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terça-feira, 13 de novembro de 2012

AS PIONEIRAS NO BB

No dia 6 de setembro de 1918, as portas de madeiras nobres da Rua da Alfândega (hoje em dia, há muito tempo demolidas e guardadas na memória do espaço onde hoje é a Associação Comercial do Rio de Janeiro), se abrem para receber Francia Lindgren, a 1ª mulher a ingressar no Banco do Brasil. 
Acompanhando a mudança da sede do BB para a Rua Primeiro de Março, 66, na gestão de James Darcy (2/1/1925 a 16/11/1926), Francia Lindgren vivenciou os acontecimentos da Matriz e da Agência Central – DF e aposentou–se em 5/12/1950 [Almanaque do Pessoal – 1964; bem como os almanaques anteriores a 1964]. Colaborou, desenhando charges, na Revista  AABB – Rio .  
Após a aposentadoria, Francia Lindgren dedica–se à pintura e recebe premiação nos seguintes trabalhos:
Tarde de outono em Cambuquira – Menção Honrosa conferida no Salão Nacional de Belas Artes [Diário Oficial da  União    Ministério  da  Educação  e  Saúde     7/12/1951];
Mulungus do Estado do Rio – Medalha de ouro na Seção    Pintura outorgada no Palácio da Cultura – [Idem, 14/12/1970].   
Após o ingresso de Francia Lindgren, em 6/9/1918, no Banco do Brasil, a presença feminina veio surgindo, em número crescente, a partir da década de 20 [Almanaque  do  Pessoal    1934;  Almanaque  do  Pessoal –  1964]:
Nome  da  funcionária Posse   Aposentadoria
Carmen  Concepcion  Torres 24/10/1922 exon.   21/10/1924
Anna  Maria  Haddock  Lobo 15/12/1922 30/8/1934 
Odette  Braga  Furtado 10/12/1923  1/1/1957
Emma  Couto  Berg (nome  de  solteira)  
Emma  Berg  Medeiros 28/5/1924 1/5/1955
Diva  Pons  de  Araújo 28/5/1924      1/9/1955
Edna  Perdigão  Silveira 18/1/1926 9/8/1957
Maria  Blandina  Freire  de  Araújo   23/1/1926      7/4/1958
Laura  de  Carvalho  Pires  Ferrão     29/1/1926     23/2/1956
Nazir  de  Proença  Pinto de Moura 8/11/1926 falec.     28/1/1946
Noeme  Leite  Brasil  9/10/1926 15/5/1961
Noema  Cabral 8/11/1926  9/6/1958
Noeme  Leite  Brasil 9/10/1926  15/5/1961
Carmen  Lammounier Oiticica 25/4/1927 falec.   20/11/1963
Celeste  Moreira  da  Motta   29/4/1927 26/12/1957
Celeste  da  Gama e Souza Gonçalves Carneiro  30/4/1927     1/2/1959
Maria Emília Souto Mayor Alhadas   29/4/1927     30/8/1958
Corina  Alvim  da  Gama  e  Souza     (nome  de  solteira)  
Corina da Gama e Souza Gonçalves Carneiro 30/4/1927      1/2/1959
Lygia  Mello  Torres 2/5/1927    1/2/1962
Maria  Chein 2/5/1927      4/5/1958
Maria  da  Glória  Moniz  Cadaval 2/5/1927     11/1/1958
Maria  Thereza  Leme  Navarro 2/5/1927     19/2/1959
Lygia  Rodrigues  Antunes  4/5/1927   1/12/1962
Maria  Luíza  de  Paula  Rodrigues (nome  de  solteira) 
Maria  Luíza  Rodrigues   Velloso 4/5/1927     13/6/1959
Edith  Nóbrega  da  Silva (nome  de  solteira)  
Edith  Brasil   Salomon 6/5/1927   4/7/1957
Francisca  Serrão  de  Medeiros  Reis   (nome  de  solteira)  
Francisca  de  Medeiros  Reis  Moura  6/5/1927     23/7/1958
Odette  Satyra  da  Sylva 9/5/1927   20/5/1957
Sarah  da  Silva  Porto  10/5/1927  29/11/1960 
Liberalina  Monteiro  Soares 11/5/1927 falec.     4/11/1950
Laura  Lopes  Bernardes (nome  de  solteira)  
Laura  Bernardes  de  Amorim 12/5/1927   1/2/1959
Maria Ignez Teixeira Mendes Silva Cunha    15/7/1927     22/5/1975
Anna  de  Oliveira  Figueiredo    (nome  de  solteira)  
Anna  de  Figueiredo  Neves 16/5/1927    1/3/1959
Ísis  Paes  de  Andrade   17/5/1927     1/8/1957
Maria da Conceição Xavier de Brito  17/5/1927    30/8/1959
Zélia  Lacerda  Brandão 18/5/1927   19/5/1958
Thereza  Conceição Azevedo Santos 20/5/1927 1/1/1959
Alda  Gomes  da  Silva    9/8/1927 13/11/1957
Judith  Moreira  da  Mota   15/9/1927 falec.  12/1/1952
Etienne  Paul  Richer   16/9/1927 falec. 9/5/1954
Virgínia  Monteiro  Soares 19/9/1927    9/1/1975  
Maria  Amayr  Pereira 31/10/1927   1/7/1959
Dulce  Carneiro  do  Nascimento    (nome  de  solteira)  
Dulce  do  Nascimento  Velloso 16/11/1927 falec.  6/7/1961
Branca  do  Espírito  Santo  Cyrillo    17/4/1928     18/8/1959
Vale salientar que o Banco do Brasil sempre valorizou a presença feminina, desde o pioneirismo de Francis Lindgren, nome de tradicional família pernambucana, de origem nórdica, que espalhou, através do Nordeste brasileiro, uma rede de lojas de tecidos, conhecida com o nome fantasia Casas  Pernambucanas.
Mesmo antes da criação do quadro de funcionários, na década de 30, a mulher–funcionária ocupava cargos de confiança de diretores e presidentes que muito o Banco do Brasil se orgulha. A princípio, eram sonografistas (telefonistas), estenógrafas (taquígrafas), depois auxiliares de assessoria  técnica.
Considerando que os cargos de auxiliares–de–gabinete de Diretoria, Presidência ou mesmo da Matriz, antes da década de 30, ou posteriormente, com a criação da Direção Geral e da Agência Central–DF, em seguida as agências metropolitanas,    conferiam a elas pontos de destaque na promoção funcional e chegaram a ocupar, em pé de igualdade, as mais elevadas categorias da carreira (não confundir com os cargos  comissionados). 
Em janeiro/1938, a funcionária Maria de Lourdes Villanova Santos (posse no BB: 20/4/1931, apos. 1/7/1966) é nomeada encarregada dos Serviços Hollerith da Agência Central – DF, seção que teve o início da mecanização no Banco do Brasil, que culminaria, nos dias  de  hoje,  com  a  denominada  logística  [Revista  AABB –Rio – 1938]. 
Os auxiliares imediatos do presidente Whitaker (20/12/1920  a  27/12/1922): J.X. Carvalho de Mendonça, jurista, 1° consultor jurídico do BB; Otto de Andrade Gil, advogado do BB, mais tarde presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros (1958/1960), Pedro Luís Corrêa e Castro, 1° gerente da Matriz,   Octávio de Andrade, 1° contador da Matriz, Arthur Pedro  Bosísio, contador substituto de Octávio de Andrade, Ernest Walter Mee, chefe–de–seção (Carteira Cambial), Ana Maria Haddock Lobo, admitida na gestão de Whitaker, à época um acontecimento de grande  destaque  [FONSECA,  1972].
Em dezembro/1923, veio integrar ao seleto quadro de funcionários do Banco do Brasil, Odette Braga Furtado (posse no BB: 10/12/1923, apos.: 1/1/1957) que passou muito tempo no quadro suplementar com proventos, mérito e ao mesmo tempo privilégio de poucos [Almanaque do Pessoal – 1964; bem como Almanaque do Pessoal  -  edições  anteriores].
Na gestão do funcionário do Banco do Brasil, Ovídio Xavier de Abreu, presidente do DNC – Departamento Nacional do Café (1944/ 1946), Odette Braga Furtado veio a exercer as funções de assistente da Superintendência do DNC, subordinada às ordens do superintendente Raimundo Mendes de Sobral (posse no BB: 7/6/1920) também colocado à disposição daquele Departamento [Diário Oficial da União – Departamento Nacional do Café –  20/1/1945].
No ano seguinte, Diva Pons de Araújo e Emma Couto Berg   (nome   de   solteira) ingressam, em 28/5/1924, no Banco do Brasil. Com o nome de casada, Emma Berg Medeiros, aposenta–se, em 1/5/1954, como chefe da Seção de Ordens de Pagamento da Agência de Pelotas – RS. Diva Pons de Araújo trabalhou na Agência de Porto Alegre – RS e aposentou–se em 1/9/1953. [Almanaque do Pessoal    1964; bem como  Almanaque  do  Pessoal,  anos   anteriores].
Na primavera risonha e florida, Emma exibe a beleza da lira dos vinte anos [Revista AABB–Rio – maio/junho – 1935]. Nos idos de 2004, segundo a Previ, era a única mulher, aposentada pelo BB, com mais de 100 anos de existência, ultrapassando, em idade, 19 funcionárias na faixa etária de 90/99 anos [Boletim  Especial  Previ – 2004]. 

