Páginas

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

AQUARELA BRASILEIRA

Nos idos de 1964, a Escola de Samba Império Serrano entrou na Avenida Presidente Vargas para apresentar o seu carnaval que é o Brasil em forma de aquarela e fez um passeio pelo País inteiro revelando o que existe em cada região. Quarenta anos depois, em 2004, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, na cidade do Rio de Janeiro, o samba foi reapresentado pela Império Serrano. Ao nosso ver, é o melhor samba-enredo de todos os tempos.
Na narrativa surgem vastos seringais no Norte, e no Nordeste os lindos coqueirais nas praias, o acarajé, comida típica baiana, as festas de frevo e maracatu em Pernambuco, a arquitetura de Brasília, a garoa em São Paulo, e as batucadas e os requebros febris das mulatas. Este é o cenário de comovente beleza onde se estende imensas matas, cachoeiras e cascatas.
Da obra HISTÓRIA DO BANCO DO BRASIL, de Fernando Pinheiro, transcrevemos textos autorizados do discurso de Martins Napoleão, consultor jurídico do Banco do Brasil (3/5/1967 a 16/9/1977), proferido, em 20/2/1952, no qual aborda os tipos regionais do Brasil, tema da música em pauta.
"Na pluralidade dos tipos que se ajustam e reajustam nas lutas de fixação étnica do País, e integram de um colorido inimitável a sua unidade social, econômica e cultural, cinco há que se personalizaram definitivamente, dentro e fora, na alma e no corpo: o caboclo, o praieiro, o caipira, o gaúcho e o sertanejo, com as suas características acentuadas, nas grandes zonas brasileiras.
O caboclo é a incompreendida esfinge humana da Amazônia. Tem todas as grandezas, na face de bronze e na estatura mediana do índio, cujo sangue lhe corre férvido nas veias. (...)
Solidário (não solitário), reparte a vida entre a rede armada do tejupá de construção palafita, e a igara furadora de rios. Pesca, como adivinho. O arpão é-lhe uma arma de farpear, que só encontra na flecha com que abate as caças, na espera, no corso ou no voo.
Seu horizonte visual, limita-o a cinta corrediça do rio, ou a cúpula da mataria de assombração. Pouco lhe importa, a ele na dureza do mister cotidiano, a fragilidade da montaria veloz, cavada num só tronco. Vive perigosamente a vida, quer dizer: vive-a com a beleza heroica.
A imobilidade aparente não é mais do que uma fórmula habitual de defesa: a desconfiança dos elementos. Simula e dissimula, como a colossal natureza aluviana, que o rodeia, recortada pelo sistema arterial de uma potamografia dedálica, que ele conhece a fundo, desde o mais insignificante paraná-mirim, até as grandes águas das cachoeiras atraiçoadoras.
Na alma, há talvez um mistério que os séculos não decifram, nem apagam. Tem a melancolia das grandes solidões – o rio imenso, a terra imensa, a mata imensa. O peso de tudo isso é talvez grande demais para o seu espírito rudimentar.
E, quando poderia ser, na verdade, um esmagado da própria natureza, um vencido do “terror cósmico”, reage, brutalmente, acondicionando todas as suas energias, crenças, e conduta à potência física do mundo bárbaro, na criação das lendas que fazem o encanto da Poranduba Amazonense, a sua quase descoberta antologia folclórica.
O praieiro é dramático com o destino andante das suas aventuras.
O cenário de sua peleja exaustiva é feita de massas que se desdobram ao infinito – a superfície das águas e a curva dos céus, num todo de pintura homogênea. Não há, ali, o grito de uma árvore, a asa de uma montanha roçando o azul, o artifício repousado das habitações, o tônus, enfim, humanidade que excita as incoerências da terra multiforme.
Não há sombras, senão de nuvens; não há músicas, senão dos ventos. O sentimento de solidariedade, que impregna os homens da terra firme, ali não há por quem se manifeste.
A água e o céu, a cor e o som, acordes para o matar, aos poucos, de tédio. A solidão oceânica o contagiou de morte. A sua jangada, madeiro miserável a que atou, como a um poste, todas as possibilidades da sua vida errante, é o seu teatro de tragédia diuturna. Porque mede as suas forças com as da tormenta, é simples e benévolo com os outros homens.
A jangada dos nossos praieiros indômitos parece uma grande asa aberta, pedida por empréstimo aos pássaros da tempestade, que cruzam as velas aos barcos a pique de perder-se. Ali, nas pranchas misérrimas, o homem da praia amanheceu a vida tempestuosa. O seu sentimento é profundo e calado.
Só a sua alma se agita, como se dentro dela recolhesse, em ressonância, os vai-vens da onda; os ventos ébrios de cantos longínquos; as sombras que caem do alto.
Talvez por isso é que tem, como certas aves, o sentido da procela, e a sua vida reflete a beleza do constante perigo.
A sobriedade e a continência marcam-lhe a fisionomia adusta; mas, quando se pensa que o amargo mar lhe selou a alma no silêncio, ele a entorna pela boca, na tristura das canções praieiras, a acordar a ancestralidade catalã e lusa.
Submisso e devoto, mas tenaz; parcimonioso, como quem viu escoar-se o ouro das minas esgotadas, ou sumir a fartura das fazendas em decadência, o caipira da baixada ou do planalto, rasgando, sem doer, o seio da terra, extrai-lhe duramente o sustento das cidades que se aglomeraram em torno aos seus tratos de lavrar.
