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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

ENGRAMAS


Aqueles que buscam a felicidade permanente e não querem ser mais enganados, então não liguem mais para os noticiários que dão audiência, no dizer dos promotores de programas e vejam como as suas vidas irão mudar.

A rotina também se esgota e a reinvenção da vida é o chamado que a poetisa Cecília Meireles nos sugere. Para que acumular, em nosso íntimo, informações que nada tem a ver com o que somos na realidade?

A manipulação de massas humanas, através dos meios de comunicação, visa unicamente estabelecer o medo como forma de aprisionamento e de controle. Isto acontece, como dissemos anteriormente, por causa do princípio de atenção, pois passa a ser verdade tudo aquilo que dermos peso e referência. Não é que a noticia seja falsa mas por causa da ilusão que é acolhida como verdade. A densa camada de pensamentos existe mas não é a nossa faixa vibratória onde vivemos.

Se existe a liberdade de expressão, como é noticiado, em nós mesmos deverá existir a liberdade de escolha para tudo aquilo que vemos e ouvimos. O descobrir-se a si mesmo, de Sócrates, o filósofo, não preconizava a busca de algo externo, como hoje acontece nas informações que nos passam para orientar em nossas decisões.

Vem-nos à tona o episódio conhecido em que envolveu Alexandre Magno, à época, o governador do mundo, pois havia conquistado tudo e precisava de Diógenes, o filósofo, que caiu nas graças do imperador e o procurou em Corinto para receber seus conselhos.

Na presença de Alexandre Magno, numa habitação rústica nos arredores daquela cidade, Diógenes foi solicitado a pedir o quisesse. Ele pediu uma única coisa que o imperador não lhe poderia dar: a luz do sol que o imperador impedia de ser projetada diante do filósofo.

Alexandre Magno afastou-se um pouco e o pedido foi atendido. Em seguida, saiu de lá admirando ainda mais o gesto de Diógenes. Diante de seus oficiais que zombaram do filósofo, disse: "se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes".

Basta que haja ocorrências de escândalo, assalto, tragédia, morte e outros desencantos, as televisões e rádios, aqui e alhures, correm logo para noticiar o clima em que isto ocorreu e passam horas comentando e repetindo os mesmos assuntos.

A grade de notícias passa a ser a grade em que os ouvintes e assistentes se aprisionam. Não é a TV que aprisiona, mas o próprio espectador que dá peso e referência ao que ouve e vê, como dissemos.

Fala-se em liberdade e a liberdade ganha nova roupagem no mito de Prometeu que falsificou tudo, sem exceção. O mundo da ilusão, no conceito hindu, é a realidade em que vivemos.

O mito de Prometeu é acolhido, consciente e inconscientemente, introjetado no cérebro, em forma de engramas, por todos os sistemas que regulam a vida planetária, assim como a infiltração do mito da Caverna que pretende explicar o que se passa.

Ora, há mundos invisíveis a olho nu que exercem influência em nosso mundo material, conceito acolhido até mesmo por esses sistemas, mas o que predomina é o interesse material, como se isto fosse a única necessidade do planeta.

No mundo que se desdobra a acontecer neste novo milênio, sob a influência dos raios adamantinos que surgem do grande oceano astral, oriundo do centro da Via Láctea, a nossa galáxia, vemos que a transparência irá eliminar todas essas informações que não condizem com a nossa realidade existencial.

A transparência de que falamos não acolherá mais a falsificação da realidade, pois tudo e todos serão transparentes, assim como nos sonhos em que vivemos dentro do sono. O pensamento de um será percebido por todos. Nesse tempo, a TV e a internet serão ultrapassados e esquecidos para sempre como engramas do passado.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

CARNAVAL - Abertura



Numa apoteose de dança, a Abertura Carnaval, opus 92, de Dvorak, estende uma atmosfera alegre e excitante. No programa, a partitura vem antecedida por uma narrativa [TRANCHEFORT/1990]:

“Ao cair da noite, um caminhante, solitário e meditativo, chega a uma cidade onde impera um desenfreado carnaval. De todos os lados, se ouve o som de instrumentos misturados aos gritos de alegria e ao irreprimível entusiasmo do povo que dá expansão a seus sentimentos por meio de suas canções e de suas danças”.

