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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

HOMENAGEM A BORNHAUSEN

Na expansão do Banco do Brasil, vale ressaltar a presença de Paulo Konder Bornhausen, sem dúvida, um dos 20 mais importantes diretores de toda a História da Empresa. Elegante no falar e no vestir-se, diplomata de fino trato e dono de inexcedíveis qualidades. Até mesmo nas dificuldades de expansão da Empresa, no exterior, legou-nos uma trajetória rica que engrandece o Banco do Brasil, o Brasil e o Mundo onde manteve contatos, a nível diplomático, para estabelecer novas agências externas. 
Enriquecendo a nossa bibliografia, a única que engloba textos autorizados do próprio autor da História do Banco do Brasil (1808/1951), Cláudio Pacheco, de vários ex-diretores, ex–presidentes (falecidos e sobrevivos), ex–ministro e ex–presidente de estatal, todos proferindo palestras que enaltecem a trajetória percorrida por ex–presidentes do BB, a obra Banco do Brasil dos meus tempos, de Paulo Konder Bornhausen é promissor, hoje e sempre.
Excelência de qualidade possuía a equipe de funcionários que colaboraram na atuação do diretor Bornhausen, dentre eles, podemos enumerar: José Joaquim Ferreira Machado e Silva, chefe-de-gabinete, Maria Stella Ferraro Maia, secretária, e os auxiliares Vitto Raphael dos Santos, Hélio Moreira Ramos, Irapuan Silveira da Rosa, Paulo Sérgio Barbosa Ferreira, João Alcides Rocha, Irapuan Paulo Salgueiro, Walter de Andrade Porto, Amaury Fragoso Ribeiro, Ricardo Alves da Cruz, e Necimen Barzelay.
O parlamentar das terras gaúchas, como tantos outros políticos (João Neves da Fontoura, Borges de Medeiros, Loureiro Neto, Pedro Simon), deslocado do Congresso Nacional, em 20/3/1967, por nomeação do presidente da República para presidir o Banco do Brasil, dirigiu missiva, datada de 12/3/2001, ao Paulo Bornhausen enaltecendo–lhe a trajetória coroada de louros. Vale destacar:
“No momento, quando tantos escândalos povoam o noticiário, posso afirmar que, durante nossa longa gestão, o nome do Banco do Brasil nunca apareceu na imprensa negativamente, porque todo o pessoal honrava a seriedade da Instituição”. (164) 
(164) NESTOR JOST, presidente do Banco do Brasil (20/3/1967 a 28/2/1974) – Apud Banco do Brasil dos meus tempos, de Paulo Konder Bornhausen – p. 16 – Editora Insular – Florianópolis – SC.
Além do recinto do gabinete do diretor, estavam subordinadas à Diretoria as Gerências de Carteira, distribuídas da seguinte forma: Agenor Nepomuceno Mendes, gerente da CREGE – Rio, João Maria Stefanon, gerente da GEREX, e Pedro Guerizzolli, gerente da CREGE, em Brasília–DF. A CREGE – Gerência da Carteira de Crédito Geral, inicialmente sob o comando do gerente Sylvio Vieira de Carvalho, foi dividida em 2 gerências: GEPRI (1ª Região) – gerente Agenor Nepomuceno Mendes e GESEG (2ª Região) – gerente José Rubens de Faria Cidade. Em 1971, Cidade assume o cargo chefe–de–gabinete PRESI.
Com a nomeação de Jorge Babot Miranda, em janeiro/1970, para a Diretoria da CREGE (6ª Região – DICAP – Estados: Paraná e Santa Catarina), houve o remanejamento do então diretor Paulo Konder Bornhausen para a CREGE (1ª Região – Guanabara, Rio de Janeiro, Espírito Santo).
As atribuições do recém-empossado diretor na CREGE – 1ª Região compreendiam ainda a direção da GELIC (Carteira de Liquidações) e as agências da rede externa, sendo, portanto, do ponto de vista político, a mais importante Diretoria. À época, não havia a Diretoria Internacional nem a Vice-Presidência da Área Internacional. Dessa forma, Bornhausen, ao lado de Nestor Jost, é o grande empreendedor que abriu o portal das agências do BB além da linha do equador. 
Quinta Avenida, 550 – New York – 1° de abril de 1969 – Inauguração da Agência do Banco do Brasil. A CBS, televisão americana, transmitiu imagens do evento. Pela primeira vez na história da televisão, imagens do exterior eram recebidas no Brasil, via TV–Rio. O retrato de Nestor Jost, presidente do BB (20/3/1967 a 28/2/1974) – p & b – 28 cm x 36 cm – Blackstone – Shelburne – New York – EE.UU, original custodiado pela Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil, integra a Galeria de Presidentes do Banco do Brasil (1854/2004) – 150 anos de imagens do BB. 
Foto n° 1 – BANCO DO BRASIL – New York – 1/4/1969 – À esquerda, PAULO KONDER BORNHAUSEN, diretor do Banco do Brasil (CREGE – 3ª Região – 12/8/1964 a agosto/1972) assina contrato, seguido do presidente NESTOR JOST e do ministro DELFIM NETTO. – Fonte: Banco do Brasil dos meus tempos, de Paulo Konder Bornhausen – Editora Insular – Florianópolis – SC – 2002.