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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O PIONEIRISMO DAS AGÊNCIAS DO BB

Como vimos, foi efetuada, em janeiro/1891, a venda da Filial São Paulo, restringindo–se a um só centro de operações na cidade do Rio de Janeiro, embora a Agência de Londres, Inglaterra estivesse operando no período de 1891 a 1894). Sob as ordens do presidente João Ribeiro foram inauguradas as 3 primeiras agências do Banco do Brasil: Manaus (14/1/1908), Pará (1/8/1908) e Santos (22/08/1908)[PACHECO,  1979].
Monteiro de Andrade foi gerente da Agência de Manaus – AM, a 1ª localizada fora da Sede (14/1/1908 a 19/4/1912)[PACHECO,  1979].   
Em 25/6/1909, Ubaldino do Amaral tomou posse no cargo de presidente do Banco do Brasil. No ano seguinte, foram inauguradas 2 agências: Bahia (15/7/1910), Campos (26/7/1910). A passagem de Ubaldino do Amaral na vida pública foi bastante exuberante em termos de trabalho [PACHECO, 1979].
Em 1915, a rede de agências do BB estava circunscrita em sete cidades: Manaus, Belém, Santos, Campos, Salvador, Recife e Fortaleza. Posteriormente (1917/1919), foram acrescidas: Corumbá, Maceió, Aracaju, Três Corações, Uberaba, São Paulo, Florianópolis, Natal, Ilhéus, Vitória, Maranhão (mais tarde, designada São Luís), Parnaíba, Juiz de Fora, Cataguases, Santa Luzia do Carangola, Ponta Grossa, Barretos, Ribeirão Preto,       Varginha, Pelotas, Belo Horizonte, Jaú, Rio Grande, Bagé,  Joinville  e  Livramento   [PACHECO,   1979].
No ano seguinte, o Banco do Brasil instalou, em 16/7/1916, a Agência em Maceió, sob o comando do gerente Edgar Godoy Teixeira Bastos (posse no BB: 29/6/1909, apos.: 31/7/1928), e em Corumbá, sob a direção de Gastão Tavares Rodrigues Jardim (posse no BB: 12/5/1910, apos.: 23/7/1932 [Carta–Circular de 26/7/1916, do presidente Homero Baptista; Almanaque do Pessoal – 1964;  Revista   AABB – Rio].   
Ainda em 1916, precisamente no dia 5 de julho, o Banco do Brasil inaugura a Agência Três Corações – MG na presença do gerente Rodolpho Ambronn que a administrou durante o período de julho/1916 a agosto/1917. Mais tarde, o escritor cearense Braga Montenegro esteve por lá na gestão que durou 2 anos (31/03/1952 a 18/4/1954).
Vale assinalar os funcionários que exerceram, no período de 1916 a 1919, cargos comissionados nas agências. A data completa seguida do nome da agência representa a data de inauguração [Revistas AABB – Rio – 1935; bem como as Revistas AABB – Rio pertinentes ao período 1936 a 1966;  Almanaque do  Pessoal    1964]:   
João Pessoa – PB – 1916 – José Joaquim Monteiro de Andrade, gerente (posse no BB: 12/12/1907, exon. 6/11/1930),Demétrio Bastos, contador (posse no BB: 12/8/1913, falec. 29/4/1955).
Maceió – AL – 16/7/1916 – Edgard Godoy Teixeira Bastos, gerente (posse no BB: 29/6/1909, falec. 31/7/1928), Bento de Oliveira, subgerente (posse no BB: 19/7/1909, falec.17/8/1927).
Porto Alegre – RS – 1916 – José Nicolau Tinoco, gerente (posse           no BB: 8/3/1910, falec. 28/8/1950), Álvaro Henriques de Carvalho,  contador  (posse  no  BB:  14/3/1910,  apos. 1/8/1947).
Três   Corações    MG      1916    Rodolfo  Ambronn,  gerente.
Uberaba – MG – 10/8/1916 – Genaro Pilar do Amaral, gerente     (posse  no  BB:  3/8/1904,  falec. 1/3/1952).
Aracaju – SE – 1918 – Administradores: Álvaro Braz da Cunha  (posse no BB: 6/7/1918, falec. 10/7/1928), José Braz de Mendonça   (posse   no   BB:   6/11/1916,   falec.  9/12/1962).
Curitiba – PR – 1918 – Bento Munhoz da Rocha, gerente (posse no BB: 10/6/1918, exon. 10/12/1926), Quintino Taveira,   contador   (posse   no   BB:   3/10/1912, apos.  18/3/1948).
Fortaleza – CE    1918 – Virgílio Bacellar Caneca, gerente   (posse no  BB:  9/4/1913,   falec.:  5/4/1950).
Maceió – AL – 24/7/1918 – Severino Magalhães, gerente (posse no   BB:   5/4/1910,   falec. 9/1/1946)
Pelotas – RS – 1918 – Adalardo Machado de Freitas, gerente  (posse no BB: 16/2/1916, falec. 14/8/1921), Edgar Maciel de Sá, contador (posse no  BB: 16/5/1916, apos.  19/5/1958).
Santos – SP – 1918 – Administradores: Mário Canedo Penna (posse no BB: 31/12/1907, falec. 10/8/1947), Oscar Armando Costa (posse no BB: 23/7/1910, falec. 11/7/1961), José  Affonso  da  Veiga  (posse  no  BB:  7/6/1909,  falec. 30/7/1961).
Uberaba – MG – 1918 – Frederico Christiano Clausen, gerente  (posse no BB: 15/3/1910, falec. 2/8/1939), Durval Marinho da  Silva,  contador  (posse  no  BB:  15/5/1916,  falec. 7/11/1962). 
Aracaju – SE – 1919 – Roberto Carvalho, contador, João Francisco   de  Campos,  gerente.
Maceió    AL    1919 – Severino Magalhães, gerente. 

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domingo, 11 de novembro de 2012

