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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

A REALIDADE ÚNICA

Quando dizemos que vamos fazer algo ou que gostamos de alguma coisa, pessoa ou situação, sem sabermos que tudo acontece nos ditames de uma lei maior, estamos afirmando o nosso ego.
Se Deus quiser é a expressão que deve reger todas as nossas ações. Mesmo porque ainda, sem nos conhecermos intimamente, mudamos de idéia a toda hora, no fluxo das circunstâncias que passam.
Se a síntese do pensamento religioso e científico, revelada por Spinoza, se concentra no conceito de que todo o universo é constituído de uma só substância que ganha todas as formas e aspectos, devemos reconhecer a importância do “eu” divino do nosso ser acima das referências pessoais.
O homem ainda cultua a personalidade como se tivesse substância transcendente. Puro engano. As desilusões que criou o envolvem com aspectos sombrios.
Enquanto isso, ele vagueia no rumo dos negócios e interesses que se interligam com outros companheiros, sobrepondo-os sempre com a sua personalidade para que a vaidade lhe norteie o destino.
Todo o sofrimento do homem está no desconhecimento de sua realidade divina, pois se isola, como a célula do câncer, da manifestação que faz a vida ser única.
O culto à personalidade é engano que se adapta a situações dissimuladoras para que as aparências tenham predomínio sobre aquilo que deveria ser.
Assim, o mundo moderno vive num clima artificial, pessoas dando desculpas para justificar situações que parecem ter um brilho da personalidade.
O conceito de grandeza gira sempre em torno de falsas aparências. Os fariseus hipócritas se ajuntam, desde os tempos bíblicos, para compor a casta que ilude e arrasta multidões à decepção e ao amargor.
Por que a cultura que entroniza a personalidade humana não reconhece Deus em todas as pessoas, seres de toda natureza e formas de infinitas concepções?
Nós sabemos que a vida que vem surgindo nos reinos inferiores sonha ser um dia o homem para reconhecer a sua identificação no cenário evolutivo do universo.
Mas ele, no estágio entre animal e anjo, duvida de sua capacidade de se engrandecer, pois suas forças são pequeninas demais.
Se participar do movimento da vida única que envolve tudo que existe, certamente a sentirá dentro de si, com possibilidades de fazer tudo, tudo mesmo, se Deus quiser.
A partir daí, ele reconhecerá Deus no próximo, Deus nos animais, Deus nas estrelas, Deus no arco-íris, Deus no fogo, Deus na água, Deus na terra e Deus no espaço.
Para eliminar as mazelas, dores e aborrecimentos, tão comuns na vida humana, devemos abolir o culto à nossa personalidade que pertence mais ao mundo de mentira, em que todos recebem influência, e pensar no “eu” divino que não adoece, não fica triste e nem se preocupa com as incertezas criadas pelo homem, nos negócios, na política e na administração em geral.
Todos caminham, a exemplo dos animais, em direção  de  paisagens verdejantes e fontes cristalinas, onde podem matar a fome e a sede de todas as necessidades e conhecimentos que permitem reconhecer em tudo a vontade de Deus.
Enquanto o homem viver de ilusão, sem saber distinguir a emoção e a inteligência, a personalidade e o “eu” divino, o instinto e o sentimento, não será feliz.
O destino dele, seguindo a parábola conhecida, é voltar à casa paterna que não tem demarcação específica, mas se encontra onde ele estiver, inclusive dentro de si.
É por isso que tudo que vive tem religiosidade, ou seja, inclinação a se religar a Deus. Os pássaros e os animais se entregam a essa doce religação, onde não lhes falta nada para sobreviver.
Mas o homem ainda tem receio e desconfiança sobre o muito que foi falado por falsos profetas de doutrinas que se utilizavam da religiosidade para escravizar-lhe o pensamento, mesmo fora das tradições religiosas.
Nascidas nas fontes límpidas do amor, todas as religiões têm por finalidade estimular os homens a reconhecer que estamos amparados por Deus. Seus mensageiros e sacerdotes cumprem missão que lhes engrandece a visão de vida.
Os aprendizes acerca da realidade divina se fazem por estágios e todos eles são necessários à evolução, o que pode ser feito em sinagogas, igrejas e templos das mais variadas denominações.
É claro que cada um deve se adaptar às conveniências do seu mundo interno que é, em síntese, o mesmo para todos os homens, variando, apenas, nas experiências individuais.
Religioso ou não na ortodoxia humana, o homem tem a religiosidade dentro de si. É aquele sonho que lhe clareia a visão do paraíso e, quando está afastado da realidade única, é aquela saudade, quase imperceptível, que o acompanha, revelando-lhe suas origens.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