Os sons emitem vibrações variadas que satisfazem o gosto de todas as pessoas. Umas apreciam a suavidade, outras um ruído que está mais ligado às sensações passageiras.

O campo físico pode sentir também as vibrações harmoniosas que se desprendem das esferas onde o sentimento humano está sublimado.

A música folclórica tem um efeito imediato. Se for apresentada repetidas vezes tende a cair em de quem a ouve, exceção feita aos clássicos populares que já se consagraram.

Há grande diferença entre a música popular e a erudita. No entanto, pode existir, em ambas, um gosto em comum das pessoas, dependendo do momento em que as desejam ouvir. Ambas são importantes nas fases da vida em que passamos.

No Carnaval ouvimos enredos que falam dos fatos históricos, lendas e crendices de civilizações passadas, levando ao público uma festa de alegorias e ritmos.

Muita gente sai às ruas extravasando sentimentos recolhidos o ano inteiro e os espalha a todos que estão envolvidos numa demonstração de cumplicidade coletiva.

Ao lembrar que ainda existe concentração de pessoas vendo desfiles, carros alegóricos e multidão de acompanhantes e espectadores, vemos que os costumes do mundo antigo recrudescem na mesma intensidade.

Com a extinção do entrudo, herança portuguesa, o carnaval no Brasil teve o seu berço no Rio de Janeiro, nos “bailes mascarados” (máscaras fabricadas na Europa, vindasde navio a vapor), realizados nos hotéis e no Teatro São Pedro, em fevereiro de 1855.

No Passeio Público, na cidade do Rio de Janeiro, surgiu o carnaval de rua: multidão de pessoas, a pé, a cavalo, de carruagem, assistindo ao desfile de As Sumidades, o primeiro bloco carnavalesco, à frente artistas estrangeiras usando traje a caráter, sorrindo, apregoando versos de alegria [LOS RIOS FILHO, 1946].

Manifestações coletivas atualizam o passado histórico que deixou muita confusão nos circos de Roma e nas orgias gregas. O excitamento às sensações do corpo físico ganha um clima geral. A Nação inteira permite que haja sorrisos em massa, danças em trajes leves.

O enlevo suave que vem das músicas de Beethoven, Mozart, Tchaikowsky, Sibelius, entre tantos compositores, não pode ser sentido, nessa ocasião, por essas pessoas comprometidas com outras vibrações.

Não temos críticas sobre essas manifestações populares, do mesmo modo em que vemos, ainda nos dias de hoje, o consumo de tóxicos e bebidas, sabendo que amanhã isto lhes despertará a atenção para outras atividades que somente os envolvidos poderão descobrir.

A busca de diversão é um direito inquestionável àqueles que sentem um vazio a preencher. Na percepção da vida, ainda estão presos a conceitos transitórios do que pensam ser felicidade e alegria.

Há outros que, desligados da necessidade de extravasar sentimentos eufóricos, estão no meio da massa popular como observadores da conduta que não lhes satisfaz mais. E, numa apreciação adequada, sabem discernir o que lhes convém.

Como todo o Universo é sagrado, não há lugares para censura de atitudes humanas, pois o aprendizado da vida acompanhará o homem aonde ele for.

Se a decadência de Roma e de outras civilizações, inclusive a cartaginesa, pouco conhecida, que se apagaram nas noites do tempo não trouxe um exemplo a ser seguido, nos dias de hoje, é porque muitas pessoas ainda precisam sentir experiências que as levarão ao cansaço e abandono.

