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quinta-feira, 7 de abril de 2016

O APRENDIZADO NO TRABALHO


Parece monótona a vida de pessoas que precisam repetir experiências já conhecidas nos dias que se sucedem.
Enquanto houver a dúvida na apreciação de suas atitudes, é necessário que a repetição se faça presente, num espaço de tempo proporcional ao aprendizado.
Quando há um intervalo entre uma tarefa e outra, novas disposições são acionadas no íntimo de cada uma para que não exista um espaço vazio, uma aparente ociosidade.
O descanso do trabalho predispõe as pessoas a refazerem suas energias, engendrando planos de execução, quando as oportunidades surgirem.
O homem não é máquina automática, nos serviços que lhe são atribuídos, mesmo que haja uma função meramente mecânica.
A capacidade que ele tem de pensar nunca é substituída pela repetição de movimentos que até os animais inferiores os fazem em reflexos condicionados. 
Mesmo em repouso, dormindo, sua mente emite pensamentos que movimentam o mundo íntimo em que está mergulhado. Suas emoções mais acentuadas, que se convertem em anseios e sonhos, nascem nesses instantes aparentemente parados.
Quando o homem está em movimentação nas ruas, no trabalho diário, sua mente, absorta pelos cuidados da vida material, não consegue revelar a sua parte desconhecida, onde pode realmente saber o que lhe interessa.
Existem pessoas que levam a vida inteira fazendo determinado tipo de trabalho material, apenas para ter uma qualidade que interiormente tinham dificuldades em assimilar pelo ensino teórico.
Vemos no mundo pessoas se engrandecendo, nas tarefas aparentemente pequeninas, tendo paciência em servir aos usuários que estão apressados.
É o atendimento aos clientes em lojas, a lavagem de roupas, carros e casas, o serviço dos restaurantes, a limpeza das ruas e dos jardins, o policiamento dos bairros, entre tantos outros que engrandecem o ser humano.
Caminhando à margem do canal das Tachas, onde se vê jagaré em solonento estado de repouso, crianças brincando ao redor, na comunidade do Terreirão, no bairro Recreio dos Bandeirantes, vi um pequeno espaço, coberto de lona, ostentando os dizeres escritos em papelão: lava-a-jato.
Há uma troca de impressões entre os servidores e os usuários dos serviços públicos que se associam pela necessidade de dar e receber o serviço de grande utilidade.
Muitas vezes, os servidores só os veem por alguns instantes, em determinado dia, servindo a outros clientes que passam por caminhos ignorados, deixando neles a impressão humilde do seu viver para que isto lhes toque seus corações.
Na prestação de serviços, o homem tem, antes de tudo, a oportunidade de lidar com os grupos sociais em que está vinculado a fim de que receba a influência necessária à sua evolução espiritual.
Em segundo plano, a finalidade do trabalho é obter recursos à sobrevivência do homem e seus dependentes econômicos, promovendo-o aos direitos que lhe são atribuídos.
Em todas as classes trabalhistas, sempre o operário anônimo  levou a sua mensagem de simplicidade àqueles que ainda não conseguiram compreender como é importante ser igual ao mais humilde de seus irmãos.
O exercício das tarefas e profissões é despertar a criatura humana para suas reais necessidades que precisam ser entendidas não apenas na teoria, mas nas atividades que lhe são próprias.
Há beleza nos gestos daqueles que passam servindo aos seus semelhantes, não importando a classificação de categorias em que se encontram.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