TOP MODEL

Paris é a capital da moda, do turismo e dos amores em festa. O filme Cover Girl, rodado em 1944, nos Estados Unidos, mostra como era a vida de manequim, atualmente modelo, sem ainda ter o glamour que o mundo veio adotar  com o “top model”, contratos milionários, horários rígidos de trabalho e propaganda internacional muito poderosa.
Nos Estados Unidos, a era do “top model” teve impulso inicial ao sucesso, nos idos de 1946, com a Ford Modeling Agency, à frente Eileen Ford (1922/2014), que começou a se rivalizar com as agências de modelo parisienses. Dois anos mais tarde, ela teve mais de 30 meninas em seus “books” de modelo, trazendo US$ 250 mil em receitas. [The Telegraph – 11/07/2014].
Segundo ainda o jornal britânico, os modelos femininos da Ford Models eram altas, esbeltas, geralmente loiras, de longos pescoços, pernas longas, seios bem formados como Suzy Parker e Jean Patchett que foram sucedidas por Lauren Hutton, Kim Basinger, Elle Macphersn, Brooke Shields e Christy Turlington, entre outras. Esse modelo de modelos mudou muito pouco ao longo das décadas que se sucederam.
O prestígio da Ford foi tão grande que muitas modelos passaram a fazer carreira de sucesso em Hollywood e muitas artistas de cinema passaram a ser modelo da agência, como Suzy Parker, Jane Fonda, Ali MacGraw, Brooke Shields, Candice Bergen, Kim Basinger, Lauren Hutton e Jean Shrimpton. [The Telegraph – 11/07/2014].
Nos idos de 1971, a Elite Model Management, de John Casablancas (1942/2013), cedeu modelos ou teve modelos compartilhados com a Agência Eileen Ford, em Nova York. Mas, a parceria não deu certo, segundo Casablancas porque “ela era uma puritana”, alguns diziam que a agência dela parecia um convento. A primeira supermodelo de Casablancas foi Christie Brinkley, depois vieram Cindy Crawford, Naomi Campbell, Claudia Schiffer, Gisele Bündchen [The Guardian – 24/07/2013].
No Brasil, o primeiro desfile de manequins aconteceu em 17 de julho de 1944, promovido pela Maison Canada-de-Luxe  ou, simplesmente, Casa Canada que foi a pioneira da alta costura no Brasil, uma loja de roupas importadas de Paris que tinha à frente de trabalho as irmãs Mena Fiala e Cândida Gluzman [Seixas, 2002].
Hipódromo da Gávea – Jockey Club Brasileiro promovia e ainda promove, anualmente, o Grande Prêmio Brasil, Copacabana Palace com festas em seus salões, Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com  óperas e concertos de galã, havia sempre a presença da high society que usava chapéus e roupas da Canada-de-Luxe.
Os colunistas sociais da época, Maluh de Ouro Preto, Jacinto de Thornes, Maneco Muller e Ibrahim Sued comentavam os eventos sociais que incluiam o nome de Carmen Mayrink Veiga, Beki Klabin, Teresa Souza Campos e Lourdes Catão, entre tantas outras socialités. Era ainda o tempo da mexicana Gloria Guinness (1913/1980) e da húngara, radicada nos EE.UU., Zsa Zsa Gabor, senhoras da moda e da elegância.    
Graças à participação no programa Flávio Cavalcanti, em 1970, Dener Pamplona de Abreu (1937/1978) teve divulgado o seu trabalho de estilista de alta costura. Nos idos de 1965, a modelo Maria Stella Splendore casou-se com Dener. Outro estilista de renome foi Clodovil Hernandes (1937/2009), alcançou o estrelato como apresentador de televisão em diversas emissoras, com passagem pela Câmara dos Deputados, em Brasília.
Por falar em Dener, lembramo-nos do jogador Dener (1971/1994) que passou pela Portuguesa, Grêmio e Vasco, jogador da seleção brasileira em 2 jogos, encantou os olhos de Maradona que o viu jogar. Era o Neymar da época, como se dizia. O local do acidente do carro que o levou à morte ainda é hoje uma referência, quase em frente ao Clube Naval Piraquê, onde as pessoas passam venerando-lhe à memória. Negociado com o Stuttgart, iria encantar a Europa, onde estava o jogador Dunga [Globo.com – 15/04/2014].
Os jornais da época diziam que ele morreu dormindo no banco de carona do seu carro Mitsubishi branco, isto leva-nos a pensar que no sono o corpo astral se desprende do corpo físico, ficando apenas uma pequena percentagem para movimentar os órgãos. Fácil para ele contemplar a vida em outra dimensão onde chegou como atleta vitorioso.  
Retomando ao tema central, a profissão “top model” é altamente rentável, mas como existe a competitividade no mercado no mundo da moda, a luta é acirrada, cabendo apenas alguns esse triunfo e glória. A brasileira Gisele Bündchen é, sem dúvida, a nossa estrela maior.
É sempre bom nos lembrar da trajetória de artistas que foram reverenciados por milhões de pessoas, fazendo a alegria de todos, em momentos em que nos identificamos com a moda, o cinema e o futebol.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

CENÁRIO EVOLUTIVO

As primeiras horas do amanhecer são antecedidas pelas neblinas; são restos de noite que o tempo leva; e a cada minuto que passa a claridade ganha espaço porque a luz do sol é soberana.
No homem os acontecimentos que se envolvem nas camadas obscuras têm o destino das neblinas das madrugadas. Logo, a claridade iluminará seu caminho, onde deve prosseguir as etapas.
Se o planeta está sujeito a modificações do tempo dia-noite, seus habitantes sentem a influência das paisagens nebulosas que estão em todos os ambientes por onde passam.
Na caminhada milenar do homem, ele chegará em corpos sutis a esferas que brilham dentro da eternidade, as estrelas. Nessas paragens, receberá influência do meio que lhe trará o tempo numa eterna primavera.
Seus sonhos pela imortalidade não estarão tão longe como as estrelas que via quando andava no caminho de pedras que fortalecia seus pés, ainda nos ciclos da morte.
As algemas do reajuste harmonioso das leis soberanas não prenderão mais suas mãos, antes sujas pelo sangue, suor e lágrimas e irmãos que oprimiu, hoje limpas pela devoção ao ritmo que vem da natureza.
A transmutação é feita pelo tempo e espaço que se associam para criar as idades, as distâncias e as saudades dos amores incompreendidos. No reino da luz, o mundo que vem das estrelas, o homem não sofre e nem se debate com as amarras que lhe impediam o avanço.
Segue o ritmo da evolução como a gota d'água que se incorpora ao oceano, viajará em todos os continentes, molhará todas as plantas, será orvalho nas madrugadas e subirá aos céus nos beijos da luz do sol, descerá em pingos de chuva para alimentar as nascentes, escorrerá nos córregos e rios e voltará ao mar onde tem o seu ninho maior.
O homem em sofrimento é como as águas que estão retidas na lama e nos pântanos. É necessário que haja condições que favoreçam a subida, em formas sutis, a planos onde há movimentação intensa de energias.
Depois, no choque das pressões, é preciso seguir o destino das nuvens negras, desfazendo-se em prodígios para beneficiar as nascentes que escorrem em direção das searas.
E, por último, voltar ao oceano para servir de caminhos de embarcações, residência dos grandes peixes e mistérios de profundezas que o homem ainda não descobriu.
É importante pensarmos na gota d'água que está mergulhada no oceano. A energia que a absorve forma uma massa de gigantesca proporção. Assim o cosmos envolvendo o homem supre-lhe de energias que eliminam a fragilidade de todos os temores.
Refletir sempre que somos integrantes do cenário evolutivo, suprindo lacunas que se convertem em pontos de observação valiosa ao nosso estudo da vida humana.
Quando compreendermos o segredo das mutações, a alquimia dos opostos que se convergem ao ponto em comum, a necessidade de acompanhar o ritmo da natureza, então, teremos uma roupagem mais brilhante em nossos corpos sutis que poderão visitar, dentro das leis planetárias, o mundo das estrelas, no sonho ou no desligamento total do corpo físico.
Anteriormente, em 22 de dezembro de 2013, publicamos a crônica CENÁRIO DE TRANSMUTAÇÃO. Vale destacar:
A crise não é apenas na Síria, todo o planeta sofre da instabilidade de suas instituições que não conseguem eliminar a estrutura separativista que engloba nações e povos.
Até mesmo o sistema financeiro internacional está em crise, pois não conseguiu solucionar o problema de nações onde está implantado. A riqueza nas mãos de poucos e a pobreza, a penúria esfacelando multidões de vidas humanas, elevando as estatísticas de morte.
Não há ameaças de guerra mundial, apenas a atuação de alguns governantes alinhados com as perspectivas do ponto de vista daqueles que os aplaudiram com olhar voltado para o retorno de cunho político. Os interesses dos aliados sempre aparecerão. Mãos lavando mãos.
Não devemos comentar notícias que trazem desencantos e aflições a populações, apenas frisamos que estamos seguros porque o nosso mundo íntimo não tem ligação com o mundo que está do outro lado da matrix e que começa aqui. Esses mundo se encontrarão, como estão se encontrando depois dos conflitos que geram sangue.
Silenciemos ou até mesmo apaguemos a televisão para não vermos cenas de desencantos que esse clima de tensão provoca. Se não gostamos de guerra para que vermos cenas que despertam a guerra?
Um clima de confiança que nasce em nosso ser profundo é uma luz dentro do cenário de transmutação.
Silenciemos e sigamos com leveza.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