Dentro da luxúria e outras concupicências de variado porte, o torpor que as envolve, como os efeitos do álcool subindo à cabeça, irá afastá–las da lucidez. Nesse aspecto desolador mergulha em antros tenebrosos. E a vida? A vida continua independente de que não quer viver uma vida saudável. Não nos cabe falar sobre o futuro. Quando acordarem estarão longe das plagas em que mourejavam.

Como os ventos varrem todos os ambientes, chegará um momento em que eles sentirão necessidade de trocar as vibrações que vêm e passam por aquelas onde a harmonia ultrapassa os tempos.

Se não for neste mundo em transição planetária, será em outro onde existirá a mesma afinidade de vibrações que escolheram e vivenciam. O tempo poderá ser em séculos ou milênios. Uma coisa é certa: não será fácil viver assim. O meio sempre influenciou o modus vivendi aqui e alhures.

Na separação do joio e do trigo, o planeta Terra não mais acolherá, em futuro próximo, vibrações diferentes do mesmo estágio evolutivo em que está ascendendo. A Era Dourada avizinha–se. Regozijemo–nos todos.

A diversão é necessária mas há que se estabelecer a egrégora que escolhermos. Saindo da dualidade em que o mundo terrestre ainda está mergulhado, podemos ver que não há certo nem errado, o que existe é a busca da beleza.

Na Avenida Paulista, em São Paulo, no brilho do luar ofuscado por luzes da cidade e do soltar de fogos, cantamos e dançamos na chegada do Ano de 2013, numa festa coletiva comandada pela cantora Daniela Mercoury. A música preferida foi a que dizia assim: o amor de Julieta e de Romeu é igualzinho ao meu e seu. A imensa egrégora nordestina estava presente em peso. Sentimo-nos à vontade cercados de nossos conterrâneos.

Embora seja observado por uma minoria que já ultrapassou 1 bilhão de pessoas, o planeta Terra de 7 bilhões de habitantes, está sendo sacralizado em ritmo crescente. Os simples e humildes herdarão a Terra, a luz crística é tão real quanto os raios adamantinos que chegam ao planeta.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A CURA


É a natureza que cura. O ser humano, por ser natureza, cura a si mesmo. Não pode ser diferente. 

A cura é feita por radiância do ser profundo, que todos somos, sem distinção, iluminando a alma, a aura, a camada mais próxima do corpo físico onde a doença se reflete.

Herói imbatível do mundo das estrelas, quando revestido de corpo material num desconhecido burgo do Império romano, Jesus elucidou o enigma em que o mundo material se debate: “a tua fé te salvou”. 

Sabemos que a mulher hemoroíssa teve todas as tentativas frustadas nas mãos de médicos, exorcistas e curadeiras. Procurou lá fora o que estava em seu interior, em seu ser mais profundo. Tivemos a oportunidade de narrar o encontro dessa mulher (Verônica) com Jesus. 

A radiança luminosa elimina as sombras. Quando são eliminados os engramas incrustados na alma, o efeito surge no corpo. É a natureza que se expande.

Como o homem evolui através das ondas mentais, eis o segredo de fazer o destino, é necessário elucidar que o pensamento tem coloração, vibração, velocidade e densidade.

Aquelas pessoas que têm a facilidade de atrair as almas errantes, é necessário acolhê-las na luz e não retê-las. Acolher na luz, é antes de tudo, fortalecer a aura através de viagem interior, onde se encontra o que somos em essência.

A sacralização do planeta é a sacralização dos habitantes que nele vivem. Não é necessário seguir nenhum modelo religioso, pois no plano mental há a falsificação de tudo que existe mediante o mito de Prometeu.

O plano mental é o reino do ego que é complicado e se contradiz. Esse plano, englobando a intelectualidade, foi muito útil à humanidade, mas não consegue transcender a dimensão onde a beleza é permanente. No plano supramental a ilusão desaparece, a verdade surge. 

