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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

DERSU UZALA

O filme Dersu Uzala, dirigido pelo cineasta japonês Akira Kurosawa, tendo no elenco Maxim Munzuk, vivendo o personagem-título e Yuri Solomin no papel do capitão Arseniev, principais atores. A música é de Isaac Shwarts. A primeira incursão de pesquisa topográfica, com seis homens e quatro cavalos, ocorreu em 1902 na área de Shkotovo, região de Ussurii, Rússia.
O capitão não conhecia o local e, quando acende a primeira fogueira na mata, fez algumas notações e, diante do silêncio da noite, concluiu: “aquele vale me lembrou a noite de Walpurgis, um lugar onde as bruxas se reuniam para o Sabbath”.
Caminhando na mata, encontram uma cabana onde estava um chinês que fugiu de sua aldeia porque a esposa o traiu com o irmão e queria esquecê-la, reintegrando-se com a natureza. No acampamento em frente à cabana, o capitão faz uma fogueira e disse a Dersu Uzala, um caçador mongol, convidar o chinês a se aquecer no fogo. Ele respondeu não, isto iria tirar a paz do chinês que estava concentrado em seus pensamentos.
Estava estabelecido que a última etapa da expedição era explorar a área ao redor do lago Khanka. Durante o trajeto, eles passaram pelos pântanos e trilhas. A metade dos homens seguiu para Chernigovka, restando três homens e Derzu Uzaka, guia da comitiva, foram para o lago em uma canoa. Depois dois soldados foram mandados para outra direção, permanecendo apenas o capitão e o mongol.
Numa das cenas mais impressionantes, o capital e o mongol estão perdidos no meio da estepe que contém um lago congelado, a temperatura cai e a nevasca surge preocupando a ambos. O guia percebe que o sol se declina no horizonte e convida o capitão a cortar matos da rala vegetação com o propósito de construir um abrigo contra os ventos, antes que a noite chegasse. A noite chegou e ambos estavam protegidos no abrigo.
Ao amanhecer, o capitão faz disparos no ar para o alto e logo dois seus companheiros chegam e se juntam ao capitão e ao guia, no caminho encontram uma cabana e, quando chegam lá, são acolhidos por uma mulher que lhes dá comida.
No dia seguinte, alcançam Chernigovka e eles se unem aos restantes do grupo que estavam lá. Depois, pegaram o trem para a cidade de Vladivostok. O mongol Derzu Azala partiu em direção a Daubikhe, chegando lá depois de dois dias, seguindo depois para Ulaklen e, finalmente, Fujin, onde existem muitos cervos e dentes de sabre, caças prediletas dele. A expedição russa caminhou por uma estrada de ferro, cantando uma canção folclórica. 
Nos idos de 1907, o capitão Arseniev e sua época fizeram outra viagem para a área de Ussurii, onde reencontram Derzu Azala. O capitão lhe perguntou como tinha sido a sua vida, caçou muitos dentes de sabre, ganhou muito dinheiro? Ele respondeu, sim, cacei muito e ganhei muito dinheiro. Mas não fiquei com nada, o comerciante, que comprou a caça, guardou o dinheiro da caça e sumiu. O caçador não deu importância a isso porque não compreendeu isso.
Prosseguindo na caminhada, a expedição encontrou muitas armadilhas de caça que se estendiam pelo chão, um animal foi solto, pois entre eles havia mantimentos e encontraram homens amarrados à beira do rio e os soltaram, dando-lhes comida.
Seis homens, inclusive o guia, descem rio abaixo numa balsa, outros foram a cavalo procurar um bom lugar para acampar, chegando perto da margem quatro deles saíram da balsa, ficando apenas o capitão e o guia, e a embarcação continua a descer na correnteza.
Chegando perto de uma corredeira bastante perigosa, o guia pede ao capitão pular e, o empurra para sair, permanecendo ele sozinho, salta num tronco de árvore encalhada no meio do rio, pois o precipício estava logo ali. Ele grita aos homens russos: cortem uma árvore. Com o auxílio dos russos, o guia conseguiu voltar para a terra firme.
No acampamento tiram fotos. Depois, ouve-se um grunhido de tigre circulando na área. Todos ficam atentos e preparados. Quando surge em direção deles, Dersu Uzala atira e o animal vai embora correndo. Ele se assusta pensando que o matou e indaga a si mesmo: o que eu fiz?
Dersu Uzala ficou com medo porque Kanga, o espírito da floresta, iria mandar outro tigre para matá-lo. Isto mudou o comportamento dele perante a expedição russa. Aliás, todos os animais para ele eram companheiros. Mas, na verdade, ele tinha errado de pontaria em outros alvos e considera-se com perda de visão. Nessas circunstâncias, ele aceitou e foi morar na casa do capitão em Khabarovsk que tinha esposa e filho.
Mas, não se adaptou com a vida da cidade, pois não podia atirar nem dormir ao relento como fazia na colina. O capitão o presenteou com um rifle moderno. Quando saiu da casa, foi encontrado morto, nas cercanias da cidade, sem a arma. O policial que fez a ocorrência, em frente do capitão, deduziu que houve latrocínio seguido de morte.
É importante apreciar o estilo de vida do mongol. Um deles nos deixou em reflexão: não foi atrás do comerciante que fugiu com o dinheiro da caça de dentes de sabre, aliás, o mongol não pensou em ir à delegacia de polícia.
Nesta transição planetária, onde o tempo em que temos de viver é tão precioso, não vale a pena se envolver com delegacia de polícia, processos judiciais ou mesmo brigas de qualquer espécie. Para que processar o empregador que nos acolheu e nos deu o emprego? Para que processar a pessoa querida com o objetivo de obter a pensão alimentícia? Esqueçamos que há no mundo milhões de pessoas fazendo isso. Dersu Uzala é revelador.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