A desenvoltura do gaúcho matiza fortemente o florão dos nossos tipos raciais representativos. Para ele, generoso, vibrante e eugênico, a vida é alegria na carreira, alegria no labor audaz: riso à tona da boca, sentimento à mostra, coragem de sobejo.
O coração bate-lhe no peito como um touro selvagem. Ama gloriosamente a vida, na intrepidez das aventuras belicosas, que lhe trazem a ascendência, no ritmo do trabalho que os antepassados metódicos lhe ensinaram, no empolgo do entrevero, ou no langor quebrado da querência.
Aqui está, senhores, um tipo especial do sertanejo – o vaqueiro do Nordeste. Vestido em sua indumentária característica, encoirado como ali se diz – gibão, peitoral, perneiras e mocó – campeia de sol a sol, dias seguidos, semanas inteiras. O alimento, vem tomá-lo à noite, depois de esfriar o corpo. É uma resistência física admirável, uma têmpera de causar inveja.
Conhece, de longe, a rês. Num relance, o “ferro”. Num ápice, o “sinal” e “era”. Caracteriza de memória todo gado da fazenda. O rol, o tempo de cór, assim como os campos, os cantos, os malhadouros. Tem a carta ecológica da fazenda na cabeça. E todas as suas letras, em via de regra, cifram-se aos riscos de contar primitivos, com que satisfaz as exigências estatísticas do padrão.
A sua vida é o dorso do cavalo, no eito do campo. Corrige os cantos, de gados, espia as aguadas, cura os munjolos. Eito de sol a sol. E o verão é trágico. O ar, seco e quente. É preciso que os pulmões se tornem metálicos. Eito de sol a sol. E o aboio, melancólico, longo, como um motivo musical arrastado, um motivo lânguido, ansioso, súplice de música hebreia, ecoa, de quebrada em quebrada, derramando-se pelos campos calcinados.
O aboio é a linguagem de chamar o gado. É afetivo, saudoso e monótono, como uma súplica de coro gregoriano, profunda e dilacerante. Não se diga, porém, que o sertanejo é triste como a música monocórdia do seu aboio: movimentando-se na caatinga desfolhada ou no agreste sem fim, ele é apenas simples e bom.
E, como os bons e os simples, humanamente alegre. Antes, não lhe sobra tempo para as grandes alegrias entusiasmadas. O campo, a vaquejada, a pega, meio ano, e outro meio, a roça para o sustento com coisa de bem pouca monta – o arroz, o feijão e a mandioca de farinha – enchem todas as horas da sua vida fadigosa.
Quando chega a casa, enfadado do campo ou do roçado, escravo da promessa das nuvens, a ceia a rede já o esperam. E ali é só dormir para acordar escurinho, a tirar o leite ou olhar as criações. Ė sua labuta de todo o ano. Às vezes, uma pinga, uma “missa do galo”, ou um batizado, mesmo porque, Deus que lhe deu tantas canseiras, não lhe dá de permitir muitas preocupações metafísicas, nem muitas obrigações devocionais.
A vida é aquela: monótona, igual, porém sua. Vida de vaqueirice. Sertanejo honesto e trabalhador. Montado na dura sela campeira, a vida para ele é um constante perigo, que não vê. O vaqueiro é o homem que não tem medo da vida. Transpõe, de um salto, na carreira louca, valados e riachos. Sobe morros. Voa, em cima de pedras. Vara, como um demônio, o mato fechado.
A vida é um risco! Mas vale a pena como o vaqueiro exalta, na sua carreira despencada, o desprezo das ameaças e faz, com isso, mais preciosa a vida, porque mais perigosamente vivida. E mais bela. Porque o domínio do perigo é sempre um movimento de beleza. E mais heroica. Porque o sentimento e a consciência do perigo são a única real sanção de bravura.
Senhores! Aí está um programa de trabalho urgente: a salvação desse inestimável patrimônio humano, pela sua vinculação ao solo.
Reveste-se, quiçá, de maior premência a sua execução – permiti-me dizê-lo – para a defesa do sertanejo, que coopera diretamente na economia nordestina, hoje a viver os imprevistos ciclos da cera de carnaúba e do babaçú, do cacau e das fibras, sem esquecer o ofício tradicional da vaqueirice e da lavoura comum.
As populações do Nordeste vão se tornando assustadoramente nômades, não apenas pelo fenômeno periódico das secas, mas pelas condições especiais da nossa educação ocidentalizantes e da nossa economia feudal: o “agregado”, o peão das nossas bandas, é menos do que o servo, porque se despeja, como uma coisa, das terras, por qualquer motivo, ou sem nenhum.
Não se trata de migração venturosa, o pioneirismo conquistador de outros rincões. O próprio cangaço, em que o sertanejo não raro se tem motivado pela pilhagem, não é um fenômeno brasileiro: antecede-lhe de muito, na Europa, a atividade bandoleira dos comitadjis...
É indispensável racionalizar a fixação do sertanejo, dar-lhe garantias de pouso, no amanho da terra e na permanência das possibilidades de trabalho. Ė inadiável tornar realidade social a tendência de radicação do homem do Nordeste." (1)
(1) MARTINS NAPOLEÃO, Benecdito, consultor jurídico do Banco do Brasil (3/5/1967 a 16/9/1977) – Discurso proferido, em 20/2/1952, ao ensejo da aprovação do novo regulamento da Carteira Agrícola e Industrial, em homenagem ao diretor Loureiro da Silva – Autorização concedida, em 30/1/2007, por Igor Silva de Martins Napoleão ao escritor Fernando Pinheiro. – In HISTÓRIA DO BANCO DO BRASIL, de Fernando Pinheiro.