TUDO VIBRA

As pessoas que vemos, falamos, ouvimos e sentimos suas emoções, estão envolvidas em oportunidades valiosas que temos para dar testemunhos daquilo que somos. Em todas elas vemos a manifestação divina, embora haja, à primeira vista, desencantos na aproximação.
Mas, ao analisar a situação, notamos que essas pessoas vieram num momento em que precisamos demonstrar aquilo que permanece estável no nosso íntimo. O equilíbrio tem a característica da igualdade. Onde houver uma fonte jorrando, haverá sempre um receptáculo colhendo as dádivas preciosas.
Ninguém caminha sozinho. Nos passos dos que avançam em direção aos recantos onde reina a paz, há marcas indeléveis que beneficiam aqueles que andam na retaguarda.
O sorriso de quem se doa em benefício daqueles que  estão  em  situação de desconforto emocional movimenta energias que os ajudam a buscar essas mesmas energias que estão armazenadas dentro deles.
É  por isso que devemos ter muito carinho e ternura, quando pessoas incompreensíveis e inconformadas com a vida nos aproximam.
A inconformação domina essas pessoas porque o mundo moderno, voltado à transitoriedade de todos os valores, não contribui de forma generalizada para valorização da vida humana, principalmente daquelas que precisam de ajuda para se recomporem interiormente.
Podemos ter a certeza de que se a vida nos beneficia com os amores que nos encantam a alma, de igual modo, a lei de igualdade, posicionando todos os seres ao ponto de origem, permite, pela troca de vibrações que se completam, a aproximação de irmãos precisando sentir o nosso estímulo.
Os ventos, as chuvas, os climas, a irradiação solar, as camadas de ozônio estabelecem, no espaço, o ecossistema, embora seja danificado pela poluição, em períodos de ciclos que se renovam, até a saturação dos meios de vida atuais que terão, em futuro próximo, novas transformações no meio-ambiente.
Tudo vibra e emite energia. O que nos parece incompleto em um instante, em outro a complementação surge. Até mesmo na explosão de corpos celestes em extinção, a vida ressurge vitoriosa.
Todo o Universo é energia inteligente, sobressaindo desde os primeiros sintomas de observação, nos reinos da Criação (mineral, vegetal, animal) até chegar à inteligência e à intuição do homem que começa a entender o que antes era tido como mistérios da vida.
Tudo nos cerca em motivos variados, sempre a demonstrar que as circunstâncias, favorecendo-nos o momento,  vêm  nos  situar  nos  lugares  onde   encontramos pessoas precisando de sorrisos e outras que nos oferecem, nos instantes em que estamos tristes e desanimados.
Quando nos sentimos interligados com as energias do Universo que movem os sistemas planetários e galáxias espalhadas pelo infinito, podemos ter, de uma vez por todas, a certeza de que não haverá força alguma que possa nos prejudicar.
Se há um clima desfavorável ao nosso bem-estar, devemos estar atentos para o serviço de recomposição, primeiramente verificando se estamos em harmonia conosco para espalhar àqueles que nos chegam pelos impulsos das vibrações que emitimos.

terça-feira, 5 de abril de 2016

A FELICIDADE PERMANENTE

As alegrias que nos chegam nos sorrisos dos companheiros de trabalho são realizações que estamos conseguindo no  campo social.
Todos nós estamos interligados por liames invisíveis, são  pensamentos que saíram de nosso íntimo e nos colocam à frente da felicidade que buscamos.
Quando pensamos que falta algo para completar a lacuna de nossas realizações, demos um passo a mais em direção ao lugar onde a solução se encontra.
O homem nasceu para ser feliz, mas essa felicidade não é gratuita. O preço é o merecimento. Ninguém consegue dar e receber sorrisos, se tiver uma indisposição que o inibe.
O estado permanente de felicidade é possível, se o homem tiver consciência de seus valores íntimos que precisam  ser  aceitos primeiramente por si mesmo.
A essência divina que o faz pensar é a mesma que lhe dá forças para respirar, andar, colher flores nos caminhos, fazer  destinos e escolher a vida que quiser.
A simpatia que sai de seus olhos, a vibração amorosa de sua voz comovem as pessoas que precisam ter novos  estímulos  à  felicidade permanente. Assim como encanta-nos ouvir a música Tristorosa, de Villa-Lobos, escrita para piano solo, transcrita para violão por Michel Brück, interpretada pela violonista Tatyana Ryzhkova.
O homem nasceu para viver feliz. Circunstâncias que o impedem são lacunas que, aos poucos, estão sendo preenchidas. O tempo se encarrega de amadurecer todos os frutos.
Quando sentimos uma sensação de leveza no nosso íntimo, há uma alegria contagiando a todos que passam por nós. E ficamos com vontade de repartir aos companheiros que nos chegam, pelo mecanismo dos encontros, esse estado emocional que parece nunca mais acabar.
Se soubermos conservar o que nos faz feliz, teremos a certeza de que o momento é imutável, sereno e duradouro.
A vida resplandece nos menores gestos da natureza. As sementes e os ninhos resumem a vida planetária e a  simplicidade a vida do homem feliz.
Todos seus compromissos em que interpreta papéis diferentes de sua natureza límpida e clara são imposições das circunstâncias que exigem resultado satisfatório às suas necessidades existenciais.
Cada papel no cenário social tem uma hora certa de duração, um relato comovedor que expressa os talentos de quem o interpreta e uma finalidade que beneficia a todos, mesmo àqueles que não a vêem nas mais insólitas situações.
É tão pouco o que falta para o homem reconhecer a sua condição de herdeiro feliz do Universo, sem ter a necessidade de usar roupagens de mendigo, filho pródigo, mercador da ilusão e outros que por este mundo passam, enquanto houver desconhecimento de si mesmo.
Se o homem soubesse que existem moradas celestes  onde  o  clima é de harmonia permanente, sem dúvida, ele iria procurar meios que lhe possibilitariam viver, aqui e agora, a felicidade que não termina.
Isto pode parecer difícil para quem não tenta. Mas é tão fácil. É só querer. Em nós habita um santuário íntimo, inviolável por qualquer sugestão que vem de fora.
Como nas fontes límpidas que jorram os mananciais da vida, o nosso íntimo tem a essência divina que não se apaga por mais densas que sejam as trevas.
E como somos feitos dessa luz, a nossa vontade é  resplandecê-la cada vez mais, num tempo que sentimos não  ter fim.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

