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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

ELIXIR DO AMOR

Na ópera Elixir do Amor, de Donizetti, Nemorino quer casar com Adina, mas não tem condições financeiras, alista-se no Exército, recebe dinheiro e compra “a poção mágica do amor”. Enquanto isso, não sabendo que herdou uma fortuna do tio, ele participa de uma grande festa onde todas as mulheres estão dançando alegres e felizes pela notícia da herança.
Na noite de luar, Nemorino canta a famosa ária Una furtiva lagrima defronte da casa da amada. Depois, ela vai ao encontro dele, entrega-lhe o documento que ele assinara para entrar na carreira militar, devolvendo-lhe a liberdade para permanecer na aldeia. Ele fica muito grato a Adina e ambos se beijam num final feliz.
O arquétipo de modificar panoramas íntimos, através de elixir, vem desde Tristão e Isolda, passa pela heroína de Donizetti, e chega ao divã em todo o mundo, com a propaganda exportada dos Estados Unidos de uma filosofia de que é necessário ser feliz o tempo todo, se não for, tem a pílula, levando todos a crer que os males psíquicos são curados com medicação.  
A entrevista do jornal El Pais, Madri, edição de 06/02/2016, com o jornalista Robert Whitaker, autor da obra Anatomy of na Epidemic, prêmio de melhor livro investigativo de 2010, obtido nos Estados Unidos, autor de uma série de reportagens divulgadas pelo jornal Boston Globe, comprova o que vimos falando a respeito da psiquiatria.
A observação de Whitaker a respeito de melhor quadro clínico de pacientes de esquizofrenia nos países onde são menos medicados, citando a Índia e a Nigéria, do que nos lugares, como por exemplo os Estados Unidos. Acrescenta ele que, conforme declarado pela Escola de Medicina de Harvard, a evolução dos pacientes dessa doença em 1994 tinha piorado com a implantação de medicamentos em relação ao ano de 1970.
Diferente de outros exames médicos que comprovam a existência da doença, através de laboratórios e de raios-X, o diagnóstico do médico psiquiatra é sempre questionável, pois se dá na área da subjetividade e corroborando o pensamento da médica Adriane Fugh-Berman, contido na referida matéria da Viomundo: “Outro exemplo é a doença da ansiedade social. É bom notar que a psiquiatria é a profissão mais suscetível a diagnósticos questionáveis porque todos os diagnósticos são subjetivos.” [PÍLULA ADOCICADA – 22 de agosto de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor]. 
Graças a iniciativa do psiquiatra Robert Spitzer (1932/2015), autor do primeiro livro de diagnóstico de transtornos mentais,  a homossexualidade foi excluída como distúrbio mental do DSM-III (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria), editado em 1980, passando o diagnóstico a ser “perturbação de orientação sexual”, destinado a pessoas cuja orientação sexual, de qualquer variedade, as tenham causado sofrimento [The Telegraph – 13 de janeiro de 2016].
Segundo ainda o matutino britânico, o trabalho de Spitzer estabeleceu uma nova DSM capaz de “erradicar o preconceito humano e obsessões freudianas com o ‘inconsciente’, possibilitando aos psiquiatras uma verificação de diagnóstico baseado na ciência”. Foi retirado também o termo neurose. Na edição do DSM de 1987, foram incluídos transtorno bipolar, transtorno de déficit de atenção, transtorno de pânico, autismo, bulimia e PTSD. [CAROL – 08 de fevereiro de 2016 – Fernando Pinheiro, escritor].
A 5ª e última versão do DSM – Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais está em vigor desde maio de 2013, elevando o número de patologias mentais a 450 categorias diferentes que eram 182, nos idos de 1968, no Manual DSM–2 [Folha de S.Paulo – 14/05/2013].
Com o apoio da mídia, a indústria farmacêutica joga pesado e faz convencer os médicos e a sociedade em geral que os problemas psicológicos são resolvidos com remédios de sua fabricação.
Em alguns casos, sim, são úteis, mas o excesso provoca dependência, inclusive está havendo “mais mortes por abuso de medicamentos do que por consumo de drogas”, segundo o Dr. Allen Frances, Catedrático emérito da Universidade Duke, Carolina do Norte, EE.UU., na entrevista concedida em 27/09/2014, ao Jornal El Pais – Madri, Espanha. – Apud  PÍLULA ADOCICADA – 22 de agosto de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor.
Vale mencionar o que nos diz Cindy Whitehead, em entrevista ao Wall Street Journal, nos idos de 2014: “é irônico que agora a mulher que não tenha interesse em sexo seja classificada como doente mental e aqueles que discordem considerados sexistas.” – Apud  Site MOTHERBORD – Ladybits – O “Viagra Rosa” vem aí para resolver um problema que talvez não exista – Escrito por Emma Paling – 6 July 2015 [Apud PÍLULA ADOCICADA – 22 de agosto de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Será que os remédios farmacêuticos, receitados por médicos, estimulam o funcionamento dos neurotransmissores que estão no cérebro? Os laboratórios que vendem em cifras gigantescas não têm dúvida em vender mais. [CANÇÃO DO MAR – 4 de outubro de 2013 – blog Fernando Pinheiro, escritor]
Quando uma pessoa cria, com o pensamento, a dopamina, uma substância que faz a conexão de algumas vias neuronais, não há nenhuma possibilidade de surgir a esquizofrenia ou outra doença mental. Há outras substâncias: endorfina, serotonina. [ASYLUM – 19 de maio de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor]
Quanto vale esse conhecimento? Muito dinheiro. A nível mundial, estima-se em torno de US$ 14 bilhões por ano de faturamento para a indústria farmacêutica e aos profissionais da área de saúde. Na palestra Evolução Aprenda, o Prof. Hélio Couto comentou: “essas pessoas não tem o menor interesse em você fabricar em seu cérebro a serotonina quando você quiser.” [ASYLUM – 19 de maio de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor]
Mas, é bom notar que o acompanhamento dos pacientes se agita na área da subjetividade, pois o cérebro ainda não está totalmente desvendado em seus segredos milenares. É largamente difundido que usamos apenas 8 a 12% de nossa capacidade, sendo que o cientista Albert Einstein usou a capacidade de 12%. [CANÇÃO DO MAR – 4 de outubro de 2013 – blog Fernando Pinheiro, escritor]
Milhões de pessoas no Iraque, na Síria e na Turquia, onde há forte domínio da população pelos terroristas do Estado Islâmico, sobrevivendo com mil dificuldades, inclusive no meio de bombardeios dos Estados Unidos, existe uma cultura sem recorrer à psiquiatria. [A FONTE DAS MULHERES – 13 de novembro de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
É o canto, é a dança que desperta o exilir do amor, aquela libido despertada quando há o envolvimento total dos corações que se aproximam e se unem em doce encanto. O Salgueiro trouxe tudo isso, no desfile do carnaval de 2016. A magia estava em tudo, na arquibancada que a aplaudiu e na escola de samba que revelava beleza.
O Salgueiro na avenida fez-nos lembrar da Danza gitana en la taberna de Lillas Pastia e da Habanera L´amour est un oiseaux rebelle, da ópera Carmen, de Bizet, não pela música, mas pela personagem interpretada, em épocas distintas, por  Maria Ewing, Rinat Shalam, Agnes Baltsa, Elina Garanca, Rita-Lucia Schneider, Julia Migenes, Anna Caterina Antonacci, Grace Bumbry e Denyce Graves. Ouvindo-as, distintamente, é como se estivéssemos apreciando aquele milagroso elixir do amor. 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