LITURGIA

Nas volutas do turíbulo o perfume e o calor voam em ondas que desmancham no ar, despertando-nos os sentidos, numa das primeiras manifestações da espiritualidade, como ocorreu nos templos da Antiguidade, ainda conservados nos ritos religiosos das catedrais.
A música sacra, os gestos que encenam passagens bíblicas revelam a fidelidade aos mensageiros da luz que trouxeram uma bagagem rica aos famintos e sedentos da revelação do paraíso.
Se a rosa desperta até mesmo nos lugares onde a beleza está encoberta de formas transmutáveis, por que não a apreciaríamos num jardim cultivado?
Nos recintos sagrados há vibrações revestidas de amor, aquele mesmo amor que seus guardiães conservaram ao resplandecer a luz de que eram humildes mensageiros.
Por não ouvir a voz do pastor, as ovelhas da montanha desceram às planícies onde há lama e lodo que lhes impedem a caminhada.
O pastor no rochedo, como nos fala a canção de Schubert, nos traz a suavidade da neblina que refresca as flores e distribui o orvalho recém-nascido.
Tudo é sagrado. Os templos, os amores, a fuga das ovelhas, a alegria do retorno, as lágrimas que espalham a despedida ou a emoção reconquistada de um sentimento que antes não tinha valor.
Por estar submerso no processo analítico, onde os cinco sentidos têm o seu reinado, o homem não deixa sair a manifestação do seu mundo subjetivo que possui raízes de todas as florações da existência humana.
O pastor no rochedo, musicado na beleza clássica, nos revela a contemplação do mundo íntimo em que as ovelhas estão agasalhadas; aquelas que ouvem o canto seguem o rebanho, as outras isoladas buscam os caminhos estranhos como se fossem homens analisando as aparências sem ouvir a voz íntima que repercute um sentido mais profundo.
Analisar os templos apenas em sua forma material é esquecer as mensagens que neles são cantadas, como a canção do pastor no rochedo, se Schubert, de impressionante beleza clássica. Quem pode detê-la, se nela existe a imortalidade?
Numa noite de outono, durante o sono, sonhamos que ao entrar  na Catedral de Petrópolis ouvimos uma voz de soprano lírico cantando a Ave Maria, de Mascagni. Ao pé do altar, um monge estava de joelhos, em suave meditação. Era noite, mas havia claridade de luar dentro da Catedral.
O sentido comum, nascido da revelação do pastor no rochedo, ainda é o caminho seguro onde as ovelhas encontrarão o abrigo.
Por que a rebeldia contra os ventos que derrubam árvores anunciando as tempestades que levam a poluição? A força da correnteza, vinda das fontes, remove as águas paradas que se incorporam aos rios em direção ao mar.
A ética moral que se manteve paralisada pelos agentes que a pontificavam em seus interesses particulares está sendo removida pelas ondas que exigem transformação. A evolução abrange todos os sistemas em que a vida se manifesta.
A beleza muda de formas, como a crisálida em borboleta, mas a a essência que a mantém eterna será única em todas as fases da evolução.
Enquanto isto, a liturgia dos templos, que se manifesta na canção do pastor no rochedo e nas volutas do turíbulo, será a mesma, embora mudem os tempos, pois o perfume e o calor das grandes essências serão sempre cultivados por aqueles que trazem a beleza resplandecendo dentro de si.  

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sábado, 10 de novembro de 2012

O FUMO E O ÁLCOOL

Os hábitos, que levam ao condicionamento do fumo e o álcool, comprovam a existência de uma dependência psicológica.
Quando a raiz do procedimento está incrustada em profunda intensidade, é mais difícil arrancá-la. Os dependentes desses comportamentos têm dificuldade de buscar novas formas de viver.
Como estamos mergulhados na aura de nossos pensamentos, a carência que sentem de novos estímulos a uma vida feliz é limitada ao uso do fumo e do álcool.
É uma forma primitiva de se afirmar diante das oscilações do equilíbrio. Mas, quando essas pessoas buscarem, no íntimo, a força que as anima como seres vivos, elas certamente optarão por esta melhor alternativa.
Ainda no círculo energético da áura humana, ao redor imanta-se fluídos de carga escura, de teor denso e opaco, onde são aglutinados os agentes afins que saem das inteligências desencarnadas, possuidoras dos mesmos hábitos.
Neles vemos um comércio de troca dessas energias que prejudicam tanto a um quanto ao outro, ambos são obsidiados e obsessores.
Com o passar do tempo, os viciados do fumo e do álcool vão perdendo a sua capacidade de buscar a força interior, a única que pode alterar o roteiro de seus destinos.
Além da lesão dos órgãos do corpo humano, esses dependentes permitem a aproximação de espíritos afins que lhes transmitem sempre tristeza e desolação, embora vivem infestados em lugares festivos, como nos bares e casas noturnas.
O desgaste das células do corpo e a degenerescência dos tecidos sutis da alma são causados, em grande parte, por essas vibrações que tiveram o início em simples gesto que recebe o estímulo e a propaganda nos principais veículos de comunicação.