PÉGASO (XV)

Ao dar prosseguimento à Série Pégaso, vale assinalar os 4 primeiros parágrafos, constantes do início desta série, com o propósito de revelar aspectos do mundo astral:
A ideia ideoplástica é a matéria-prima usada pela mente humana que a transforma ao seu bel-prazer. O pensamento é o condutor que plasma as formas figuradas e elaboradas na projeção do propósito alcançado. A arte vive nesse meio.
O pensamento é um atributo do espírito e flui em correntes de variadas expressões que se modificam de acordo com o comando recebido.
O pensamento plasma a beleza como também pode criar modificações diferentes da beleza original em circunstâncias que a degeneram.
Em nossas andanças astrais passamos por lugares que passam a ser estudo para a observação da vida que ultrapassa os limites da matéria conhecida, entrando em espaços além do planeta Terra, embora esteja circunscrito na psicosfera terrestre, esse espaço onde abriga os pensamentos e os espíritos em trânsito pela transmutação das formas almejadas.
Fazer um samba sobre o infinito do jeito de Marisa Monte mexeu comigo, principalmente para ver as meninas. Uuum, Uuum, não criticar nada e não criticar ninguém, ajudar somente se for solicitado, está em meu esquema em que ela afirma: “quem sabe de tudo não fale, quem não sabe nada se cale, se for preciso eu repito.” 
A melhor apreciação do silêncio ocorreu diante da varanda de Pilatos. A canção Para Ver as Meninas pede a todos por favor um silêncio a fim de que a dor no peito seja esquecida um pouco. Não é bom tocar no assunto porque ela não sabe mais quem a fez passar o que está passando. São os engramas do passado que devem ser esquecidos.
A canção ainda diz o que ela sente é a necessidade de se recompor dentro de uma pausa de mil compassos o que denota sonoridade em seus sentimentos que já nascem música.
O título da canção faz-me lembrar de um sonho em que tive no mar em cima de um iate, apreciando as meninas nadar em águas ondulantes. A brisa era refrescante, a maresia fazia balançar suavemente a embarcação ainda com cheiro de tinta, toda nova, toda branca, em que tive a satisfação de inaugurar no mar. Ninguém me acompanhava.
Mas nada era meu, no entanto sentia-me no conforto de usufruí-la sem nenhum apego nem posse alguma, esse suave encantamento que sente quem está no deleite da unidade de que faço parte, fenômeno conhecido na Índia por quem está no Nirvana.
O desprendimento nos liberta de toda preocupação humana que se resume no vestir, no alimentar, no trabalhar, no passear e na relação sexual que nos liga com maior aproximação com todas as mulheres, o nosso grande e sagrado público que tanto amamos.
Como a canção é pertinente a ver as meninas, estive apreciando-as nadar bem perto de mim do convés do iate. Havia uma alegria em todas elas como se fosse um coro afinado cantando uma canção.
De calção de praia, fiquei sentindo toda essa alegria que me envolvia como sempre recebo das mulheres que gostam de me apreciar quando escrevo crônicas destinadas a elas, mas elas têm algo de gatas que criam um mistério a decifrar.
Deixei o meu lado humano se expressar acima do espiritual, que nunca é desconectado, e fiz aquele gesto do nadador que faz antes de mergulhar no mar, um gesto de quem vai pular na água, mas não pulei. Elas perceberam a minha intenção e todas mergulharam.
Então, percebi que se eu mergulhasse o mergulho iria dentro do espaço em que elas estavam dentro da água, o que iria lhes causar surpresa em que elas não apresentaram um consentimento para mim de estar junto delas dentro do mar.
Lidar com mulheres é o mesmo que lidar com gatas. No Egito antigo, mulheres e gatas se encontravam no templo de Amon. Quando assisti à ópera Aída, de Verdi, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a cena no templo elas apareceram vestidas de longo em contemplação meditativa.
Essa pausa de mil compassos para ver as meninas de que nos fala a canção, interpretada na voz da cantora Marisa Monte, eu a tive quando a ouvi cantar e no sonho que deslindou um traço do meu caminhar, no passeio no mar dentro do iate que não era meu e nem de ninguém, mas do todo em que faço parte.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