Vale mencionar textos da crônica O OURO NO BB – blog Fernando Pinheiro, escritor – 25 de dezembro de 2012, na qual transcrevemos referências a respeito de Paulo Bornhausen, in verbis: 
Transportando esta informação aos dias de hoje, há o recrudescimento e o prestígio da palavra ouro, nos produtos que o Banco do Brasil vende. Retrocedendo aos idos de 1966, vimos o Banco do Estado da Guanabara colocar na praça o “cheque-verde” destinado a garantir o pagamento até o valor de Cr$ 20,00, independente de consulta de saldo na conta do correntista.
No depoimento de Irapuan Paulo Salgueiro, constante da obra Banco do Brasil dos meus tempos, de Paulo Konder Bornhausen, há informação de que surgiu no gabinete de Paulo Bornhausen, diretor do Banco do Brasil (1964/1972), um grupo de trabalho que apresentou o “cheque-ouro” destinado a cobrir pagamento dentro de uma linha de crédito aberta aos correntistas.
À frente desta iniciativa, estavam o próprio diretor e os funcionários do BB, Geraldo Machado (PRESI), Rogério Teixeira (Superintendência), Arnaldo Jorge Fábregas da Costa Júnior (DISEG), José Vitela (DIPRI), Irapuan Paulo Salgueiro, Waldyr Alves da Silva (DIQUA). Sucesso inigualável no mercado, os demais bancos passaram a adotar práticas semelhantes em suas operações.
Em agosto/1972, diante da Diretoria do Banco do Brasil que se reunia, o diretor Paulo Bornhausen apresentou o pedido de exoneração do cargo, reeleito, em abril/1972, para um novo período de 4 anos. 
A cena se desenvolve no Rio de Janeiro. O clima deixa transparecer uma reunião de intenso trabalho, revestida de uma aura poética que se desprendia das palavras de quem se despedia, com o cuidado de não quebrar a harmonia reinante. Uma despedida feliz marcada pelo livre desejo. 
Elegante em palavras imorredouras, a presença do diretor Bornhausen, diante de seus pares, se fez sentir mais do que os assuntos em pauta.
Em nome da Diretoria e do seu próprio nome, o presidente do Banco do Brasil, Nestor Jost, fez o uso da palavra para expressar sincero pesar no momento em que Paulo Konder Bornhausen os privava de agradável companhia: 
“Inteligência lúcida, raciocínio rápido, dedicação integral, tornaram-no logo destacado Diretor. Suas constantes viagens pelo Paraná, por Santa Catarina e pelo Rio Grande do Sul, onde lhe cabia superintender a CREGE, fizeram-no não só respeitado por clientes e funcionários como também, e com inteira justiça, lhe aumentaram o prestígio nos meios políticos, econômicos e sociais, com ótima repercussão para o Banco e para a coletividade a que nos cumpre servir.
Deslocado por força da reestruturação interna para a superintendência das operações do Banco na Guanabara, Rio de Janeiro e Espírito Santo, continuou V.Exª emprestando colaboração das mais úteis à difícil tarefa de avivar a economia das novas áreas sob sua jurisdição, não apenas examinando operações, mas patrioticamente preocupado com o estudo da conjuntura, visando à indicação de rumos para o desenvolvimento.
Na extraordinária e já vitoriosa marcha do Banco do Brasil nos grandes centros financeiros do mundo, devo destacar o fato de haver contado sempre com o seu apoio franco e decidido que somente emana de quem tem vocação política.
Como Presidente, agradeço-lhe os excelentes serviços prestados ao Banco do Brasil, como amigo e admirador, formulo os maiores votos para que não abandone de vez a vida pública, onde tantos êxitos identificam sua vocação.”
(168) 
(168) NESTOR JOST, presidente do Banco do Brasil (20/3/1967 a 28/2/1974) – Apud Banco do Brasil dos meus tempos, de Paulo Konder Bornhausen – p. 43 – Editora Insular – Florianópolis – SC – 2002. 
Dentre as autoridades que enviaram felicitações por atividades futuras, na carreira de Paulo Bornhausen, citamos: Mário Gibson Barbosa, ministro de Estado das Relações Exteriores, Francisco Negrão de Lima, governador do Estado da Guanabara, Laudo Natel, governador do Estado de São Paulo, Raul de Góes, presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Eric de Carvalho, presidente da VARIG, Filinto Müller, senador da República, Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Grupo Gerdau [BORNHAUSEN, 2002]. 
O homenageado, que se despedia do Banco do Brasil, recebeu manifestações de carinho, consagração gloriosa que ele mesmo jamais sonhara: banquete de gala para 1.200 talheres no Iate Club do Rio de Janeiro com sua honrosa presença, prestigiando o suntuoso evento [BORNHAUSEN, 2002].

