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domingo, 17 de fevereiro de 2013

O VENTO, O GRITO


Imagine, você, amiga do facebook, em seus sonhos, diante do mar, acompanhada de um bando de gaivotas e de um cardume de peixes saltando sobre as ondas do mar, este é o vento, o grito, esta a realidade que você pode criar.       

Existem imagens de holograma, assim como existe o fenômeno psicológico denominado pareidolia. Independente de contextos, o compositor EnnioMorricone escreveu a música Le Vent, Le Cri. Na realidade, existem o vento e o grito.

Você, e todo esse mulherio que me acompanha pelo mundo afora, faz parte de mim pela essência etérica de que somos feitos, a essência que se conecta com a fonte. Dessa conexão nasce a verdadeira vida, este o despertar da nova consciência planetária que está chegando à Terra.       

Sabemos, todos nós, que, na mitologia grega, Eros se juntou a Psichê e gerou Luxúria. Não é apenas essa união de Eros e Psichê que a humanidade faz recrudescer.

O mito de Prometeu está presente em tudo e ensejou a falsificação de todos os sistemas sociais. Daí nasceu uma sociedade do medo. O medo é do ego, o ego é complicado e não admite simplicidade.

O orgasmo sexual tem conexão com o chacra mais poderoso que existe, por ser o chacra ligado à reprodução humana. É importante o orgasmo sexual, como é importante o intase (ausência de ilusões) e o êxtase, que é a prova do que temos, neste caso, sem dúvida colocando-se no nível mais elevado de consciência do que o orgasmo.      

O êxtase ultrapassa o campo mental, esse campo onde o homem divide, separa, discrimina, se contradiz e se cumplica por critica e julgamento.     

O êxtase nos dá o Samadhi e nos liberta dos engramas que ficaram no passado. A consciência do ser etéreo já é o êxtase que chega em ascensão ao todo, onde tudo ser interliga. Pois, na verdade, todos somos um.

Os animais, os peixes, os répteis, as aves e todo o reino animal (excetuando-se o homem), por não ter o livre-arbítrio, entregam-se ao movimento renovador da natureza e absorvem essa energia que flui na terra e no mar, na superfície subterrânea e na amplidão dos espaços, com chuva e com sol e nos nevoeiros que anunciam a mudança de tempo.

Os raios adamantinos, esses raios-gamas que foram observados por cientistas, esses raios descendo do centro da galáxia Via-Láctea em direção do sistema solar onde a Terra gira, são espalhados a todos os seres humanos que, ainda aprisionados ao livre-arbítrio, não se deixam ser envolvidos por tantas blandícias que nos evocam o paraíso.

A mente está mergulhadqa no efêmero, entorpecida pela ilusão que oblitera a sua realidade imortal. Os seres da espécie animal não têm esse problema, a entrega os faz participar da unidade.

A notícia alvissareira da chegada da Era Dourada (Era de Aquarius) é que o homem irá adquirir o que o reino animal, dito irracional, já possui: o sentido gregário. Vejam os cardumes de peixe, os bandos de animais movimentando-se em equipe, a comunicação é correspondida mutuamente.

A comunicação é vibração, os animais se comunicam em grupos, os ventos são emanações desse calor que o instinto revela, o grito dos animais também é inteligente, só que numa inteligência ainda não compreendida, integralmente, pelo ser humano por causa do uso do livre-arbítrio. Com o ascender desse fenômeno, o homem se integra com a unidade do universo que se manifesta na diversidade das formas e dos conteúdos.

No futuro, a lição da natureza será absorvida pelo ser humano, isto estará acontecendo nos próximos séculos quando a Terra ascender completamente a um grau de consciência superior numa dimensão unificada e não mais dissociada que ainda é a característica do planeta. Tudo está sendo sacralizado em ritmo de galope.

Como a movimentação é imensa em todas as atividades humanas, caminhamos com leveza e até mesmo com revérbero e pujança, como nas sinfonias. Nas grandes orquestras sinfônicas, onde há a leitura musical em execução, já existe o sentido gregário.