O uso da Marca Registrada aludida nesta Obra Histórica, amparada pelo registro no Escritório de Direitos Autorais da Fundação Biblioteca Nacional – Ministério da Cultura, dependerá de autorização de seu Titular.
OBS.: A publicação, a transmissão ou emissão, retransmissão e reprodução das obras que versem sobre personalidade(s), de acordo com o registro no Escritório de Direitos Autorais da Fundação Biblioteca Nacional, concedido ao autor Fernando Pinheiro, dependerá da prévia e expressa autorização da(s) mesma(s), ou, de seus sucessores, no caso de falecimento.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

IMPÉRIO DA TIJUCA - 2014

Anunciando que o chão vai tremer, na batida do pé, na batida na madeira, coisa de pele, o maior argumento da união de corpos de casais, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Educativa Império da Tijuca, campeã da Série A do Carnaval de 2013, apresenta nos idos de 2014 o samba-enredo Batuk, “sinfonia imperial” conquistando os salões de festa e a própria Avenida na batucada que se espalha nesse chão.
O coração batendo mais forte, sentindo a vibração das savanas e das florestas tropicais da África, onde a natureza está presente, há um batuque de tambores que faz reunir toda a gente da aldeia de lá e de cá, na mesma aldeia global, numa festa, a quizomba.
A Lua, clareando a aldeia, envolve sem laços prendedores a todos nós, em doces afagos que nos estimula a pensar em cada cultura que entoa rituais, no Ocidente e no Oriente, em cura de mazelas pela devoção em momento de mágica beleza. Na quizomba africana na festa dos orixás “firma o ponto na gira não deixa cair.”
Este é o momento certo, o Kairós da mitologia grega, em que o tempo é encarado não mais na preocupação da contagem do tempo, em que se estabelece os horários e os compromissos individuais e sociais. A cronologia dentro do tempo de Kronos continuará, na dimensão dissociada planetária que está indo embora do planeta, e na abordagem de Kairós há o suscitar de um tempo numa dimensão quintessenciada, onde a beleza é eterna.
Todos estão percebendo que há uma mudança de paradigma no comportamento humano que abrange todas as culturas dentro do dualismo humano que se dilui com a chegada daquilo que os orientais chamam de samadhi e, em nossa cultura ocidental, a beatitude ou santidade ou, ainda, santificação. O papa Pio XII, o papa da diplomacia, foi o pioneiro na mídia mundial a falar sobre a sacralização do planeta.
É o momento oportuno de vivenciar a nova maneira de aproximação com as pessoas, não mais criticando-as, nem censurando-as para que não haja julgamento e, em consequência, a separação. Com o advento das energias do amor as densas camadas de pensamentos que envolvem multidões de pessoas, pelo princípio de atração, em conluios de disputa e de separatividade, promovendo distúrbios emocionais, estão indo embora de nosso planeta.
Com a chegada do ano novo, aqui no Brasil, com intenso calor, em pleno verão, há uma movimentação intensa de pessoas em direção das praias, piscinas, parques como sinal de que devemos buscar novas opções que nos dê satisfação de viver. Os ensaios de escola de samba nesta época são intensos e ao alcance de grande público, inclusive turistas.
O caminhar através da dualidade humana (certo/errado, bem/mal, bonito/feio e outras expressões correlatas), é sempre penoso e exaustivo, fazendo muitos cair pelo caminho. Somente a vivência nos 4 pilares: simplicidade, humildade, transparência e alegria é que poderá ascender a uma dimensão existencial onde a dor e o sofrimento não existem mais.
A alegria da Escola de Samba Império da Tijuca, celeiro de bambas, enaltecendo também a capoeira, como arte no processo da integração social, desperta essa dimensão existencial e que podemos observar na letra: “na ginga do corpo, na batida do pé, axé, axé!, eleva a alma, o canto e a dança, unindo as raças na fé e na esperança.”

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O CHI DO TAO

As decisões, na densa consciência trina em que o planeta vive, e que está em transição para um patamar de elevação de vibrações, arrastam multidões ao sofrimento e dores inenarráveis ou descortinam novos horizontes em que podemos ver as pessoas felizes.
A vivência no dualismo humano em que se posicionam as posturas do certo e do errado e as conveniências próprias para as pessoas alcançar seus objetivos, inclusive na área afetiva, traz consequência porque as decisões são carregadas de energia, o Chi do Tao, e como tal tem direção em que foram impulsionadas. No Taoísmo não há dualismo.
As noites de insônia são noites em que os pensamentos não ficam adormecidos, pois a lembrança constante dos engramas do passado não conseguindo transcender a transmutação, deixar o que deve ser deixado e lembrar o que deve ser lembrado, isto não dentro das emoções, mas dentro do coração, o nosso ser profundo, de onde se abriga todo o nosso sentimento de amor.
Nesse clima favorável, a potência do ser, que todos nós temos, é acionada por novos pensamentos e a vontade que ela tem de demonstrar ser fêmea para o seu amado é altamente apreciada em doces afagos que fazem incendiar o que ficou retido, agora transformado em calor, somente calor.
Há uma catarse que veio das noites mal dormidas em que ela transfere para a vida as armadilhas que lhe foram traçadas, mas na verdade são seus os pensamentos que se originaram essas armadilhas, agora deixadas de lado para que novas paisagens íntimas tenham o efeito regenerador.
Atraímos sempre o que pensamos, nas máscaras em que usamos para disfarçar situações ou agradar pessoas que não estarão conosco nas horas da solidão. Este é o reflexo do dualismo humano que se encaminha para o abismo, na postura daquilo que é considerado certo em que fica mascarado o que não nos convém em termos de alma que busca outro referencial onde a felicidade é indestrutível.
Beber vinho, beber champanhe, assistir a cenas de violência na televisão, comentar assuntos de corrupção, criticar posturas ou condutas que são diferentes do nosso modo de viver, namorar com pessoas que nem as conhecemos, aceitar convites em que não podemos comparecer, eis algumas observações que devemos ter cuidado em participar.
Vivamos o nosso ser profundo, o que acham de errado naquilo que não compreendem em nós, é apenas as pessoas determinando o caminho que seguirão e nós seguiremos o nosso. Não criticar nada, nem mesmo curtir comentários ou dizeres em que suscitam a crítica nas redes sociais da internet.
Para conquistar um amor não é preciso nem falar, basta ter a vibração saindo de nosso coração que sai, no espaço que alcança quem está dormindo em outro lugar onde moramos. É assim que os animais têm o amor de seus donos e seus admiradores, os seres multidimensionais recebem essa corrente que se espalha pelo espaço e estão sempre perto, embora estejam longe.
Quem ama não sente solidão, a solidão é uma ilusão de quem pensa que está só. Ninguém está só. Estamos interligados com os amores que nos acolhem, tanto desta esfera física como nas esferas resplandecentes onde o amor se faz sentir mais presente.
Se os amores terrenos não nos amarem, eles terão outros tipos de amores que escolheram e nós teremos sempre aqueles que decidimos ter, estes sim fazem parte de nossas decisões.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