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

SÉRGIO DARCY E A ESTRELA SOLITÁRIA


Presidente do Botafogo de Futebol e Regatas (1937 a 1939 e 1963) 
Consultor  Jurídico do Banco do Brasil (1962/1966)
Nos idos de 1963, Ney Neves Galvão, presidente do Banco do Brasil nomeou o advogado Sérgio Darcy para o cargo de  Consultor Jurídico, em substituição de João Neves da Fontoura, falecido em março daquele ano. Ainda  em 1963,  Sérgio  Darcy  assumia,  pela  segunda vez, a Presidência do Botafogo de  Futebol  e  Regatas.
A trajetória profissional de Sérgio Darcy começou nos idos de 1925, quando James Darcy, presidente do Banco do Brasil  (2/1/1925 a 16/11/1926),  o nomeou Secretário.
Antes de prestar homenagem ao Consultor Jurídico, fazemos uma retrospectiva da vida de James Darcy, pai de nosso homenageado. Dos 27 aos 31 anos de idade, exerceu  mandato de deputado federal, representando o Rio Grande do  Sul.
Retirando-se da política, manteve banca de advogado. Por longo período, foi Consultor Jurídico da Associação Comercial do Rio de Janeiro. No governo de Epitácio Pessoa, o advogado James Darcy assume as funções de Consultor Geral da  Presidência da República.
Nos idos de 1921, ao ensejo do 4° Centenário de Morte de Dante Alighieri, realizado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, James Darcy profere palestra sobre a vida e obra do  autor da Divina Comédia, na presença do Corpo Diplomático e do presidente Epitácio Pessoa. 
Herdado do pai o mesmo amor às causas nobres, Sérgio Darcy demonstrou respeito e dignidade à frente da COJUR – Consultoria Jurídica do Banco do Brasil. Anteriormente, assumiu a direção do Departamento do Contencioso. E, contando o tempo de exercício, foram 4 décadas servindo ao Banco do Brasil. O primeiro funcionário de carreira a exercer as funções de Consultor Jurídico.
Com os méritos reconhecidos pelo Banco do Brasil, antes da posse na Consultoria Jurídica, Sérgio Darcy foi homenageado no banquete realizado, em 26/4/1963, no salão  nobre do Clube Comercial. A importância do evento é comentada pela Revista AABB – Rio que fazia a cobertura dos  grandes eventos no Banco do Brasil.   
Na ocasião, fez o uso da palavra o advogado Armando Serzedello Corrêa, e em seguida, Munir Hellayel, em nome do Departamento do Contencioso, traçou o perfil da personalidade de Sérgio Darcy, e concluiu: “dizendo, sobretudo, da justiça que presidiu ao ato de sua investidura em tão relevantes funções”   (65)
(65) Revista  AABB–Rio – edição junho de 1963
A palavra ainda foi franqueada aos oradores: desembargador Eduardo Espínola Filho, Arthur Martins Sampaio, chefe do Departamento do Contencioso, Astolpho Dutra Niccacio, Diretor da Caixa Econômica do Rio de Janeiro. Ao encerramentro do evento, Sérgio Darcy proferiu o discurso de agradecimento, ressaltando ser esta a festa do coração e da inteligência e, com grande emoção a recebia. 
No período de 1962 a 1966, Sérgio Darcy  exerceu o cargo de Consultor Jurídico do Banco do Brasil, sendo substituído pelo não menos ilustre advogado Martins Napoleão, que, sua vez, nos idos de 1977, foi substituído por José Augusto Moreira Guimarães, o advogado que conduziu a transferência da COJUR para Brasília–DF.  
Na seara dos esportes, Sérgio Darcy, quando jovem,  participou de competições de remo no Clube de Regatas Guanabara e chegou a ser campeão, nessa modalidade, no extinto Clube de Regatas Botafogo, hoje sob nova designação: Botafogo de Futebol e Regatas. 
Como presidente do Botafogo Football Club (1937/1939), empreendeu a vitoriosa campanha de 1 saco de cimento e com o dinheiro arrecadado, construiu a arquibancada de cimento que substituiu a de madeira. O engenheiro Rafael Galvão foi o autor do projeto executado pela firma Cavalcanti, Junqueira & Cia. Nessa época (1937/1941), João Havelange foi jogador de polo aquático do Club. Em 1940/1941, João Lyra Filho está à frente dos destinos do Botafogo, sucedendo o presidente Sérgio Darcy.
Ao ser reconduzido à Presidência do Botafogo, Sérgio Darcy, nos idos de 1963, contratou o técnico de futebol Danilo  Alvim. O Jornal do Brasil (edição: 10/4/1963), fez a cobertura da contratação e publicou a foto do técnico, ladeado por Renato Estelita, diretor de futebol, e pelo nosso homenageado. Fazia parte da Comissão Técnica, o Dr. Lídio Toledo que, durante muitos anos, foi médico da seleção brasileira de futebol.
Naquela época, como nos dias de hoje, o Botafogo de Futebol possuía jogadores de nível de seleção brasileira. Vale destacar a presença de craques, consagrados não apenas nos campeonatos cariocas e brasileiros, mas no futebol mundial: Manga (goleiro), Nilton Santos, Amoroso, Gérson, Didi, Amarildo, Zagalo, Quarentinha, Garrincha, e Jairzinho.