O CÍRCULO DOS ENCONTROS

Todos os seres da Criação têm um roteiro de vida orientado por um princípio inteligente que o coloca no espaço adequado aos seus movimentos.
Desde os impulsos do elétron ao redor do núcleo atômico, esse princípio é manifestado. Nos seres vivos, cada gesto obedece aos impulsos do instinto e da razão quando atinge a fase humana.
Em todos os instantes, o homem cria circunstâncias futuras, pois o seu pensamento o situa no lugar  que  almeja.  Os impulsos  do  instinto acontecem quando a emoção o domina sem que ele possa avaliar as consequências daquilo que sente.
Entre o instinto e a razão, muitas pessoas caminham peregrinando sem rumo, mesmo buscando, com avidez, aquilo que tanto aspiram. O objetivo perseguido aparece sempre no momento certo. Se não dão conta do que realmente aconteceu com elas é porque muitos  de  seus  atos foram cometidos sem a participação da razão. Mas isto não invalida o efeito que teve uma causa da mesma natureza.
Outras tantas passam inconformadas com os destinos que se lhes apresentam, sempre com dias de sol com muito calor e noites escuras que parecem não ter fim.
O cortejo dos sofredores de atitudes que surgiram no instinto é imenso. Até mesmo uma pequena demonstração de carinho para com uma pessoa que desvirtua o amor tem consequências que podem alterar o estado emocional de quem vive buscando as emoções sublimadas.
Como a humanidade caminha em círculos dos encontros, onde se vê a força do passado impulsionando os movimentos presentes, a fim de que os protagonistas das cenas interrompidas sejam os mesmos.
Nesses encontros, há outros figurantes que passam alguns instantes, nas cenas diárias, para interpretar um papel passageiro, mas com grande valor. E, às vezes, basta um olhar para alterar a posição do ator principal que cede lugar àquele que parece ter vindo tão-somente de passagem.
Este é o círculo de pessoas que têm experiências em todos os  campos das atividades humanas. Tempo e lugar são disposições inexoráveis que determinam o posicionamento de cada pessoa. Basta alguém pensar e já cria meios que caracterizam a sua posição na vida.
Se fôssemos pensar em todos os instantes povoados de pessoas e circunstâncias, veríamos a realidade espiritual de cada um de nós se projetando, de dentro para fora, nos vínculos que fazemos força para mantermos unidos.
O passado tem um reflexo que atualiza todas as tendências e gostos que estávamos propensos a fazer e serão manifestados quando as circunstâncias, criadas por nós e pelos cúmplices de nossas idéias, forem favoráveis.
Mudanças de vida são mudanças de comportamentos que buscamos quando não estávamos conformados com a monotonia dos dias pouco interessantes à nossa percepção. São válidos todos os instantes que aprendemos, nas horas de alvoroço e no silêncio interior.
Se tivermos pressa em que algo aconteça logo, e não soubermos avaliar o instante da espera, pode ser prejudicial ao nosso aprendizado, pois os reflexos que emitimos iriam nos posicionar em outras circunstâncias  onde teríamos de aprender com maior dificuldade.
O instante que possibilita a meditação sobre os fatos ocorridos conosco é fundamental para que possamos acompanhar o roteiro estabelecido, com nossa anuência, por uma sabedoria que está acima de todas as cogitações humanas.
Em resumo, somos os reflexos do que pensamos e, na inquietude dos nossos passos, quando desejamos alterar as circunstâncias que nos são próprias, passamos para outro lado onde o caminho parece correr paralelo.
As inquietações sobre os movimentos de nossos passos devem ceder lugar à confiança daquilo que fizemos e que, aos poucos, ressurge, no momento exato, para nos provar o mérito do bem-estar que nos cabe por direito natural.