CAMINHAR JUNTOS

A vida de casal, nesta densa dimensão planetária, é uma prisão, resultando sempre na separação, pois a separatividade é característica da consciência planetária dissociada que faz separar não apenas os casais, mas todos os grupos sociais que se reúnem, nisto está incluído também a competitividade.
Os casais, que se afastam dessa consciência planetária, transcendo-a a dimensão unificada, passam a caminhar juntos e não mais em rivais disputas que sempre os afastam do convívio comum. Há um jogo de interesses quando se envolvem em dinheiro, sexo e status social, que sempre os aprisionam por ser dependência. O certo seria que ambos fossem independentes em todos os sentidos que abrangessem todas as áreas da sociabilidade.
O príncipe encantado, estilo de conduta nas novelas e na vida prática, é ainda a referência para quem está nessa dependência que, consciente ou inconsciente, coloca uma redoma para aprisionar-se, mas não é visto nesse sentido porque o ego fala mais alto e o importante são as necessidades atendidas não importando como são realizadas.
A independência surge quando um dos parceiros resolve procurar a liberdade financeira ou emocional, dentro de um emprego ou na pensão que irá receber dentro do processo da separação judicial, uma vez conquistada parte para o processo da libertação, pois não há liberdade, aqui na Terra, sem libertação.
O ego que oscila entre o bem e mal, o certo e o errado e outras expressões correlatas do dualismo humano, oscila para a extremidade que lhe apraz e faz despertar o desejo de ser livre para viver uma nova vida, sem a presença de quem a colocou, porque assim quis, numa redoma aprisionante.
O casal entra em conflito: ele ainda persiste dentro da posse que a dependência dela lhe traz perto dele e ela não aceita mais essa dependência pela possibilidade de ser livre, emancipando-se por recursos próprios, no trabalho ou por herança familiar ou de terceiros ou mesmo por dinheiro advindo de pensão que a separação judicial pode lhe conceder.
Como em toda situação nova, o importante é a introspeção para observar seus limites, suas forças e suas possibilidades que devem ser conduzidas no caminhar com leveza, sem atropelos e ressentimentos. O passado fica arquivado e não queiramos saber onde está o arquivo.
O ombro amigo, o elogio de consideração pelo que fazemos é sempre secundário, o que deve prevalecer em primazia é o que realmente pensamos e possibilita a nossa escolha, livremente. Se estivermos na camada densa em que o ego tem o seu reino, há sempre o perigo de estarmos na oscilação do que chamam de bem e o que chamam de mal, nesse dualismo comum ainda entre os homens.
Dentro do sono, onde o nosso ser profundo vive e pode ser sentido nos momentos de calmaria, podemos sonhar com a realidade que nos envolve, despertando-nos a seguir o caminho que nos conduzirá a liberdade, não mais condicionada a nenhuma dependência, inclusive ideológica e os conceitos sociais que estão se transformando.
Em tempos não muito remotos, a mulher separada era considerada de pouco valor, hoje a valorização da mulher ganha espaços até mesmo nos recintos em que a sociedade pouco valoriza por uma questão de separatividade provocada por preconceitos.
Alcançada a liberdade, não mais condicionada, a mulher será realmente feliz numa felicidade que estenderá seus raios numa luminosidade interna que conecta com os mundos felizes, fora do planeta Terra. Tudo é possível para aquele que crê, é o dito popular que vem dos escritos sagrados.


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O RETORNO (IV)

Antes de prosseguir na continuidade da Série O RETORNO, na qual focalizamos o personagem Atílio, nas três postagens levadas ao ar nos dias 28 de junho de 2013, e 8 e 16 de agosto de 2013, no blog Fernando Pinheiro, escritor, transcrevemos os três parágrafos iniciais da crônica O RETORNO (III):
Mais uma vez a novela Amor à Vida da TV Globo mostra o retorno de Atílio (Luís Melo). Desta vez para a casa de Gigi (Françoise Forton), a ex-esposa que já teve boa vida e agora residindo numa casa velha com problemas de infiltração de água nas paredes.
A mente dele está convulsionada pelos últimos acontecimentos que colocaram à frente as duas esposas que disputavam o jogo da realidade no ambiente que ficou obscurecido até a chegada de Vega, papel da atriz Christiane Tricerri, e de Márcia, a outra esposa, protagonizada por Elizabeth Savalla.
Agindo rápido, a esposa Vega, com as provas de bigamia e de falsidade ideológica e ainda do laudo médico comprovando o tratamento psiquiátrico, conseguiu uma liminar do juiz confiscando todos os bens de Atílio, inclusive a conta corrente em banco e os respectivos cartões de crédito.
Por conveniências, Atílio está na casa de Vega que o mantém sob o domínio. Numa conversa no quarto de casal, ela afirma a ele que não é a favor da liberação, por medida judicial, dos bens do ex-marido porque ele, com isto, irá dar dinheiro a Márcia, a quem ele nutre forte atração física e gosta de viver no papel de Gentil (dupla personalidade).
Na consulta médica em que havia a possibilidade de alta do paciente Atílio, se tudo corresse bem, ele viu as ancas largas da médica e a chamou de gostosa e passou-lhe as mãos. Ela reagiu e notou sintomas de anormalidade no paciente, por isso não lhe deu alta. Ele se justificou dizendo que tinha se lembrado da Márcia.
Pensar em outra pessoa, sempre atrapalha as relações amorosas, pois na cena de amor do casal Eron (Marcello Antony) e Amarilys (Danielle Winits), que estava se abraçando no sofá, levada ao ar em 6/1/2014, houve a interrupção e ela perguntou a ele num clima de cobrança: “você estava pensando em Niko?”, papel representado pelo ator Thiago Fragoso. O susto dele já era a resposta, nem precisava falar.
Na dupla personalidade o ego se manifesta fazendo tudo complicar. Não é o vislumbre do seu ser profundo, o Eu superior é estável e onde se deslinda os enigmas do caminhar. O ego é complicado e não admite a simplicidade.
O ser profundo, que todos nós somos, somente é manifestado quando há a vivência em 4 pilares: simplicidade, humildade, transparência e alegria. Não é necessário o desejo, pois o desejo é do ego, e o ego nem sabe direito o que quer, nessa oscilação de querer.
O eclodir do Eu superior acontece, na maioria das vezes, através do sono. Nas artes, nos esportes e, em algumas espécies de danças, principalmente a clássica, esse eclodir também aparece. Carl Jung chamou-o de a potência do ser e Freud a libido que não se restringe apenas à área sexual.
O cerceamento em que vive o personagem Atílio é muito comum na Psiquiatria, onde há pacientes que não têm condições de exercer o direito de escolha, inclusive no campo emocional, principalmente se o caso for grave com o uso pesado de medicações que leva ao entorpecimento.
A ocupação em atividade física e intelectual no trabalho, e nas atividades de lazer e entretenimento, é um recurso valioso em que mente fica ocupada e não dá espaços a questionamentos íntimos em que há uma situação não resolvida, abafada por essa ocupação.
Os engramas do passado existem, porém são esquecidos por essa conduta que passa ocupar o tempo todo da pessoa envolvida. Não é a vontade nem o querer que faz isto, pois se for alimentada, a ansiedade aumenta. É no sono, como dissemos, que a postura se modifica, isto até sem pensarmos que está acontecendo ou vai acontecer. É aquele travesseiro dos antigos que denotava a consulta. Dormir e tudo pode acontecer no mundo de Morfeu ou o Mundo do Sono.
Atílio, mesmo com um cargo na Diretoria do Hospital San Magno, ainda não se sente independente financeiramente, há os bens bloqueados e há ainda a situação desconfortável emocionalmente na casa de Vega, onde não tem aquilo que gostaria de ter com a Márcia, vivendo, assim, submisso para manter o status de diretor.