Ainda nos idos de 1963, precisamente no dia 21 de abril,  foram abertos, na cidade de São Paulo, os IV Jogos Pan-Americanos, com a presença do governador Adhemar de  Barros. É bom ressaltar a conquista da medalha de ouro pela tenista brasileira Maria Esther Bueno. Nesse Pan-Americano, o  Botafogo emprestou à seleção brasileira os jogadores Hélio Dias de Oliveira (goleiro) e Jair Ventura Filho (ponta-direita), tri-campeão carioca de juvenis. Ambos foram consagrados campeões dos IV Jogos Pan-Americanos. O jornalista Júlio Delamare fez a cobertura dos jogos para o Jornal O Globo.
O Presidente da Confederação Brasileira de Desportos era João Havelange, um dos nomes mais respeitáveis no cenário  esportivo mundial, que iria, mais tarde, presidir a FIFA e  divulgar o futebol, hoje o esporte mais conhecido no mundo,  graças à atuação brilhante do ilustre brasileiro.
Maio de 1963 é o mês de luto para o Brasil. No segundo  dia, o desastre com o avião Convair da Cruzeiro do Sul faz 37 vítimas. Perdendo o avião de carreira, o deputado federal Miguel Bahury (PSP/MA), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre Segurança de Voo, na Câmara dos Deputados, não escapa da morte. No Aeroporto de Congonhas, embarca num bimotor e vem a falecer nos destroços do avião que caiu numa rua do bairro Jabaquara, na capital bandeirante.    
O círculo de morte da família Bahury se fecha. A precisão do tempo é estarrecedor. Há 3 anos, na mesma hora de uma  sexta-feira, morria a querida esposa do deputado maranhense.  Na iconografia dos fatos, a Revista O Cruzeiro, edição de 3/5/1963, publica a foto de Bahuri, em pé numa pequena embarcação, defronte da cabeceira da pista do Aeroporto Santos Dumont, em busca desesperada do corpo da mulher amada. 
Ainda em maio de 1963, outro desastre aéreo no Brasil.  No interior do Rio Grande do Sul, um avião Cessna cai e tira   de cena a atuação parlamentar de Fernando Ferrari. Velado em  dois palácios, primeiro no Palácio Piratini, Porto Alegre, e depois no Palácio Tiradentes, Rio de Janeiro, o deputado gaúcho faz  comover em prantos a nação inteira. Ainda hoje é amado e sempre relembrado com viva emoção. 
Vale continuar destacando a presença de Sérgio Darcy à  frente dos destinos do Botafogo, no meio da turbulência de desastres aéreos, crise econômica, crise social e crise política,  em que o País estava mergulhado.
No dia 15 de junho de 1963, o Botafogo é manchete no   Estado da Guanabara:
“Botafogo vence aqui e em Paris – Tricampeão de  juvenis e campeão do Torneio de Paris.”
O Jornal do Commercio comenta ainda a atuação do time alvinegro, na vitória sobre o Racing (3 x 2), no Parc des Princes,  consagrando-se campeão do Torneio de Paris, “em partida das  mais sensacionais até hoje realizadas naquela cidade”.      
No dia 30 de junho de 1963, sob a presidência do Dr. Sérgio Darcy, o Botafogo fez sua estreia na Taça Libertadores das Américas, derrotando o Alianza, campeão peruano, com o placar de 1 x 0, gol do médio-apoiador Elton, sob a arbitragem  do juiz argentino José Luiz Pradante. O clube alvinegro atuou com a seguinte escalação: Manga, Paulistinha, Nagel, Nilton Santos e Rildo, Elton e Zagalo, Garrincha, Jair, Amarildo e  Oton.
No dia 04 de julho, o Botafogo alcançou outra vitória, em Lima, no Estádio Nacional, ganhando o Sporting Cristal, dirigido pelo técnico Didi, campeão mundial de futebol, pela  contagem de 3 a 1. Antes da partida, Didi queria jogar contra o  Botafogo, e pediu autorização ao chefe da delegação alvinegra, Renato Estelita, que, por sua vez, telefonou ao presidente  Sérgio Darcy a respeito da ideia. A resposta foi negativa. No  entanto, o jogador Didi poderia atuar, se assim desejasse, na partida, como jogador do Botafogo. A realidade é que Didi entrou em campo na condição de técnico do time peruano.
Mais uma vitória alvinegra pela Taça Libertadores da  América derrotando o clube Milionários, em Lima, no dia 07 de  julho de 1963, com o placar de 2 x 0.
Na página esportiva de O Globo, edição de 16/7/1963 –  Amarildo cedido afinal ao Milan – O Dr. Sérgio Darcy, presidente do Botafogo de Futebol e Regatas, em reunião com o  representante do Milan, da Itália, Sr. Rodolfo Rechi e o procurador do jogador Amarildo, Sr. Noel Guimarães, concordou  em ceder o passe do jogador alvinegro para o clube italiano,     mediante o recebimento de 400.000 dólares, por um contrato   de 3 anos.
Na declaração aos jornalistas, Sérgio Darcy revelou que  Botafogo não estava interessado em desfazer-se de nenhum  de  seus jogadores. Mas recebeu carta de Amarildo pedindo ao  clube facilitar a ida dele para o Milan. Diante das circunstâncias, o Botafogo não poderia cobrir o que o jogador  iria receber na Itália.
A manchete do Jornal do Brasil de 1/8/1963 destaca: Amarildo embarca com o pedido de CL para não ensinar o pulo  do gato. O JB comentou que o jogador do Botafogo, ao embarcar, no Aeroporto do Galeão, em companhia de suas irmãs Nicéia e Maria do Carmo, e de Rodolfo Rechi, encontrou-se com o governador Carlos Lacerda que estava aguardando a chegada da escritora francesa Suzanne Labin. e o ouviu a  recomendação de “mostrar todo seu futebol aos italianos, mas não ensinar-lhes o pulo do gato.”  