Os quatro pilares (simplicidade, humildade, transparência e alegria) sustentam o caminhar que nos conduz à felicidade interminável. No reino do ego, que alimenta a dualidade (bem/mal, certo/errado, feliz/infeliz e outras expressões similares), a felicidade é picotada em fragmentos, com a predominância do que vem oposto.

A felicidade depende de nós, principalmente se soubermos fazer a escolha de pessoas em nosso relacionamento, sem atritos nem provocações, elucidando que a crítica e o julgamento nos fará distanciar delas.

Nessas circunstâncias, comprometemos a nossa imunidade, pois os pensamentos gerados em atritos, e com retorno acumulado dos nossos desafetos, por serem energia, irão produzir circuitos que afetarão os campos magnéticos onde o nosso corpo está situado. Tudo vem da alma. A opção “mente sã em corpo são” revela a tradição que vem dos antigos gregos.

Mencionamos sempre a necessidade de afastarmo-nos de discussão, conflitos familiares, contendas judiciais em qualquer área, onde sem dúvida o julgamento irá aparecer. No julgamento a separação. Como separar, se tudo se interliga. É apenas questão de sacralização que uns aceitam e outros apenas tem o direito de escolher diferente. Uns têm o direito de serem livres e outros o direito de serem escravos de si mesmo.

No planeta Terra, onde a densa consciência dissociada está indo embora, com a chegada da consciência unificada de milhões e quase bilhões de habitantes, a maioria sendo mulheres, a doença também está indo embora e a cura é apenas o estado alcançado por almas felizes, revestidas de indumentária carnal. 

Ao que não conseguiram a cura, a ida a lugares onde suas vibrações levam, é sempre o pensamento fazendo o destino, os fará mergulhar entorpecidos em circunstâncias escolhidas. 

Um dia, quando acordarem, na longa estrada do destino, a Terra sacralizada, neste final dos tempos, não os receberá mais, por uma questão de incompatibilidade. No entanto, campos floridos sempre surgirão, não importa quando e onde. 

Abandonemo-nos à luz, sigamos com leveza. 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

MADALENA


Primícias do Reino, de Amélia Rodrigues (Espírito), livro psicografado por Divaldo Pereira Franco, revela um traço marcante no comportamento de Madalena:

“De coração generoso, gostava de ajudar e por ser infeliz compreendia a dor dos sofredores e se apiedava da aflição os desditosos. Suas mãos e dedos adereçados derramavam moedas e ofertavam pães, e se as portas da sua casa se fechavam frequentemente aos servos do prazer, seus servos tinham severas ordens de abri-las à dor e ao sofrimento que buscasse ajuda ou guarida.” (66)

(66)  AMÉLIA RODRIGUES – in Primícias do Reino, p. 184 – 4ª edição – psicografado por Divaldo Pereira Franco – Livraria Espírita Alvorada Editora – 9/2000 – Salvador – BA. - Autorização concedida ao escritor Fernando Pinheiro por Nilson de Souza Pereira, presidente do Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador–BA, cessionário das obras psicografadas por Divaldo Pereira Franco. 

Anteriormente, no século 19, o poeta Fagundes Varela, ao descrever a cena ambientada na casa do fariseu de que nos fala a Bíblia Sagrada, narra em versos o perfil de Madalena. Antes, porém, vale ressaltar que o texto sagrado não menciona o nome da pecadora. Entre os fariseus, pecadora poderia significar mulher prostituta como também aquela que não observava os  costumes farisaicos.

        “Pura, como na infância, abençoada
        Pelo Santo entre os santos, Magdalena,
        Que este era o nome da infeliz perdida,
        Foge dos seus amantes opulentos,
        Entrega aos pobres joias e riquezas,
        Que Satan deparara, e mais formosa,
        Descoberta a cabeça, os pés descalços,
        Acompanha o Senhor por toda a parte.”  (67)   

(67)  FAGUNDES VARELA, L. N. – in Anchieta ou O Evangelho nas Selvas – poema – Canto III – Capítulo XXXIII – pp. 111, 112 – Livraria Imperial – 1875 – Rio de Janeiro – Acervo: Academia Brasileira de  Letras.