As mulheres, carreando o contingente numeroso da ascensão planetária, o sentido gregário já é realizado com os seres multidimensionais, os conhecidos anjos, arcanjos, santos, em número bem maior que os homens.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

VERÔNICA


Na praia formosa de Cafarnaum, o Mestre acabara de chegar da outra margem do lago Tiberíades e uma grande multidão o cercou na ânsia de ouvir suas mensagens. 

(64) MARCOS, 5:30 e 34

À frente de um pequeno grupo, estava Jairo, chefe da Sinagoga, que se dirigiu a Jesus pedindo-lhe que fosse à sua casa para curar-lhe a filha.

A multidão aumentava a cada instante, pois o amor enternecido, que doava àquela gente, era grande demais. Todos estavam admirados pela presença magnífica de um ser celestial entre eles, oriundo das mais elevadas esferas de luz e cor que se espalham pelo infinito.

Conhecedor profundo da alma humana, amava e deixava-se ser amado, para realçar a reciprocidade do amor, do amor que liga o homem ao Cosmos, numa visível manifestação da presença divina.

A mulher da Decápolis, região composta por dez cidades gregas que se erguiam ao longo da Palestina, sabia de seus feitos de grandeza que se manifestavam na cura dos leprosos, enfermos de toda doença e nas lições preciosas que esclarecem a realidade da vida.

A oportunidade era valiosa: agora estava diante dele que atraiu a atenção de todas as pessoas presentes naquela praia a fim de distribuir as dádivas preciosas de que era possuidor.

Todos os tratamentos para extinguir o fluxo de sangue foram inúteis. Sacerdotes, médicos, exorcistas estiveram diante de seus olhos sem apresentar resultados benéficos. Foram gastas as reservas de dinheiro que ela economizara.

Quase exausta na busca de saúde, sentia uma esperança nascer naquele dia. O alvoroço era geral. O Mestre, com passos firmes e fortes, seguia em direção da casa de Jairo para socorrer a filha que estava prostrada na cama.

Na caminhada que fez junto à multidão, gestos e exclamações de profunda admiração eram manifestados, misturando-se ao canto feliz das crianças – pueri hebreorum – carregado de versos de alegria. Esta cena comovente seria, mais tarde, repetida em Jerusalém, na entrada triunfal de Jesus.

A mulher hemorroíssa, vendo que aquele homem poderia curar-lhe o fluxo de sangue, tocou-lhe as fímbrias do manto e sentiu-se curada.

O sangue estancara, uma sensação de bem-estar invadiu-lhe o ser, intimamente agradecida, ouviu-o indagar: “Quem tocou nas minhas vestes? Responderam-lhe os discípulos: vês que a multidão te aperta, e dizes: quem me tocou?”

Ele olhou ao redor para ver quem foi curado pelas irradiações luminosas que saíam de sua aura divina, descritas nas narrativas evangélicas como as virtudes que curam.

Naquele instante, a mulher aproximou-se tremendo e, prostrando-se diante dele, disse toda a verdade: “fui eu, Senhor, que era uma pobre coitada! Sabia que tinhas o dom de curar e apenas tocando em tuas vestes eu seria curada”.

“Ele lhe disse: filha, a tua fé te salvou. Vai em paz, e sê curada deste teu mal”.

Quanta emoção sentiu naquele instante! Ele seguiu em frente à casa de Jairo e ela ficou parada ali como estivesse em profundo êxtase, revendo mentalmente aquele olhar doce e sereno que suavizou a sua alma cansada e triste.

Aqueles que presenciaram a cena de comovente beleza tocaram-na para despertar do sonho que seus olhos abertos viram.

A mulher curada retornou ao lar, agora nascida outra vez. O testemunho de que era portadora serviu para despertar o coração daqueles que ainda não conheceram Aquele que é o caminho, a verdade e a vida.

Acreditamos que a mulher da Decápolis era a mesma pessoa que enxugou o rosto de Jesus, a caminho do Calvário. Cenas de sangue antes e cenas de sangue depois, isto foi o elemento vital que uniu Verônica a Jesus. No plano espiritual os liames afetivos são eternos.

Acreditar está mais ligado ao estado emocional do que ao racional ou inteligente. A fé de que falou Jesus à mulher hemorroíssa tem um valor primordial na realização da cura. É o envolvimento na unidade, na consciência plena da realidade.

