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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A ROSA MÍSTICA DE NAZARÉ


   Lament for strings orchestra, Opus 41, de Jack Gibbons, música escrita, em junho de 2003, e o coro final da Paixão segundo São João, de J.S. Bach, sugerem–nos a ideia do desenrolar final dos trágicos acontecimentos do Monte Calvário, no qual estavam presentes numerosas mulheres, entre elas, Maria de Nazaré, Joana de Cusa, Madalena, Maria, esposa de Cleófas e apenas um homem fiel, João Evangelista, o apóstolo predileto.
   Este é o único momento da vida planetária em que as trevas impuseram o domínio sobre o poder celestial. Na Ressurreição o triunfo do herói da sepultura vazia, Jesus, a luz do mundo, ressurge no decorrer dos evos.
   Miguelangelo imortalizou, em La Pietá, a arte representada pela presença de Maria acolhendo no colo, com ternura, o filho morto na Cruz, em exposição permanente na Basílica de São Pedro, no Vaticano, uma das maiores atrações turísticas de Roma.
    Com a imensa satisfação, visitamos o facebook de Nona Orlinova, residente na cidade de Sofia, Bulgária, em que aparecem fotos de excursão turística, entre as quais La Pietá, de Miguelangelo na Basílica de São Pedro, no Vaticano.
    Mozart, Schubert, Caccini, Gounod, Mascagni, Verdi, Fauré, Astor Piazzolla prestaram homenagem a Maria de Nazaré, nas conhecidas Ave–Maria.
    A comédia musical Notre Dame de Paris, baseada no romance de Victor Hugo, apresenta, em cena lírica, 53 números musicais de autoria de Richard Cocciante (também conhecido como Riccardo Cocciante), dentre os quais sobressai a Ave Maria Païe, letra de Luc Plamondon, interpretada na voz de Hélène Ségara, de comovente beleza artística. O texto enfatiza: “Ave Maria, protège–moi de la misère, du mal et des fous qui règnent sur la Terre.”
    Fagundes Varella, poeta fluminense, evoca o Brasil no entardecer das tardes fagueiras que saúdam a Virgem Maria:
“No pórtico sublime do Oriente
Surge fagueira a estrela vespertina,
E, além, de nossas pobres freguesias
Nos altos, alvejantes campanários,
Sôa, pausado e lento, o velho bronze

Dobrando: – Ave Maria! – O viajante

Que vem de terra estranha, e a pátria busca,
Se ajoelha na beira do caminho,
– Ave Maria – suspiroso fala.
O cabreiro que desce das montanhas,
Ao redil conduzindo a grei singela,
Pára, levanta para os céus os olhos,
E diz: – Ave Maria! – A mãe querida
Chama zelosa a prole abençoada,
Junto à lareira da tranquila choça,
E lhes repete a saudação divina.
-  Ave Maria!... na solidão dos mares
Murmura o navegante: – Ave Maria!”    (119)
(119) FAGUNDES VARELA, L. N. – in Anchieta ou O Evangelho nas Selvas – poema – Canto IV – Cap. IX – p. 129 – Livraria Imperial – 1875 – Rio de Janeiro – Acervo: Academia Brasileira de Letras.
    Esse clima bucólico da natureza resplandece ainda na voz da cantora Fafá de Belém que, no momento mais importante da carreira artística, cantou Ave Maria de Vicente Paiva (1908/1964) e Jaime Redondo (1890/1952), numa apresentação que ganhou o mundo, nos idos de 1997, na imagem transmitida, ao vivo pela televisão, da visita ao Brasil do papa João Paulo II:
“Abençoai estas terras morenas, seus rios, seus campos e as noites serenas, abençoai as cascatas e as borboletas que enfeitam as matas.”
      A Ave Maria de Erothides de Campos, composta em 1924, inicia–se no clima nostálgico: “Cai a tarde tristonha e serena, em macio e suave langor”, imortalizada na voz de Augusto Calheiros, em 1939, e, posteriormente na de Altemar Dutra, Caetano Veloso, Inezita Barroso e Agnaldo Rayol, entre outros.
    Se admirável é ver a felicidade das mulheres seguindo Jesus, a admiração é ainda maior quando observamos ser Maria de Nazaré, a primeira cristã do mundo, testemunhando esse amor, do começo ao fim do plano terreno e, continuado nas regiões resplandecentes.
       O pioneirismo tem esse valor imarcescível.