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domingo, 3 de abril de 2016

A TAÇA VAZIA

As águas dos oceanos se movem em todos os continentes, numa viagem incessante, graças aos movimentos  de  rotação  e  translação  da  Terra.
Há um nível normal das águas nas costas marítimas e, com exceção das áreas de maremoto, os continentes não são alagados pelas massas líquidas dos oceanos.
Na viagem ao porto do destino, o homem passa por intempéries de toda sorte, em todas as faixas de idade.
É comum se ver crianças pequeninas serem atingidas pelos acontecimentos que atestam a orfandade. Uma despedida silenciosa marca o destino de toda uma família.
No silêncio de suas reflexões, o parceiro que sente saudades busca compreender as razões por que um amor tão grande foi interrompido no calor dos lençóis.
Tudo parecia correr bem. Sorrisos e beijos do casal eram passados aos filhos que se completavam numa festa de alegria. De repente, uma  taça  de  quem  brinda é retirada do cenário familiar. As horas continuam a estender seus minutos controlando a duração dos afazeres de cada um.
Reflexão, apenas, reflexão. Se alguém falasse dessas circunstâncias necessárias ao aprendizado daqueles que precisam passar por isto, certamente ninguém compreenderia apenas na teoria.
Todos têm necessidade de aprender com a vida, mesmo  que não a vejam naqueles que seguiram a viagem das  nuvens. A  maioria daqueles que sentem saudades está mais  ligada à presença  física de quem partiu do que ao amor-essência que não precisa de formas para sobreviver.
Os órfãos, quanto mais pequeninos, menos se preocupam com as implicações de um adeus. A tristeza do adulto decorre da perda daquilo que sente ser importante, num momento em que não percebe um novo amanhecer apagando as sombras da noite anterior.
Crianças protegidas pelas forças evolutivas, como são todos os seres do mundo, não sentem tristeza nem desânimo. O adulto pode olhá-las com reflexões íntimas de desencanto e sensibilizá-las até a um certo ponto, mas isto não eliminará as forças que sustentam a sua infância.
A vida é valiosa em todas as circunstâncias e não permite que seus ciclos sejam interrompidos ao clamor humano. Se existe incompreensão acerca do ritmo que os move, o homem não pode criar a morte como algo que os extermina. O renascimento está em tudo.
A reencarnação é o recreio da alma, pois no mundo espiritual o esclarecimento da vida é bem maior do que nos laços físicos e, no clima  de  desventura, o sofrimento não tem refúgio na consciência encarnada que amortece os impulsos da culpa.
Nos idos de 1962, quando a música sertaneja estava começando a ganhar espaços na mídia, a dupla Tibagi e Miltinho, lança no mercado a Taça Vazia em que há uma interrogação do homem que foi mandado embora da vida da mulher amada: “Nesta noite quem será teu rei, querida? Nesta noite quem será teu beija-flor?”
A mensagem de minha amiga russa veio numa tarde que caía num suave e macio langor: “espero que as mudanças de minha vida pessoal não afetarão nossa amizade. Sempre interessada na leitura de seus textos. Você é um verdadeiro conhecedor da beleza. Obrigada por sua amizade!” 
É por isso que o ciclo da vida promove a beleza se irradiando em tudo que existe. Se o homem ficasse detido em acontecimentos que param a festa de seus dias, certamente uma nuvem sombria, que obscura seu caminho, estaria apenas em sua imaginação.