CAROL

Inspirado no livro The Price of Salt, de Patrícia Highsmith, o filme Carol, dirigido por Todd Haynes, recebeu cinco indicações ao Oscar 2016: melhor atriz (Cate Blanchett), melhor atriz coadjuvante (Rooney Mara), melhor roteiro adaptado, melhor trilha sonora original e melhor figurino. O enredo conta história do amor entre duas mulheres que viveram, na década de 50, em Nova York.
Graças à iniciativa do psiquiatra Robert Spitzer (1932/2015), autor do primeiro livro de diagnóstico de transtornos mentais, a homossexualidade foi excluída como distúrbio mental do DSM-III (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria), editado em 1980, passando o diagnóstico a ser “perturbação de orientação sexual”, destinado a pessoas cuja orientação sexual, de qualquer variedade, as tenham causado sofrimento [The Telegraph – 13 de janeiro de 2016].
Segundo ainda o matutino britânico, o trabalho de Robert Spitzer estabeleceu uma nova DSM capaz de “erradicar o preconceito humano e obsessões freudianas com o ‘inconsciente’, possibilitando aos psiquiatras uma verificação de diagnóstico baseado na ciência”. Foi retirado também o termo neurose. Na edição do DSM de 1987, foram incluídos transtorno bipolar, transtorno de déficit de atenção, transtorno de pânico, autismo, bulimia e PTSD. 
A 5ª e última versão do DSM – Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais está em vigor desde maio de 2013, elevando o número de patologias mentais a 450 categorias diferentes que eram 182, nos idos de 1968, no Manual DSM–2 [Folha de S.Paulo – 14/05/2013] – Apud  PÍLULA ADOCICADA – 22 de agosto de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor. 
Cate Blanchett encarna a personagem Carol, mulher casada com Harge, vivido pelo ator Kyle Chandler. Ambos vivem o reflexo de um casamento que chega ao fim, num país em que o divórcio começou a aumentar muito depois da II Guerra Mundial e que, nos idos de 2012, segundo a Bloomberg, atingiu o número de 2,4 milhões.
Ao fazer compra numa loja de brinquedos, Carol conhece a vendedora Therese (Rooney Mara) que está com namoro, não muito empolgado, com Richard (Jake Lacy). Ambas trocam olhares recíprocos. Impedida de passar o Natal com a filha, Carol faz uma viagem com Terese com o objetivo de ter um romance.
Quando estávamos escrevendo a crônica Rosas, tivemos um pedido de uma leitora para ser nossa amiga no facebook. Era uma jovem mulher solteira que tinha um relacionamento com outra mulher. Apenas um contato muito rápido para identificação, pois não a conhecíamos pessoalmente. O tempo passa e não tivemos mais notícia dela, nem sabemos agora o nome dela, desapareceu do mapa. O segundo parágrafo, a seguir, foi inspirado na situação daquela moça, uma pergunta que fizemos no texto e, ao mesmo tempo, demos a resposta.  
Na música ROSAS há o enfoque desse astral com a menção de entrechoque dos santos que não se afinam, ideia puramente desta consciência dissociada planetária, pois na multidimensionalidade, onde os anjos, santos e arcanjos se encontram, não há separatividade. A música se afirma quando diz na voz de Ana Carolina: “toda mulher gosta de rosas e rosas e rosas, muitas vezes são vermelhas mas sempre são rosas.”
A letra da música abre espaço para a discussão do gosto da mulher. Será que rosas e rosas e rosas não está incluída outra mulher? Por que as rosas vermelhas são sempre rosas? A evidência não está clara? O amor tem limites na esfera feminina ou está em frequências diferentes de onda? A onda é a mesma, porque somos um no sentido dos novos tempos da Era de Aquarius que começa a chegar. [ROSAS – 27 de abril de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Não se sabe até que ponto uma relação lésbica é mantida, assim como entre homem e mulher, podendo haver uma cumplicidade em viver uma vida em comum, fora do sexo, como aconteceu em outro filme, intitulado The Wicker Man (no Brasil, O Sacrifício, em Portugal, O Escolhido), uma comunidade composta, na maioria, por mulheres, onde apenas alguns homens permanecem ali para manter a continuação da prole. O filme teve a direção de Neil LaBute. 
O sacrifício, no caso, foi para Edward (Nicolas Cage), um policial que vai à Summerisle, uma ilha na costa de Maine, a pedido da irmã Willow (Kate Beahan), antiga namorada dele, a fim de procurar a filha Rowan (Erika-Shaye Gair) prestes a morrer na fogueira para satisfazer os deuses pela má colheita do ano, num ritual de sangue, atualmente infestado nos filmes de violência.
Depois de muita procura, Edward descobre o lugar do sacrificio e, para a surpresa dele, é escolhido pela irmã Summerisle (Ellen Burstyn), líder da comunidade, para ocupar o lugar da filha. Ele a descobre e, na fuga, a menina se adianta correndo e vai em direção do grupo de pessoas da comunidade. Ele é cercado, amarrado e conduzido à fogueira.
Retomando a narrativa principal, o olhar sedutor de Carol é uma dose certa para balançar corações femininos que vivem na indecisão por opção sexual. Se houver sofrimento, citamos o diagnóstico do DSM-III: “perturbação de orientação sexual”. Aliás, essa perturbação já ocorria mesmo no casamento que ela teve com o marido.
Uma coisa é certa: a mulher pode ser amiga e confidente de outra mulher. Não sinalizamos nada, nem criticamos nada, pois a crítica leva ao julgamento e à separação que é totalmente contrário ao nosso propósito de reunir pessoas no objetivo de caminhar juntos. Sigamos com leveza.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