Blog  Fernando Pinheiro, escritor
 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

FOLHAS SOLTAS


A música Folhas Soltas, de José Siqueira, compositor e regente (1907/1985), é uma suave melodia. A letra é de autoria da poetisa Lúcia Aizim que estende uma atmosfera de sonhos mais ligada a esferas onde a luz resplandece intensamente do que nossos desejos pessoais que buscam  se alinhar com esses sonhos.
“Leves auroras se instalam nas moradas sem porta”, inspiram-nos a ideia de luz surgindo no caminho de quem não colocou  obstáculos à frente. É a entrega, o doar-se à luz que se interioriza em seu ser mais profundo. O símbolo da aurora é o símbolo da iluminação interior, roteiro indispensável a todos que estão conhecendo um mundo de paz profunda.
“Os caminhos se tornam prodigiosos, próximos”, revela uma situação confortadora para nós que estamos na lida na  realização dos ideais sublimes. Não é apenas um mundo  melhor que aspiramos, mas uma participação ativa  e  atuante  que este mesmo mundo pode oferecer-nos e a todos aqueles  que convivemos, de maneira mais próxima ou  afastada  fisicamente.
Os prodígios surgem à medida que tomamos conhecimento  dessa  realidade  que  vem  de  fontes  límpidas, onde colocamos o nosso pensamento, a nossa alma, a nossa  vida. A atração é irresistível e a ligação se faz presente através do mecanismo causa-efeito, ou mais precisamente, ação e ressonância para cobrir de nova roupagem esse antigo mecanismo.
Pensamos em beleza e a beleza surge. É um privilégio  destinado  a todos que se ligam à própria beleza que está em todas as partes da natureza, principalmente a do reino espiritual. Quantos recursos imateriais surgem diante da alegria, da satisfação de viver um sonho que é realidade! Pessoas que pensam e vibram neste mesmo diapasão vêm-nos  ao  encontro  para somarmos valores imarcescíveis.
Todo esse enlevo espiritual se reflete na parte material que torna acessíveis os sonhos de consumo pessoal e coletivo. O dinheiro, fonte de riqueza, surge, ampliando cada vez mais as nossas possibilidades de realização de nossos ideais. A ideia da beleza material ou transcendente, por nós escrita ou falada, é passada através de comunicação que se interliga a inúmeras pessoas, crescendo o nosso círculo de amizades.
“Nada se curvou aos nossos desejos, mas é preciso inaugurar estrelas” são palavras que denotam a natureza das pessoas: humana e divina. Na parte humana, nada se curvou aos desejos pessoais, porque a vida é fluxo de energias que corre em  direção de seus objetivos e nada impede esse fluxo. É a voz do  destino que fala mais alto.
No segmento divino há uma agenda superior a todos os compromissos humanos, acima mesmo das mais elevadas autoridades nacionais e internacionais: inaugurar estrelas.  Esse estágio evolutivo é mais pertinente aos seres iluminados, anjos, seres humanos que evoluíram dentro das escalas  ascensionais da criação divina. Um dia, no decorrer dos  milênios, este privilégio será estendido a todos que estão, a  duras provas, seguindo o caminho da luz.
Já existem mesmo aqui no planeta multidões de pessoas que já  fazem viagens astrais a planetas onde um dia, em corpos sutis, irão desempenhar missões que contribuirão para a evolução nesses mundos de beleza imperecível.
Diante da instabilidade que passa a vida planetária, tudo muda, num processo que evolui, é natural sentir-se frágil, mas a fragilidade desaparece quando há a ligação com os planos  superiores de consciência, onde a luz é perene.
Nessa firmeza, a música finaliza: “colho canções onde não há”. As canções colhidas é o fruto de tudo quanto semeamos no coração de todos aqueles que o destino colocou em nosso caminho e que voltam cantando canções que são mais delas do que nossas.   