A manifestação da unidade que sentimos na ligação com as pessoas que estão convivendo conosco é muito importante, pois isola o culto à nossa transitória personalidade, enfocado de modo exclusivo.

Os atributos que compõem a nossa personalidade servem-nos apenas à identificação do campo de atividade em que estamos envolvidos. Usá-los em proveito próprio seria desperdiçar tesouros que não nos pertencem.

Há muitas lacunas no campo dos sentimentos à espera de nossa participação, a fim de que nada fique incompleto nas relações humanas que nos ajudam a recompor o equilíbrio.

Pode parecer monótona a hora em que estamos reunidos com pessoas que pensamos não vivenciar das ideias que trazemos conosco. Mas há um mecanismo entrelaçando-nos em circunstâncias que nos dizem respeito.

O princípio do todo, do conjunto da participação de cada um, nas experiências que se expressam junto de nós, eleva-nos a níveis superiores onde a consciência se expande.

O mecanismo dos encontros surge nas irradiações de nossos pensamentos e nas inclinações mentais em que nos posicionamos. Este é um princípio estabelecido em todas as manifestações de pessoas que se interligam por motivos que sugerem o despertar de um novo estágio evolutivo.

Quando sentimos a energia, que nos envolve, circulando no campo mental daqueles que nos rodeiam, vemos que a realidade única é o poder indivisível por qualquer força de circunstâncias transitórias.

Nessa aceitação, pelos sentimentos revestidos da inteligência, o nosso íntimo, em todos os campos da manifestação exterior, permanece estável e imperturbável, mesmo que a mais inquietante situação esteja acontecendo no mundo em que vivemos.

O serviço às circunstâncias envolvendo os companheiros, que precisam ter a elucidação dos valores reais da vida, é o sentido único de nossa existência.

A cada momento, sentimos em nosso íntimo a tranquilidade se manifestando como as águas do oásis, no deserto, quando a tempestade de areia passa. Isto é o resultado da conservação de atitudes coerentes com a inteligência, buscadas na simplicidade de todas as coisas.

Só pelo fato de mantermos essa atitude de equilíbrio emocional, estamos contribuindo na apreciação de pessoas que vêm conosco participar de momentos aparentemente passageiros.

A vibração, que sai de nosso íntimo, interliga-se com a disposição mental daqueles que nos observam tentando absorver as expressões que podem ser úteis à sua forma de viver.

Como a simplicidade deslinda qualquer enigma, sentimos que a nossa singela postura de vida vai servir de referencial para que suas atitudes sejam revisadas da forma que lhes for conveniente.

O importante é despertar as pessoas para as potencialidades que possuem arquivadas interiormente, deixando-as livres para escolher o padrão de comportamento que tem relação com suas tendências e aptidões.

Quando sentimos o nosso serviço à causa da vida sendo apreciado por aqueles que nos acompanham os passos, estamos elevando-nos a outros níveis de consciência, onde a unidade, nós, os companheiros e tudo que nos cerca, é a força que nos estimula a seguir adiante.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

ENGRAMAS


Aqueles que buscam a felicidade permanente e não querem ser mais enganados, então não liguem mais para os noticiários que dão audiência, no dizer dos promotores de programas e vejam como as suas vidas irão mudar.

A rotina também se esgota e a reinvenção da vida é o chamado que a poetisa Cecília Meireles nos sugere. Para que acumular, em nosso íntimo, informações que nada tem a ver com o que somos na realidade?

A manipulação de massas humanas, através dos meios de comunicação, visa unicamente estabelecer o medo como forma de aprisionamento e de controle. Isto acontece, como dissemos anteriormente, por causa do princípio de atenção, pois passa a ser verdade tudo aquilo que dermos peso e referência. Não é que a noticia seja falsa mas por causa da ilusão que é acolhida como verdade. A densa camada de pensamentos existe mas não é a nossa faixa vibratória onde vivemos.

Se existe a liberdade de expressão, como é noticiado, em nós mesmos deverá existir a liberdade de escolha para tudo aquilo que vemos e ouvimos. O descobrir-se a si mesmo, de Sócrates, o filósofo, não preconizava a busca de algo externo, como hoje acontece nas informações que nos passam para orientar em nossas decisões.