SEMPRE AO SEU LADO

Num dos cruzamentos mais movimentados do Japão, em Shibuya, Tóquio, a estátua de bronze de Hachiko é atração turística que veio do cinema. O cachorro Hatchi, da raça Akita, é companheiro inseparável de Hidesaburo Ueno, professor da Universidade de Tóquio, interpretado pelo ator Tatsuya Nakadai contracenando com Kaoru Yachigusa, Mako Ishino, Masumi Harukawa, Hisashi Igawa, entre outros, no filme Hachiko Monogatari (1987) dirigido por Seijirō Kōyajma.
A trilha sonora do filme é de Tetsuji Hayashi e no remake americano, Hachiko: A Dog´s Story (2009), a música  destinada para piano solo foi escrita por Jan A P. Kaczmarek, celebrado compositor que ganhou, nos idos de 2005, o Oscar por melhor trilha sonora original do filme Finding Neverland, na cerimônia apresentada pelo ator John Travolta na 77th Annual Academy Awards.
No final de cada dia, o cachorro vinha esperar o dono fora da estação ferroviária de Shibuya. No decorrer da cena, a esposa de Ueno, interpretada pela atriz Kaoru Yachigusa, no papel de Missus, disse: “Hachi não usa relógio, mas como ele sabe as horas?”
Em plena sala de aula, ao riscar o giz no quadro negro, o professor Ueno desfaleceu e caiu em frente de seus alunos, vindo a falecer por hemorragia cerebral. Quando o corpo, dentro do caixão, é velado, o cachorro Hatchi está presente e causa admiração de todos. Depois, quando o cortejo fúnebre se conduz ao cemitério, Hatchi está em casa, arrebenta as correntes e segue correndo acompanhando-o.
Após a morte de Ueno, nos idos de 1925, o cachorro permaneceu indo à estação, durante 9 anos, demonstrando-lhe lealdade. Quando a personagem Missus, viúva do professor, se dirige a estação de Shibuya com destino a Wakayama, ao reencontrar o cachorro naquele local, passou-lhe as mãos pelo pescoço e disse: “Hachi, seu dono não virá mais, adeus.”
Como a consciência está em tudo, o sentir a presença do dono após a morte que para o cachorro isto não existe porque estava ligado na mesma frequência de onda em que ambos estavam interligados no passado recente que recrudescia, com vigor, ao longo desse período.
Estamos felizes ao ver o reconhecimento da consciência, imantada em tudo, neste caso especial dos animais de estimação, conforme depoimento da WSPA – The World Society for the Protection of Animals, relatado pelo The Japan Times – 26/01/2015: “a injeção de uma solução de pentobarbital de 20% (um barbitúrico) como o método mais humano de eutanásia de cães ou gatos, pois induz a "rápida perda de consciência" e não causa efeitos colaterais angustiantes.”
A eutanásia de animais de estimação é amparada por lei japonesa, mas os donos relutam em permanecer até o último instante com os animais doentes. Nos idos de 2010, segundo aquele jornal, mais de 204 mil animais de estimação foram mortos, sendo que 82% do total vieram de abrigos de animais. 
Considerando os cuidados do povo japonês pelos animais de estimação, observamos que existe no Japão a indústria de serviços que normalmente é utilizada por pessoas no Brasil, tais como: restaurantes, café, hotéis, academia de ginástica, salão de beleza, parques temáticos, spa, resorts. O jornal nipônico pergunta: “quem está se divertindo aqui, o cão ou o proprietário?”
No final do filme, o personagem Shiro, depois de morto, vivenciado pelo ator Tatsuya Nakadai, aparece para o cachorro que fica muito contente ao vê-lo e, quando o dono desaparece, o cachorro fica parado em reflexão. Não há barreiras entre as dimensões, pois tudo se interliga.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