Blog Fernando Pinheiro, escritor

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

SONHEMOS

 
Destinada para canto e piano, a música Sonhemos foi escrita pela compositora Henriqueta Rosa Fernandes Braga (1909/1983), musicista, maestrina, professora da Escola de  Música da UFRJ, nos idos de 1930 a 1970, membro da   Academia  Nacional  de  Música.
A aura musical da compositora que iluminou, durante 4 décadas, o caminho de gerações de jovens estudantes e   artistas, na canção Sonhemos, estende uma luz sonora no  movimento Andante con espressione. O do final é forte como   forte  é  a  mensagem  da  letra  que  o  acompanha.
A letra de Sonhemos, que ganha a forma de um belíssimo soneto, é de autoria do escritor maranhense Humberto de Campos (1886/1934), imortal da Academia Brasileira de Letras. 
Imensamente rica de ensinamentos que norteiam o caminho de quem passa nesta vida carregando dores e sofrimentos, a letra  da  canção  é  uma  bússola.
Usando uma linguagem comparativa de parábolas, Humberto de Campos apresenta-nos um lago quieto que é  despertado por uma pedra nele lançada. A água se abre num súbito receio, e  ferida, arrepia-se como uma pessoa que sente o sofrimento  invadir-lhe a alma.
Quando  a  pedra  afunda,  um  círculo  se espalha  em suaves ondulações em direção da beirada e, por tanto se abrir, a água do lago volta a ficar sossegada. Imagens ideoplásticas que servem como exemplo de catarse, terapia que faz colocar para  fora o que no íntimo afoga.
Diante da dor e do sofrimento que se reflete no rosto de pedra, como a da esfinge no deserto, o poeta maranhense indica, aos que sofrem, o caminho para sair do sofrimento. Basta abrir o  círculo  dos  sonhos  que  todos  têm.
Os sonhos são importantes: tanto aqueles que vêm da noite em  que adormecemos como aqueles que vivemos  de olhos abertos, misturando-se à realidade tangível dos sentidos. Em ambos há  avisos que nos indicam o caminho do nosso destino que criamos, no roteiro que já existe, a  cada  instante  da  vida.
Abrir os círculos do sonho é o mesmo que vivermos o que se passa em nossa alma, em nosso ser mais profundo, onde a sabedoria deslinda os enigmas que defrontamos nos caminhos por onde passamos ou ficamos detidos em circunstâncias que  revelam  um estado emocional que nos eleva a um grau de  consciência  superior.
        
      Blog  Fernando Pinheiro, escritor

terça-feira, 18 de setembro de 2012

SOB O CÉU TÃO AZUL


Destinada para canto, flauta e piano, Sob o céu tão azul, trazendo o subtítulo N° 1 De Interior de Onestaldo de  Pennafort, é de autoria de Helza Camêu que a escreveu em  outubro de 1975. A música é suave. O original da partitura pertence ao acervo do patrono Onestaldo de Pennafort da Academia de Letras dos Funcionários  do Banco  do  Brasil.
A letra é de Onestaldo de Pennafort. Os primeiros versos  são  mergulhos  nos  sonhos,  quando  dormimos:

“Sob  o  céu  tão  azul  que  se  espiritualiza,

o  jardim  vai  fechar  as  pétalas  das  rosas

como alguém que cerra as pálpebras medrosas

para  ver  o  que    no  sonho  se  divisa."

A evolução anímica percebida pelos místicos, religiosos ou não, pelos compositores e poetas, está em todo o reino da criação divina. A “alma das cousas”, anunciada no clima simbolista e parnasiano, traduz um código ainda não totalmente decifrável. Para simplificar o mistério, o ensino fundamental das escolas determina conceitos simples como  a  sensibilidade  que  têm  as  plantas  e  os  animais.
O poeta da canção, ao anunciar que o jardim vai fechar as pétalas de rosas, sob um céu tão azul que se espiritualiza,  menciona a condição favorável para acontecer os sonhos bons. Desde os tempos bíblicos, o rei Salomão já revelava que na noite existem setas que voam. Na linguagem de hoje, essas setas são pensamentos da alma, tanto da esfera  física quanto da espiritualidade.
A letra da canção tem imagens fluídicas (“nascem apenas do  ar”) e musicais (“arabescos de sons de flauta, pela brisa...”) que  nos estimulam a passar para o íntimo as impressões salutares que serão mantidas em nosso adormecer, com estímulo para  serem reproduzidas pelo sonho, no processo ação e ressonância. Em nosso estado de vigília ou de sono, o  pensamento  cria  o  destino. 
A expressão popular “consultar o travesseiro” não está errada. É claro que o travesseiro não pode dar conselhos,  mas a nossa cabeça, que nele se apoia, recebe, quando estamos dormindo,  as  impressões  salutares  de  nosso   viver, em forma de sonhos ou de imagens ideoplásticas ou ainda de símbolos que exprimem  mensagens.
A tradição religiosa, contida em todos os credos e entidades fraternais em geral, estimula a prece, como recurso indispensável para sentirmos a paz, o conforto espiritual, a  leveza  de  sentimentos.  Esses  momentos  de inefável beleza é o nosso encontro com nós mesmos e com o sagrado, o que nos torna  santificados  ou  purificados.
Se o jardim de rosas está sob um céu tão azul, este mesmo céu está dentro de nós, sempre quando o buscamos com amor, dentro de uma atitude contemplativa ou meditativa, ou mesmo  sonhadora.