Amarildo  estava  muito  satisfeito da vida porque, além  do contrato assinado, recebeu do Botafogo 10 mil dólares extras, no almoço de despedida em que foi homenageado pelo clube. Muito emocionado, na homenagem, chorou e fez outros  jogadores presentes chorarem. Neste gesto, o presidente Sérgio Darcy demonstrou, mais uma vez, o valor de ser justo para quem prestou relevantes serviços ao clube (Amarildo, campeão carioca 1961 e 1962). Quanta dignidade num homem só!   
Com bastante dinheiro adquirido pela venda do jogador  Amarildo para o Milan, da Itália, o Botafogo de Futebol e Regatas adquire o passe do jogador Gérson comprado do Flamengo. A transação foi realizada, às 14:00  horas  do  dia  17  de setembro de 1963, dentro da Consultoria Jurídica do Banco  do Brasil, onde o Consultor Jurídico Sérgio Darcy, na qualidade de presidente do Botafogo assinou um cheque nominal no valor de Cr$ 150 milhões entregue a Fadel Fadel, presidente do Flamengo. Foi, sem dúvida, a maior negociação efetuada, até   então, entre clubes brasileiros. 
No contrato assinado, conforme divulgado pela imprensa, foi estabelecido ao jogador Gérson o pagamento de Cr$ 10  milhões de luvas e Cr$ 150 mil mensais por 2 anos.
Nesse mesmo dia (17/9/1963), dois fatos importantes   aconteceram na Guanabara, Estado governado por Carlos Lacerda: a inauguração da primeira das duas pistas do aterro  do Flamengo e a apresentação do cantor americano Ray  Charles, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
A atuação do Botafogo de Futebol e Regatas, que se  desenrolava no meio do Campeonato Carioca do ano de 1963,   foi comentada por Renato Estelita, diretor de Futebol,  justificando “se o time ainda não tem um bom ataque é porque  não foi possível, em curto prazo, preencher os lugares deixados  pelos atacantes que foram, teoricamente, os melhores”. (66) O dirigente botafoguense estava se referindo ao Didi que foi para  o Peru e ao Amarildo para a Itália, e à contusão de Garrincha vinha adiando sempre a sua volta aos gramados.
(66) Jornal  do  Brasil    1/11/1963
Observamos que, meses antes da declaração do Sr. Renato Estelita, realmente o Botafogo tinha o melhor ataque do mundo, com a presença de 3 bicampeões mundiais: Didi, Amarildo e Zagalo e, ainda, a participação de Quarentinha que jogou pela   seleção brasileira.  
Dias depois da declaração do dirigente Renato Estelita, o Botafogo mudou de técnico. Saiu Danilo Alvim, mesmo prestigiado pela Diretoria, mas sem sorte nos últimos  resultados dos jogos, e entrou Paraguaio. 
No dia 5/11/1963, o presidente Sérgio Darcy, sempre elegantemente, trajando terno, apresenta aos jogadores, que   estão de uniforme do clube, no meio do campo, o novo técnico  de futebol. Suas palavras explicam porque o Botafogo trocou de  técnico, permanecendo a mesma disposição para conquista do  tricampeonato e pediu o máximo apoio ao Paraguaio.     
Dias depois, o time teve excelente atuação em campo e a imprensa comenta: Botafogo mostrou pela primeira vez astúcia  e categoria de bicampeão (JB – 9/11/1963). Apesar do sucesso momentâneo, o time não conseguiu conquistar o campeonato carioca de 1963. O campeão foi o Flamengo.
No dia 16/11/1963 houve eleição para a nova Diretoria do Botafogo. Nei Cidade Palmeiro, juiz de Direito e professor do  Colégio D.Pedro II, foi eleito presidente. 
Na solenidade de transmissão de cargo ao novo   presidente do Botafogo, Nei Cidade Palmeiro, realizada no dia 3/1/1964, o nosso homenageado se despedia, com um discurso bastante aplaudido, na presença de inúmeras autoridades ligadas ao mundo dos esportes, destacando-se João Havelange, presidente da CBD – Confederação Brasileira de Desportos, Antônio do Passo, presidente da Federação Carioca  de Futebol,    
Ainda como presidente do Botafogo, Sérgio Darcy, viu  coroados de êxito, para gáudio nosso, no recinto esportivo do  Banco do Brasil, a AABB vencer a Hebraica, em 28/12/1963, conquistando o campeonato carioca de voleibol masculino. Segundo o Jornal do Commercio, Nuzman foi o jogador mais destacado da partida.
Dentre as atuações de Carlos Arthur Nuzman, como atleta da seleção brasileira de vôlei, destaca-se o Campeonato Mundial, realizado em Moscou, URSS, nos idos de 1962). O chefe da delegação brasileira era Adolpho Schermann, nome que muito honra o esporte brasileiro, o Banco do Brasil, a AABB-Rio e a Academia de Letras dos Funcionários do Banco  do Brasil. Dois anos depois, em 1964, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, quando o voleibol estreou em olimpíadas, Nuzman integrou a equipe brasileira. Carlos Arthur Nuzman é o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro.
Retomando ao tema central, Sérgio Darcy, em 26/10/1969,  partiu  para o reino onde a sabedoria deslinda os enigmas do  caminhar. Nesse  mundo de sonhos, aureolado pela luz das  estrelas,  luz que se projeta dos feitos de grandeza que o nosso  homenageado sempre buscou dignificar a vida, se destacam os versos da música de Lamartine Babo:
“Na estrada dos louros,
Um facho de luz
Tua estrela  solitária
Te  conduz.”            