ONDA DERRUBANDO ONDA

A entrevista do jornal El Pais, Madri, edição de 06/02/2016, com o jornalista Robert Whitaker, autor da obra Anatomy of na Epidemic, prêmio de melhor livro investigativo de 2010, obtido nos Estados Unidos, autor de uma série de reportagens divulgadas pelo jornal Boston Globe, comprova o que vimos falando a respeito da psiquiatria. [ELIXIR DO AMOR – 11/02/2016].
Discorrendo sobre a crise da psiquiatria, Whitaker revela que quando os psiquiatras começaram, na década de 70, a fazer diagnósticos baseando-se no inconsciente e outras ideias de Freud, receberam críticas de seus colegas em outras áreas. Em resposta, os psiquiatras começaram a se intitular psicofarmacólogos e a passar receita de medicamentos.
Nas décadas seguintes, prossegue Whitaker os psiquiatras começaram a fazer propaganda desse modelo de atendimento médico que vem alcançando sucesso pela venda de medicamentos, basta citar que “no final dos anos oitenta, o comércio desses fármacos movimentava 800 milhões de dólares por ano. Vinte anos mais tarde, já eram 40 bilhões de dólares.”
Quando uma pessoa cria, com o pensamento, a dopamina, uma substância que faz a conexão de algumas vias neuronais, não há nenhuma possibilidade de surgir a esquizofrenia ou outra doença mental. Há outras substâncias: endorfina, serotonina. [ASYLUM – 19 de maio de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor]
Quanto vale esse conhecimento? Muito dinheiro. A nível mundial, estima-se em torno de US$ 14 bilhões por ano de faturamento para a indústria farmacêutica e aos profissionais da área de saúde. Na palestra Evolução Aprenda, o Prof. Hélio Couto comentou: “essas pessoas não tem o menor interesse em você fabricar em seu cérebro a serotonina quando você quiser.” [ASYLUM – 19 de maio de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor]
Mas, é bom notar que o acompanhamento dos pacientes se agita na área da subjetividade, pois o cérebro ainda não está totalmente desvendado em seus segredos milenares. É largamente difundido que usamos apenas 8 a 12% de nossa capacidade, sendo que o cientista Albert Einstein usou a capacidade de 12%. [CANÇÃO DO MAR – 4 de outubro de 2013 – blog Fernando Pinheiro, escritor]
Milhões de pessoas no Iraque, na Síria e na Turquia, onde há forte domínio da população pelos terroristas do Estado Islâmico, sobrevivendo com mil dificuldades, inclusive no meio de bombardeios dos Estados Unidos, existe uma cultura sem recorrer à psiquiatria. [A FONTE DAS MULHERES – 13 de novembro de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Transcrevemos, a seguir, o post ONDAS GRAVITACIONAIS – 30/11/2013, que tem relação com o assunto em pauta, no prestígio da época em que é anunciada, em 11 de fevereiro de 2016, pelo Observatório da Interferometria a Laser de Ondas Gravitacionais (LIGO, sigla em inglês) a detecção de ondas gravitacionais que culminou com a declaração do físico Stephen Hawking: “descobriu-se a nova forma de olhar o mundo.”  
Na teoria da relatividade, Albert Einstein previu a existência de ondas gravitacionais, um fenômeno físico exótico dentro do espaço-tempo. Essa teoria, comprovada pela bomba sobre o Japão, é o respaldo dos engenhos fantásticos usados por toda a tecnologia espacial, sendo que um dos produtos mais conhecidos é o telefone móvel, conhecido no Brasil com o nome de celular.
Essas ondas gravitacionais foram detectadas, nos idos de 1974, pelos astrônomos Russel Hulse e Joseph Taylor, mediante o estudo dos pulsares, núcleos de estrelas explodidas.
Assim como existem as ondas atômicas gravitando nos espaços siderais, existem também as ondas cerebrais, quando impulsionadas no decorrer da vida física do homem, como também em sua trajetória pela erraticidade ou nos espaços de luz onde se formam imagens ideoplásticas de impressionante beleza.
Os pulsares estelares, abrangendo colapsos binários, estão sendo observados pela NASA, no programa Goddard Space Flight Center, com ênfase principal para o James Weeb Space Telescope, futuro substituto do telescópio espacial Hubble.
Os pensamentos humanos, gerando ondas mentais, se estabelecem nos espaços tanto nesta densa dimensão planetária, com nos mundos multidimensionais, os mundos felizes, onde não existe mais nenhuma fragmentação de consciência planetária dissociada.
O que vemos e sentimos é que na Terra pode ser criada, por cada um de nós, a multidimensionalidade. A egrégora de pessoas afins é um estímulo, mas a obra tem que ser nossa, individual, sem salvador externo, que não pode receber a transferência do trabalho que devemos fazer. Dentro dessa percepção sem trabalho, leva-nos a escravidão, em paradoxo de quem é o libertador.
O confinamento a que está preso o planeta Terra é dentro das gravitações do pensamento humano que o cerceia a ambientes onde se acostumou a dominar, mediante paixões tresloucadas em que o retém a conceitos de felicidade, ideologia no apelo religioso, o culto à personalidade e ao corpo físico, unicamente, nesse aceitar de sugestões do mundo hedonista.
Nesse sentido, as mulheres recebem sugestões para a vivência do que seja moda, estilo de vida, usufruir de prazeres, perdendo de vista a vista de seu interior, único lugar que lhe traz a amenidade nestes dias tumultuados pela procura.
No campo afetivo e sentimental, as ondas mentais, tanto desta esfera física como nos espaços em que a nossa realidade existencial vive, há interferência de onda sobre onda. No modelo dualista (bem/mal, certo/errado e outras expressões correlatas), há um abismo em nosso caminho.
Quantos relacionamentos de casais acabaram por essas ondas mentais gravitando nos interesses que as fazem prender para o abismo. Só o amor liberta, mas não esse amor conjugado na polaridade em que as extremidades se chocam. Nossos amores do passado continuam sendo nossos amores.
Não importa a medicação que a faz ficar dopada, como recurso que buscou para recuperar a saúde física, de pouca possibilidade de cura, sem a participação efetiva do paciente.
A doença psíquica existe porque é alimentada pelo próprio paciente que, a maioria das vezes, nem sabe disso, mas que percebe, em algum ponto de seu ser, que algo está sendo feito diferente daquilo que sempre sonhou, quando antes a realidade não tinha a medicação de drogas lícitas.
Como a Psiquiatria gravita em ondas da subjetividade, as ondas mentais de pacientes e de não pacientes se misturam nos intercâmbios que denotam uma realidade que não transcende à realidade única de uma consciência planetária mais sutis e com leveza, onde a dor não existe mais.
No início da prece de Ali-Omar: “Senhor, no silêncio desta prece, venho pedir-te a paz, a sabedoria, a força”, devemos mentalizar os amores de nossa alma, a fim de que sejam dissipadas as teias sombrias que são muito diferentes daqueles pensamentos de amor quando pensavam em nós, em nossos idílios de amor.
Sigamos com leveza junto aos amores que nos sensibilizam o nosso coração, o nosso ser profundo que se liga a fonte, em quatro pilares: simplicidade, humildade, transparência e alegria.
As ondas gravitacionais existem tanto nas esferas estelares quanto nos mundos de beleza onde o pensamento cria, irradia e dissemina fulgores, criando o nosso mundo, o que somos em essência: criado na luz e resplandecendo na luz.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