Vem-nos à tona o episódio conhecido em que envolveu Alexandre Magno, à época, o governador do mundo, pois havia conquistado tudo e precisava de Diógenes, o filósofo, que caiu nas graças do imperador e o procurou em Corinto para receber seus conselhos.

Na presença de Alexandre Magno, numa habitação rústica nos arredores daquela cidade, Diógenes foi solicitado a pedir o quisesse. Ele pediu uma única coisa que o imperador não lhe poderia dar: a luz do sol que o imperador impedia de ser projetada diante do filósofo.

Alexandre Magno afastou-se um pouco e o pedido foi atendido. Em seguida, saiu de lá admirando ainda mais o gesto de Diógenes. Diante de seus oficiais que zombaram do filósofo, disse: "se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes".

Basta que haja ocorrências de escândalo, assalto, tragédia, morte e outros desencantos, as televisões e rádios, aqui e alhures, correm logo para noticiar o clima em que isto ocorreu e passam horas comentando e repetindo os mesmos assuntos.

A grade de notícias passa a ser a grade em que os ouvintes e assistentes se aprisionam. Não é a TV que aprisiona, mas o próprio espectador que dá peso e referência ao que ouve e vê, como dissemos.

Fala-se em liberdade e a liberdade ganha nova roupagem no mito de Prometeu que falsificou tudo, sem exceção. O mundo da ilusão, no conceito hindu, é a realidade em que vivemos.

O mito de Prometeu é acolhido, consciente e inconscientemente, introjetado no cérebro, em forma de engramas, por todos os sistemas que regulam a vida planetária, assim como a infiltração do mito da Caverna que pretende explicar o que se passa.

Ora, há mundos invisíveis a olho nu que exercem influência em nosso mundo material, conceito acolhido até mesmo por esses sistemas, mas o que predomina é o interesse material, como se isto fosse a única necessidade do planeta.

No mundo que se desdobra a acontecer neste novo milênio, sob a influência dos raios adamantinos que surgem do grande oceano astral, oriundo do centro da Via Láctea, a nossa galáxia, vemos que a transparência irá eliminar todas essas informações que não condizem com a nossa realidade existencial.

A transparência de que falamos não acolherá mais a falsificação da realidade, pois tudo e todos serão transparentes, assim como nos sonhos em que vivemos dentro do sono. O pensamento de um será percebido por todos. Nesse tempo, a TV e a internet serão ultrapassados e esquecidos para sempre como engramas do passado.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

CARNAVAL - Abertura



Numa apoteose de dança, a Abertura Carnaval, opus 92, de Dvorak, estende uma atmosfera alegre e excitante. No programa, a partitura vem antecedida por uma narrativa [TRANCHEFORT/1990]:

“Ao cair da noite, um caminhante, solitário e meditativo, chega a uma cidade onde impera um desenfreado carnaval. De todos os lados, se ouve o som de instrumentos misturados aos gritos de alegria e ao irreprimível entusiasmo do povo que dá expansão a seus sentimentos por meio de suas canções e de suas danças”.

Os sons emitem vibrações variadas que satisfazem o gosto de todas as pessoas. Umas apreciam a suavidade, outras um ruído que está mais ligado às sensações passageiras.

O campo físico pode sentir também as vibrações harmoniosas que se desprendem das esferas onde o sentimento humano está sublimado.

A música folclórica tem um efeito imediato. Se for apresentada repetidas vezes tende a cair em de quem a ouve, exceção feita aos clássicos populares que já se consagraram.

Há grande diferença entre a música popular e a erudita. No entanto, pode existir, em ambas, um gosto em comum das pessoas, dependendo do momento em que as desejam ouvir. Ambas são importantes nas fases da vida em que passamos.

No Carnaval ouvimos enredos que falam dos fatos históricos, lendas e crendices de civilizações passadas, levando ao público uma festa de alegorias e ritmos.

Muita gente sai às ruas extravasando sentimentos recolhidos o ano inteiro e os espalha a todos que estão envolvidos numa demonstração de cumplicidade coletiva.

Ao lembrar que ainda existe concentração de pessoas vendo desfiles, carros alegóricos e multidão de acompanhantes e espectadores, vemos que os costumes do mundo antigo recrudescem na mesma intensidade.