Blog Fernando Pinheiro, escrito

       

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

DERRUBAR O GIGANTE - Parte 9


“Eu confio em você, e você?"
Rejubilemo-nos todos pela transição planetária, movimento que começa no centro da Via-Láctea, o sol das Plêiades, a estrela de Alcione, onde está em profusão a grande concentração dos raios adamantinos, os raios-gama dos cientistas, atingindo toda a Via-Láctea, chegando ao sistema solar onde a Terra gira. Em resumo, a galáxia inteira está em profunda efusão e transformação.
No nosso minúsculo ponto do Universo, a Terra, planeta de consciência dissociada está acolhendo a consciência unitária.
A consciência dissociada estabelece o bem e o mal, o bom e        o mau, o certo e o errado, e outras expressões correlatas, num sistema que cria a separação, a competitividade, a discriminação, o preconceito e os todos os desarranjos sociais.
Tudo isto está começando a desaparecer na consciência planetária que a abriga a unidade, como o único elemento de referência. Tudo e todos somos um, não há separação.
A doença e todos os males físicos e mentais está na   alternância daquilo que as pessoas pensam ser o bem e daquilo que pensam ser o mal.
Energias mentais, em descompasso com o movimento da natureza verdadeira que o homem é, criam atritos que se refletem no corpo físico.
O ser etéreo que se liga à fonte não adoece, não fica triste e  nem tem a morte da consciência quando ocorre a morte física, isto revelava o confinamento da maioria da população do planeta Terra.
Agora a libertação dos engramas do passado, que fixava os   elos escravocratas, promove a nossa liberdade. Sem libertação não existe liberdade. Não foi dito que conhecereis a verdade e    a verdade vos libertará?
Chegou o momento do ser humano escolher: ser ele mesmo, o ser etéreo, criado pela luz e destinado a estar conectado com a luz, ou ser aquilo que dizem que ele é, fora de sua realidade, convivendo em egrégoras comercialistas que falam em palavras eternas.
A falsificação do planeta tinha por objetivo levar o ser humano ao aniquilamento, a perda por completo de sua memória. Mas, a egrégora que estava no plano astral, e aqui mesmo na Terra, tinha por finalidade influenciar o comércio de trocas pela mesma moeda.
Com a chegada da luz crística, no centro da galáxia, em direção da Terra, foram expulsos ao redor da Terra e mesmo dentro da Terra, esses seres infernais que o cinema e a televisão revelaram em forma de ficção, mas que, na realidade, existiam e não existem mais.
A batalha do Armagedon, que a Bíblia fala, já foi travada e acabou a influência desses manipuladores de massas humanas. O que ainda resta de desconforto e desencantos é presença da consciência dissociada de terceira dimensão que está indo embora do planeta.
O retorno da luz pela seta de Sagitário (Nostradamus) fez a sombra desaparecer do planeta. Anjos e arcanjos que fazem parte do retorno da luz são os grandes beneméritos do planeta, trabalhando em silêncio e sem alarde. Apenas as trevas protestaram e se foram protestando em mundos afins. Mesmo assim, onde estiverem, a luz se fará, um dia no decorrer dos evos, se houver receptividade.
Vale ressaltar o comentário que fizemos no mural do facebook de Irina Orlova, Rostov, Rússia:
Para sair de uma situação difícil e encontrar o caminho, não busque nada, porque a busca é no plano mental. Apenas dormindo, seu coração, longe das emoções, vai mostrar o que você realmente é: o ser profundo que se conecta  com a fonte.
Aqui no Brasil os senhores de outrora diziam: vou consultar o travesseiro.
Em 2012, durante o Carnaval no Rio de Janeiro, a comissão de frente da Grande Rio - Escola de Samba, composta por atores da TV Globo, uma televisão brasileira, usou o travesseiro para a exibição da alegoria do samba intitulado "Eu confio em você, e você?"