AS SEMENTES E O TEMPO

Fazer o que se gosta, até os animais o fazem. Difícil mesmo é fazer o que não se gosta. A vida nos dá sempre novas opções.
É claro que nossas tendências e aptidões têm maior  desenvoltura naquilo que nos acostumamos a fazer. A repetição é mais fácil. O novo requer concentração e aprendizado  diferente.
Quando começamos a fazer o que não gostamos, estamos aprendendo a mudar de condicionamentos anteriormente  estruturados e agora requerem a revisão para que o destino seja mudado.
As mudanças estão em tudo, no tempo e nas nuvens que passam. O destino é ação que se revela criando o futuro.
Pensar no destino como apenas algo que se tem de passar, sem acreditar nas nossas possibilidades de alterá-lo em suas formas variáveis, seria o mesmo que amarrássemos as mãos juntas. Trabalho difícil de se fazer.
As alterações constantes do dia-a-dia leva-nos a posturas novas onde enfrentamos desafios dos tempos difíceis que ora  estão chegando numa exacerbação que caracteriza o fim de um ciclo planetário.
Não há o que se criticar. Há uma cadeia de interesses transitórios que se refletem a níveis pessoais, comunitários e internacionais, onde a sobrevivência tem a maior importância.
No acúmulo dos haveres fugazes, a consumação é controlada pelo detentores do poder em todos os níveis e só chega com vigor nas camadas que os sustentam.
O talento, que foi adquirido através de experiências muito antigas, agora se vê entregue a circunstâncias do momento que o redimensiona em outros caminhos.
O lado material tem um peso muito grande na vida do artista. A arte é eterna e subsiste a todas as crises estabelecidas pelo homem. Mas o artista é humano e precisa sobreviver às exigências da matéria.
Nesse contexto, ele busca os meios necessários à sua sobrevivência em outras fontes, pois a arte parece perder o seu prestígio, não por seu valor, mas pela falta de dinheiro de pessoas que, mesmo a apreciando, não podem desfrutá-la. Isto atinge até mesmo a área dos patrocinadores.
As exigências dos tempos novos coloca-nos em situações que teremos de aprender em aspectos que nunca pensamos ser possível. É natural que seja assim, pois o compositor não vive apenas da última composição. A criação é o seu trabalho.
É necessário semear. Se os melhores canteiros estão ocupados por máquinas que promovem o imediatismo do conforto material, procuremos outros espaços onde possamos caminhar livremente, adaptando-nos às exigências da época, sem perdermos as sementes que trazemos em mãos.
O que vale é a maneira como elaboramos o nosso trabalho. Quantidade é bem diferente de qualidade. Às vezes basta um olhar, um gesto que criam situações que nos favoreçam avistar novos horizontes.
Quando as circunstâncias não são favoráveis, mil discursos se perdem no espaço para repercutir muito longe num tempo em que não podemos avaliar.
O que preocupa muita gente não é a arte que possui intimamente, mas a ansiedade de vê-la surgir perante o público antes da hora, como a semente que está escondida para virar árvore.
Empreguemos o tempo naquilo que sentimos ser necessário à nossa vida sem perdermos o ânimo no trabalho que as circunstâncias nos oferecem.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

VOO DOS BEIJA-FLORES

Assim como existe beleza comovente no mundo das estrelas, no mundo dos homens na face da Terra significativos resultados são surpreendidos da vida de cada um.
O destaque honroso nem sempre possibilita a realização de sonhos que nascem n'alma. A sensualidade, os dotes artísticos e a riqueza de valores alienáveis podem ser desvirtuados da finalidade justa em que inicialmente foi proposta nos sonhos sem mácula.
A sensualidade, força mágica da vida, atrai os pólens que se fecundam numa dança suave, dando flores novas a todos os jardins; também desperta na mulher encantos que seduzem o homem.
Nesse ritmo de fecundação, as flores se abrem para gerar frutos; na mulher há associação do princípio da vida humana que começa dentro do seu corpo físico.
Essa força magnética, que embeleza a mulher e as flores, está na natureza. Não há mal algum se observar a vida resplandecer nos reinos vegetal e humano.
A mulher que canta, consolando corações tristes, num clima de ternura e poesia, traz o voo dos beija-flores disseminando pólens.
Há quem se oponha à valorização da sensualidade, sem saber que não há nada no universo sem uma finalidade própria. Até mesmo a existência desses opositores foi concebida num  clima sensual.
Na Idade Média, a mulher era vista como demônio, numa distorcida apreciação da vida. Em plena era dos descobrimentos cósmicos, quando surgem os ventos do 3º milênio, não pode haver mais crédito nas sugestões daqueles que defendem ensinamentos que aniquilam a condição divina  do homem.
A beleza física, os encantamentos dos gestos, a brejeirice do  olhar, a voz que fala de amor são estímulos para que a  pessoa viva feliz.
É por isso que, numa lição de incomparável beleza, o  pensamento filosófico cristão marca presença para revelar um  sentido profundo:  “se o teu olho for doente, verás doença em  tudo.”
Mas aquele que já se livrou dos preconceitos humanos, vendo em tudo a beleza surgir em lacunas que se completam, tem uma visão bem mais ampla onde os talentos voltam às suas  origens.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

AS MARCAS DA NEBLINA

Há fatos que repercutem a nível nacional para nos chamar a atenção acerca de ligações individuais ou sociais.
Parece comum uma notícia que espelha a realidade de milhares de pessoas. Mas, quando o interesse desperta atenção das camadas aquinhoadas da riqueza, a repercussão é maior.
Os meios de comunicação dão ênfase e destaque a estes acontecimentos que se estendem em vários dias sucessivos. Num determinado momento, aquilo que deveria ser exceção, constitui-se regra.
Mas os tempos novos estão chegando. De um país de tradição de guerra as notícias de muros derrubados já pertencem a um passado de repressão e as cortinas de ferro do Leste Europeu cederam espaço a lugares desimpedidos onde todos os habitantes daquelas regiões podem viver felizes.
Essa benéfica repercussão tem maior grandiosidade do que os  fatos  envolvendo  paixões de amores que dão adeuses em mãos frias, silenciando o presente.
Mesmo nessas circunstâncias, aparentemente sombrias, há um toque de despertar para os valores imperecíveis a todos que se ligaram nestes incidentes do caminho.
Qualquer que seja a circunstância, a criatura humana tem oportunidade de se refazer, buscando clarear seus horizontes de neblinas passageiras.
O impacto de notícias fortes servem para despertar pessoas que não pensavam existir uma realidade mais concreta que seus dias de monotonia.
É claro que o susto pode causar traumas emocionais; a força das contingências se impõe como a semente que se arrebenta para nascer. Mas depois vem a renovação do que foi gasto, com as lições do equilíbrio.
Em tudo a criatura humana tem o aprendizado que quiser. Há emoções fortes, há emoções fracas, há até falta de emoções. Isto não quer dizer que não conseguirá obter o que lhe falta. Mais cedo ou mais tarde é questão de tempo.
Ninguém deixa de aprender. A vida dá aula individuais ou  coletivas, conforme as provas que escolheram.
Quando pensamos que algo vai correr ao nosso encontro, realizando-nos desejos pessoais, logo surgem os acontecimentos que realmente vêm contribuir em nossa vida, embora sejam revestidos de desencantos.
Nessas horas, a lágrima escorre dos nossos olhos como os pingos d'água à procura das nascentes. O destino das águas é abrir caminhos.
Quem  não se agrupa no serviço em comum, sentirá solidão, mesmo que se embriague por agentes tóxicos e vagueie pelos  lugares públicos.
Além do desconforto emocional, a solidão mórbida gera sintomas que se convertem simultaneamente em doenças no  corpo físico.
É válido o recolhimento íntimo, onde se pode observar o roteiro da evolução que lhe trará novas forças para recomeçar a luta nas comunidades em que estiver ligado por laços de responsabilidade.
A vida não exige de nós aquilo que não podemos dar. Somos nós mesmos que refletimos nos acontecimentos que nos chegam a fim de receber as marcas de nossa identidade.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

