isaac Karabtchevsky, foi escrito sob lágrimas.
Há dois grandes momentos em que a criatura humana pode chorar: quando o sonho vem e quando o sonho vai. A música do compositor russo é intensamente rica de espiritualidade que descortina os horizontes, os arco-íris, o mundo dos sonhos e, em murmúrio, apresenta ao homem embevecido tanta beleza.
A Sinfonia Patética é um hino lírico e triunfal do homem que contempla, numa roupagem de completa indigência, as blandícias do paraíso, apenas contempla sem ter ainda forças para chegar até lá.
Dentro da linguagem das parábolas, a Patética é a descrição daquele momento em que o filho pródigo, cansado de passar mal, começa a pensar na volta à casa paterna. Quantos júbilos explodem em seu peito, como se fossem fogos de artifícios que sobem no ar e caem em cascatas!
Com os olhos embaçados na atmosfera do sonho que passa, o homem brinca de ser feliz sem acreditar na existência da felicidade. No momento em que as nuvens mudam de lugar, chora como criança que perdeu um brinquedo.
Nessas horas tudo ao redor parece sombrio porque as nuvens não lhe permitem a visão. Até mesmo a Patética parece patética no sentido de tristeza. Mas a música de Tchaikowsky é de uma tonalidade azul como a imensidão dos espaços, essencialmente bela e fulgurante como a ternura dos amores.
No grande momento em que o homem percebe os seus sonhos vindo das fontes límpidas há uma espécie de materialização das gotas dessas fontes em seus olhos para demonstrar a todos o quanto é valioso o significado desta mensagem que traduz a finalidade do seu viver.
Com as cores que nascem em seu íntimo, começa a ver tudo numa pintura dos grandes artistas. Canção Triste, Serenata Melancólica e a Patética, de Tchaikowsky são vistas agora numa visão paradisíaca. Quem ama, vê o amor, na música, na poesia e nas lacunas que serão transmutadas pela mesma beleza.
A grande tristeza do homem é querer passar o tempo alheio a tudo, como se o Universo fosse exclusivamente ele só. Até mesmo a beleza que o rodeia, estimulando-o a caminhar, quase não é sentido.
Entorpecido por hábitos que provocam a doença, esquece que é um ser etéreo (eterno) que se liga à fonte para se apegar exclusivamente à personalidade (transitória), sem perceber que, igual ao filho pródigo, suas horas de passar no chiqueiro estão contadas. A espontaneidade, que se encontra em todos os gestos da natureza, fará nele o despertar da evolução.
A partir daí, compreenderá que o amor é uma propriedade do espírito que tem intrinsecamente um atributo eterno. Por mais que seja incompreendido, e resvalado a áreas secundárias ao seu objetivo maior, ressurge lá na frente livre e espontâneo.
Não nos detemos diante do joio, mas o joio está sendo afastado, em definitivo, do planeta, neste final de ciclo planetário.
A Terra, sacralizada e elevada à quinta dimensão unificada, não acolhe mais a entrada de mentes dissociadas do amor. Não se trata de escolha, é questão de vibração.
Há mundos afins que a grande massa do joio irá continuar a sua evolução, na mesma vidinha de sofrimento e de dor, e de lutas acerbas, a ilusão de que vivem é o real e o real é a ilusão, na versão prometeica que falsificou os sistemas de vida no planeta Terra. Esta consciência planetária está indo embora. O retorno da luz pela seta de Sagitário (Nostradumus) é uma realidade.
No ambiente vibracional para onde a grande massa do joio vai e está indo embora até que seja completado este ciclo planetário, é o mesmo ambiente em que esteve na jornada terrena, mudando apenas de espaço físico, inclusive os mesmos comparsas dos enredos comportamentais.
Nesse ambiente as condições de vida são árduas por causa da densidade de psicofera destorcida da realidade daquilo que os seres humanos são, seres etéreos que se ligam à fonte. Mesmo nessas circunstâncias, o amor de Jesus os acompanhará.
Assim como o diamante pode garantir a troca por outros valores materiais, o amor igualmente garante o equilíbrio de nossas emoções que se refletem na saúde e no estímulo para obtermos também os bens de consumo.
Se a maior honra para o homem é sentir-se um príncipe, tanto nas letras como na herança de um reino, por que não pensarmos que somos candidatos a príncipes de um reino maior? Melhor dizendo, somos eleitos sem sabermos.
Quando espalhamos o amor a todos, sentimos algo em comum com aqueles que nos rodeiam. Isto acontece nos recintos sociais onde conhecemos pessoas importantes que passam a nos apresentar aos seus pares na consideração que amplia nossas atividades.
O amor chama amor, o carinho de pessoas que passam a nos amar, numa riqueza de momentos que parecem refletir o brilho de Orion, onde comparamos o amor ao diamante que lá existe, como fez Fagundes Varela, no Evangelho das Selvas, e na música de Tchaikowsky viajando pelas estrelas.
Mudando apenas de compositor que abordou o mesmo tema, o 2˚movimento da Sonata Patética, de Beethoven valoriza muito o site do escritor Márcio Cotrim, membro da Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil (Cadeira patronímica de Tancredo de Almeida Neves, que dirigiu interinamente, no período de 19/9/1956 a 26/10/1956, o Banco do Brasil).