AVES DO GOLFO

Os ventos, as chuvas, o amanhecer, o pôr-do-sol são fenômenos naturais que nos estimulam a pensar nas circunstâncias em que vivemos.
As palmeiras soltam folhas e galhos impulsionadas pela força dos ventos; alagação de ruas, desabamento de barracos, inundação de córregos nas cercanias de cidades são causados pelas chuvas.
O amanhecer sombrio ou claro, o pôr-do-sol encoberto pela tempestade ou a irradiação luminosa dos raios solares nas nuvens, encenando uma paisagem de beleza multicor, levam-nos à contemplação de algo mais real do que as cenas de destruição no deserto.
Os peixes e as aves do Golfo Pérsico buscam outros viveiros numa luta desesperada para atravessar as faixas poluídas. A guerra invadiu as guelras dos peixes, dificultando-lhes a  respiração e atingiu as asas das aves que buscam o  mergulho nas marés negras.
A poluição sobe à atmosfera numa ameaça ao equilíbrio dos ventos, das chuvas, da temperatura dos climas, desfigurando a fisionomia do planeta.
No ciclo das transformações, a tempestade renova paisagens poluídas, a morte na casca dá à semente a vida, a madrugada cinzenta, depois de estender ilusões ao mundo de emoções, cede lugar para a luz do sol.
Ainda ligado à emoção, o homem vive momentos que podem levá-lo ao paraíso de beleza comovente se a sublimação dos desejos ocorrer a nível inteligente.
Enquanto emocionado, ele ainda sente saudades, fica comovido vendo morrer os animais, os pássaros, os peixes que fogem das zonas de conflito radical. Lágrimas e suspiros sufocam-lhe as vertentes do sentimento.
Mesmo assim sabe que é preciso sorrir e cantar, amar e doar-se nos grandes voos como as aves que lutam para voar com as asas molhadas de óleo derramado no Golfo sem nenhuma razão que dignifique a condição humana.
No planeta todos nós somos como as aves do Golfo, sentindo as consequências da guerra, lutamos para voar nos sonhos que custam tanto para se converterem em realidade.
Cortes de despesas atingem os setores públicos e privados, recessão na economia, ganhos reais e inflação se debatem em outras guerras, promovendo alteração da vida de todos, numa preocupação rotineira.
Guerra  sempre  houve na Terra. No reino animal os seres se entredevoram no equilíbrio que promove o crescimento das espécies.
Nos reinos que antecedem à vida humana são necessários os grandes choques para despertar a sensibilidade como acontece nas árvores sacrificadas pelos raios do trovão. Depois, essa energia contida no verde transmuda a outros estágios onde a evolução ganha outros impulsos.
A guerra dos homens não pode ser comparada com os fenômenos que promovem o equilíbrio de todos os ecossistemas do planeta que, muitas vezes, faz destruir uma parte para se recompor em outra, na transmutação da beleza.
Os conflitos de armas não mudam apenas a História, mas a própria humanidade que se sente sacrificada por uma civilização que promove o culto de suas roupagens físicas, esquecendo-se das fontes límpidas onde seus sonhos estão mergulhados.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

DUAS BAILARINAS

Iniciando a apresentação, a repórter Daniela Lobo entrevistou a bailarina Ruth Lima: “Ela é representante de uma das mais antigas manifestações humanas, a dança, considerada pela imprensa etérea e translúcida, eleita em 1959, a primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.” [Perfil Ruth Lima – Bloco 1 – Youtube – 11 de junho de 2012 – Vídeo enviado por TV-ALERJ – Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro].
Na entrevista ao canal de televisão da ALERJ, Ruth Lima disse que começou dançando balé aos 11 anos de idade, tivera sonhos de dança, “dançava enquanto dormia”. E enfatizou: “a disciplina do balé me levou a ter uma vida feliz, uma vida regrada, inteligente, a ponto de eu escrever livros.” Enquanto a entrevista ocorria, vídeos e fotos de Ruth Lima apareceram ao fundo da tela.
Dançando O Lago dos Cisnes, de Tchaikowisky, e Les Sylphides, de Chopin, na apresentação que o Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro estava fazendo, em 1966, no Teatro Colon, Buenos Aires, Ruth Lima foi aplaudida em cena aberta. Nessa ocasião, ela recebeu loas com o título de bailarina etérea e translúcida pelo jornal El Clarin. No Brasil, o jornalista Carlos Heitor Cony escreveu no Correio da Manhã: “Ruth Lima é a mais linda Cleópatra que pisou o Theatro Municipal.”     
Escritora, bailarina, coreógrafa, jornalista, professora de dança, Ruth Lima conviveu, no Brasil e no exterior, com mestres e partenaires, entre os quais destacamos aqueles que não estão mais conosco: George Balanchine (1904/1983), Yuco Lindberg (1906/1948), William Dollar (1907/1986), Leónide Massine (1896/1979), Eugenia Feodorova (1925/2007), Nina Verchinina (1910/1995), Aldo Lotufo (1925/2014).
Ao tomar posse, em 28/09/1993, na Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil (membro honorário), no Auditório do Edifício Sede III do Banco do Brasil – Brasília – DF, em solenidade presidida pelo escritor Fernando Pinheiro, Ruth Lima foi mencionada no discurso de Synval Guazzeli, presidente do Banco do Brasil, interino (12/5/1993 a 15/5/1993), (30/5/1993 a 5/6/1993), (26/9/1993 a 6/10/1993), (1/12/1993 a 4/12/1993):
“Distinguiu também uma representante das Artes, Ruth Lima, bailarina e coreógrafa e, nesta hora, seguramente nós haveremos de ter sempre presente a importância da Arte como expressão de cultura, nós que desejamos construir uma sociedade brasileira melhor, uma sociedade brasileira justa, equânime, democrática e que possa alcançar níveis de avanço e de expressão cultural que representem toda a potencialidade desta Nação e dos sonhos melhores de nossa própria sociedade.”
Estrela do New York City Ballet, a bailarina francesa Violette Verdy (1933/2016), mulher de cabelos loiros, de encantador charme, sorriso alegre, recebeu papeis de grandes coreógrafos da época, Balanchine, Jerome Robbin e Roland Petit, chegando a ser a primeira mulher a dirigir o Ballet de Ópera de Paris. [The Telegraph – 11/02/2016].
Ainda a respeito da reportagem sobre Violette Verdy, no jornal britânico, foi revelado que, uma vez, durante uma aula aos seus alunos, Violette Verdy disse que “a arte da bailarina mais antiga era a prova da importância de não se apressar para chegar à perfeição”, isto referindo-se à sua grande amiga e confidente Margot  Fonteyn que esteve, nos idos de 1960, no auge da parceria com Rudolf Nureyev no Royal Ballet.
Violette Verdy e Ruth Lima tiveram em comum a oportunidade de estudar, em épocas distintas, com o  coreógrafo Balanchine, em Nova Iorque, dançar para presidentes de República, ser capa de revistas famosas, ensinar balé para jovens alunas e escrever livros sobre balé.
Em março de 1959, Violette Verdy é capa da revista Life International, ocasião em que se apresentou no Metropolitan Opera House, em Nova Iorque, posteriormente, em abril de 1962, pousa em passos de balé para Dance Magazine. Em 08/05/1975, pas de deux com o bailarino Edward Ville, dançava o balé Le Corsaire, na Casa Branca, na presença do presidente Gerald Ford que recebia a visita de Lee Kuan Yew, primeiro ministro de Cingapura, convidado de honra.
Ruth Lima se apresentou para Juscelino Kubitschek, presidente da República (1956 a 1961) e esposa Sarah, em palácio do governo, bem como Indira Gandhi, primeira ministra da Índia (1966 a 1977) e (1980 a 1984), Giovanni Gronchi, presidente da Itália (1955 a 1962), foi capa da revista O Cruzeiro, edição novembro de 1960, em fotos de dança de balé em que se lia: graça, beleza e técnica: Ruth Lima. À época, era a mais importante revista do Brasil.
Violette Verdi legou-nos a observação: “as tristezas da vida podem ser entregues como um crêpe suzette e que as decepções,  limitações podem ser transformadas em coisas bonitas.” [The Telegraph – 11/02/2016]. A frase que vem com estímulo aos aficionados do balé que Ruth Lima sempre ressalta: “o balé vem perfumar o crescimento de uma nação. Que seria da rosa sem o perfume?”
Ambas belas, clássicas e românticas, parece que estou ouvindo Chopin e sentindo o perfume das rosas. É assim que gosto de ver a beleza feminina em seu esplendor que encanta e fascina. Sintam-se amada, Violette Verdi, ao contemplar o seu retrato no Telegraph, o jornal britânico que lhe presta o panegírico (elogio acadêmico) e Ruth Lima, na entrevista concedida à TV–ALERJ, no frescor da beleza que desconhece o passar dos dias fora da luz.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A FIGUEIRA DO INFERNO