MUTAÇÕES DO TEMPO

No decorrer do tempo, apreciamos no comportamento humano  as  mudanças  que  se  refletem  nas religiões, nas filosofias e em outras doutrinas afins. O lado espiritual nunca foi ultrapassado por ideologias materialistas.
Sempre que o homem, cego de vaidade, buscava um artifício para ofuscar a sua realidade imortal, mais tarde, num tempo em que não podemos precisar, a deformidade orgânica comprovara a existência do que houvera cometido antes.
Durante o passar dos séculos, esse mesmo espírito que habita o homem moderno foi sempre subjugado e vencido pelas aparências. De etapa em etapa, as quedas se sucederam, umas após outras, sem que ele pudesse despertar do sono psíquico em que continua mergulhado.
Ele frequenta as salas de aula, ganha títulos honoríficos e se embrutece ao se comparar com o seu irmão humilde. A vaidade, a presunção do saber cobre-lhe a visão e, num paradoxo, a cegueira, como sofrimento, lhe dará recursos para que possa ter a percepção do seu mundo divino.
É por esta razão que, nos mundos primitivos, em fase de  regeneração, como o planeta Terra – os rins do nosso sistema planetário – o sofrimento assume o papel purificador. Os homens buscam, os homens acham, é da lei de causa e efeito.
Mas aqueles que conseguiram assimilar a mensagem renovadora dos costumes poderão ver o horizonte claro e limpo, inconcebível por quem degradou a sua condição divina. Somente os que estão integrados na harmonia podem compreender os passos da humanidade sofredora.
Em todos os instantes da história do planeta, tudo foi planejado. Doutrina e doutrinadores a Terra sempre os teve, nos mais variados campos da atividade humana.
E como a evolução é lei natural criada pelo Senhor da Vida, o homem, deformado pelo seu proceder, no decorrer dos séculos, sempre encontrou oportunidades para se refazer.
Assim como não há necessidade de alguém comprovar a existência de nossos pensamentos e emoções, devemos aceitar a veracidade do nosso ser espiritual, essência daquilo que nos faz sentir e pensar.
O planeta azul, visto da lua dos astronautas, está passando por uma varredura de detritos cósmicos formados pelas atitudes grotescas de irmãos que disseminaram a perturbação no ambiente em que vivem.
Em nenhum instante a nossa consciência espiritual pode ser atingida pelos fragmentos de fraqueza humana, que permitem estabelecer tristeza e desolação nos corações que sentem pouco maior.
Tudo é lindo ao redor, nos espaços que irradiam a luz e até mesmo nos lugares onde a dor e a tristeza se fazem presentes, vemos que algo está acontecendo para despertar o ser humano de sua letargia de ilusões.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

VISÃO QUÂNTICA

Chegando perto dos 94 anos de vida, o físico e filósofo francês Bernard d´Espagnat (1921/2015) completou a sua missão aqui na Terra, depois de ter ganho, em 2009, o Prêmio Templeton, no valor de £ 1 milhão, destinado anualmente a pessoas que afirmam “a dimensão espiritual da vida”. A física quântica, conforme menciona The Telegraph – edição 19/08/2015: “é o estudo de sistemas em ou abaixo do nível atômico: átomos, elétrons, prótons e partículas subatômicas.”
A teoria newtoniana não conseguiu alcançar a projeção da luz, na visão quântica, manifestada nos fótons de luz (partículas) através de rotações variadas, na posição em que é vista tanto para cima como para baixo ao mesmo tempo (spins). Essa teoria não previu o emaranhamento quântico  constestado por Einstein mas teve, nos idos de 1964, o aprofundamento da tese do físico John Bell comprovando a existência desse fenômeno quântico.
Nos idos de 1970, os pesquisadores John Clauser e Stuart Freedman comprovaram, em laboratório, o emaranhamento quântico a partir da projeção de milhares de pares de partículas de luz (fótons) em direções opostas. Essa pesquisa ganhou respaldo de Bernard d´Espagnat na série “The Quantum Theory and Reality”, publicada, em 1979, na revista  Scientif American, culminando com os experimentos mais sofisticados de Alain Aspect e outros físicos aceitos pela comunidade científica.
Nos voos da ciência, ficamos a imaginar que não há distância que não pode ser vencida, como no emaranhamento quântico que comprova elétrons que se interagem, até bilhões de milhas de distância, “o que implica alguma forma de comunicação entre eles mais rápido do que a velocidade da luz” [The Telegragh – 19 Aug 2015].
Todo esse segredo, agora revelado pela ciência, já estava confirmado por Einstein quando afirmou que tudo é energia e vamos entender porque aquele homem, crucificado, no tempo do rei Pilatos, pode estar ao mesmo tempo em galáxias diversas, tudo isto porque só existe uma onda. Mesmo com imensa distância, a luz dele pode chegar à Terra, sem nenhum obstáculo. Isto já era percebido pela fé que remove montanhas.
A propósito, transcrevemos alguns parágrafos mencionados em crônicas anteriores no blog Fernando Pinheiro, escritor:
Na teoria da relatividade, Albert Einstein previu a existência de ondas gravitacionais, um fenômeno físico exótico dentro do espaço-tempo. Essa teoria, comprovada pela bomba sobre o Japão, é o respaldo dos engenhos fantásticos usados por toda a tecnologia espacial, sendo que um dos produtos mais conhecidos é o telefone móvel, conhecido no Brasil com o nome de celular.
Essas ondas gravitacionais foram detectadas, nos idos de 1974, pelos astrônomos Russel Hulse e Joseph Taylor, mediante o estudo dos pulsares, núcleos de estrelas explodidas.
Assim como existem as ondas atômicas gravitando nos espaços siderais, existem também as ondas cerebrais, quando impulsionadas no decorrer da vida física do homem, como também em sua trajetória pela erraticidade ou nos espaços de luz onde se formam imagens ideoplásticas de impressionante beleza. [ONDAS GRAVITACIONAIS – 30/11/2013].
Na teoria da relatividade, Albert Einstein previu a existência de ondas gravitacionais, um fenômeno físico exótico dentro do espaço-tempo. Essa teoria, comprovada pela bomba sobre o Japão, é o respaldo dos engenhos fantásticos usados por toda a tecnologia espacial, sendo que um dos produtos mais conhecidos é o telefone móvel, conhecido no Brasil com o nome de celular.
Essas ondas gravitacionais foram detectadas, nos idos de 1974, pelos astrônomos Russel Hulse e Joseph Taylor, mediante o estudo dos pulsares, núcleos de estrelas explodidas.
Assim como existem as ondas atômicas gravitando nos espaços siderais, existem também as ondas cerebrais, quando impulsionadas no decorrer da vida física do homem, como também em sua trajetória pela erraticidade ou nos espaços de luz onde se formam imagens ideoplásticas de impressionante beleza. [ONDAS GRAVITACIONAIS – 30/11/2013].
O salto quântico da física revela que os elétrons recebem cargas de energia e saltam para uma órbita maior. Não há um tráfego no percurso do caminho, os elétrons somem em determinado ponto e reaparecem em outro ponto, conhecido com o nome de universo não local.
Na entrevista concedida ao programa Roda Viva – TV Cultura, publicada em 27 de junho de 2013, o físico quântico Amit Goswami, professor titular da Universidade de Oregon, EE.UU., disse que “Heisenberg já falava do domínio da potência que está fora do tempo e do espaço, a não-localidade quântica é verificada no laboratório físico em 1982.”
Na chegada da órbita maior, todos os engramas que estavam incrustados nos corpos densos do paciente (físico, mental, causal) desaparecem, e quando o átomo retorna a órbita em que estava anteriormente, ele já está em outra frequência de onda que possibilita o intercâmbio com vibrações mais sutis.
É uma possibilidade enorme do paciente se recompor por ter aquilo que Carl Jung chamou de sincronicidade. Quando o ser profundo se conecta com a fonte, não há mais possibilidade de retorno ao estado antigo em que vivia. A consciência optou pela saúde.
Mas há casos em que o ser profundo ainda não foi despertado porque a escolha do paciente em viver na zona de conforto gozando a vida que leva no meio desses engramas impedindo-o de manter a energia oriunda do salto quântico. O livre arbítrio, neste paradigma em que o planeta vive, é sempre fundamental. Tudo o que pensamos tem um endereço. Na natureza não há violação, tudo segue um curso em andamento e determinado.
A personalidade humana vive em torno do equivalente a 12,43%, no máximo, de sua exteriorização, e 87,57 estão imantados no inconsciente, uma parte do iceberg que está submersa. A onda que recebeu e que faz o despertar para um patamar superior é 100% destinada para ele, no todo que ele é, mas a filtração na parte consciente é menor e, quando consegue vivenciá-la na totalidade, o ser profundo emerge.  (...)
Tudo está revestido por um campo eletromagnético, o salto quântico atua nesse campo. A citação que fazemos do cientista indiano é fantástica: “Na física quântica as coisas permanecem como possibilidade até que um ser consciente de fato as observe. Depois da morte as possibilidades não sofrem mais colapso e tornam-se eventos reais.” Esse colapso a que ele se referiu diz respeito ao colapso da função de onda, segundo a equação do físico austríaco Erwin Schrödinger (Prêmio Nobel de Física de 1933).
Essas possibilidades existem ao nosso alcance e se convertem em probabilidades quando a nossa vontade, o nosso desejo se manifestam, é a potência do agir de Carl Gustav Jung e aquela libido no conceito freudiano que não se restringe apenas à área erógena, mas todo o nosso ser. [SALTO QUÂNTICO – 17 de maio de 2014].