DESIGUALDADE


Segundo o jornal El Pais – Madri, Espanha, edição de 19/01/2015, “todos os dias, o mundo joga no lixo entre ¼ e 1/3 da comida que produz. Enquanto isso, 870 milhões de pessoas acorda e vai dormir sem saber o que e quando vai comer.”
É bom assinalar que 870 milhões de pessoas não fazem nenhum tipo de refeição ou lanche por falta de recursos, pois como dissemos, anteriormente, na crônica NO MEIO DO CAOS – 29/11/2014: de 2 bilhões, do total de 7,3 bilhões de habitantes do planeta Terra, atualmente, ganham trabalhando, cada um, apenas 2 dólares por dia (R$ 4,86 ou £ 1,24).
Segundo Oxfam Internacional, “o patrimônio das 85 pessoas mais ricas do mundo equivale às posses de metade da população mundial” [BBC – Brasil – 20/01/1015].  Esta é a densa consciência planetária que, conforme vimos anunciando, está indo embora.
Certamente que os participantes do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça (janeiro/2015) e da Conferência Mundial sobre o Clima, em Paris, França (dezembro/2015), dirão que a economia de seus países está bem e os programas sociais em plena atividade.
Enquanto isso, 99% da população mundial continua sob o jugo de escravidão imposto por 1% que detém a riqueza e faz-nos lembrar do pensamento do filósofo Immanuel Kant: “você é livre no momento em que não busca fora de si mesmo alguém para resolver os seus problemas”.
Anteriormente, tínhamos dito que para o casal ser feliz é necessário que ambos os parceiros sejam independentes em todos os sentidos e isto repercute em todas as situações da vida.
Em dezembro de 2012, quando o calendário Maia era foco de atenção daqueles que buscavam interpretar o fim de um ciclo planetário, a música A Novidade, de Gilberto Gil, estava e ainda está hoje no auge revelando que a sereia da praia tem o busto de uma deusa Maia e a cauda de baleia.
A novidade, que veio da praia, virou disputa entre o poeta que sonhava mil sonhos com a encantadora beleza de mulher e o esfomeado que queria apenas saciar a fome comendo peixe. Esses sonhos foram despedaçados, caindo os pedaços de mulher e o de peixe para o lado de cada um dos pretendentes. 
O canto da sereia revela um canto que ninguém até hoje ouviu no formato de canto que conhecemos, a não ser em imagens sonhadoras que nos tiram de foco a realidade. A própria sereia, quando foi revelado pela mitologia grega, tinha aspectos de monstro submarino, depois foi amenizado na forma de mulher e cauda de peixe. [O CANTO DA SEREIA – blog Fernando Pinheiro, escritor – 11 de janeiro de 2014].
Não ouvimos o canto da sereia e nem o queremos nem para nós e nem para ninguém. É no ser profundo que todos somos que a voz interna se faz ouvir, a única que pode resplandecer o que somos em essência: seres de luz. [O CANTO DA SEREIA – blog Fernando Pinheiro, escritor – 11 de janeiro de 2014].
A novidade revelada nesta música de Gilberto Gil é a realidade vivenciada por bilhões de pessoas no planeta em que se vê a desigualdade em tudo, assim como a sereia que apresenta o lado mulher e o lado peixe, sonhos distintos do poeta e do esfomeado na ênfase produzida pela canção: “oh! mundo tão desigual, tudo é tão desigual, de um lado esse carnaval, de outro lado a fome total”.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