Para falar a respeito de Tancredo Neves, retomamos ao tema, o segundo parágrafo: “Há dois grandes momentos em que a criatura humana pode chorar: quando o sonho vem e quando o sonho vai.” Nunca o povo brasileiro chorou tanto por um homem, o homem que foi eleito mas não tomou posse no cargo de presidente da República. 
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segunda-feira, 2 de julho de 2012

QUADROS DE UMA EXPOSIÇÃO

A suíte musical Quadros de uma Exposição, escrita em 1874, pelo compositor Módest Mussorgsky, um dos participantes do Grupo dos Cinco que impôs ao mundo a melhor representação da nacionalidade da música russa.
Ouvimos, nesta suíte, sons simbólicos de dez peças que compõem a exposição de pinturas e aquarelas do arquiteto Viktor Hartmann, sendo que na primeira denominada Passeio retrata o visitante da exposição de quadros, na segunda, Gnomos, seres espirituais que se refletem direta ou indiretamente nas florestas (TRANCHEFORT/1990).
O ciclo da Exposição finaliza com a apresentação de A Porta de Kiev: numa harmonia majestosa fluindo no ar, surge um hino nacionalista que se mistura ao repicar de sinos, num crescendo grandioso. Este é, a nosso ver, um dos pontos máximos da música russa.
Quadros de uma Exposição, de Mussorsgky, em sua forma original, teve orquestrações de compositores e regentes de várias nacionalidades: Yúri Túshmalov (1891), Leon Funtek (1921), Leonidas Leonardi (1924), Serguêi Gortchchóv (1955), Vladimir Ashkenazy (1983), sendo a mais famosa a do compositor Maurice Ravel, em 1922, numa arriscada tentativa de mudança de ambiente (TRANCHEFORT/1990).
Ganhou a música de Mussorgsky um elevado padrão de qualidade, dentro da mais rigorosa formatação acadêmica do compositor impressionista francês, mas perdeu um percentual da música eslava, mesmo que seja de 100% para 99%, nesse percentual estamos enaltecendo a proeza de Ravel e conservando a grandeza da música russa.
Nas mutações vertiginosas do planeta, no passado recente, vimos a desintegração da União Soviética, num processo de independência de nações.
A evolução planetária atinge todos os setores onde o homem caminha, despertando-o a novas posturas de vida que sejam capazes de lhe dar felicidade.
A racionalidade ortodoxa, caindo nas vertentes das doutrinas imediatistas, não amplia as dimensões da natureza humana. O homem dionisíaco da Grécia antiga já demonstrava possuir um referencial de vida bem mais amplo.
A inspiração, a intuição, o mundo subjetivo, a revelação espiritual ou profética, os segredos do coração estão acima daquilo que muitos chamam de razão. Aliás, a própria razão ampliou-se em vertentes mais amplas, ainda não aceitas pela totalidade da comunidade científica.
A concepção racional, onde o Universo está mergulhado, não pode ficar restrita a teorias que falam em razão apenas na intelectualidade de argumentos superficiais. A outra visão, que vem de um nível mais profundo do ser humano, é muito superior e elucida os fenômenos dentro e fora da matéria.
Em suma, a razão ganhou novas vertentes do pensamento, ou melhor, se ampliou a espaços onde o sonho e o destino têm os seus domínios, é a volta do pensamento dos poetas, filósofos, músicos, maestros e compositores que viam o mundo se ampliando em outras dimensões.
Vale ressaltar que todo o nosso sistema planetário está em transformação. Em particular, a Terra, deixando ir embora a dimensão dissociada, acolheu a consciência unificada pela primeira vez, saindo de três dimensões dissociadas, sendo que a última durou 26.000 anos, fechando este ciclo, em 20 de maio de 2012, quando houve o alinhamento das Plêiades, Sol e Terra.
Esta foi a missão de Jesus: cortar essa cadeia dissociada que promove o confinamento. O ser etéreo se liga com a fonte. O retorno da luz, neste final de ciclo planetário, estabelece o fim do confinamento e o despertar da consciência eterna que a morte não aniquilará mais. É o fim do carma, é o fim da separação, é o fim das reencarnações expiatórias em que a consciência estava adormecida.
Nada do que é oculto ou falso será mantido. A consciência desperta se revelará em todos os habitantes do planeta. Os pensamentos de cada um serão notados por todos, assim como acontece nos sonhos quando dormimos, onde a fala não existe e sim a nossa realidade espiritual.
A Porta de Kiev, da suíte Quadros de uma Exposição, de Mussorgsky, revelando a fantasia e o sonho do compositor russo, nos faz refletir nas saídas deste momento conturbado em que o planeta cambaleia na inclinação do seu eixo, literalmente sim, e moralmente também, para a entrada de outra porta que nos conduz ao paraíso que fizermos no íntimo.
Enquanto era divulgada a notícia procedente do Oriente em que o tsunami fez oscilar o eixo da Terra, ouvimos dentro do Metrô – Estação Carioca, na cidade do Rio de Janeiro, a música Quadros de uma Exposição do famoso compositor russo.
A multidão de pessoas percebeu apenas o que estava mais ligado ao seu mundo íntimo, como é lógico, cada um tem seus próprios pensamentos, e ficamos, apenas, em silêncio a reter o que nos convém, a nível de interiorização de alma.
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