domingo, 5 de janeiro de 2014

A DESPEDIDA

Não há o que comemorar numa separação de casais, as lembranças estão numa redoma envolvendo a ambos, a fuga para a bebida é um abismo que se estende aos nossos pés, se dermos peso e referência ao que não existe mais.
O lembrete é oportuno a todas as pessoas que recorrem ao álcool como forma de fuga ou dispersão: se você continuar bebendo, bebendo, as pessoas vão te levar para o Centro de Atendimento Psiquiátrico do SUS ou em clínica psiquiátrica particular, se você tiver muito dinheiro para gastar. E lá você vai viver uma vida dopada de drogas lícitas e não mais reconhecerás mais nada. Vale lembrar que, segundo a OMS - Organização Mundial de Saúde, álcool é droga. Leia a crônica ÁLCOOL É DROGA - 17/10/2013, no blog Fernando Pinheiro, escritor.
No momento oportuno, o coração decidiu o destino que ambos teriam: um partiu e o outro ficou, numa partida em que não se mede a distância, o que torna implícito o fim do romance. A gente pode estar namorando, mas não quer dizer que há um vínculo unindo o casal, esse é o modismo atual, aliás chamam a isto de ficar.
Se não houve amor quando estavam juntos, porque haveria de pensar que há amor agora na separação? Esta suposição entra em polaridades de sentimentos, considerando que tudo que se pensa é criado, pois é energia que se movimenta, é o Chi do Taoísmo. No Tao não há dualismo.
Não existe saudade de um amor que não aconteceu, o ego surge porque não quer perder e se complica na contradição.
Os engramas do passado existem porque são pensamentos revelados em situação que cria uma egrégora própria ou psicosfera e viaja no campo vibracional onde se encontra o nosso viver, como observou Carl Jung na fantástica descoberta do inconsciente coletivo.
Na separação do joio e do trigo que um dia ocorrerá a todos deste planeta, pois ninguém nasceu para a semente, as pessoas irão para onde está a própria irradiação criada por elas mesmas e, na afinidade desse teor vibratório, serão arrastadas a mundos semelhantes em que está vivendo.
Nessas circunstâncias, se perceber a diferença naquilo que sonhou um dia, e a própria realidade criada, não adiantará mais retroceder porque a egrégora já está formada, é por isso que a luz crística encarnada alertou para o final dos tempos: “haverá prantos e ranger de dentes.”
O momento é de reflexão: somos o que somos e não pode ser diferente, pensou-se em desencantos e logo os desencantos surgirão, a nossa sugestão é a saída, em nossa vida, do dualismo humano que cria duas polaridades, oscilantes nos pontos extremos e sermos o que realmente somos, na realidade que transcende as aparências.
Relembrar suposições é voltar-nos contra nós mesmos, e cair nas mãos de quem não tem acesso ao nosso mundo íntimo e, por uma questão de cultura, hoje vigente no planeta, há o apelo religioso e a busca de profissionais de saúde que, no clima questionável até mesmo entre eles, que pode indicar drogas lícitas que irá modificar a nossa estrutura interna, se assim quisermos que aconteça.
Sejamos nós mesmos e não o que os outros pensam o que podemos ser nem demos peso e referência àquilo que, na realidade, não existe, iludindo-nos. O coração é o nosso ser profundo, que todos nós somos, e que se interliga com a fonte.
Sigamos com leveza.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

PEGUEI UM ITA NO NORTE

Acadêmicos do Salgueiro apresentaram, nos idos de 1993, o samba-enredo “Peguei um ita no Norte” que fala como era a vinda de pessoas do Norte para a cidade do Rio de Janeiro em navios que eram popularmente chamados de ita.
Com textos extraídos da obra HISTÓRIA DO BANCO DO BRASIL, de Fernando Pinheiro, abordamos aqui, de maneira sucinta e resumida, o tema transportes no Brasil naquela época:
Assim como o Banco do Brasil é o elemento da integração nacional, o Serviço Aéreo Condor (Sindicato Condor Ltda. – Rio de Janeiro) participa, nos idos de 1939, dessa integração, unindo Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, Natal, Floriano, Parnaíba, Belém, Marabá, Carolina, Rio Branco, Guajará–Mirim, Cuiabá, Santos, Curitiba, Porto Alegre [Revista AABB – Rio – 1939].
Nessa época o transporte de passageiros da Condor era realizado por aviões trimotores JU 52, de origem alemã. A imprensa divulgou a queda de alguns desses aviões em território nacional. Com as dificuldades encontradas na reposição das peças originais, provocadas inicialmente pelas circunstâncias da Segunda Guerra Mundial, esse tipo de aeronave foi, aos poucos, desaparecendo e, em 1950, já não havia no Brasil a aeronave JU 52.
A aviação comercial brasileira sofre mudanças. Nos idos de 1950, os Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul Ltda. cobria todas as capitais brasileiras, incluindo em seus roteiros de viagem as cidades do interior: Pelotas, Caravelas, Canavieiras, Ilhéus, Petrolina, Mossoró, Parnaíba, Marabá, Santarém, Guajará–Mirim, Xapuri, Cruzeiro do Sul, Cáceres, Aquidauana, Araçatuba, Carolina, Conceição do Araguaia, Porto Nacional, Anápolis e a Ilha Fernando de Noronha [Revista AABB – Rio – 1950].
No entanto, na área internacional, na década de 40, já havia conexão para o exterior, conforme se observa da transição da referida obra:
Na chegada a Miami, Flórida, viajando pela Pan American Airways, o presidente do Banco do Brasil recebeu mensagem de boas–vindas de H. Donald Campbell, presidente do The Chase National Bank ofthe City New York, passada por telegrama, via Western Union, 1940, Oct. 7pm 5:15 [CAMPBELL – 1940].
Segundo a Revista AABB – Rio, nos idos de 1948, Adolpho Schermann, secretário do COB – Comitê Olímpico Brasileiro, chefia a delegação brasileira que mais brilhou, até então, em Olimpíadas, o 3° lugar (basquete masculino) nos Olympic Games de Londres. A delegação viajou no avião Constellation da Panair do Brasil, prefixo PP – PCG. E, ainda, segundo o Comitê Olímpico: Em Londres, a conquista da primeira medalha, em esportes coletivos, o bronze olímpico foi para o basquete masculino.
Por ironia do destino, segundo coletânea de Cídio da Silveira Carneiro e João Vieira Xavier, o advogado Schermann foi liquidante de todos os escritórios da Panair do Brasil, no exterior, como procurador do Banco do Brasil e assessor do Síndico da Massa Falida. O procurador recebeu elogios de juízes e curadores que acompanharam o processo de liquidação, onde foi verificada a remessa à Massa de US$ 650 mil.
Em 12/5/1987, o funcionário NamirSalek, em grande estilo, assume a direção da CACEX – Carteira de Comércio Exterior, em substituição de Roberto Fendt Júnior.
No discurso de posse, o diretor da CACEX ressaltou os aspectos da economia brasileira do passado recente, extrativa e agrícola, na qual os transportes possuíam uma vocação pastoril, ligando uma província a outra. As ferrovias eram restritas no âmbito de cada Estado. Existia, em grande escala, a exploração da navegação costeira. Não havia malha ferroviária nem rodoviária. Foi lembrado que a pavimentação da estrada Rio – São Paulo somente ocorreu ao romper da década de 50 [SALEK – 1987].
A propósito, a Escola de Samba Salgueiro, mais tarde, no Carnaval/1993, iria apresentar, no Sambódromo na Av. Marquês do Sapucaí, Rio de Janeiro, o samba–enredo “Peguei um ita no Norte”, expressão usada pelo povo do Norte brasileiro que se dirigia ao Sul do País, espelhando toda a realidade da navegação mencionada pelo diretor. [in HISTÓRIA DO BANCO DO BRASIL, de Fernando Pinheiro].
O enredo do samba do Salgueiro traz poesia numa narrativa de viagem de quem se despede de Belém do Pará bastante animado, jogando no balanço das ondas do mar a saudade da terra natal. Pelo litoral brasileiro, vai olhando as cidades e seus costumes onde o navio faz baldeação e finalmente a chegada:
“Chego ao Rio de Janeiro, terra do samba, da mulata e futebol, vou vivendo o dia-a-dia embalado na magia do seu carnaval. Explode coração na maior felicidade (bis). É lindo o meu Salgueiro contagiando, sacudindo essa cidade.”