sábado, 2 de abril de 2016

SONATAS DE TARTINI

Numa narrativa que virou lenda, o astrônomo Jérôme Lalande teria dito que o diabo viera aprender com o compositor Giuseppe Tartini (1692-1770), em troca de satisfações pessoais, isto aconteceu também com o personagem Fausto, de Goethe. No final das aulas, o compositor entregou-lhe o violino, a fim de testar a habilidade do inusitado aluno.
Tempos depois, nos idos de 1824, o pintor Louis-Léopold Boily retratou num quadro o sonho de Tartini com o diabo. Para surpresa do compositor, o diabo tocou tão bem que Tartini ficou impressionado com o virtuosíssimo apresentado que lhe inspirou compor Devil´s Trill Sonata in G minor, revelando que a música sonhada era muito superior a que ele tinha escrito. [Wikipedia, la enciclopedia libre]
Ao que se lê da partitura da Sonata in G minor, de Tartini, a música tem os seguintes movimentos: larghetto affettuoso, allegro moderato, andante, allegro assai, andante, allegro assai.
Nos idos de 1990, o violinista Itzhak Perlman, acompanhando a Orquestra Sinfônica de Israel, sob a regência do maestro Zubin Mehta, esteve viajando, pela primeira vez, à Rússia, ocasião em que ele mostrou o trinado do diabo que a sonata de Tartini demonstra existir. A Sonata em G minor, de Tartini, apresenta uma série de trinados de difícil execução.
Destacamos ainda as músicas apresentadas, na ocasião, pelo violinista Itzhak Perlman, acompanhado de Janet Goodman Guggenheim, ao piano, Prokofiev: a marcha de O Amor por 3 laranjas, op. 33, Tchaikovsky: andante cantábile, 2º movimento do Quarteto para Cordas nº 1, op. 11. 
Não vamos interpretar o sonho de Tartini, pois o sonho era dele no período de 1692 a 1770 em que viveu na Terra e permanece no inconsciente coletivo de que nos fala Carl Jung. Quem puder acessar esse inconsciente vai ver os pensamentos registrados no sonho que não se perde no tempo nem no espaço. Aliás, toda a história da humanidade viaja no astral. Os orientais chamam de registros akaskicos e os ocidentais, o nosso caso, o livro da vida.
Outra Sonata in G minor de Tartini é Didone abbandonata que nos evoca a história de Dido que foi abandonada por Enéas, o grande amor da vida dela. Ambos tiveram um romance na cidade de Tróia que foi destruída.
Reinando em Cartago, norte da África, com todo luxo e riqueza, a rainha Dido não conseguiu prender o amor dela junto de si, ele a abandonara com destino para Roma onde pretendeu fundar uma nova Tróia. No abandono, a rainha cai em depressão e tem morte autoinflingida dentro de uma pira. Nas águas do Mediterrâneo, navegando em navio, Enéas avista de longe as chamas da pira do palácio onde estava a amada.
Anteriormente, abordamos o tema a morte autoinflingida na crônica de 19 de janeiro de 2016, no blog Fernando Pinheiro, escritor. Vale transcrever alguns tópicos pertinentes:
Todos merecem ser felizes, não importa a situação em que se encontram que podem estar no Estado Islâmico, não reconhecido por nenhum governo, na Suíça onde os doentes que vão para lá se suicidar dobraram, nos últimos anos, ou na Coreia do Sul onde a competitividade aumenta as distorções sociais ou ainda no número apresentado pela OMS: uma pessoa se suicida no planeta a cada 40 segundos.
A separatividade e a competitividade da consciência planetária, sem dúvida, estimulam essa cultura transitória a cair em desencantos. Quando se dá peso e referência à violência, a violência cresce, amparada pela ampla cobertura da mídia que faz aumentar o medo entre a população.