Blog  Fernando Pinheiro, escritor

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

VENTOS DO OUTONO


No passado ainda não muito distante, quando os Estados Unidos invadiram o Iraque, começamos a pensar: a desintegração da humanidade está sendo consumada.
A guerra, a fome e a peste estão espalhadas pelos vales e planícies contaminando a paisagem inteira do planeta. Agora, recentemente, surgiu a primavera árabe caracterizada principalmente pelo movimento popular que culminou com a morte de centenas de pessoas e a derrocada do regime político nos seguintes países:
Tunísia – 14 de janeiro de 2011 - a renúncia do presidente Zine El Abidine Ben Ali, depois de governar durante 23 anos.
Líbia – agosto de 2011 - a expulsão do ditador Muammar Gaddafi de dentro do palácio, onde esteve durante 41 anos no poder, capturado e morto, em outubro de 2011, pelos revoltosos contrários ao regime.
Egito – 11 de fevereiro de 2012 – a renúncia do presidente Hosni Mubarak, após 30 anos de ditadura. Mubarak morreu em junho de 2012.
Se a destruição da vida humana está subordinada ao rigor da lei, no plano mais transcendente à matéria, o reajuste à harmonia universal tem percurso adequado à situação em que se encontram todos os seres humanos.
Portanto, permanecem em outros planos a criação mental das vidas humanas que se aglutinam pelas forças afins, independente da duração da existência física, pois o pensamento, água da fonte eterna, nunca deixa de fluir, mesmo atuado pelas paixões mórbidas que adormecem as mais belas aspirações.
Onde está o canto dos poetas, a sinfonia dos compositores, a ternura das mães e das noivas, o apelo daqueles que pedem uma chance à paz?
Diante de tantos convites ao amor, é difícil imaginar o homem destruindo o planeta, a casa onde mora, pois a casa do vizinho é apenas uma parede que o separa.
A ressonância do amor se espalha pelos ventos que suavizam as paisagens, pela paciência dos camelos que caminham distribuindo vibrações acumuladas pelo deserto, as mesmas que os profetas daquelas regiões sentiram ao receber a inspiração.
Sabemos que no fruto podre está a semente nova que irá germinar no tempo que está tão perto de surgir. O mesmo acontece com esta humanidade.
O conceito de vida tem que ser bem amplo, sem barreiras, sem preconceitos, sem partidos e filiações ideológicas que apartam a presença da consciência cósmica em todos os aspectos da evolução.
A ideia de ser superior aos seus companheiros de jornada evolutiva isola o homem a espaços onde irá curtir amarga solidão. Isto porque ele não está sabendo avaliar a missão de cada um nas variadas experiências e vai desprezando uma oportunidade valiosa de se recompor junto a compromissos coletivos.
A questão evolutiva é de todos, não apenas dos líderes políticos, religiosos e educadores em geral, espalhados nesta e em outras latitudes. Ampliemos nossa atuação por um mundo melhor não somente nos lugares onde moramos e trabalhamos, mas em todos os ambientes que estão influenciados por ondas devastadoras, mesmo que participemos apenas em pensamento.
A guerra das armas é o reflexo da guerra dos conflitos íntimos daqueles que ainda não conseguiram viver harmoniosamente nos grupos sociais onde existem compromissos à evolução.
A guerra não está apenas nos campos de batalha. Há rumores de atrito de corpo a corpo, de alma a alma, onde a ideia de superioridade anula a capacidade de conviverem juntos com maior força no trabalho em comum.
O clima de destruição do planeta leva-nos a imaginar o nascer da esperança em tudo mais novo e florido como vem nascendo as flores da primavera quando os ventos do outono parecem levar todas as folhas desgarradas que irão alimentar o solo que faz desabrochar, num novo amanhecer, as mesmas flores.
As flores dessa primavera risonha já surgiram no céu com o alinhamento de toda a galáxia, evento confirmado pela NASA neste ano, que reuniu o Sol, a Lua e as Plêiades. Este é o sinal da Era de Aquário que se avizinha no horizonte.