O fariseu, rico de valores amoedados, vendo que uma oportunidade rara de receber o rabi da Galileia batera em sua porta, preparou-lhe uma recepção, a fim de se projetar no conceito dos seus patriotas. E, assim, escolheu os músicos, os amigos e parentes para recepcioná-lo.   

O anfitrião estava interessado na repercussão que teria seu nome como um amigo daquele homem que, se triunfasse na política, conforme supunha, ganharia um lugar de destaque ao seu lado.

Aquele povo da Judeia estava ansioso para ter um líder que viesse libertá-lo das algemas de Roma. E o Mestre, possuidor de um poder enérgico e brando, sobressaía diante daqueles que presenciassem suas atitudes elevadas. Até mesmo na singeleza de suas palavras aos camponeses, havia nele uma dignidade que deslumbrava a todos.

Sabendo o que estava ocorrendo na casa de seu antigo parceiro de noites de orgia, a pecadora teve a curiosidade de conhecer aquele visitante que irradiava uma beleza comovente. Mesmo sem ter recebido o convite, conseguiu penetrar no recinto onde estavam reunidos os convidados. Tudo nela estava em desalinho, suas emoções, seus cabelos e suas vestes.

Simão, acostumado às formalidades de recepção, acolheu o ilustre visitante na tentativa de surpreendê-lo em público. Mas a ternura da conhecida mulher era mais forte que os gestos externos de pureza daquele fariseu.

Os minutos e as horas seguidas, naquele ambiente, foram tomados pelas atitudes da pecadora que se libertou das sombras do passado. Numa atitude piedosa e sentindo algo renovador dentro de si, deixou cair lágrimas que se misturavam à água do vaso de alabastro que ela derramava nos pés dele, enxugou-os com seus cabelos sedosos e os perfumou com essências raras.

O fariseu, observando que tudo acontecia sob a vista de todos os presentes, em pensamentos, zombou daquele homem que estava em sua casa e disse só para si mesmo: “se este fosse   profeta, saberia quem é a mulher que o tocou, pois é uma  pecadora”. (68)

Percebendo o que se passava no íntimo do anfitrião, o Mestre amado inicia um pequeno diálogo com Simão. O evangelista Lucas narra:

“Disse Jesus ao fariseu: “Simão, uma coisa tenho a        dizer-te. Respondeu ele: Dize-a, Mestre. Certo credor tinha dois devedores. Um lhe devia quinhentos e o outro cinquenta denários. Não tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize-me, pois, qual deles o amará mais? Respondeu-lhe Simão: Tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou. Disse-lhe Jesus: Julgaste bem. Então, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou com lágrimas os meus      pés, e os enxugou com os seus cabelos. Não me deste ósculo, mas ela, desde que entrou, não cessou de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com unguento. Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, pois muito amou.  Mas aquele a quem pouco é perdoado, pouco ama. Então Jesus disse à mulher: Os teus pecados te são perdoados.”    (69)

(68, 69) LUCAS, 7:39 a 49  

Uma sensação de espanto e admiração corria nos olhos de  Simão. Acostumado a formalidades em que se evidenciam o engano, ele sentia dificuldade em compreender palavras de    libertação. Os convidados à mesa começaram a falar entre si:  “Quem é este que até perdoa pecados.” (70)

(70) LUCAS, 7:49

A pecadora estava convertida. O amor possibilita o encontro da verdadeira felicidade. Feliz, sentiu-se realizada, e saiu como entrara: a correr, a correr...