AS FONTES

A Trilogia Romana do compositor italiano Ottorino Respighi abrange os poemas sinfônicos Fontes de Roma, Festas Romanas e os Pinheiros de Roma.
No que se refere a Fontes de Roma, Respighi as retratou em imagens ideoplásticas que lembram os períodos do dia nas fontes: Valle Giulia, ao amanhecer, Tritone, pela manhã, Trevi, ao meio-dia, e Villa Medici, ao crepúsculo do sol.
Nos idos de 1924, Caio de Mello Franco (1896/1955), que iniciou a carreira diplomática servindo na Santa Sé, publicou Vida que Passa que retrata os momentos em que apreciou a beleza da Fontana di Villa Medici, versos que o imortalizaram.
Tivemos a honra de proferir, em 08/11/2004, palestra em homenagem a Caio de Melo Franco, na presença de Edgardo Amorim Rego, gerente da Carteira de Operações de Câmbio do Banco do Brasil (CAMIO/GECAM), no período de 12/04/1972 a abril/1984, e de Afonso Arinos de Melo Franco Filho e, ainda, de Alberto Venâncio Filho, ambos imortais da Academia Brasileira de Letras, entre outras personalidades que prestigiaram o 5° Seminário Banco do Brasil e a Integração Social.  
O local onde se encontra a Fontana di Trevi, imortalizado na música de Ottorino Respighi e no filme La Dolce Vita, estreado em 1960, sob a direção de Federico Fellini, é ponto de atração turística tanto pela música de Respighi quanto pela presença de Anita Ekberg (1931/2015), de origem sueca onde foi miss em 1950, célebre artista de Hollywood que residia na Itália.
Na cena mais famosa do filme, Sylvia (Anita Ekberg), caminhando se arrastando dentro d´água da fonte, usando vestido preto com decote em que vislumbramos seios lindos, demonstra arrulho ao chamar Marcello (Marcello Mastroianni): “Marcello, come here, hurry up”. Ele vai ao encontro dela, ela curva a cabeça para trás, numa posição que denota a espera do beijo, e ela disse: listen, e água da fonte parou de correr. A nosso ver, esta paralisação foi causada por segurança da fonte.
Nessa fonte, em restauração da Prefeitura, foi colocada, em 13/01/2015, no andaime da obra, um retrato de grandes dimensões, em preto e branco, da atriz fotografada por ocasião do intervalo das gravações do filme. Na foto Anita Ekberg aparece sentada na borda da fonte romana, trajando vestido preto e os cabelos loiros e ondulantes caindo sobre os ombros.
A leitora mais assídua no Leste Europeu do blog Fernando Pinheiro fazendo turismo na cidade de Roma, a búlgara Nona Orlinova, usando vestido azul e cinto vermelho na cintura, atirou uma moeda na água da Fontana di Trevi e escreveu no facebook: хвърлям монета... значи ще се връщам тук (atirar uma moeda ... então vai voltar aqui).
Envolvendo um doce encanto, a canção Diez Años, de Rafael Hernandez (1892/1965), foi sucesso na América Latina na voz de Julio Jaramillo (Equador), Helenita Vargas (Colômbia), Toña “La Negra” (México) e na Espanha pelo cantor Jorge Sepúlveda e, ainda no Brasil, na versão Dez Anos de Lourival Faissal, pelas cantoras Emilinha Borba e Gal Costa.
Essa música lembra-nos muito do clima romântico em que envolvia os casais no decorrer de uma época, vamos dizer “assim se passaram 10 anos”: “recordo junto a uma fonte nos encontramos e alegre foi aquela tarde para nós dois.”
As fontes, sob o murmúrio de água que escorre devagarzinho, são adequadas para o primeiro encontro de casais que criam o clima de romantismo, pois a natureza é a grande aliada que nos estimula a fortalecer os liames de amor.
As fontes de água são sempre fontes de inspiração. No Brasil isto vem ocorrendo desde há muito tempo, quando o vice-rei Luís de Vasconcelos e Sousa, sofrendo peripécias do amor não correspondido pela musa Suzana, no século XVIII, construiu a Fonte dos Amores no Passeio Público da cidade do Rio de Janeiro. A Escola de Samba da Portela, no carnaval de 1988, apresentou o enredo Lenda carioca: os sonhos do vice-rei.