Com a extinção do entrudo, herança portuguesa, o carnaval no Brasil teve o seu berço no Rio de Janeiro, nos “bailes mascarados” (máscaras fabricadas na Europa, vindasde navio a vapor), realizados nos hotéis e no Teatro São Pedro, em fevereiro de 1855.

No Passeio Público, na cidade do Rio de Janeiro, surgiu o carnaval de rua: multidão de pessoas, a pé, a cavalo, de carruagem, assistindo ao desfile de As Sumidades, o primeiro bloco carnavalesco, à frente artistas estrangeiras usando traje a caráter, sorrindo, apregoando versos de alegria [LOS RIOS FILHO, 1946].

Manifestações coletivas atualizam o passado histórico que deixou muita confusão nos circos de Roma e nas orgias gregas. O excitamento às sensações do corpo físico ganha um clima geral. A Nação inteira permite que haja sorrisos em massa, danças em trajes leves.

O enlevo suave que vem das músicas de Beethoven, Mozart, Tchaikowsky, Sibelius, entre tantos compositores, não pode ser sentido, nessa ocasião, por essas pessoas comprometidas com outras vibrações.

Não temos críticas sobre essas manifestações populares, do mesmo modo em que vemos, ainda nos dias de hoje, o consumo de tóxicos e bebidas, sabendo que amanhã isto lhes despertará a atenção para outras atividades que somente os envolvidos poderão descobrir.

A busca de diversão é um direito inquestionável àqueles que sentem um vazio a preencher. Na percepção da vida, ainda estão presos a conceitos transitórios do que pensam ser felicidade e alegria.

Há outros que, desligados da necessidade de extravasar sentimentos eufóricos, estão no meio da massa popular como observadores da conduta que não lhes satisfaz mais. E, numa apreciação adequada, sabem discernir o que lhes convém.

Como todo o Universo é sagrado, não há lugares para censura de atitudes humanas, pois o aprendizado da vida acompanhará o homem aonde ele for.

Se a decadência de Roma e de outras civilizações, inclusive a cartaginesa, pouco conhecida, que se apagaram nas noites do tempo não trouxe um exemplo a ser seguido, nos dias de hoje, é porque muitas pessoas ainda precisam sentir experiências que as levarão ao cansaço e abandono.

Dentro da luxúria e outras concupicências de variado porte, o torpor que as envolve, como os efeitos do álcool subindo à cabeça, irá afastá–las da lucidez. Nesse aspecto desolador mergulha em antros tenebrosos. E a vida? A vida continua independente de que não quer viver uma vida saudável. Não nos cabe falar sobre o futuro. Quando acordarem estarão longe das plagas em que mourejavam.

Como os ventos varrem todos os ambientes, chegará um momento em que eles sentirão necessidade de trocar as vibrações que vêm e passam por aquelas onde a harmonia ultrapassa os tempos.

Se não for neste mundo em transição planetária, será em outro onde existirá a mesma afinidade de vibrações que escolheram e vivenciam. O tempo poderá ser em séculos ou milênios. Uma coisa é certa: não será fácil viver assim. O meio sempre influenciou o modus vivendi aqui e alhures.

Na separação do joio e do trigo, o planeta Terra não mais acolherá, em futuro próximo, vibrações diferentes do mesmo estágio evolutivo em que está ascendendo. A Era Dourada avizinha–se. Regozijemo–nos todos.

A diversão é necessária mas há que se estabelecer a egrégora que escolhermos. Saindo da dualidade em que o mundo terrestre ainda está mergulhado, podemos ver que não há certo nem errado, o que existe é a busca da beleza.

Na Avenida Paulista, em São Paulo, no brilho do luar ofuscado por luzes da cidade e do soltar de fogos, cantamos e dançamos na chegada do Ano de 2013, numa festa coletiva comandada pela cantora Daniela Mercoury. A música preferida foi a que dizia assim: o amor de Julieta e de Romeu é igualzinho ao meu e seu. A imensa egrégora nordestina estava presente em peso. Sentimo-nos à vontade cercados de nossos conterrâneos.