W W W

O Canto III da obra Anchieta ou O Evangelho nas Selvas, de Fagundes Varela também revela a narrativa poética acerca da pecadora. Vale assinalar:

        “Toda sua existência, e seu passado
        Esquecidos, ressurtem!... A cabana
        De seus honestos pais, os áureos sonhos
        Da descuidosa e santa meninice,
        O céu azul, as balsas florescentes
        Os serões da família, e... sobre tudo,
        Ai!... a inocência da primeira idade!
        Crenças divinas que alimentam anjos!...
        Tudo isto apareceu! de novo... ao longe,
        À luz de um céu puríssimo, crivado
        De milhares de estrelas refulgentes!...
        Depois, volvendo os olhos a si mesma,
        Examinando as nódoas indeléveis
        Que de su´alma o espelho embaciavam,
        Viu do colar as pérolas mudadas
        Em lágrimas de fogo, e as ametistas,
Os graúdos rubis dos braceletes,
        Em quentes gotas de fervente sangue!...
        Então sobre as espáduas da perdida
        Rebentaram de novo as asas de anjo!
        Em soluços desata, dolorosos,
Lança-se compungida aos pés de Cristo,
        De lágrimas e bálsamos os cobre,
        E os envolvendo nas madeixas negras,
        Os enxuga, prostrada, arrependida.
                        XXXII
– Oh! não!... murmura o fariseu consigo,
        Este mancebo zomba de nós outros!
        Se ele fosse profeta, bem soubera
        Quanto é rasteira e vil a criatura
        Que pranteia a seus pés!  – Jesus o encara,
        E diz estas palavras: – Ouve, amigo:
        Tinha um bom mercador dois devedores;
        Um quinhentos dinheiros lhe pedira,
        Outro apenas cinquenta; pobre ambos
        Nunca puderam lhe pagar tais somas,
        Ele, porém, as remitiu sem queixas:
        Qual dos dois lhe devêra ser mais grato?
– Oh! certamente, o fariseu responde,
        O que maior quantia recebera! – 
        – Julgaste bem, o Salvador prossegue,
        Estou sob teu teto, não me déste
        Para lavar os pés um pouco d´água,
        E nem déste o ósculo fraterno,
        E nem minha cabeça perfumaste
        De bálsamos suaves; entretanto,
        Ela banhou-me os pés com tristes lágrimas,
        Ela os cobriu de beijos incessantes,
        E os ungiu de perfumes preciosos!...
        Por isso agora digo: os seus pecados
        Remitidos estão, amou, e muito!   –
        E voltando-se à humilde pecadora,
        Lhe diz: – Mulher, levanta-te, não chores,
Pois a fé te salvou!  – Assim falando
        Ergue-se e sai da sala do banquete.”  (71)

       
(71)   FAGUNDES VARELA, L. N. – in Anchieta ou O Evangelho nas Selvas – poema – Canto III – Capítulo XXXI, XXXII – pp. 110, 111 – Livraria Imperial – 1875 – Rio de Janeiro – Acervo: Academia Brasileira de Letras.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

GENESARÉ


A citação do Evangelho é de Amélia Rodrigues (Espírito) no livro Trigo de Deus, psicografado por Divaldo Pereira Franco:

“Narra Marcos (62) que, assim que saíram do barco, os de lá reconheceram-nO, acorreram de toda aquela região e começaram a levar enfermos nos catres para o lugar onde sabiam que Ele se encontrava. Nas aldeias, cidades e casas, onde quer que entrava, colocavam os enfermos nas praças e rogavam-Lhe que os deixasse tocar pelo menos a franja da Sua capa. E quando O tocavam, ficavam curados.” (63)

(62)  MARCOS,  6:53  a  56 – Nota da Autora espiritual.

(63)  AMÉLIA RODRIGUES – in Trigo de Deus, p. 90, 4ª edição, psicografado por Divaldo Pereira Franco – Livraria Espírita Alvorada Editora – 10/2000 – Salvador – BA. - Autorização concedida ao escritor Fernando Pinheiro por Nilson de Souza Pereira, presidente do Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador–BA, cessionário das obras psicografadas por Divaldo Pereira Franco. 

Nas formosas praias de Genesaré, ele esteve no meio da multidão, despertando-a para as aquisições imorredouras.