Blog Fernando Pinheiro, escritor 


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

DERRUBAR O GIGANTE - Parte 8


“Das cinzas renascer” é a sugestão do samba-enredo da Escola de Samba Grande Rio 2012 e que nos remete aos escombros desta civilização que chega ao final, sustentada   pelo peso e pela referência de bilhões de espectadores.
A mídia ainda a sustenta, diariamente, em noticiário, que a faz crer que só existe isto e nada mais. No entanto, a Terra, sob a evidência dos sinais do céu, e com a participação dos simples e humildes, já está sacralizada.
Quando a luz surge, tudo fica claro. Assim é aquele que encontra a verdade dentro de si. Não é mais preciso recorrer a terceiros que lhe indiquem aquilo que sente.
O despertar da criatura humana para suas reais necessidades é o mesmo que o florescer das plantas na primavera. Um clima de festa e de esperança se faz presente.
No reino vegetal as folhas de outono são levadas pelo vento para compor adubos que revigoram novas plantas.
Acontece o mesmo no reino animal, que abrange o homem, as lembranças que não estimularam a saudade são levadas pelo tempo que as encobre em seus véus de mistério.
A saudade só é válida quando acompanha o ritmo da vida, atualizando-se no momento presente para criar novas formas  de viver feliz.
Nesse clima de um novo tempo, novas forças são revigoradas, no íntimo de cada um, delineando espaços bloqueados pela emoção desfigurada e abrindo perspectivas no caminho.
Indomável pelos laços que prendem a sua liberdade, a mulher revolta-se contra toda tentativa daqueles que desejam apenas usufruir de sua parte apodrecível pelo tempo (corpo físico).
Onde ficam a alma, o lirismo, o romance, a poesia, a ternura, o carinho de um olhar e a confiança de quem espera?
Tantos sons desconcertantes, tanta violência nas telas de televisão e cinema, nas casas, nas ruas e ainda persistem os ruídos de tanques blindados e aviões assustando os camelos que caminham nos desertos.
A vibração, que vem dos camelos, dos cisnes e dos albatrozes, parece ser pequenina demais para renovar o clima de instabilidade que passa o planeta, mesmo ascensionado.
Os tóxicos, os vícios de toda embriaguez, a ideia fixa de posse sobre pessoas e coisas são caminhos paralelos que conduzem ao mesmo lugar.
A vida nos chama, queiramos ou não, a participar da grande encenação teatral nos palcos de nossas atividades, onde somos protagonistas revelando papéis importantes para que o cenário de comovente beleza seja a aspiração de todos.
Muitos permanecem imantados ao ruído mais forte de vozes em delírio como se a convicção da realidade tivesse que ser despertada apenas pelos meios externos.
O silêncio que propicia a identificação dos valores eternos tem maior valor do que as palavras tumultuadas que seguem várias direções, se perdendo como as fumaças de aspiral.
A repercussão do pensamento grego se faz presente nos dias atuais, ressoando os apelos das vozes do Olimpo e do oráculo de Delfos que, por terem um sentido universal, permanecem atualizados.
É claro que esses deuses que se comunicavam com os filósofos e pitonisas, daquela época, estavam ainda ligados à atmosfera espiritual da Terra que se move entre o conhecido e o desconhecido.
A mitologia grega, com seus heróis e mitos, sempre foi a  verdade revelada em véus de mistério, encobrindo a beleza da vida como foi a beleza de Helena.  
A fênix lendária e a lua de carneiro (a lua de abril, a lua do mês da ressurreição), congregando uma forte egrégora,  estimulam-nos a cantar “das cinzas renascer”. 
Recrudesce, nos dias atuais, a lendária fênix, e a expressão máxima que conhecemos que elimina a possibilidade de julgamento: "o que fizerdes ao menor de seus irmãos, é a mim que fazeis". 
A frase citada é de autoria do único ser de luz, em todo o nosso sistema planetário, que tem a capacidade de estar à frente dos destinos dos eventos que irão fazer eclodir o final dos tempos desta densa dimensão dissociada e inaugurar a Era Dourada, a dimensão de consciência unificada, enquanto os primeiros sintomas já foram anunciados pela Escola de Samba Grande Rio, no carnaval 2012. Enquanto isto, só nos cabe observar, em silêncio, a separação do joio e do trigo.

Blog Fernando Pinheiro, escritor
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