Embora seja observado por uma minoria que já ultrapassou 1 bilhão de pessoas, o planeta Terra de 7 bilhões de habitantes, está sendo sacralizado em ritmo crescente. Os simples e humildes herdarão a Terra, a luz crística é tão real quanto os raios adamantinos que chegam ao planeta.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A CURA


É a natureza que cura. O ser humano, por ser natureza, cura a si mesmo. Não pode ser diferente. 

A cura é feita por radiância do ser profundo, que todos somos, sem distinção, iluminando a alma, a aura, a camada mais próxima do corpo físico onde a doença se reflete.

Herói imbatível do mundo das estrelas, quando revestido de corpo material num desconhecido burgo do Império romano, Jesus elucidou o enigma em que o mundo material se debate: “a tua fé te salvou”. 

Sabemos que a mulher hemoroíssa teve todas as tentativas frustadas nas mãos de médicos, exorcistas e curadeiras. Procurou lá fora o que estava em seu interior, em seu ser mais profundo. Tivemos a oportunidade de narrar o encontro dessa mulher (Verônica) com Jesus. 

A radiança luminosa elimina as sombras. Quando são eliminados os engramas incrustados na alma, o efeito surge no corpo. É a natureza que se expande.

Como o homem evolui através das ondas mentais, eis o segredo de fazer o destino, é necessário elucidar que o pensamento tem coloração, vibração, velocidade e densidade.

Aquelas pessoas que têm a facilidade de atrair as almas errantes, é necessário acolhê-las na luz e não retê-las. Acolher na luz, é antes de tudo, fortalecer a aura através de viagem interior, onde se encontra o que somos em essência.

A sacralização do planeta é a sacralização dos habitantes que nele vivem. Não é necessário seguir nenhum modelo religioso, pois no plano mental há a falsificação de tudo que existe mediante o mito de Prometeu.

O plano mental é o reino do ego que é complicado e se contradiz. Esse plano, englobando a intelectualidade, foi muito útil à humanidade, mas não consegue transcender a dimensão onde a beleza é permanente. No plano supramental a ilusão desaparece, a verdade surge. 

Os quatro pilares (simplicidade, humildade, transparência e alegria) sustentam o caminhar que nos conduz à felicidade interminável. No reino do ego, que alimenta a dualidade (bem/mal, certo/errado, feliz/infeliz e outras expressões similares), a felicidade é picotada em fragmentos, com a predominância do que vem oposto.

A felicidade depende de nós, principalmente se soubermos fazer a escolha de pessoas em nosso relacionamento, sem atritos nem provocações, elucidando que a crítica e o julgamento nos fará distanciar delas.

Nessas circunstâncias, comprometemos a nossa imunidade, pois os pensamentos gerados em atritos, e com retorno acumulado dos nossos desafetos, por serem energia, irão produzir circuitos que afetarão os campos magnéticos onde o nosso corpo está situado. Tudo vem da alma. A opção “mente sã em corpo são” revela a tradição que vem dos antigos gregos.

Mencionamos sempre a necessidade de afastarmo-nos de discussão, conflitos familiares, contendas judiciais em qualquer área, onde sem dúvida o julgamento irá aparecer. No julgamento a separação. Como separar, se tudo se interliga. É apenas questão de sacralização que uns aceitam e outros apenas tem o direito de escolher diferente. Uns têm o direito de serem livres e outros o direito de serem escravos de si mesmo.

No planeta Terra, onde a densa consciência dissociada está indo embora, com a chegada da consciência unificada de milhões e quase bilhões de habitantes, a maioria sendo mulheres, a doença também está indo embora e a cura é apenas o estado alcançado por almas felizes, revestidas de indumentária carnal. 

Ao que não conseguiram a cura, a ida a lugares onde suas vibrações levam, é sempre o pensamento fazendo o destino, os fará mergulhar entorpecidos em circunstâncias escolhidas. 

Um dia, quando acordarem, na longa estrada do destino, a Terra sacralizada, neste final dos tempos, não os receberá mais, por uma questão de incompatibilidade. No entanto, campos floridos sempre surgirão, não importa quando e onde. 