Essa vertente psicopata não é vista pela observação que esses pretensos perfeccionistas sociais se impressionam com as exigências de seus chefes, familiares e amigos, mas com aquilo que eles dão valor como objetivo de sucesso, caindo sempre ao remorso da culpa em não ter feito mais. Basta uma perda: no emprego, na família, no relacionamento afetivo e a depressão se instala. [A MORTE AUTOINFLINGIDA – 19 de janeiro de 2016].
Essa situação delicada ainda foi abordada por nós em 20 de dezembro de 2014 com a crônica O LUTO. Vale mencionar:
Quando ocorre o falecimento de entes amados, a tristeza faz enfraquecer o sistema de defesas imunológicas que protegem o corpo físico contra as infecções, principalmente nas pessoas mais idosas, o que comprova que muitos cônjuges vêm a falecer depois da morte desses entes amados.
As pessoas mais jovens, com tanta distração para curtir e as tarefas de estudo e trabalho, bem como a vivência no casamento ou em outro status de relacionamento, as fazem esquecer o luto, por isso são menos suscetíveis de pensar em tristeza que as fazem sentir menos felizes.
Por essa razão, é importante ter um estilo de vida alicerçado em quatro pilares: simplicidade, humildade, transparência e alegria. Experiencie ter esse estilo ou conserve-o sempre e a sua vida irá ganhar, num crescendo, um patamar de grandeza mais elevado.
O luto é uma fase de vivência em que todos passam, pois todos têm parentes e amigos que vêm a falecer, em determinado momento. É natural que seja assim. O luto não é sinal de tristeza, é uma forma errônea de demonstrar amor aos entes que partiram. O melhor é o silêncio e a observação proveitosa que deve ganhar um novo sentido, diante de tudo que se renova.
Não estamos promovendo o oblívio das pessoas amadas que partiram, pois os amores são eternos e o que deve ser lembrado apenas são os momentos felizes e, como dizemos sempre: os engramas do passado devem ser esquecidos.
Durante o período do luto que deve ser passado ao lado das pessoas amadas, a nosso ver, não pode ultrapassar a 30 dias, sob o risco de contrair doenças vasculares ou do coração.
Hoje em dia, o luto está se tornando um risco de morte. Para muita gente os efeitos psicológicos do luto duram longo tempo, certamente, haverá o resultado das respostas fisiológicas associadas à dor aguda.
Toda essa dificuldade humana diante da morte é em decorrência de que a transparência, deslindando os enigmas do caminhar, ainda se encontra no ser profundo que todos nós somos, sem exceção, mas ainda não revelado de modo generalizado a todas as criaturas humanas.
É dito que tudo será revelado e não haverá mais disfarce encobrindo a verdade, e isto já acontece quando dormimos e presenciamos a realidade que nos envolve, a morte está nesse contexto que nos pertence tanto quanto àqueles que já partiram.
A morte existe quando cessa o colapso da função de onda (física quântica) entrando em outro seguimento de vida, então não há perda de nada e de ninguém, o que acontece é o apego recrudescendo em situação que não nos pertence.
A vida é doação, doe-se e você ganhará ainda mais ou mais ainda do que for doado porque a fonte é inesgotável e o apego desaparecerá sem deixar vestígio. Apegar-se ao que não nos pertence mais é sofrer sem razão, palavra estritamente ligada ao plano mental. [O LUTO – 20 de dezembro de 2014].
As músicas de Tartini tiveram influência da vida que ele viveu. Na adolescência casou-se às escondidas com a sobrinha do bispo de Pádua, descoberto buscou refúgio num convento de Assis, onde teve as primeiras inspirações sublimes. Posteriormente, reconciliado com o bispo, voltou a morar com a esposa em Veneza. [A Violin´s Life – FrankAlmond.com].