Blog  Fernando Pinheiro, escritor

domingo, 16 de setembro de 2012

AS LACUNAS E OS TEMPOS


As gotas de orvalho beneficiam as plantas; os rios, as searas de vegetação; os ventos a fecundação dos pólens nas flores e os olhares dos amores a aproximação  que  perpetua  a  vida.
Sempre quando temos a oportunidade de nos  reunir em  grupo,  a fim de desenvolver um trabalho específico, devemos atentar  para  os  motivos  que ensejaram  o  encontro.
Temos destacado a importância de que revestem os assuntos  ligados  aos  interesses  do  grupo que se reúne a fim de avaliar o desempenho das tarefas e buscar novas diretrizes capazes de ampliar as atividades  em  comum.
São sagradas todas as atividades humanas e, igualmente, merecem louvor aquelas que têm pouco importância  social,  dado à sua natureza reservada, longe dos anúncios  publicitários.
Há no cenário social os heróis anônimos que lutam para  sobreviver  à  custa  de  muito  sacrifício  e  abnegação.
Aqueles que se destacaram em seus trabalhos divulgados pela publicidade possuem o mérito que os enaltecem. Junto a eles os companheiros que, no anonimato, contribuíram para que o êxito fosse alcançado.
Ainda ligado aos resultados vistos à luz do dia, o homem ocupado em obter informações divulgadas pelos meios de comunicação, que igualmente possuem  os  mesmos  vícios  de  observação,  ainda  não  avaliou o quanto é útil o trabalho daqueles que passam despercebidos como a minhoca  escavando a terra, levando o oxigênio, a vida aos seres que a   compõem.
Ainda desligado dos liames que o envolvem em todas as suas atividades, ele menospreza o    companheiro que não sabe sorrir da forma que mais lhe agrada. Pura  emoção desfigurada.
Preso ao nó que o aperta - preconceito de observação - não consegue se ligar ao companheiro incompreendido que lhe completaria a tarefa no campo social.
No decorrer dos tempos, os ansiosos, os inconformados sempre buscaram preencher as lacunas do seu mundo íntimo de uma  forma  tão  vigorante como os ventos das chuvas e das ressacas que espalham ondas do mar.
Tudo isto é a força do destino. A imagem plasmada no pensamento ganha força no espaço criando circunstâncias futuras. Quando algo ficou incompleto, depois de passar pelo período da saturação de  efeitos  não  realizados,  a  vontade  humana cresce e se expande nos campos da concretização.
A  frustração  é  a  lembrança  daquilo  que ficou por fazer e, no acúmulo das energias que prosseguem elaborando tarefas que  completam a missão de todos os seres vivos, a necessidade de  realizar os sonhos  é  muito  importante.
Quantos amores nos chegam na tristeza de um olhar, no desconforto de atitudes que os impedem  de sentir a alegria de   viver!
Somente nesta visão, que se amplia a níveis superiores,    poderemos dar valor as oportunidades de participar dos interesses dos grupos a que estamos vinculados,  sem  desprezo  a  nenhum  dos  integrantes.
Quantos recomeçam tarefas inacabadas, completando  apenas  um  percentual  insignificante, adiando-as  aos  tempos  que  se  tornam  cada  vez  mais difíceis!
O tempo é sempre bom para aqueles que semeiam a boa  semente  e  sempre  difícil  para  quem  não o compreende.
No contexto de transformação que passa a  Terra em todos os seus vales e planícies onde se concentram o aglomerado humano, as oportunidades de refazimento de tarefas obedecem ao esquema social e político em que as sociedades estão  estruturadas.
Fome, guerra, desvalorização dos códigos de ética, destruição   dos santuários ecológicos e da vida urbana passam a ser  problemas  comuns  a  todos  que com  eles  convivem.
É sempre a liberdade o que o homem busca, mesmo destruindo aquilo que lhe parece inconveniente. No meio da destruição, as lacunas voltam algum dia, em algum lugar, para que sejam   completadas.
Uma coisa temos certeza: não será mais na Terra, pois a ascensão do planeta já é uma realidade que está sendo completada. A separação do joio e do trigo, anunciada por quem já esteve aqui e agora está no centro da Via Láctea, com o olhar na transição planetária, onde é o Senhor deste destino, é a fonte onde esta realidade se sustenta.
Aqueles, que irão acordar em mundos compatíveis com a realidade em que viveram, terão as mesmas dificuldades em que se comprazem em acolher e disseminar aos companheiros afins. A Terra sacralizada não mais os acolherão. Tudo é questão de vibração.
Sigamos com leveza. A vivência nos 4 pilares: simplicidade, humildade, transparência, alegria, nos conduz ao caminho onde o amanhecer de luz  se manifesta.