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

NO MUNDO DA LUA

No Carnaval de 1993, a Escola de Samba Grande Rio faz um panegírico à Lua, o mundo encantado dos amores, quando é lua cheia, inspirando multidões de pessoas à leveza que impulsiona à inspiração na Sapucaí: “clareia, Didinha, teu mundo taí.”
A lua é a madrinha dessa gente, a nossa gente, que recebe o pedido para clarear, em luar esplêndido, o nosso mundo, o mundo de tantas maravilhas.
No dualismo humano, a lua entra no giro do Zodíaco para estender imagens ideoplásticas que pensamos ser isto real e que influenciam o nosso destino interligando-se com o destino de nossos amores do passado e do presente. Essas imaginações, quando alimentadas, passam a ser verdades, pois tudo que pensamos tem vida, até mesmo esses pensamentos.
Esta é uma das estratégicas de manipulação destinada a massa humana, a manada, empregada pela Matrix, a fim de desestimular e empurrar para baixo, fazendo despertar nela sentimentos do medo e da culpa e, em consequência, se instalando a depressão, hoje um distúrbio mental catalogado pela Psiquiatria, é aquela mesma melancolia dos antigos gregos. Com isto, a Matrix sente-se vitoriosa porque, nesse estado, não haverá reação popular. Sáia dessa densa consciência planetária dissociada e leia o blog Fernando Pinheiro, escritor.
Vimos trabalhando na ascensão da consciência planetária unificada, que não é nenhuma doutrina, mas a realidade de um mundo feliz que está sendo vivenciado por mais de um bilhão de pessoas, número sempre crescente, em 4 pilares: simplicidade, humildade, transparência e alegria.
É uma grande satisfação poder falar sobre a Grande Rio que tivemos a honra de comentar o samba-enredo “Eu Acredito em você! E você?” do Carnaval de 2012, na crônica intitulada DERRUBAR O GIGANTE (Parte 1 a 9), em 27 e 31 de outubro e 1, 2, 3, 4, 6, 7 e 8 de novembro de 2012).
Rejubilemo-nos todos pela transição planetária, movimento que começa no centro da Via-Láctea, o sol das Plêiades, a estrela de Alcione, onde está em profusão a grande concentração dos raios adamantinos, os raios-gama dos cientistas, atingindo toda a Via-Láctea, chegando ao sistema solar onde a Terra gira. Em resumo, a galáxia inteira está em profunda efusão e transformação. [DERRUBAR O GIGANTE – Parte 9 – 8 de novembro de 2012 – Blog Fernando Pinheiro, escritor].
Nove anos antes, nos idos de 1993, o samba-enredo No Mundo da Lua, da Escola de Samba Acadêmicos da Grande Rio, já apresentava um desses pilares, a alegria.
O samba enaltece o luar refletido em nossa vida onde houve floração da fartura e revela um sonho nosso, de todos nós, ser um astronauta para alcançar a lua, esse alcance somente é possível através de nosso ser profundo, em estado do sono que nos possibilita sonhar, e derrama um elogio comovente:
“Tu és a vida na beleza dessas matas, tu és a sorte para quem acreditar em ser feliz, quem me dera um dia no teu colo cantar, sorrir, sambar, brincar, e no encanto do seu mundo vai tornando tantas mentes aluadas, como é gostoso se adoçar no mel, em noites enluaradas”.
O samba-enredo presta uma homenagem a São Jorge, o santo mais popular no Brasil, não na forma católica, mas no sincretismo religioso, na figura de uma divindades africana, a mesma que está em imagem lunar, vista a olho nu da Terra, embora seja pareidolia, fazendo louvação a Ogum D´Ylê, na imaginação de um guardião, pois o samba tem raízes africanas.
Conclamando o banho nos mares, cachoeiras e cascatas, a Grande Rio dá a receita de saúde: veja as praias da Zona Sul sempre lotadas de gente e nesse rolé em direção as praias, no verão carioca, as pessoas estão ficando muito animadas e bronzeadas.
No campo astral, banhar nos mares, cachoeiras e cascatas, revela a nossa limpeza de alma. Já fizemos muito isto, e sempre que for necessário, outros banhos virão e gostamos muito de tomar banho no chuveiro. A praia do Recreio é a nossa praia predileta, gostamos muito da Prainha que na chegada tem uma das vistas mais lindas do Brasil, quem não conhece que venha conferir.
“Clareia, Didinha, teu mundo taí.”