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sexta-feira, 1 de abril de 2016

AMOR–SABEDORIA

Em decorrência da dificuldade das pessoas em saber a distinção entre amor-projeção e amor-sabedoria, em que ambos se conectam, em processo de elevação, fazemos uma sucinta retrospectiva, com vertente poética e política, a espalhar ao mundo o perfume que sentimos dos altos cimos que está lá e cá na simbiose apresentada pela teoria do emaranhamento quântico que vimos dizendo tudo se interliga.
Enquanto existir a necessidade de vivenciar o amor em uma pessoa, um objeto ou objetivo, uma classe, uma instituição, um ideal nos trabalhos materiais ou mesmo espirituais, há presença do amor-projeção. Essa projeção ganha espaços maiores quando sai do exterior e faz a viagem interna ao coração onde se descobre como ser profundo e passa a vivenciar práticas que levam ao que se chama na Índia de Bhakti Yoga ou Yoga da Devoção. [AMOR-PROJEÇÃO – 21 de outubro de 2013].
Amor-Projeção está a caminho do Amor-Consciência, mas isto não é questão de busca e apreensão ou busca apreensiva, é a inteligência que se projeta em luz eliminando as sombras ou penumbras de um amor projetado. Como conseguir isto? O abandono à luz, o abandono da personalidade que deve ser vivida e transmutada a um patamar de grandeza superior.  [AMOR-PROJEÇÃO – 21 de outubro de 2013 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Apreciando a leitura da obra de Max Carphentier (“Aqui, porém, no devotamento da selva, com os cálices repletos de mistério e água, a luz celebra mais.” (121), podemos fazer uma pergunta esclarecedora: se a luz do sol chega à Amazônia, oriunda de milhões de léguas de distância, por que não haveria de chegar àquela região a luz de Jesus? E, se há luz de Jesus, em algum lugar, há também a presença dele nessa luz, o que é a mais coisa. Dentro dos sonhos, já tivemos experiência idêntica que comprova a existência de Jesus.
(121) MAX CARPHENTIER – in Nosso Senhor das Águas, p. 26 – Prefácio de D. Paulo Evaristo Arns, Cardeal–Arcebispo de São Paulo – Abas da capa redigidas por Mansour Chalita – 1992 – Manaus – AM.
Ao resumir toda a doutrina do Senhor dos espíritos na palavra amor, apresentamos, neste último capítulo, o tema amor elevado ao patamar de sabedoria.
Os semeadores da primeira hora trazem o cuidado em suas mãos. A seara, que foi preparada para receber as sementes, tem, assim mesmo, alguma adversidade porque o tempo escasso não permite uma preparação completa.
No decorrer das horas, temos necessidade de semear a palavra, no momento exato, sem querermos saber se as conveniências todas estão adequadas.
O tempo é de emergência. O ambiente social do planeta virou hospital. Se a morte espreita o paciente, não é a hora de sabermos se, além do risco de vida, há unhas a cortar, cabelos a ajeitar, sapatos a engraxar e outros cuidados individuais que estão fora da cogitação médica.
No momento em que a dor se generaliza nos ambientes por onde passamos, devemos revelar a nossa postura de vida, a fim de que outros males não venham a se instalar.
Mesmo que seja apenas uma palavra, um olhar carregado de vibração amor–sabedoria, o resultado terá efeitos surpreendentes àqueles que passam por testes difíceis.
Sem pressa nem preocupação em agir, nossa atenção se volta àqueles que convivem conosco as horas marcadas pelo trabalho em diversos setores onde a expansão se faz necessário.
Em qualquer parte onde estamos, a identificação que temos pela vida é aguardada por aqueles que nos acompanham os passos, assim como nós vemos neles a oportunidade de verificar se há um clima adequado à realização dos sonhos que nascem n´alma.
Morta a emoção em desalinho, a razão existencial do viver, ou, mais precisamente, a inteligência delineia espaços onde só o amor deve existir, o amor acompanhado da sabedoria. Há, no entanto, companheiros, apressados em semear, que não observam as condições do tempo e assim espalham as sementes em todos os terrenos. Na maioria das vezes, o que foi recentemente semeado é levado pelos ventos.
O amor plantado sem a sabedoria se desvia pelos canais que alimentarão a emoção que pode resvalar a níveis inferiores de consciência, onde reina a ilusão que gera a dor e o sofrimento.
Há uma necessidade primordial que nos indica o trabalho a fazer junto àqueles que falam de saudades, solidão, medo e inconformação das vicissitudes da vida.
Há, dentro de nós, um respeito e compreensão do ponto de vista em que se posicionam. Aquilo que parece desagradável é algo que lhes desperta suas forças internas, as únicas que conseguirão levar-lhes à compreensão de que tanto precisam.
Enquanto isto estiver ocorrendo, seguiremos o nosso caminho disseminando, em outras searas, a palavra e o olhar que inspiram o amor ultrapassando os níveis da personalidade humana e atingindo a consciência divina, que todos trazem guardada dentro de si, para compreendermos a ligação que nos une.
Em clima de juras, juras de “Patria, socialismo o muerte, lo juro” (122), na “Venezuela caribeña, amazónica, andina y universal” (123), o nosso pensamento está ligado a Jesus, citado, no enlevo de vitória e de projeto social, por Hugo Chávez, ao tomar posse, pela terceira vez, no cargo de presidente, anunciando el poder comunal: “por Cristo, o maior socialista da história (sic), por todas as dores, por todos os amores, por todas as esperanças”. (124)
Nota: a palavra sic usada na citação da frase de Hugo Chávez serve para discordar da referida afirmação, no entanto acolhemos o restante “por todas as dores, por todos os amores, por todas as esperanças”. 

(122, 123) HUGO CHÁVEZ – Discurso de posse, em 10/1/2007, no cargo de presidente da Venezuela – Jornal El Nacional – Caracas, Venezuela (124) Apud Jornal do Brasil – Internacional – p. A–17 11/1/2007 – in JESUS, LUZ DO MUNDO, de Fernando Pinheiro.