Blog  Fernando Pinheiro, escritor

sábado, 15 de setembro de 2012

A PRESENÇA DA MULHER


O clima de namoro é muito importante entre os casais.
Olhares de ternura, sorrisos de alegria e palavras românticas embalam-nos numa doce magia. Compreendemos o envolvimento amoroso, sem haver necessidade de explicar em detalhes aquilo que a  companheira        compreende.

Quando passamos para a fase de convivência a dois,  defrontamos com horários que ocupam todo o nosso viver. As  responsabilidades aumentam diante das ocupações que temos   no convívio social.
As exigências do tempo marcam os costumes sociais. Hoje em dia, a mulher sente necessidade de ter experiências iguais as do homem. Há uma campanha atuante em prol da liberação   feminina.
É necessário a presença da mulher junto ao homem não  apenas no recinto do lar, mas também junto àqueles que lhe  são companheiros de trabalho.
No passado, quando a mulher ficava em casa, ela estava se  preservando contra os perigos de sua estabilidade emocional. Ela ficava recolhida em pensamentos que podiam lhe fazer  mais romântica e sentimental.
A rua é um vai-e-vem de interesses ligados à  sobrevivência.  Isto  oferece  ao  homem  em  geral  um  clima  mais  pesado  e  difícil a reflexões sentimentais que se obtêm na quietude de  um  lar cheio de amor. Dentro ou fora de casa, a mulher tem condições de manter-se romântica e sentimental.
O homem, por tradição histórica, sempre se envolveu com  assuntos de sobrevivência que lhe tiravam a atenção do clima  romântico. Isto aconteceu nas guerras, nas conquistas de uma posição social onde enfrenta outros companheiros em acirrada   competição.
Há casos em que teve de se recolher em estudos e meditações para refletir melhor sobre seus  talentos em todas as expressões de natureza religiosa, artística, política e tantas outras no   campo   social.
Nesse recolhimento soube avaliar o valor do silêncio e das reflexões que fluíam em sua alma. Apreciava melhor as expressões de sua natureza pessoal, num profundo conhecimento das manifestações da natureza, sentindo  seus  pensamentos  mergulhar  no  infinito.
A mulher que busca trabalho fora de casa   vai se enriquecer com experiências necessárias à sua evolução, mas deixa para trás um lugar que igualmente lhe projetaria mais além do que  pode  imaginar, num  clima  de  simplicidade  e  singeleza.
A vida é rica de manifestações e contempla a muitos nos  grandes  voos da  inteligência e do saber, como também àqueles que se desdobram, no silêncio, nas atividades onde o coração  vibra  mais  alto.
Conciliar os horários de trabalho com as atividades pessoais, discernir os amores que vêm enriquecer nossa experiência  humana, tanto no lar como fora dele, faz-nos mergulhar num  clima onde temos  a  certeza  da  vitória  de  melhores  dias.
O clima romântico, que nasce no lar, vai se expandindo em recintos onde a movimentação de   pessoas é constante e, numa pausa reflexiva, pode conquistar  corações.  O  trabalho  sai  em  melhor  qualidade.    no  ar  algo  renovador.  A  presença  da  mulher  muito  contribui  para  isto.