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O CÂNTICO DOS POETAS

Uma tarefa importante do homem consciente de sua grandeza interior é distinguir a sua vontade da inexorabilidade dos fatos que lhe chegam com força de realização.
No passado, os poetas cantavam em verso e prosa essas circunstâncias inexoráveis que davam o nome de destino. Como eram homens cultos, e de uma sensibilidade além  da maioria de seus semelhantes, tinham uma visão bem ampla  acerca da vida.
A intuição do mundo sublime era passada em trabalhos de perfeita elaboração linguística. A essência transparecia no conteúdo da forma. A beleza da vida se incorporava nos  poemas.
E, ainda hoje, aqueles que sentem a influência do estilo que revela a interioridade da alma, acreditam que o destino é  algo superior a interpretações do imediatismo em que a sociedade está mergulhada. A poesia não morreu, nem os sentimentos daqueles que a vitalizam.
Esses pensadores contribuíram para que a sociedade fosse mais humana, elevando o coração acima da mente que analisa os fatos para depois julgar, distorcendo a realidade.
E por terem essa condição humanística, revelavam os sorrisos dos amores, os pássaros cantando a alegria, as fontes, as cachoeiras, os rios, os ritmos que a natureza transborda.
Na aceitação de todas as dádivas que os cercavam, compreendiam que há um mecanismo ligando as pessoas aos ambientes em que devem viver.
Olhares de ternura, suspiros de amor, recordações de dias felizes, promessas, venturas, enlevo emocionante, noites de luar e o destino eram marcas que sensibilizavam a todos que  liam seus poemas.
Havia um clima lírico, romântico, as pessoas se sentiam mais felizes, pois o amor, qualquer que seja a forma em que é revelado, descortina paisagens íntimas de comovente beleza.
E por terem semeado tanto amor no coração de jovens apaixonados, em sonhos de primavera, a ressonância de seus sentimentos refresca a mente desalinhada dos homens como  o vento brando das tardes ensolaradas.
A linguagem que usavam acerca do destino tinha abrigo nas filosofias milenares do Oriente, representadas por religiões que valorizam a natureza. O carma oriental é o destino do Ocidente.
Se a vida continua, ela também precede, em circunstâncias que têm o mesmo vínculo. O passado e o presente são o mesmo caminho que foi estendido pelo tempo, com as variações do percurso.
Nesta explicação tão clara, por que o homem não se aceita? Ainda há tanta reclamação e inconformismo. Quando reconhecer o lugar onde está, não perderá mais tempo em lamentações indevidas.
A partir daí, ele imitará os pássaros cantando a alegria, sentirá vontade de entrar no ritmo da natureza, ressoando harmonia nos gestos e atitudes e compreenderá porque os poetas cantavam o amor e a vida como a razão única de nosso viver.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

CAMINHANTES DO DESERTO

Eratóstenes, Giordono Bruno, Galileu, Kepler, Copérnico e outros astrônomos sonharam como é bela a vida nas esferas  resplandecentes e, se comparada com a do planeta, vemos uma situação caótica.
Os  sonhos  dos  astrônomos eram verdadeiros, pois nos  estágios  da evolução, há mundos onde reina o amor, sem  nenhum traço emocional do homem que vive das influências  da matéria.
A lei da atração que une os átomos é a mesma que agrega os animais caminhando em bandos e no homem este impulso faz a aproximação com seus semelhantes, de forma voluntária ou compelida.
No mecanismo da atração, somos atraídos a lugares onde temos necessidade de realizar experiências importantes. As nossas tendências e gostos contribuem muito para que tenhamos a oportunidade de vivenciar aquilo que procuramos.
Como a maioria das pessoas não sabe o que realmente quer, vagueia em lugares tumultuados onde vê os outros em  idêntica situação, naquele processo que agrega os animais caminhando em bandos.
Desestruturada por uma sociedade que não encontrou o seu caminho, grande parte dos adolescentes busca, em formas variadas, algo que lhe dê satisfação de viver.
E numa busca desencontrada, o caminho dos prazeres dos sentidos é adornado de luzes fosforescentes nas noites de bebidas e dos tóxicos.
A educação materialista fracassou. Há necessidade da revisão do exemplo daqueles que lutaram por um mundo melhor.
O homem precisa ser autêntico, não aquele que vive, apenas, do físico, emocional e mental. O verdadeiro homem está em sua essência imortal. É neste núcleo que está toda a sua identidade.
Quando atinge a um nível de consciência superior aos estágios tridimensionais em que normalmente vive, o amor ganha conotações profundas e realiza os sonhos de viver feliz, numa felicidade que este mundo de aparências não tem poder de retirar.
É importante exteriorizarmos o que sentimos, mesmo que não haja palavras articuladas, porque grande parte delas está emocionalmente comprometida por doutrinas que lutam para se manter em alianças de negócio.
Mas a religião, aquela que une o homem ao Criador e está no íntimo de cada um, permanece intocável pelos erros humanos, sem a necessidade de aparecer nos montes ou nos templos; embora compreendamos o motivo da existência de reuniões de grupos em busca da fraternidade, sem barreiras  ideológicas.
No decorrer dos séculos, o significado dos traços de hieróglifos na legendária esfinge egípcia continua atual a desafiar os caminhantes do deserto e, de outros desertos  que
se instalam no coração do homem, sugerindo-lhes decifrar o enigma da vida.
Enquanto isto não ocorrer, lutas e recomeço se sucederão  em cadeias que têm um fim, pois a saturação, em qualquer nível, gera circunstâncias que formam outro estágio  evolutivo.
Quando vemos pessoas nas ruas, sem destino e sem lugar de morar e outras que têm mas não sabem onde querem chegar, entorpecidas por agentes químicos de plantas tóxicas, devemos ter compaixão por todas elas, sabendo que tudo nos envolve com um fim proveitoso.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