quinta-feira, 31 de março de 2016

NAMORAR

Namorar é o objetivo comum entre as pessoas que buscam se relacionar até mesmo entre aquelas não querem saber de relação alguma. Mas, é uma comunicação, pois existem 2 polos que tendem a se aproximar ao mesmo centro de convergência.
Há que se estabelecer a situação e as circunstâncias em que o namoro começa a surgir definindo as escolhas de ambas as partes, não esquecendo que a densa consciência planetária carreia a competitividade e separatividade, nesse caso o amor vem com a característica de amor-projeção. Isto abarca 6 bilhões de pessoas do total de 7,3 bilhões de habitantes do planeta, sendo que apenas 1,3 bilhão vivencia o amor-sabedoria. 
Enquanto existir a necessidade de vivenciar o amor em uma pessoa, um objeto ou objetivo, uma classe, uma instituição, um ideal nos trabalhos materiais ou mesmo espirituais, há presença do amor-projeção. Essa projeção ganha espaços maiores quando sai do exterior e faz a viagem interna ao coração onde se descobre como ser profundo e passa a vivenciar práticas que levam ao que se chama na Índia de Bhakti Yoga ou Yoga da Devoção. [AMOR-PROJEÇÃO – 21 de outubro de 2013].
Amor-Projeção está a caminho do Amor-Consciência, mas isto não é questão de busca e apreensão ou busca apreensiva, é a inteligência que se projeta em luz eliminando as sombras ou penumbras de um amor projetado. Como conseguir isto? O abandono à luz, o abandono da personalidade que deve ser vivida e transmutada a um patamar de grandeza superior.  [AMOR-PROJEÇÃO – 21 de outubro de 2013 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
O encontro das pessoas está mais ligado à inexorável situação do reajuste harmonioso do que os deleites que são apreciados nos mundos felizes, como por exemplo nos corpos celestiais onde o ser imortal, corporizado em matéria mais sutil, em sublime missão, se adapta às elevadas temperaturas-ambiente.
Vale transcrever 3 parágrafos da crônica Amores Venusianos:
Não há separatividade em nenhum setor da vida planetária em Vênus, nenhum apelo religioso, nenhum setor político à semelhança da Terra. Para quem não viu nada além da Terra, é um paraíso, um mundo feliz, um recanto de eterna primavera como nos faz lembrar a inspiração dos poetas que semearam a beleza.
Lá vive-se do que se dá. A doação é de todos. Não há carência em nada e em ninguém. Não há a internet, para quê? Se sabe de tudo relacionado ao planeta Vênus e nem precisa sonhar para saber os recônditos da alma. Na transparência que existe por lá, ninguém engana ninguém e não há levas de gente seguindo o caminho das mídias controladoras de massas humanas.
O modo de viver em Vênus é muito gratificante, longe dos padrões que na Terra nos acostumamos a ver: dinheiro, comércio, relações amorosas conturbadas, discriminações em busca de prestígio transitório e, sobretudo, o dualismo humano que acarreta todo esse amargor no caminhar. [AMORES VENUSIANOS – 13 de setembro de 2013 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Tudo está a caminho da grandeza a que se destina, no decorrer do tempo e do espaço que não se pode estabelecer como e quando, pois o destino é sempre a deliberação final de cada um em qualquer situação ou circunstância. O namoro está neste contexto.
No alto sobrevoando um dos mundos felizes, admirei a beleza que se descortinava aos meus olhos: tudo está a mão, sem nenhum esforço ou preocupação. As casas, as benfeitorias que se espalhavam pelas cercanias, as mulheres que lá estavam, estavam à minha disposição, basta um pensamento, apenas. Nessa circunstância, pude ver o significado do pensamento hindu: não buscar nem fugir. [PÉGASO (XLV) – 20 de março de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Aqui na mata Atlântica onde aprecio, ao anoitecer, o retorno das aves aos ninhos e galhos de árvore, passou diante de mim uma gentil senhorita que deixou o carro na entrada do recanto em que eu estava, ela me deu boa-noite sobraçando um livro que estampa o retrato do autor, de longe identifiquei um guru hindu que vendeu milhões de exemplares nos Estados Unidos.
Com um sorriso cativante, ela estava feliz em caminhar por aqui, com destino além das vistas, usava um vestido, onde o comum na mata é o uso de short, camisa e bermudas. Isto lhe trazia um astral que lhe definia estar propensa ao namoro com a pessoa que desconheço. Daí surgiu a ideia de escrever a crônica namorar.
Lembrei-me ainda de Odaliscas, poesia de Leôncio Correia, que menciona um arpejo febril e ardente soluçando ao luar, evocando o primeiro beijo dos amores:
“E as estrelas no céu cercam a lua:
Odaliscas guardando eternamente
Alva sultana eternamente nua.”
A luz da lua esteve também no cenário da ópera La Bohème, de Puccini. Na cena em que aparece a ária Che gelida manina, ambientada num quarto, iluminado pela lua, está um casal. Um objeto cai ao chão, quando ela ia pegar, a mão dele a tocou, e ele lhe diz: “que mãozinha fria”. É uma cena de paquera muito interessante. Quem não gostaria de paquerar ao luar? O namoro começa assim.