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O BEIJO DA LINDA


Preliminarmente, vale salientar que os três sintomas que denotam a presença do Autismo, segundo o médico Dráuzio Varella, são os seguintes:
a) inabilidade para interagir socialmente;
b) dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos;
c) padrão de comportamento restritivo e repetitivo.
Na novela Amor à vida, levada ao ar pela TV Globo, há uma cena em que Rafael (Rainer Cadete), advogado do Hospital San Magno, e Linda (Bruna Linzmeyer), portadora do síndrome de asperger, um tipo de Autismo mais brando, são fotografados, pela irmã Leila (Fernanda Machado), se beijando em praça pública, a iniciativa é da moça que recebeu estímulo da irmã.
O personagem Rafael, que passa ao público o devotamento à pessoa amada que não mede esforços para a conquista se afirmar a cada vez mais, nesta cena entra em maus lençóis, quando é denunciado por Neide (Sandra Corveloni), mãe da Linda, com a acusação de que ele seduziu uma incapaz. Houve apenas um beijo, um beijo puro na opinião do rapaz.
Na discussão em casa, Amadeu (Genésio de Barros), marido da Neide, disse que a Linda tem o direito de aproveitar a vida que Rafael lhe está dando. Ao entrar em casa, o irmão dela, Daniel (Rodrigo Andrade) se revolta com o que está acontecendo e expulsa Rafael, desferindo-lhe um soco no rosto.
A acusação de Neide ganha as ruas e chega a Delegacia, onde o delegado disse que o Rafael será indiciado em processo que terá continuidade no Ministério Público. Logo em seguida, os investigadores de Polícia estão no local de trabalho de Rafael e lhe ordena prisão pelo crime de sedução de incapaz no momento em que Eron (Marcello Antony) se apresenta como advogado.
Segundo a informação da OMS - Organização Mundial de Saúde de que existem no mundo 340 milhões de pessoas depressivas e em 2020 o número se elevará para 400 milhões, por causa de 3 fatores: solidão, ansiedade e medo. Em cada grupo de quatro pessoas, uma tem algum tipo de distúrbio mental, assim é o mundo em que vivemos.
A pessoa pode estar bem de saúde hoje, mas se tomar as drogas lícitas, em grande quantidade, por recomendação médica e controle farmacêutico das receitas, pode vir em pouco tempo a ser uma pessoa incapaz para o relacionamento amoroso. É que o entorpecimento virá com esses remédios que colocam o paciente a ficar dependente.
Na crônica SÍNDROMES – 27 de junho de 2013 – Blog Fernando Pinheiro, escritor, abordamos o tema dessa personagem, iniciada da seguinte forma: “Toda pessoa precisa de independência, mesmo sendo autista", disse o psiquiatra Renan, papel do ator Álamo Facó, referindo-se à asperger Linda, personagem interpretada pela atriz Bruna Linzmeyer na novela Amor à Vida da TV Globo.
A INTERNAÇÃO DE PALOMA – 5 de setembro de 2013 - A nossa contribuição nessa área se estende nas crônicas publicadas no referido blog: A Cura – 13 de fevereiro de 2013 – Tapete – 23 de fevereiro de 2013 – O Jogo Social – 25 de fevereiro de 2013 – Os Domínios da Psiquiatria – 27 de fevereiro de 2013 – O Desmame – 28 de fevereiro de 2013 - O Paciente e o Meio – 1 de março de 2013 – O Mundo de Morfeu – 10 de março de 2013 – Paisagens Íntimas – 14 de março de 2013 - Comparsas – 15 de março de 2013 – O Fim da Psiquiatria – 29 de março de 2013 – Internação Involuntária – 28 de maio de 2013 – A Fuga – 3 de junho de 2013 - Síndromes – 27 de junho de 2013 – O Retorno – 28 de junho de 2013 – O Retorno II e III – 8 e 16 de agosto de 2013.
Considerando que os planos de saúde não têm prestígio no consultório psiquiatra, que abordamos anteriormente, vale ressaltar a opinião de Adriana da Cunha Leocádio, membro da Organização Mundial da Saúde (OMS), no que diz respeito à personagem Linda, na novela Amor à Vida: “o que mais me preocupa é constatar o abandono por parte dos planos e seguros de saúde no que se refere ao tratamento multidisciplinar para essas pessoas.”
O apelo religioso à egregóra da Virgem, a maior egrégora de Gaia depois da luz crística, é um recurso fabuloso aos pacientes e familiares e amigos de pacientes, pois a luz desperta o enflorescer de nossa beleza íntima.
Na canção Ave-Maria, na voz do cantor goiano Lindomar Castilho, há um recrudescimento à devoção de quem esteve por muito tempo ausente, o canto é destinado ao público em geral e não particularmente a ninguém e finaliza com um apelo: “te peço que não que não termines nosso amor... nosso amor, nosso amor... Ave Maria”.
Não pode haver rompimento de um amor, isto só acontece na consciência dissociada planetária, onde a separatividade é uma característica marcante, nos mundos felizes tudo se interliga e o amor é o grande vetor dessa união.