MEUS DIAS NO CAIRO

Juliette, protagonista do filme Meus Dias no Cairo, é uma jornalista da Revista Vogue, em férias, interpretada pela atriz Patricia Clarkson que vai ao Cairo, Egito, para visitar o marido Mark, no papel do ator Tom McCamus, diplomata da ONU.
Quando Juliette chega ao aeroporto, encontra um letreiro nas mãos de Tareq (Alexander Sidding) com o nome dela. Ela vai ao encontro dele e recebe a notícia que o marido não pôde comparecer por estar retido na Faixa de Gaza. Quando estavam caminhando do outro lado da rua, Yameen (Amina Annabi) chama por Tareq que, ao vê-la, vai até ela e a apresenta Juliette, ambos são convidados para a festa de casamento da filha de Yameen.  
Em seguida, Tareq conduz Juliette ao hotel, onde fica hospedada sozinha e ele passa a ser um companheiro que lhe irá lhe mostrar a cidade, servindo de guia turístico, com a responsabilidade de protegê-la. Ele tem gratidão ao amigo Mark que ele serviu como empregado. Há quem perceba que há entre ambos implicações sexuais suaves.  
No entanto, não há no enredo um triângulo romântico. Tareq mostra-se cavalheiro, cortês, fiel ao ex-chefe dele que é marido de Juliette. Há uma pulsação de sensualidade num clima que permanece suspenso diante de uma atração que engloba o homem, a mulher e a cidade egípcia.  
Entre eles há um jeito inocente de se relacionar, mostrando-se transparente em singelas confidências, Juliette aguardando o marido e Tareq decepcionado com os amores frustrados que teve pela vida, ela traz consigo a leveza que agrada ele a viver perto dela.
Depois do passeio a barco no rio, os dois amigos se beijam no rosto e um selinho aconteceu, ela sorriu no elevador e, quando está deitada no sofá no quarto do hotel, a imaginação voa longe e ela está satisfeita da vida. É uma das melhores cenas do filme: aquele encantamento que as mulheres sentem ao sentir-se amada.
Quando assistimos ao filme, lembramo-nos muito dos amores venusianos, como escrevemos na crônica de 13 de setembro de 2013, a seguir:
Os amores venusianos se manifestam na liberdade, essa liberdade que o planeta Terra alcançará, por completo e em todas as áreas, no decorrer de mais alguns séculos, após ter passado pela libertação total, é tão simples: não há liberdade sem libertação. (...)
Os venusianos vivem a essência etérea implantada no coração, na consciência que revela a transparência em tudo, assim como nós, nos estágios do sonho REM, quando podemos sonhar e, em casos especiais, vislumbrar a nossa realidade imortal, o nosso destino nasce nessa fonte. (...)
Por ter uma consciência planetária unificada, ama-se muito em Vênus, há liberdade no amor, e em todos os relacionamentos, não essa liberdade coercitiva e discriminatória que existe na Terra, aliás, em sentido mais amplo, isto não é liberdade.
Não há separatividade em nenhum setor da vida planetária em Vênus, nenhum apelo religioso, nenhum setor político à semelhança da Terra. Para quem não viu nada além da Terra, é um paraíso, um mundo feliz, um recanto de eterna primavera como nos faz lembrar a inspiração dos poetas que semearam a beleza.
Lá vive-se do que se dá. A doação é de todos. Não há carência em nada e em ninguém. Não há a internet, para quê? Se sabe de tudo relacionado ao planeta Vênus e nem precisa sonhar para saber os recônditos da alma. Na transparência que existe por lá, ninguém engana ninguém e não há levas de gente seguindo o caminho das mídias controladoras de massas humanas.
O modo de viver em Vênus é muito gratificante, longe dos padrões que na Terra nos acostumamos a ver: dinheiro, comércio, relações amorosas conturbadas, discriminações em busca de prestígio transitório e, sobretudo, o dualismo humano que acarreta todo esse amargor no caminhar. [AMORES VENUSIANOS – 13 de setembro de 2013 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
O filme Meus Dias no Cairo, no original Cairo Time, dirigido por Ruba Nadda nos idos de 2009, tem ainda como principais atores: Alexander Sidding (Tareq), Elena Anaya (Kathryn), Mona Hala (Jameelah), Amina Annabi (Yasmeen), Fadia Nadda (Hanan), Mohamed Abdel Fatah (Customs Officer), Nabil Shazli (Manager). A música é de Niall Byrne.
O final do filme tem a chegada de diplomada Mark junto à esposa Juliette que o aguardava em seu coração, desde o primeiro instante que começou a ação ambientada em Cairo. Um beijo inocente foi dado por Juliette no rosto de Tareq, isto foi uma prova de gratidão que ela sentiu por ele a ter protegido na cidade.
Acompanhado de um motorista de taxi, Mark e Juliette saíram a passear pela cidade, a caminho das pirâmides, conforme estava combinado por telefone. Ele sempre a telefonava, à noite, para saber como estava passando os dias. É um romance muito bonito para se ver no cinema.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