Blog  Fernando Pinheiro, escritor

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A DISSOLUÇÃO DO CASAMENTO


A dissolução do casamento ocorre quando há o desrespeito à vida e com isto vem o sofrimento que se estende a toda família.
O homem desrespeita a vida porque a desconhece e, mesmo pressentindo que há outra direção que amplia as dimensões do caminhar, prefere continuar seguindo as trilhas de rotina.
Educado no modelo que cultua a personalidade dentro de um corpo material, desconhece que há outros corpos mais sutis que o revestem.
Longe do conhecimento espiritual, o homem se assemelha aos animais de outro reino. De dia se liga mais ao instinto do que a inteligência e de noite o corpo material adormece empanturrado e a alma fica deitada ali perto dele, no chão.
O homem, que já vislumbrou as blandícias do paraíso, ao adormecer viaja, deixando um pequeno percentual da alma no corpo físico, a regiões de beleza espiritual, onde se abastece nas fontes límpidas que lhe dão saúde e alegria para suas emoções ainda desalinhadas pela educação material.
Como o casamento é a união de um casal, sem dúvida cada parceiro contribui para a criação de um clima que terá um resultado em comum. Se há cumplicidade, não pode haver isoladamente inocência ou culpabilidade.
O desenlace no casamento é muito grave porque tem repercussão não apenas entre os casais, mas nos filhos que trazem as marcas de um clima nebuloso e cinzento. E, se esse clima continuasse, a situação ficaria insuportável.
A educação dos filhos deveria começar antes mesmo que eles nascessem. No ventre materno as crianças recebem influências dos pais e como é importante o clima de amor no lar.
Na tradição da família, o primogênito tinha um privilégio maior que o dos outros seus irmãos porque os antigos sabiam que aquele filho veio numa atmosfera azulada onde a lua-de-mel estava mais presente.
A dissolução do casamento atinge a todos nós. Se alguém ainda não casou ou permanece em seu lar numa atmosfera azulada, pode estar certo de que há uma onda de casamentos desfeitos onde certamente encontrará um parente, um amigo, um rosto que passa em seu caminho.
A complexidade do problema vai mais além. Os casais separados encontram dificuldades para se recomporem em suas vidas. Não por eles, essencialmente, pois muitos sabem como reconstruir. O que vemos por toda a parte é um campo minado de perigos onde aparecem resquícios de traumas, medo e desconfiança.
Como é gostoso pensarmos no romance da primeira hora, nos encantos primaveris, nos sorrisos cristalinos de uma jovem mulher que ainda não se contaminou. A presença espiritual não permitiria a contaminação.
Confiemos no clima de renovação que podemos distribuir aos casais que precisam acreditar naqueles dias em que o amor os envolveu numa cerimônia, particular ou pública, onde estavam seus amigos e familiares.
A dissolução do casamento integra a consciência dissociada do planeta que está indo embora. A consciência unificada está sendo vivenciada no coração daqueles que herderão a Terra, na irradiação da luz crística.
A Era de Aquário já começou. Olhem os sinais do céu. Na nova consciência planetária não existe a separação. Tudo se interliga.

Blog  Fernando Pinheiro, escritor
      Site  www.fernandopinheirobb.com.br

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

TEMPESTADES TROPICAIS


Quando a criatura humana se desliga de um casamento, novos horizontes se abrem para lhe mostrar uma realidade que não estava programada quando subiu ao altar. Toda felicidade que sentia era derramada entre flores e sorrisos, alianças e bençãos, um ninho de afetos.
A separação de casais tem um ar de surpresa, de descrença de sonhos desfeitos, de estagnação, de ponto morto que aguarda um impulso para trocar de marcha.
O clima primaveril das horas se defronta com os ventos fortes e turbulentos que promovem as tempestades tropicais, onde se vê telhados de casas serem arrancados para espelhar o que se passa nos lares desfeitos.
São poucos os casais que se recompõem, em curto prazo, em novos casamentos, a maioria caminha a esmo sem saber o que fazer, primeiro porque possui pouca percepção da vida e, em segundo lugar, se infiltra num clima generalizado de desconforto, onde não encontra estímulos para acreditar nos sonhos de primavera.
Assim como os alimentos dão energia à saúde do corpo, a alimentação de outras energias que estão revestidas no pensamento nos propicia o equilíbrio emocional.
Durante séculos, as religiões vêm estimulando a humanidade a buscar as virtudes como referência única de alcançar a paz e ainda se fala muito em fazer o bem e evitar o mal.
As ciências do comportamento humano questionam o conceito de bem, pois se atribuir um referencial particular, sectário haverá uma apreciação contrária em outra posição, pois uma reta pode ser um ponto e ser a própria reta, vista por ângulos diferentes.
O epicurismo dos antigos gregos, que se refletiu no positivismo, e o budismo não falam em Deus como falam as religiões do Ocidente. E quem sabe, eles amando a natureza, vendo em tudo a manifestação divina, tiveram uma compreensão maior dos ensinamentos daquele que é na Terra a Luz do Mundo?
A verdade tem uma abrangência bem maior, não pode ser vista apenas a nível de Ocidente ou Oriente, nem mesmo a nível planetário, tem que ganhar ressonâncias universais e ser aceito em Saturno, Vênus, Mercúrio e nas estrelas.
A sabedoria do rei Salomão já ampliava essas dimensões mencionando que o trono do Senhor é o Sol. Certamente, estaria referindo-se a um anjo ou arcanjo. Ora, se o astro-rei é o centro do sistema planetário onde a Terra gira, temos de admitir, assim como influencia o nosso sistema, as ressonâncias da verdade em outros planetas e nas inumeráveis estrelas.
Se o homem visse Deus em tudo, principalmente em quem ou em que está mais próximo, como a esposa, os filhos, o trabalho e as circunstâncias, compreenderia a importância de viver feliz, não criticaria nada, silenciaria diante do desconhecido e respeitaria todos os movimentos onde a vida resplandece para crescer sempre.
As religiões têm um respeito profundo pelos mistérios, numa atitude de sabedoria, pois são manifestações divinas que ainda não foram descobertas, como as sementes brotando debaixo do solo.
Quando o homem perceber a importância das religiões como instrumentos de divulgação da presença divina, cada qual em searas específicas, como existem o médico, o engenheiro, o advogado, o enfermeiro e tantos outros profissionais, sentirá necessidade de amar a tudo e a todos.
E no clima de recomposição da ética imperecível que, um dia, ganharão todos os ambientes do planeta, estimulados por educação superior à matéria, os casais sentirão o reflexo reconfortante e a separação será uma palavra que o tempo desfez.