A esterilidade humana na procriação tem raízes profundas. O homem ou a mulher podem ser acometidos desse mal-estar quando desejam ter filhos.
A ciência, que está no laboratório de pesquisas, pode converter o quadro de expectativas em realizações concretas. A matéria está ligada a outros níveis transcendentes de onde surgem as condições que favorecem a manifestação da vida.
Sem a permissão divina nada acontece. Até mesmo o inferno dogmático teve a sua época para assustar pessoas de comprovada ingenuidade.
Ele ainda existe dentro de um tema poético como se expressou Dante Alighieri numa linguagem eterna para provar que há regiões criadas somente pelo homem para escravizá-lo temporariamente no clima dos desencantos.
Temos respeito a tudo que existe, pois tudo tem um fim proveitoso mesmo fora de alcance das inteligências que não buscam desvendar os enigmas do destino.
Há situações inalteráveis pelo homem, pois estão encobertas dentro do véu do tempo e somente em suas manifestações, os minutos, as horas, os dias, num ciclo que se fecha, pode desvanecer essas situações.
O destino é o arauto do tempo. Para destruí-lo será preciso primeiramente eliminar o tempo. Quem pode fazê-lo? Pobre homem que não dá ouvidos aos poetas e prosadores que o enterneciam em suas mensagens de criação de comovente beleza.
O destino teve inúmeras interpretações como a palavra amor nos estágios daqueles que o sentiam mais próximo às suas necessidades, tanto materiais como transcendentais.
Haverá sempre figueiras que não produzirão frutos e, num clima do paraíso que um dia envolverá a Terra, serão lembranças da época em que o inferno existia.
Não produzir frutos também tem ressonância nos casais que desejam ter filhos. Quando o tempo suspender o seu véu e deixar as horas ecoar em outras etárias, eles poderão recorrer à flexibilidade das manifestações da natureza.
A ciência não agride essas manifestações. Pelo contrário, dá-lhes provas de que o destino pode ser mudado, como o homem muda de profissão, estado civil e naturalidade, dentro de suas condições.
O que vemos na inseminação in vitro é o perigo que surge diante da incapacidade do pai adotivo em aceitar a vida que cresceu no leito interno e sai ao mundo como produto natural de quem a gerou. É o ciúme, o preconceito contra quem não conheceu a sua companheira, o doador do sêmen.
Não somos contra os que se debatem em conflitos íntimos, na incerteza do possível valeu a pena da inseminação artificial    em filhos que estão sujeitos às mesmas condições humanas nas áreas da saúde física e mental.
A ciência pode eliminar defeitos orgânicos nas experiências de laboratórios, mas quem pode prever a alteração de um quadro clínico quando os sintomas ainda não apareceram?
Cada um deve fazer o que lhe convém. Além da vontade dos casais ter seus próprios filhos, vemos outras crianças nas ruas, nos orfanatos que precisam de um lar.
Há implicações de ordem transcendental, ligadas à natureza imortal do homem, que estabelecem as situações para que ocorram as inseminações artificiais e a adoção dos filhos que andam, brincam e trazem a luz no olhar.
O título da crônica é uma homenagem ao dramaturgo Joracy Camargo, membro da Academia Brasileira de Letras, prestigiado autor da obra Figueira do Inferno.
Ao ensejo da solenidade na Academia Brasileira de Letras, nos idos de 1988, realizada pela AICLAF – Academia Internacional de Ciências, Letras, Artes e Filosofia do Rio de Janeiro, recebemos o Prêmio Nacional de Livros Publicados, ao mesmo tempo fomos eleitos pela AICLAF para ocupar a Cadeira n°18, patronímica de Joracy Camargo.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