TINHA QUE SER VOCÊ

Nos principais papeis, Emma Thompson (personagem Kate), funcionária do governo britânico, morando com a mãe, e Dustin Hoffman (personagem Harvey), o filme Tinha que ser você, dirigido por Joel Hopkins, é a respeito da vida em família. Harvey trabalha em Nova York longe da ex-mulher Jean (Kathy Baker) e da única filha Susan (Liane Balaban) que moram em Londres, Inglaterra.
Last Chance Harvey, nome original do filme lançado nos EE.UU., em 2008, recebeu em Portugal o título A um passo do Amor. Citamos ainda alguns outros artistas: Eilleen Atkins (Maggie), James Brolin (Brian), Daniel LaPaine (Scott), Richard Schiff (Marvin), Timothy Howar (Johnnie), Wendy Mae Brown (Aggie), Adam Astil (business man), Robert Jezek (Polish neighbor), Nick Cavaller (waiter reception), Jamie Sives (Doctor Butler), Ginny Holder (nurse), Vicent Brimble (concierge). A música é de Dickson Hinchcliffe.
No Aeroporto de Heartrow, Londres, Inglaterra, desembarca Harvey, procedente de Nova York, que veio para assistir ao casamento da filha, e logo é surpreendido com a abordagem de Kate que está colhendo dados estatísticos para o governo. Ele alega estar cansado e segue em frente, sem responder ao questionário.
Na volta pra casa, Kate, amante de literatura, está lendo no trem um livro de Anita Harmon. No hotel, Harvey recebe uma ligação da filha dizendo que a mãe alugara um casa para receber os familiares convidados para o casamento dela.
Enquanto isso, Kate vai a uma festa de uma amiga que lhe apresenta Simon (Patrick Baladi) que se mostra interessado em Kate. Ao sair mais cedo, a amiga de Kate a deixa a sós com Simon. Um telefonema de Maggie, a mãe de Kate, faz com que ela se retira do recinto para ouvi-la melhor. Na volta, encontra Simon acompanhado de várias mulheres. Ela ficou desolada e fui ao banheiro para ficar sozinha.
Usando terno cinza claro, Harvey se encontra com a filha que lhe conta que o padrastro é quem lhe conduzirá ao altar na cerimônia de casamento e a ex-mulher dele, agora casada com Brian, no clima de dissabores, pede a Harvey se retirar dali. Ele se retira dizendo que irá voltar no dia do casamento. Ao sair do taxi, Harvey não notou que Kate pegara o mesmo taxi que ele estava dentro há poucos minutos.
No dia seguinte, assiste ao casamento da filha e saiu antes da recepção aos convidados a caminho do aeroporto. No trajeto, liga para o chefe dizendo que perdeu o avião devido ao congestionamento do trânsito e irá chegar mais tarde, mas é demitido por telefone.
Então, conduzindo as malas, Harvey vai ao bar do aeroporto e pede uma bebida. No recinto está Kate de costas pra ele que o vê aflito no momento em que deixa cair gotas de bebida no terno. Ele se vira e reconhece a moça do aeroporto que quis entrevistá-lo, ela está lendo o mesmo livro.
Ele é identificado por ela, e disse: “que tal eu pagar um almoço ou chá como forma de compensação para nós”. Ela recusa o convite, alegando que não o conhece e ele nem a conhece também. Ele lhe responde: “é por isso que devemos aproveitar a oportunidade.”
O telefone toca e, quando Kate vai atender, Harvey lhe disse: “se for para mim, diz que estou no chuveiro.” Ela sorriu, viu quem estava lhe telefonando, e ele acrescentou: “posso encarar como sinal de esperança, se for pode me dar um sorriso maior.”
Ela lhe disse que tem uma aula e concorda em ter a companhia de Harvey, andando a pé. Ele a espera por uma hora no passeio público. Depois, eles continuam andando, conhecendo-se melhor. Ela lhe diz que ele deve ir à recepção dos convidados do casamento. Ele lhe faz um proposta, mas ela não está vestida para a ocasião. Eles vão a uma loja de roupas e ela escolhe o vestido da festa, um presente dele.
Chegando à festa, o chefe do cerimonial anuncia o brinde do pai da recém-casada. Quando o padrastro Brian estava fazendo o uso da palavra, Harvey pediu um aparte para dizer que o pai da noiva era ele, e tinha o direito de fazer o brinde, conforme anunciado. Ele saudou a filha Susan e o genro Scott num brinde que todos acompanharam, depois, num gesto de delicadeza, passou a palavra a Brian.
O casal Susan e Scott dão o início ao baile no salão de festas. Scott pede ao sogro dançar com a Susan, em seguida os demais convidados entram na pista com seus respectivos pares. Kate se retira do salão e Harvey vai à procura dela, a vê no corredor e, na sala ao lado, toca ao piano uma peça de sua autoria. Kate, encantada, disse; “é linda.” Os dois voltam ao salão e dançam alegremente.
Em seguida, o casal sai da festa e estão conversando numa praça pública. Um beijo apaixonado surgiu na tarde risonha e feliz. Animado, ele marca um encontro com ela no mesmo banco de jardim, no dia seguinte, ao meio dia. Eles se despedem.
Ao chegar ao hotel, Harvey encontra os elevadores parados e caminha, com pressa, todo feliz da vida e, nas escadarias sente uma dor no peito. É socorrido por um garçom que vinha descendo e o faz encaminhar ao atendimento médico. Agora, ele está sob os cuidados do Dr. Butler que não o libera para ir ao encontro marcado. Kate foi ao encontro mas não o encontrou.
No dia seguinte, Harvey foi à procura de Kate na Public Statistics Agency onde é atendido por funcionárias, elas dizem a ele que Kate não está e pelo horário ela deve estar  em sala de aula. Ele agradece e vai à procura dela.
Na saída, Kate o vê e ele se aproxima dela, procurando se justificar, mas ela disse que não era preciso, mesmo assim  ficou sabendo que ele não compareceu ao encontro porque estava no hospital. O telefone de Kate toca outra vez, era a mãe dela, não atendeu. “Posso ver isto como sinal de esperança, então me dê um sorriso maior.” Eles sorrindo caminham juntos.
No caminho, ele pede a ela fazer as perguntas do formulário de estatística que ele não quis responder quando estava chegando no aeroporto. Então, começou:
“- nome?
- Harvey Shine
- endereço:
- estou em trânsito.”

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

UM DIVÃ PARA DOIS

Com o roteiro de Vanessa Taylor, o filme Hope Springs, recebeu no Brasil o título Um Divã para Dois, dirigido por David Frankel, EE.UU. (2012), leva para o consultório do Doutor Feld (Steve Carell) o casal Arnold e Kay, interpretado pelos atores Tommy Lee Jones e Meryl Streep, ambos sexagenários.
O filme começa com Kay de camisola, olhando-se atraente no espelho e vai ao quarto de Arnold para fazer uma cena de sedução. Ele está deitado na cama, lendo uma revista, e se surpreende com a presença da mulher, perguntando-lhe se algo está anormal no quarto dela.
Kay se senta perto dele, coloca as mãos na cama e deixa uma sugestão: “a gente podia”. Ele reagiu, de imediato, “vou ver o sofá-cama”. Ela lhe faz uma pergunta que diz a realidade do casal: “quando você me beijou pela última vez?”. Estavam casados há 31 anos.
No dia seguinte, ela vai a Barnes & Noble Classics Bookstore, olha a capa do livro Great Marriage, Open Marriage: Save your sex life by having sex with other people, mas não se interessa e compra o livro que lhe despertou a atenção: You can have the marriage you want, by Dr. Bernard Feld.
De volta a casa, Kay comunica a Arnold que comprou duas passagens para eles ir a Maine, EE.UU, onde o Dr. Bernard Feld mantém o Centro de Terapia Intensiva para Casais, Hope Springs. Arnold não concordou, Kay entrega-lhe o ticket da passagem dele e saiu de taxi a caminho do aeroporto. Ele segue depois, sendo o último passageiro a embarcar.
No consultório o Dr. Feld pergunta a ambos de quem foi a iniciativa de estar aqui na terapia intensiva? Arnold disse que não foi dele e Kay confirmou que a decisao partiu dela, pois queria reconstruir o casamento. Kay disse ao psiquiatra que ela na hora estava doida, alegando não ter o mesmo poder aquisitivo de outros pacientes.
O médico retoma a condução da conversa sugerindo-lhes manter a conversa positiva e descritiva, e enfatizou que eles estavam lá com o objetivo de resgatar a intimidade do casamento e para isso é necessário encontrar um meio de  comunicar suas necessidades e manter fluindo essa intimidade.
Em seguida, o Dr. Feld disse-lhe que “o primeiro passo para reconstruir o casamento é eliminar algumas das cicatrizes que se acumularam durante alguns anos, pode ser muito doloroso mas vale a pena”. É o que, em outras palavras, vemos escrevendo no blog Fernando Pinheiro, escritor, esquecer os engramas do passado.
Arnold e Kay estavam quatro anos sem ter relação sexual, então o psiquatra deu-lhes o primeiro exercício para que   pudessem se lembrar como e quando foi a primeira relação íntima. Era necessário que ambos se abraçassem quando chegasse ao hotel.
A princípio, o marido não concordou com o dever de casa que achou algo forçado e lhe disse que não era macaco treinado. Quando regressaram ao hotel, eles se abraçam, sem jeito, no hotel, apenas para cumprir o que o psiquiatra recomendou. A esposa estava mais ligado no exercício.
No dia seguinte, Arnold foi visitar o museu do velho farol e Kay foi espairecer no balcão do bar e disse a Karen (Elisabeth Shue), a gerente, que está há muito tempo sem fazer sexo. Karen  respondeu-lhe que isto aqui é bem comum e fez uma prova: “quem aí não faz sexo há muito tempo, levante a mão!” A maioria dos clientes sorrindo levantou as mãos.
Na última sessão de terapia, o psiquiatra observou que Arnold nutre muito raiva. Aliás, a vida de Arnold é atribulada demais com horário rígido no trabalho, onde é contador, e em casa onde passa a maior parte do tempo vendo programas de golfe na televisão.
Depois, o casal vai para o cinema, ela no escurinho demonstra ter uma fantasia sexual: ter sexo oral, ele concorda e olha para os lados com receio de ser descoberto pelo público. É algo rápido e quase sem jeito. Mas, é um passo na intimidade.
A atuação do psiquiatra é excelente, primeiro não houve necessidade de passar receita para tomar remédios, aliás a única receita dele foi para que o casal adquirisse o livro sobre estímulo sexual, de autoria dele.
Quando eles voltam ao lar, satisfeitos da vida, encontram no jardim a vizinha Carol (Mimi Rogers), a mulher que, um dia,  incendiara a cabeça de Arnold com fantasias imaginárias, apenas por vestir roupa decotada. Kay lhe disse à noite lhe contaremos tudo como foi a viagem.   
No final do filme, o casamento volta ao normal numa alegria contagiante que é levada a efeito numa praia para celebrar a essa conquista, na presença do filho Brad (Ben Rappaport), da filha Molly (Marin Ireland), do genro Mark (Patch Darragh) e de Vince (Brett Rice), amigo de Arnold, além do próprio do Dr. Feld que também estava muito satisfeito com o resultado da terapia do casal.   