domingo, 29 de dezembro de 2013

SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO

Nos idos de 1920, o maestro e compositor Heitor Villa-Lobos escreveu, entre tantas outras partituras, 8 peças musicais para canto e orquestra, que compõem o ciclo Epigramas Irônicos e Sentimentais, com a letra do poeta Ronald de Carvalho (1893/1935), discriminadas abaixo:
I - Eis a vida; II - Inútil epigrama; III - Sonho de uma noite de verão; - IV - Epigrama; - V - Perversidade; - VI - Pudor; VII - Imagem; VIII - Verdade.
Apresentamos, a seguir, o terceiro epigrama indicando os movimentos musicais e a letra pertinente:
III - Sonho de uma noite de verão
Calmo (profundo), semínima: 54, poco rallentando, um pouco mais (semínima: 72), lento (semínima: 40), pianíssimo, medianamente forte, pianíssimo, diminuindo, andantino (semínima: 76), com surdina, pianíssimo, muito lento, da capo (como no primeiro movimento), diminuendo poco e rallentando.
"Louca mariposa bate na vidraça, vem da noite enorme, vem da noite morna, cheia de perfumes... Fora tudo dorme... que silêncio enorme. Rodam pelas moitas leves vaga-lumes. Louca mariposa bate na vidraça... Como as horas fogem, como a vida passa..."
Vale salientar que a soprano lírico Cláudia Riccitelli interpreta esta música acompanhada ao piano por Nahim Marun. No YouTube podem ser encontradas ainda outras interpretações da soprano, sendo que na Embaixada do Brasil em Roma, nos idos de 2008, interpretou Bachianas, de Villa-Lobos, conduzido pelo Maestro Silvio Barbato, meses depois, no dia 1° de junho de 2009, desaparecido nas águas do Oceano Atlântico, durante o voo 447 da Air France.
Para não ser lembrado apenas como nome de rua no bairro de Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro, reproduzimos, abaixo, as palavras do escritor maranhense Tobias Pinheiro, proferidas em 09.12.1998, a respeito de Ronald de Carvalho, ao ensejo da realização, em 07 a 11.12.1998, do II Seminário Banco do Brasil e a Integração Social, organizado pela Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil, sob a presidência do escritor Fernando Pinheiro:
"... esse homem que, aos 20 anos, estreava com Luz Gloriosa, onde, no dizer de Graça Aranha, "todo o dinamismo brasileiro se manifesta em uma fantasia de cores, de sons e de formas vivas e ardentes, maravilhoso jogo de sol que se torna poesia".
Príncipe dos Prosadores Brasileiros, jornalista, diplomata, secretário da Presidência da República (governo Getúlio Vargas), Ronald de Carvalho morreu jovem aos 41 anos de idade, em 15 de fevereiro de 1935, vítima de acidente de carros, numa época em que, segundo o poeta Tobias Pinheiro, nem os bêbados morriam atropelados.
Seguindo a tradição maranhense pela poesia, desde Gonçalves Dias a Tobias Pinheiro, tivemos o nosso "Sonho de uma noite de verão", quando morávamos no bairro de Santa Tereza, na cidade do Rio de Janeiro, à época, mergulhado na mesma atmosfera poética de Ronald de Carvalho, musicada por Villa-Lobos:

Voo rasante, entrando pela janela
A borboleta surge em movimentação
Constante na suíte de casal. Eu e ela
A sós, um encontro de grande emoção.

Aterrissando na cama suas asas finas,
Coloridas, relembrando aquele avião
Inglês, a caminho das ilhas Malvinas,
Retido no Galeão, carregando munição.

Emocionado pela breve visita noturna,
Peguei um papel branco e fiz uma urna
E, longe de qualquer sinal de maldade

Recolhi, com carinho, a borboleta feliz
Que, com tanto amor, tanto me quis
E, logo, dei-lhe a merecida liberdade.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

A SAÍDA

Por muito tempo o contrário do amor era considerado o ódio, isto porque o dualismo humano era mais acentuado na oscilação em que buscava um ponto de apoio para se afirmar, isto acarretava um sofrimento muito grande.
O medo é o espinho entre as rosas, mesmo assim em sua volta há perfume. No entanto, a opção é sempre pelas rosas pela sutileza da matéria, uma das mais sutis que existe na Terra.
Tudo pode acontecer entre nós, menos o medo, sempre dissemos as leitoras do blog Fernando Pinheiro, escritor, que nos acompanham, algumas dissemos isto pessoalmente como marca registrada de nosso perfil de escritor que possuímos aquilo que Spinoza chamava “a potência de agir”, e na concepção freudiana, a libido.
A propósito, vale assinalar a transcrição de 3 parágrafos, a seguir mencionados, contidos na crônica RESISTÊNCIAS – 18 de fevereiro de 2013, em resposta a uma missiva que recebemos de uma leitora, na qual elucidamos acerca do que vem a ser o medo:
A sociedade é dominada pelo medo para que os manipuladores de massas tenham o controle. E assim, sem o conhecimento de si mesmo, a revelação do que o ser humano é em verdade, o ser etéreo (eterno) fica subjugado pela cultura do transitório e ilusório (o maia dos hindus).
Essa cultura estabelece o confinamento do planeta e tem os seus dias contados. Nós saímos dessa teia de aranha trazendo conosco a vivência em 4 pilares: simplicidade, humildade, transparência e alegria. Somente a potência de nosso ser profundo pode rasgar essa teia.
Como conseguir isso?,você me pergunta. Não é questão de querer ou de vontade, pois isto se movimenta no campo mental. Somente o seu ser profundo pode conseguir. Isto é obtido normalmente ao dormir quando há possibilidade de quietude de seus sentidos, mas pode ser obtido também num piscar de olhos, se houver as condições favoráveis para a realização.
Em 28/9/2013, quando fizemos o post da crônica RESISTÊNCIAS no site Apoiadores de Inclusão de Disciplina sobre “Cidadania”, a leitora ElenirCericatto comentou: “eu acrescentaria mais uma palavra ... “Diplomacia”. Muito bom seu escrito.”
A nossa resposta: Elenir, valeu a sua participação, a diplomacia está incluída na transparência, essa transparência está ligada ao nosso coração, ao nosso ser profundo, e não a revelação de nossa personalidade transitória. Vamos manter contacto que será muito bom para nós dois.
Ainda sobre “a potência do agir” do filósofo Spinoza tem respaldo no pensamento de Aristóteles quando diz que “Ética é o pleno desabrochar das próprias potências”, é uma proposta aos moldes da filosofia grega.
Não somos gurus nem orientadores de ninguém, pois cada um tem o seu caminhar que lhe é próprio escolher a direção.
A fé é fundamental, não é a fé em nenhuma ideologia, partido político ou sistema de governo, sempre oscilante no dualismo humano, mas a fé em seu ser profundo que se liga com a fonte.
Se essa fé não existir, então, podemos ouvir notícias de amores mendigando um sorriso e a tristeza de quem está procurando o que não sabe.
A proposta do filósofo Aristóteles abrangia uma ética num pacote inteiro e se estendia até a morte, não havia visão do término, muito diferente da ética atual em que se desdobra uma visão conduzida, no plano do transitório, em condutas isoladas. Esta é a consciência planetária dissociada que está indo embora da Terra com a transição planetária simbolizada na separação do joio e do trigo.