ELIXIR DO AMOR

Na ópera Elixir do Amor, de Donizetti, Nemorino quer casar com Adina, mas não tem condições financeiras, alista-se no Exército, recebe dinheiro e compra “a poção mágica do amor”. Enquanto isso, não sabendo que herdou uma fortuna do tio, ele participa de uma grande festa onde todas as mulheres estão dançando alegres e felizes pela notícia da herança.
Na noite de luar, Nemorino canta a famosa ária Una furtiva lagrima defronte da casa da amada. Depois, ela vai ao encontro dele, entrega-lhe o documento que ele assinara para entrar na carreira militar, devolvendo-lhe a liberdade para permanecer na aldeia. Ele fica muito grato a Adina e ambos se beijam num final feliz.
O arquétipo de modificar panoramas íntimos, através de elixir, vem desde Tristão e Isolda, passa pela heroína de Donizetti, e chega ao divã em todo o mundo, com a propaganda exportada dos Estados Unidos de uma filosofia de que é necessário ser feliz o tempo todo, se não for, tem a pílula, levando todos a crer que os males psíquicos são curados com medicação.  
A entrevista do jornal El Pais, Madri, edição de 06/02/2016, com o jornalista Robert Whitaker, autor da obra Anatomy of na Epidemic, prêmio de melhor livro investigativo de 2010, obtido nos Estados Unidos, autor de uma série de reportagens divulgadas pelo jornal Boston Globe, comprova o que vimos falando a respeito da psiquiatria.
A observação de Whitaker a respeito de melhor quadro clínico de pacientes de esquizofrenia nos países onde são menos medicados, citando a Índia e a Nigéria, do que nos lugares, como por exemplo os Estados Unidos. Acrescenta ele que, conforme declarado pela Escola de Medicina de Harvard, a evolução dos pacientes dessa doença em 1994 tinha piorado com a implantação de medicamentos em relação ao ano de 1970.
Diferente de outros exames médicos que comprovam a existência da doença, através de laboratórios e de raios-X, o diagnóstico do médico psiquiatra é sempre questionável, pois se dá na área da subjetividade e corroborando o pensamento da médica Adriane Fugh-Berman, contido na referida matéria da Viomundo: “Outro exemplo é a doença da ansiedade social. É bom notar que a psiquiatria é a profissão mais suscetível a diagnósticos questionáveis porque todos os diagnósticos são subjetivos.” [PÍLULA ADOCICADA – 22 de agosto de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor]. 
Graças a iniciativa do psiquiatra Robert Spitzer (1932/2015), autor do primeiro livro de diagnóstico de transtornos mentais,  a homossexualidade foi excluída como distúrbio mental do DSM-III (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria), editado em 1980, passando o diagnóstico a ser “perturbação de orientação sexual”, destinado a pessoas cuja orientação sexual, de qualquer variedade, as tenham causado sofrimento [The Telegraph – 13 de janeiro de 2016].
Segundo ainda o matutino britânico, o trabalho de Spitzer estabeleceu uma nova DSM capaz de “erradicar o preconceito humano e obsessões freudianas com o ‘inconsciente’, possibilitando aos psiquiatras uma verificação de diagnóstico baseado na ciência”. Foi retirado também o termo neurose. Na edição do DSM de 1987, foram incluídos transtorno bipolar, transtorno de déficit de atenção, transtorno de pânico, autismo, bulimia e PTSD. [CAROL – 08 de fevereiro de 2016 – Fernando Pinheiro, escritor].
A 5ª e última versão do DSM – Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais está em vigor desde maio de 2013, elevando o número de patologias mentais a 450 categorias diferentes que eram 182, nos idos de 1968, no Manual DSM–2 [Folha de S.Paulo – 14/05/2013].
Com o apoio da mídia, a indústria farmacêutica joga pesado e faz convencer os médicos e a sociedade em geral que os problemas psicológicos são resolvidos com remédios de sua fabricação.
Em alguns casos, sim, são úteis, mas o excesso provoca dependência, inclusive está havendo “mais mortes por abuso de medicamentos do que por consumo de drogas”, segundo o Dr. Allen Frances, Catedrático emérito da Universidade Duke, Carolina do Norte, EE.UU., na entrevista concedida em 27/09/2014, ao Jornal El Pais – Madri, Espanha. – Apud  PÍLULA ADOCICADA – 22 de agosto de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor.
Vale mencionar o que nos diz Cindy Whitehead, em entrevista ao Wall Street Journal, nos idos de 2014: “é irônico que agora a mulher que não tenha interesse em sexo seja classificada como doente mental e aqueles que discordem considerados sexistas.” – Apud  Site MOTHERBORD – Ladybits – O “Viagra Rosa” vem aí para resolver um problema que talvez não exista – Escrito por Emma Paling – 6 July 2015 [Apud PÍLULA ADOCICADA – 22 de agosto de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Será que os remédios farmacêuticos, receitados por médicos, estimulam o funcionamento dos neurotransmissores que estão no cérebro? Os laboratórios que vendem em cifras gigantescas não têm dúvida em vender mais. [CANÇÃO DO MAR – 4 de outubro de 2013 – blog Fernando Pinheiro, escritor]
Quando uma pessoa cria, com o pensamento, a dopamina, uma substância que faz a conexão de algumas vias neuronais, não há nenhuma possibilidade de surgir a esquizofrenia ou outra doença mental. Há outras substâncias: endorfina, serotonina. [ASYLUM – 19 de maio de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor]
Quanto vale esse conhecimento? Muito dinheiro. A nível mundial, estima-se em torno de US$ 14 bilhões por ano de faturamento para a indústria farmacêutica e aos profissionais da área de saúde. Na palestra Evolução Aprenda, o Prof. Hélio Couto comentou: “essas pessoas não tem o menor interesse em você fabricar em seu cérebro a serotonina quando você quiser.” [ASYLUM – 19 de maio de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor]
Mas, é bom notar que o acompanhamento dos pacientes se agita na área da subjetividade, pois o cérebro ainda não está totalmente desvendado em seus segredos milenares. É largamente difundido que usamos apenas 8 a 12% de nossa capacidade, sendo que o cientista Albert Einstein usou a capacidade de 12%. [CANÇÃO DO MAR – 4 de outubro de 2013 – blog Fernando Pinheiro, escritor]
Milhões de pessoas no Iraque, na Síria e na Turquia, onde há forte domínio da população pelos terroristas do Estado Islâmico, sobrevivendo com mil dificuldades, inclusive no meio de bombardeios dos Estados Unidos, existe uma cultura sem recorrer à psiquiatria. [A FONTE DAS MULHERES – 13 de novembro de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
É o canto, é a dança que desperta o exilir do amor, aquela libido despertada quando há o envolvimento total dos corações que se aproximam e se unem em doce encanto. O Salgueiro trouxe tudo isso, no desfile do carnaval de 2016. A magia estava em tudo, na arquibancada que a aplaudiu e na escola de samba que revelava beleza.
O Salgueiro na avenida fez-nos lembrar da Danza gitana en la taberna de Lillas Pastia e da Habanera L´amour est un oiseaux rebelle, da ópera Carmen, de Bizet, não pela música, mas pela personagem interpretada, em épocas distintas, por  Maria Ewing, Rinat Shalam, Agnes Baltsa, Elina Garanca, Rita-Lucia Schneider, Julia Migenes, Anna Caterina Antonacci, Grace Bumbry e Denyce Graves. Ouvindo-as, distintamente, é como se estivéssemos apreciando aquele milagroso elixir do amor. 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