www.fernandopinheirobb.com.br

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

UM FIM DE SEMANA EM PARIS

Filme convincente sobre as complexidades da vida em comum, Um Fim de Semana em Paris, no original Le Week-End, dirigido por Roger Michel, nos idos de 2013, conta a história de um casal de idosos ingleses, ambos professores, Nick (Jim Broadbent) e  Meg (Lindsay Ducan) que retornam a Paris, onde passaram a lua-de-mel, para comemorar o 30º aniversário de casamento.
Há uma pressão da universidade para que o professor Nick se aposente, mas ele não conta isso para Meg. Com os filhos criados, a casa deles ganhou mais espaços vazios. Um dos filhos deles não trabalha, passa o dia todo vendo televisão, usando droga e quer voltar a conviver na mesma casa dos pais, mas a mãe não o aceita.
A relação do casal está atolada em decepções e burocracia, ela aparenta cansaço de viver junto com ele que tem dependência dela nas decisões familiares. Nick brinca com a Meg com insinuações que levam à intimidade, mas ela reage quando o clima está mais quente. Há uma rejeição nos avanços sexuais do marido.
Aí está a necessidade do auxílio dos amigos, familiares, namorados de épocas distintas que estão impossibilitados de curtir um romance por falta de estímulo, aquela potência do ser chamada por Spinoza ou a libido de Freud, conhecida com maior amplidão entre os sexólogos. [PÉGASO (XXXIV) – 15/10/2015].
Na viagem a Paris, ele escolhe o mesmo hotel no bairro Montmartre onde curtiram noites de amor na juventude, mas ela não fica lá, alegando que quer ficar num hotel elegante, mais sofisticado, ao gosto dela, muito mais caro. Vão para outro hotel onde o recepcionista diz a eles que há somente uma vaga de suíte e resolvem ficar.
Ao sair para passear, naquele sábado, em Paris, a cidade das luzes e dos amantes, o casal se beija em plena boulevard. Nesse enlevo amoroso passa o americano Morgan (Jeff Goldblum), ex-aluno de Nick, em Cambridge, que nutre forte admiração pelo professor como modelo intelectual, sem ter esquecido dele jamais.
Meg estava também satisfeita em ver Nick admirado por Morgan que se tornara um grande escritor que acumulara fortuna na venda dos livros publicados, enquanto o marido não tinha recursos para lhe propiciar uma vida de glamour e ainda ameaçado de deixar a universidade, forçado pela aposentadoria compulsória. Ao comparar o padrão dele com a do seu ex-aluno, Nick fica triste.
Professor de filosofia de uma universidade famosa, Nick sente vontade de manter sempre consigo o sonho que acumulou durante os longos anos de magistério, mas a aposentadoria está próxima e sente-se fragilizado diante da realidade quando diz: “eu nunca pensei que iria me revelar tão medíocre.”
Essa vertente psicopata não é vista pela observação que esses pretensos perfeccionistas sociais se impressionam com as exigências de seus chefes, familiares e amigos, mas com aquilo que eles dão valor como objetivo de sucesso, caindo sempre ao remorso da culpa em não ter feito mais. Basta uma perda: no emprego, na família, no relacionamento afetivo e a depressão se instala. [A MORTE AUTOINFLINGIDA – 19/01/2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Na infância moramos na Amazônia e na fase adulta começamos a viajar pelo mundo, em sonhos que revelavam informações que se encaixam na compreensão dos enigmas que se defrontam ainda o planeta Terra, a caminho do fenômeno da transparência dos habitantes que se incorporarão na luz, irão ser o que realmente são na verdade, dentro de seu ser profundo: a luz que se conecta com a luz em transparente irradiação. [LENDAS E MISTÉRIOS DA AMAZÔNIA – 22 de dezembro de 2013 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
O roteiro é do escritor Hanif Kureishi, de origem paquistanesa. Há uma selvageria emocional em exposição na tela fazendo com que o espectador se preocupe com o desfecho do filme. Outros atores que estão em cena: Olly Alexander e Judith Davis. A música é de Jeremy Sams.
O encontro com o seu ex-aluno, que ostenta sucesso internacional, faz com que Nick se sinta com esperanças de ter possibilidades de sucesso. Isto é altamente favorável à política emocional de reinvenção, pois na teoria quântica o universo é feito de infinitas possibilidades. 
Os personagens Nick e Meg revelam os aspectos comuns que estão em qualquer casamento a longo prazo na densa  consciência planetária: compreensão, incompreensão, mau humor, bom humor, paciência, impaciência, mesmo assim se mantêm  juntos. Assim vivem 6 bilhões de habitantes no planeta, sendo que 1,3 bilhão está na consciência planetária unificada.
No clima de leveza que possibilita a ascensão de uma oitava a mais no patamar de grandeza nesta transição planetária em que a Terra vive, ressaltamos os cinco pilares imprescindíveis: simplicidade, humildade, transparência, alegria e gratidão.