À sua volta, a famigerada desfiguração humana estampada  no  semblante de cada um, resultante das atitudes tresloucadas assumidas deliberadamente por imposição de enganosas aparências.

A todos que a ele acorriam, havia a restauração da saúde. Os cegos recuperavam a visão material, muitos conseguindo perceber, no íntimo do ser, a luz espalhando o vigor tanto nas  células degeneradas como na alma.

Naquela tarde, os fluídos, constituídos da mais pura essência que na Terra apareceu, emanados da aura espiritual do Mestre, conseguiram o maior trabalho de cura de que se tem notícia.

A multidão saciada da sua necessidade mais urgente: a saúde.

Todos buscavam a saúde naquele sol de irradiante beleza,  esparzindo energias nos músculos hirtos e com deformidades.  Tocando a todos e deixando-se tocar nas fímbrias das suas  vestes, que brilham em claridade desconhecida, donde saíam  as “virtudes” que curam, como anotaram os evangelistas das Sagradas Escrituras.

Sentindo a dor que se espalhava, acercou-se de todos os sofredores que não sabiam como sair do sofrimento, amando e deixando-se amar.

Momentos inesquecíveis e lembrados sempre com estímulo a todos nós para que o amor dissipe as consequências do desamor.

A caravana dos sofredores é imensa, sempre à espera de quem a tire do precipício onde se encontra.

À semelhança daquela tarde inesquecível, o Mestre Jesus nos espera, a fim de que possamos receber a luz que alumiará   nossos passos, em direção a ele, Luz do Mundo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A CURA DE UM LEPROSO


Experimentava o desprezo de seus compatriotas que lhe segregavam o convívio, alojando–o no Vale dos Imundos. Teve notícias daquele profeta da Galileia que curou muitos leprosos.

(49)  MARCOS,  1:40 a 44       LUCAS, 7:13  a 19  
       
Agora, reencontrando–o de passagem por Jerusalém, disse: “Senhor, se quiseres, bem podes limpar–me!”. Havia, na inflexão da voz, uma súplica. A esperança brotava, em seu ser mais profundo, como se fosse aquele dia a oportunidade única de ficar curado.

Sentindo a dor daquele irmão, o Mestre apiedou–se e, estendendo a mão, tocou–o e disse–lhe: “quero, sê limpo”. No mesmo instante, os tecidos degenerados se recompuseram, voltando à normalidade. A lepra desapareceu.

Impressionado com o seu novo estado de saúde e, parado, em êxtase, diante da grandeza radiante do Mestre, o leproso, acanhado, balbuciando, parecia perguntar: “que devo fazer, agora, Senhor?”

“Não digas a ninguém”, respondeu Jesus, “mas, vai mostrar–te aos sacerdotes e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para que lhes servir de testemunho”.
  
Amélia Rodrigues, no livro Primícias do Reino, psicografado por Divaldo Pereira Franco, relata o texto final deste episódio e o comenta à luz da sabedoria:

“O Estranho Rabi tornara–se diáfano. Uma beleza incomparável dEle se irradiava. Parecia sorrir.

A turba acercou–se, muda de espanto, e constatou–lhe a cura.

Estuante, emoções em desalinho, saiu a correr.

Mente em torvelinho, coração descompassado, voltava à  cidade.

Antes, a pedradas fora expulso. Agora, cantando felicidade,  retornava.

Pelo caminho, no entanto, sem poder guardar silêncio, contava o prodígio de que fôra objeto.

        Ω

A noite caíra sem preâmbulos.

À luz das estrelas longínquas o Mestre reuniu os discípulos, em agradável aconchego.

Chegado a hora do repasto e preparada a fogueira aquecedora, foram distribuídos pão e peixe defumado. Acercando–se do Rabi, Simão indagou curioso:

–  Seria necessário que o leproso pagasse o tributo?

–  À lei, os respeitos de justiça, respondeu Jesus.