      Blog  Fernando Pinheiro, escritor

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

ORIGINALIDADE PURA


A natureza humana possui uma face oculta que a protege contra os assédios da perturbação. Em algumas pessoas essa outra fase vem revestida por um forte carisma que anula a observação de quem intenciona surpreendê-las em suas malhas de aranha.
Este é o segredo da inocência das crianças e das mulheres gestantes diante da maldade que circula nos lugares por onde  passam. Os sábios, os simples, os pacíficos, os compositores das mensagens dos altos planos também estão imantados nesta aura de luz.
A rigidez ganha formas aparentes como se fosse um escudo de guerreiro e, num toque da transmutação, converte-se em rosas que espalham perfumes. Um rosto inocente e puro de mulher pode parecer rígido, mas terá sempre a veludez de uma rosa se algo lhe despertar para sua face verdadeira.
O sorriso da mulher que ama é a primavera que se veste de cores e perfumes. É por isso que os poetas a cantavam em suas liras de comovente beleza porque a viam em sua originalidade pura.
A mulher está disposta a amar e ser amada e até mesmo à aventura de um romance tumultuado onde tem esperanças de sentir um clima ameno que lhe dê condições de construir algo indestrutível.
O milagre ou a verdade da transmutação está em suas mãos. Sorrisos que saem de sua boca, ou de seus olhos que brilham ao sorrir, mudam panoramas íntimos de seus companheiros que, um instante antes, não queriam mais estar de mãos dadas.
A mulher que nos parece de difícil aproximação está apenas conservando a sua parte mais sublime, a face oculta, mas não impossível de ser revelada quando o véu da naturalidade descobrir a sua pureza primaveril.
Assim mesmo acontece com os sábios que pensamos ser pessoas inacessíveis, mas, ao nos aproximar deles, veremos o mesmo amor que tinham aqueles que vieram ao mundo para servir.
O amor tem ligações profundas com a sabedoria, a beleza em todas suas vertentes, onde a mulher aparece como complemento a todas aspirações do homem. Mesmo no celibato, a presença feminina vem sempre em forma de irmã, mãe, prima, amiga, aluna ou na devoção da rosa mística.
Suspenso o véu do mistério, pois tudo que desconhecemos parece invisível, a criatura humana é a mesma em suas raízes profundas: canta, sorri, ama, sonha e realiza desejos inconstantes até arder de febre, quando toma remédio para afugentar a hora silenciosa de um adeus que corta seus planos ainda em fase de elaboração.
A dificuldade de relacionamento entre as pessoas decorre da falta de naturalidade, pois num mundo transitório que cultua as aparências, ainda existe a irreal necessidade do uso das máscaras, uma para cada ocasião e na extensa variedade do gosto humano que muda a toda hora.
Quando a criatura humana revela a simplicidade, em todos seus gestos, sente ser como os ventos, os rios, o mar, a chuva, o calor do sol, a suavidade do luar que trazem mensagens iguais em todos os tempos e em todos os lugares.

      Blog  Fernando Pinheiro, escritor