Abandonemo-nos à luz, sigamos com leveza. 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

MADALENA


Primícias do Reino, de Amélia Rodrigues (Espírito), livro psicografado por Divaldo Pereira Franco, revela um traço marcante no comportamento de Madalena:

“De coração generoso, gostava de ajudar e por ser infeliz compreendia a dor dos sofredores e se apiedava da aflição os desditosos. Suas mãos e dedos adereçados derramavam moedas e ofertavam pães, e se as portas da sua casa se fechavam frequentemente aos servos do prazer, seus servos tinham severas ordens de abri-las à dor e ao sofrimento que buscasse ajuda ou guarida.” (66)

(66)  AMÉLIA RODRIGUES – in Primícias do Reino, p. 184 – 4ª edição – psicografado por Divaldo Pereira Franco – Livraria Espírita Alvorada Editora – 9/2000 – Salvador – BA. - Autorização concedida ao escritor Fernando Pinheiro por Nilson de Souza Pereira, presidente do Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador–BA, cessionário das obras psicografadas por Divaldo Pereira Franco. 

Anteriormente, no século 19, o poeta Fagundes Varela, ao descrever a cena ambientada na casa do fariseu de que nos fala a Bíblia Sagrada, narra em versos o perfil de Madalena. Antes, porém, vale ressaltar que o texto sagrado não menciona o nome da pecadora. Entre os fariseus, pecadora poderia significar mulher prostituta como também aquela que não observava os  costumes farisaicos.

        “Pura, como na infância, abençoada
        Pelo Santo entre os santos, Magdalena,
        Que este era o nome da infeliz perdida,
        Foge dos seus amantes opulentos,
        Entrega aos pobres joias e riquezas,
        Que Satan deparara, e mais formosa,
        Descoberta a cabeça, os pés descalços,
        Acompanha o Senhor por toda a parte.”  (67)   

(67)  FAGUNDES VARELA, L. N. – in Anchieta ou O Evangelho nas Selvas – poema – Canto III – Capítulo XXXIII – pp. 111, 112 – Livraria Imperial – 1875 – Rio de Janeiro – Acervo: Academia Brasileira de  Letras.

O fariseu, rico de valores amoedados, vendo que uma oportunidade rara de receber o rabi da Galileia batera em sua porta, preparou-lhe uma recepção, a fim de se projetar no conceito dos seus patriotas. E, assim, escolheu os músicos, os amigos e parentes para recepcioná-lo.   

O anfitrião estava interessado na repercussão que teria seu nome como um amigo daquele homem que, se triunfasse na política, conforme supunha, ganharia um lugar de destaque ao seu lado.

Aquele povo da Judeia estava ansioso para ter um líder que viesse libertá-lo das algemas de Roma. E o Mestre, possuidor de um poder enérgico e brando, sobressaía diante daqueles que presenciassem suas atitudes elevadas. Até mesmo na singeleza de suas palavras aos camponeses, havia nele uma dignidade que deslumbrava a todos.

Sabendo o que estava ocorrendo na casa de seu antigo parceiro de noites de orgia, a pecadora teve a curiosidade de conhecer aquele visitante que irradiava uma beleza comovente. Mesmo sem ter recebido o convite, conseguiu penetrar no recinto onde estavam reunidos os convidados. Tudo nela estava em desalinho, suas emoções, seus cabelos e suas vestes.

Simão, acostumado às formalidades de recepção, acolheu o ilustre visitante na tentativa de surpreendê-lo em público. Mas a ternura da conhecida mulher era mais forte que os gestos externos de pureza daquele fariseu.

Os minutos e as horas seguidas, naquele ambiente, foram tomados pelas atitudes da pecadora que se libertou das sombras do passado. Numa atitude piedosa e sentindo algo renovador dentro de si, deixou cair lágrimas que se misturavam à água do vaso de alabastro que ela derramava nos pés dele, enxugou-os com seus cabelos sedosos e os perfumou com essências raras.