CAROL

Inspirado no livro The Price of Salt, de Patrícia Highsmith, o filme Carol, dirigido por Todd Haynes, recebeu cinco indicações ao Oscar 2016: melhor atriz (Cate Blanchett), melhor atriz coadjuvante (Rooney Mara), melhor roteiro adaptado, melhor trilha sonora original e melhor figurino. O enredo conta história do amor entre duas mulheres que viveram, na década de 50, em Nova York.
Graças à iniciativa do psiquiatra Robert Spitzer (1932/2015), autor do primeiro livro de diagnóstico de transtornos mentais, a homossexualidade foi excluída como distúrbio mental do DSM-III (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria), editado em 1980, passando o diagnóstico a ser “perturbação de orientação sexual”, destinado a pessoas cuja orientação sexual, de qualquer variedade, as tenham causado sofrimento [The Telegraph – 13 de janeiro de 2016].
Segundo ainda o matutino britânico, o trabalho de Robert Spitzer estabeleceu uma nova DSM capaz de “erradicar o preconceito humano e obsessões freudianas com o ‘inconsciente’, possibilitando aos psiquiatras uma verificação de diagnóstico baseado na ciência”. Foi retirado também o termo neurose. Na edição do DSM de 1987, foram incluídos transtorno bipolar, transtorno de déficit de atenção, transtorno de pânico, autismo, bulimia e PTSD. 
A 5ª e última versão do DSM – Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais está em vigor desde maio de 2013, elevando o número de patologias mentais a 450 categorias diferentes que eram 182, nos idos de 1968, no Manual DSM–2 [Folha de S.Paulo – 14/05/2013] – Apud  PÍLULA ADOCICADA – 22 de agosto de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor. 
Cate Blanchett encarna a personagem Carol, mulher casada com Harge, vivido pelo ator Kyle Chandler. Ambos vivem o reflexo de um casamento que chega ao fim, num país em que o divórcio começou a aumentar muito depois da II Guerra Mundial e que, nos idos de 2012, segundo a Bloomberg, atingiu o número de 2,4 milhões.
Ao fazer compra numa loja de brinquedos, Carol conhece a vendedora Therese (Rooney Mara) que está com namoro, não muito empolgado, com Richard (Jake Lacy). Ambas trocam olhares recíprocos. Impedida de passar o Natal com a filha, Carol faz uma viagem com Terese com o objetivo de ter um romance.
Quando estávamos escrevendo a crônica Rosas, tivemos um pedido de uma leitora para ser nossa amiga no facebook. Era uma jovem mulher solteira que tinha um relacionamento com outra mulher. Apenas um contato muito rápido para identificação, pois não a conhecíamos pessoalmente. O tempo passa e não tivemos mais notícia dela, nem sabemos agora o nome dela, desapareceu do mapa. O segundo parágrafo, a seguir, foi inspirado na situação daquela moça, uma pergunta que fizemos no texto e, ao mesmo tempo, demos a resposta.  
Na música ROSAS há o enfoque desse astral com a menção de entrechoque dos santos que não se afinam, ideia puramente desta consciência dissociada planetária, pois na multidimensionalidade, onde os anjos, santos e arcanjos se encontram, não há separatividade. A música se afirma quando diz na voz de Ana Carolina: “toda mulher gosta de rosas e rosas e rosas, muitas vezes são vermelhas mas sempre são rosas.”
A letra da música abre espaço para a discussão do gosto da mulher. Será que rosas e rosas e rosas não está incluída outra mulher? Por que as rosas vermelhas são sempre rosas? A evidência não está clara? O amor tem limites na esfera feminina ou está em frequências diferentes de onda? A onda é a mesma, porque somos um no sentido dos novos tempos da Era de Aquarius que começa a chegar. [ROSAS – 27 de abril de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Não se sabe até que ponto uma relação lésbica é mantida, assim como entre homem e mulher, podendo haver uma cumplicidade em viver uma vida em comum, fora do sexo, como aconteceu em outro filme, intitulado The Wicker Man (no Brasil, O Sacrifício, em Portugal, O Escolhido), uma comunidade composta, na maioria, por mulheres, onde apenas alguns homens permanecem ali para manter a continuação da prole. O filme teve a direção de Neil LaBute. 
O sacrifício, no caso, foi para Edward (Nicolas Cage), um policial que vai à Summerisle, uma ilha na costa de Maine, a pedido da irmã Willow (Kate Beahan), antiga namorada dele, a fim de procurar a filha Rowan (Erika-Shaye Gair) prestes a morrer na fogueira para satisfazer os deuses pela má colheita do ano, num ritual de sangue, atualmente infestado nos filmes de violência.
Depois de muita procura, Edward descobre o lugar do sacrificio e, para a surpresa dele, é escolhido pela irmã Summerisle (Ellen Burstyn), líder da comunidade, para ocupar o lugar da filha. Ele a descobre e, na fuga, a menina se adianta correndo e vai em direção do grupo de pessoas da comunidade. Ele é cercado, amarrado e conduzido à fogueira.
Retomando a narrativa principal, o olhar sedutor de Carol é uma dose certa para balançar corações femininos que vivem na indecisão por opção sexual. Se houver sofrimento, citamos o diagnóstico do DSM-III: “perturbação de orientação sexual”. Aliás, essa perturbação já ocorria mesmo no casamento que ela teve com o marido.
Uma coisa é certa: a mulher pode ser amiga e confidente de outra mulher. Não sinalizamos nada, nem criticamos nada, pois a crítica leva ao julgamento e à separação que é totalmente contrário ao nosso propósito de reunir pessoas no objetivo de caminhar juntos. Sigamos com leveza.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