E desejando esclarecer os companheiros não refeitos da  grande emoção, prosseguiu:

– Legalmente, ele estava morto. Trazido à vida, por mercê de Nosso Pai, deverá ser reconhecido por aqueles que representam a tradição. O tributo, não entendemos como pagamento ou louvor, puro e simples, mas como expressão de testemunho de reingresso nos estatutos dos homens.

Espicaçado pela curiosidade, André indagou:

– Será justa a recomendação de silêncio? Não se faz necessário que todos identifiquem os sinais da Mensagem de Vida, para que se disponham ao Reino de Deus que está próximo?

O Mestre espraiou os olhos em derredor, como a delimitar os sítios onde se encontrava, e redarguiu:

– Não transcorreu muito tempo, eu vos falei que sois o sal da Terra... Para que serve o sal se perde o sabor? Diluindo–se no repasto, o sal se faz presente sem alarde e todos o podem identificar...

E depois de uma breve pausa como se desejasse caracterizar melhor os dias próximos, esclareceu:

– O Reino dos Céus não fará notado pelas atrações externas. A Terra sempre foi rica de homens e mulheres prodigiosos, profetas e rabis, curadores e adivinhos. Acima deles todos, no entanto, o Filho do Homem há velado.

E esclarecendo melhor os discípulos incipientes, prosseguiu:

– O leproso de hoje contaminou–se espiritualmente em pretérito próximo. Ontem, soberbo e egoísta, banhou–se nas lágrimas dos oprimidos, abusando do corpo como os ventos bravios das tamareiras solitárias. Retornou aos caminhos de tormento em si mesmo atormentado, para ressarcir penosamente. O legado que hoje recebeu é de responsabilidade antes que de merecimento. O Pai misericordioso não deseja a punição do filho rebelde ou ingrato, mas a sua renovação...

Como se consultasse o leve cicio da noite, arrematou com um acento de tristeza na voz:

– Nem todos, porém, podem isto compreender.

“Neste momento, apalpando as carnes refeitas, exibe o corpo aos curiosos e fala sobre Aquele a Quem desconhece com alegria e leviandade. A cura mais importante não a experimentou: é aquela que não se restringe à forma, e sim ao espírito. Lavada a morféia, ele continua leproso. Acautelai–vos do contágio das misérias que os olhos não veem, mas que entenebrecem a razão e perturbam o coração...”

Simão, desejando mais esclarecimentos, inquiriu com respeito:

 – Rabi, se o doente não se pôde beneficiar com a cura, ter–lhe–ia sido esta de utilidade?

 – Simão, – respondeu, bondoso, Jesus – o Reino dos Céus é uma mensagem de amor para todos: desalentados e sofredores, atormentados e enfermos todos receberão o convite de acordo com as suas necessidades. A nós compete espalhar as dádivas de luz e bençãos, sem a preocupação imediata de como serão recebidas ou utilizadas. Cada coração é responsável pelas sementes que recolhe. Fruindo a dádiva de luz, pode escolher onde entesourar as esperanças. O Sol espraia vida em todo lugar, indistintamente e, embora o pântano continue pútrido, o astro rei insiste sobre o seu dorso, onde a peste e a  morte se agasalham, semeando esperança...

Levantou-se e, afastando–se do grupo, em silêncio, mergulhou na noite, e desapareceu.

A montanha continuava envolta em sombras, ao fundo.

Enquanto as gemas dos minutos formavam o colar dos séculos, os acontecimentos daquele dia passavam para os dias do amanhã sem–fim...”  (50 )             

(50)  AMÉLIA RODRIGUES – in Primícias do Reino, p.  132, 133, 134 – 4ª edição – psicografado por Divaldo Pereira Franco – Livraria  Espírita Alvorada Editora – 1987 – Salvador – BA. - Autorização concedida ao escritor Fernando Pinheiro por Nilson de Souza Pereira, presidente do Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador–BA, cessionário das obras psicografadas por Divaldo Pereira Franco.