O fariseu, observando que tudo acontecia sob a vista de todos os presentes, em pensamentos, zombou daquele homem que estava em sua casa e disse só para si mesmo: “se este fosse   profeta, saberia quem é a mulher que o tocou, pois é uma  pecadora”. (68)

Percebendo o que se passava no íntimo do anfitrião, o Mestre amado inicia um pequeno diálogo com Simão. O evangelista Lucas narra:

“Disse Jesus ao fariseu: “Simão, uma coisa tenho a        dizer-te. Respondeu ele: Dize-a, Mestre. Certo credor tinha dois devedores. Um lhe devia quinhentos e o outro cinquenta denários. Não tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize-me, pois, qual deles o amará mais? Respondeu-lhe Simão: Tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou. Disse-lhe Jesus: Julgaste bem. Então, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou com lágrimas os meus      pés, e os enxugou com os seus cabelos. Não me deste ósculo, mas ela, desde que entrou, não cessou de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com unguento. Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, pois muito amou.  Mas aquele a quem pouco é perdoado, pouco ama. Então Jesus disse à mulher: Os teus pecados te são perdoados.”    (69)

(68, 69) LUCAS, 7:39 a 49  

Uma sensação de espanto e admiração corria nos olhos de  Simão. Acostumado a formalidades em que se evidenciam o engano, ele sentia dificuldade em compreender palavras de    libertação. Os convidados à mesa começaram a falar entre si:  “Quem é este que até perdoa pecados.” (70)

(70) LUCAS, 7:49

A pecadora estava convertida. O amor possibilita o encontro da verdadeira felicidade. Feliz, sentiu-se realizada, e saiu como entrara: a correr, a correr...

W W W

O Canto III da obra Anchieta ou O Evangelho nas Selvas, de Fagundes Varela também revela a narrativa poética acerca da pecadora. Vale assinalar:

        “Toda sua existência, e seu passado
        Esquecidos, ressurtem!... A cabana
        De seus honestos pais, os áureos sonhos
        Da descuidosa e santa meninice,
        O céu azul, as balsas florescentes
        Os serões da família, e... sobre tudo,
        Ai!... a inocência da primeira idade!
        Crenças divinas que alimentam anjos!...
        Tudo isto apareceu! de novo... ao longe,
        À luz de um céu puríssimo, crivado
        De milhares de estrelas refulgentes!...
        Depois, volvendo os olhos a si mesma,
        Examinando as nódoas indeléveis
        Que de su´alma o espelho embaciavam,
        Viu do colar as pérolas mudadas
        Em lágrimas de fogo, e as ametistas,
Os graúdos rubis dos braceletes,
        Em quentes gotas de fervente sangue!...
        Então sobre as espáduas da perdida
        Rebentaram de novo as asas de anjo!
        Em soluços desata, dolorosos,
Lança-se compungida aos pés de Cristo,
        De lágrimas e bálsamos os cobre,
        E os envolvendo nas madeixas negras,
        Os enxuga, prostrada, arrependida.
                        XXXII
– Oh! não!... murmura o fariseu consigo,
        Este mancebo zomba de nós outros!
        Se ele fosse profeta, bem soubera
        Quanto é rasteira e vil a criatura
        Que pranteia a seus pés!  – Jesus o encara,
        E diz estas palavras: – Ouve, amigo:
        Tinha um bom mercador dois devedores;
        Um quinhentos dinheiros lhe pedira,
        Outro apenas cinquenta; pobre ambos
        Nunca puderam lhe pagar tais somas,
        Ele, porém, as remitiu sem queixas:
        Qual dos dois lhe devêra ser mais grato?
– Oh! certamente, o fariseu responde,
        O que maior quantia recebera! – 
        – Julgaste bem, o Salvador prossegue,
        Estou sob teu teto, não me déste
        Para lavar os pés um pouco d´água,
        E nem déste o ósculo fraterno,
        E nem minha cabeça perfumaste
        De bálsamos suaves; entretanto,
        Ela banhou-me os pés com tristes lágrimas,
        Ela os cobriu de beijos incessantes,
        E os ungiu de perfumes preciosos!...
        Por isso agora digo: os seus pecados
        Remitidos estão, amou, e muito!   –
        E voltando-se à humilde pecadora,
        Lhe diz: – Mulher, levanta-te, não chores,
Pois a fé te salvou!  – Assim falando
        Ergue-se e sai da sala do banquete.”  (71)

       
(71)   FAGUNDES VARELA, L. N. – in Anchieta ou O Evangelho nas Selvas – poema – Canto III – Capítulo XXXI, XXXII – pp. 110, 111 – Livraria Imperial – 1875 – Rio de Janeiro – Acervo: Academia Brasileira de Letras.