AS SEMENTES E O TEMPO

Fazer o que se gosta, até os animais o fazem. Difícil mesmo é fazer o que não se gosta. A vida nos dá sempre novas opções.
É claro que nossas tendências e aptidões têm maior  desenvoltura naquilo que nos acostumamos a fazer. A repetição é mais fácil. O novo requer concentração e aprendizado  diferente.
Quando começamos a fazer o que não gostamos, estamos aprendendo a mudar de condicionamentos anteriormente  estruturados e agora requerem a revisão para que o destino seja mudado.
As mudanças estão em tudo, no tempo e nas nuvens que passam. O destino é ação que se revela criando o futuro.
Pensar no destino como apenas algo que se tem de passar, sem acreditar nas nossas possibilidades de alterá-lo em suas formas variáveis, seria o mesmo que amarrássemos as mãos juntas. Trabalho difícil de se fazer.
As alterações constantes do dia-a-dia leva-nos a posturas novas onde enfrentamos desafios dos tempos difíceis que ora  estão chegando numa exacerbação que caracteriza o fim de um ciclo planetário.
Não há o que se criticar. Há uma cadeia de interesses transitórios que se refletem a níveis pessoais, comunitários e internacionais, onde a sobrevivência tem a maior importância.
No acúmulo dos haveres fugazes, a consumação é controlada pelo detentores do poder em todos os níveis e só chega com vigor nas camadas que os sustentam.
O talento, que foi adquirido através de experiências muito antigas, agora se vê entregue a circunstâncias do momento que o redimensiona em outros caminhos.
O lado material tem um peso muito grande na vida do artista. A arte é eterna e subsiste a todas as crises estabelecidas pelo homem. Mas o artista é humano e precisa sobreviver às exigências da matéria.
Nesse contexto, ele busca os meios necessários à sua sobrevivência em outras fontes, pois a arte parece perder o seu prestígio, não por seu valor, mas pela falta de dinheiro de pessoas que, mesmo a apreciando, não podem desfrutá-la. Isto atinge até mesmo a área dos patrocinadores.
As exigências dos tempos novos coloca-nos em situações que teremos de aprender em aspectos que nunca pensamos ser possível. É natural que seja assim, pois o compositor não vive apenas da última composição. A criação é o seu trabalho.
É necessário semear. Se os melhores canteiros estão ocupados por máquinas que promovem o imediatismo do conforto material, procuremos outros espaços onde possamos caminhar livremente, adaptando-nos às exigências da época, sem perdermos as sementes que trazemos em mãos.
O que vale é a maneira como elaboramos o nosso trabalho. Quantidade é bem diferente de qualidade. Às vezes basta um olhar, um gesto que criam situações que nos favoreçam avistar novos horizontes.
Quando as circunstâncias não são favoráveis, mil discursos se perdem no espaço para repercutir muito longe num tempo em que não podemos avaliar.
O que preocupa muita gente não é a arte que possui intimamente, mas a ansiedade de vê-la surgir perante o público antes da hora, como a semente que está escondida para virar árvore.
Empreguemos o tempo naquilo que sentimos ser necessário à nossa vida sem perdermos o ânimo no trabalho que as circunstâncias nos oferecem.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

VOO DOS BEIJA-FLORES

Assim como existe beleza comovente no mundo das estrelas, no mundo dos homens na face da Terra significativos resultados são surpreendidos da vida de cada um.
O destaque honroso nem sempre possibilita a realização de sonhos que nascem n'alma. A sensualidade, os dotes artísticos e a riqueza de valores alienáveis podem ser desvirtuados da finalidade justa em que inicialmente foi proposta nos sonhos sem mácula.
A sensualidade, força mágica da vida, atrai os pólens que se fecundam numa dança suave, dando flores novas a todos os jardins; também desperta na mulher encantos que seduzem o homem.
Nesse ritmo de fecundação, as flores se abrem para gerar frutos; na mulher há associação do princípio da vida humana que começa dentro do seu corpo físico.
Essa força magnética, que embeleza a mulher e as flores, está na natureza. Não há mal algum se observar a vida resplandecer nos reinos vegetal e humano.
A mulher que canta, consolando corações tristes, num clima de ternura e poesia, traz o voo dos beija-flores disseminando pólens.
Há quem se oponha à valorização da sensualidade, sem saber que não há nada no universo sem uma finalidade própria. Até mesmo a existência desses opositores foi concebida num  clima sensual.
Na Idade Média, a mulher era vista como demônio, numa distorcida apreciação da vida. Em plena era dos descobrimentos cósmicos, quando surgem os ventos do 3º milênio, não pode haver mais crédito nas sugestões daqueles que defendem ensinamentos que aniquilam a condição divina  do homem.
A beleza física, os encantamentos dos gestos, a brejeirice do  olhar, a voz que fala de amor são estímulos para que a  pessoa viva feliz.
É por isso que, numa lição de incomparável beleza, o  pensamento filosófico cristão marca presença para revelar um  sentido profundo:  “se o teu olho for doente, verás doença em  tudo.”
Mas aquele que já se livrou dos preconceitos humanos, vendo em tudo a beleza surgir em lacunas que se completam, tem uma visão bem mais ampla onde os talentos voltam às suas  origens.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

AS MARCAS DA NEBLINA

Há fatos que repercutem a nível nacional para nos chamar a atenção acerca de ligações individuais ou sociais.
Parece comum uma notícia que espelha a realidade de milhares de pessoas. Mas, quando o interesse desperta atenção das camadas aquinhoadas da riqueza, a repercussão é maior.
Os meios de comunicação dão ênfase e destaque a estes acontecimentos que se estendem em vários dias sucessivos. Num determinado momento, aquilo que deveria ser exceção, constitui-se regra.
Mas os tempos novos estão chegando. De um país de tradição de guerra as notícias de muros derrubados já pertencem a um passado de repressão e as cortinas de ferro do Leste Europeu cederam espaço a lugares desimpedidos onde todos os habitantes daquelas regiões podem viver felizes.
Essa benéfica repercussão tem maior grandiosidade do que os  fatos  envolvendo  paixões de amores que dão adeuses em mãos frias, silenciando o presente.
Mesmo nessas circunstâncias, aparentemente sombrias, há um toque de despertar para os valores imperecíveis a todos que se ligaram nestes incidentes do caminho.
Qualquer que seja a circunstância, a criatura humana tem oportunidade de se refazer, buscando clarear seus horizontes de neblinas passageiras.
O impacto de notícias fortes servem para despertar pessoas que não pensavam existir uma realidade mais concreta que seus dias de monotonia.
É claro que o susto pode causar traumas emocionais; a força das contingências se impõe como a semente que se arrebenta para nascer. Mas depois vem a renovação do que foi gasto, com as lições do equilíbrio.
Em tudo a criatura humana tem o aprendizado que quiser. Há emoções fortes, há emoções fracas, há até falta de emoções. Isto não quer dizer que não conseguirá obter o que lhe falta. Mais cedo ou mais tarde é questão de tempo.
Ninguém deixa de aprender. A vida dá aula individuais ou  coletivas, conforme as provas que escolheram.
Quando pensamos que algo vai correr ao nosso encontro, realizando-nos desejos pessoais, logo surgem os acontecimentos que realmente vêm contribuir em nossa vida, embora sejam revestidos de desencantos.
Nessas horas, a lágrima escorre dos nossos olhos como os pingos d'água à procura das nascentes. O destino das águas é abrir caminhos.
Quem  não se agrupa no serviço em comum, sentirá solidão, mesmo que se embriague por agentes tóxicos e vagueie pelos  lugares públicos.
Além do desconforto emocional, a solidão mórbida gera sintomas que se convertem simultaneamente em doenças no  corpo físico.
É válido o recolhimento íntimo, onde se pode observar o roteiro da evolução que lhe trará novas forças para recomeçar a luta nas comunidades em que estiver ligado por laços de responsabilidade.
A vida não exige de nós aquilo que não podemos dar. Somos nós mesmos que refletimos nos acontecimentos que nos chegam a fim de receber as marcas de nossa identidade.