HISTÓRIA DO BANCO DO BRASIL, de Fernando Pinheiro, obra disponibilizada ao público na internet no site www.fernandopinheirobb.com.br

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

BB/ALBB – BORGES DA FONSECA

No período de 2/6/1949 a 29/7/1949, o funcionário Pedro de Mendonça Lima exerce o cargo de presidente do Banco do Brasil, em caráter interino, e nomeia Herculano Marcos Borges da Fonseca, advogado letra “A”, secretário particular do presidente do BB e Raymundo Theodoro Alves de Oliveira, chefe de gabinete da Presidência (posse no BB: 19/1/1924, apos. 20/8/1956) que foi sucedido por Octávio de Castro Rodrigues (posse no BB: 14/11/1922, apos. 7/5/1953) [Revista AABB – 1949].
A foto mais importante do Banco do Brasil, sob o ponto de vista do funcionalismo, é a de nº 4 (de 1 a 540) da Exposição Banco do Brasil Através dos Tempos – Acervo: Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil – Curadoria: Fernando Pinheiro, em que aparece Pedro Luís Corrêa e Castro, nos idos de 1931, o primeiro funcionário a exercer interinamente o cargo de presidente do Banco do Brasil.
Foto n° 4 – BANCO DO BRASIL – Presidência – 14/9/1931 – Diretoria do Banco do Brasil: sentados, AFONSO PENNA JÚNIOR, PEDRO LUÍS CORRÊA E CASTRO (presidente interino – 5/9/1931 a 14/9/1931), MÁRIO BRANT; em pé, ILDEFONSO SIMÕES LOPES, JOSÉ MENDES DE OLIVEIRA CASTRO, FRANCISCO LEONARDO TRUDA e FRANCISCO ALVES DOS SANTOS FILHO. Fotografia original (dimensão: 22,5 x 16,5 cm) – Acervo: Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil.  
Em agosto de 1949, com a mudança de presidente do Banco do Brasil, Herculano Borges da Fonseca retoma o cargo de assessor técnico da SUMOC – Superintendência da Moeda e do Crédito, época em que ele estimula a ida de muitos funcionários ao exterior, a fim de receberem especializações em áreas técnicas, dentre os quais destacamos Ernane Galvêas.
Nos idos de 1950, Borges da Fonseca, ei–lo em Washington, DC, exercendo as funções de diretor–executivo substituto do FMI, durante seis meses, alternando com o diretor efetivo Octávio Paranaguá, brasileiro, radicado àquela época, nos Estados Unidos. Para gáudio nosso, o escritor Herculano Borges da Fonseca é o presidente–fundador da Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil, ocasião em que ele era o presidente da CVM – Comissão de Valores Mobiliários.
A situação política do Brasil, no ano seguinte (1929), influindo no cenário econômico, foi apresentada, em dezembro/1998, por Ernane Galvêas, funcionário que integrou a equipe de Herculano Borges da Fonseca, em palestra proferida em homenagem a Arthur de Souza Costa, presidente do Banco do Brasil (16/1/1932 a 23/7/1934), ministro da Fazenda (julho/1934 a outubro/1945), ao ensejo da realização do 2° Seminário Banco do Brasil e a Integração Social, evento promovido pela Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil. Á época, o ilustre palestrante presidia a APEC – Associação Promotora de Estudos de Economia. Anteriormente, no período de 18/01/1980 a 14/03/1985, era o ministro da Fazenda.
O evento foi prestigiado pela presença de Francisco Weffort, ministro da Cultura, Eduardo Portella, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Ronaldo Cunha Lima, senador da República, Juarez Moreira Lessa, delegado federal do Ministério da Agricultura no Estado do Rio de Janeiro, Mauro Orofino Campos, diretor–presidente das Docas do Rio de Janeiro, Paulo de Tarso Medeiros, representante do BB em Washington, DC, e, ainda, os diplomatas Giuseppe Magno, cônsul–geral da República da Itália, e Afonso Arinos de Melo Franco Filho que apresentaram, distintamente, o tema “Itália, luz mediterrânea” e palestras em homenagem a advogados e presidentes do Banco do Brasil.
A abertura da solenidade, presidida pelo escritor Fernando Pinheiro, teve a apresentação da música Invocação em defesa da Pátria (canto cívico-religioso) de Heitor Villa– Lobos pelo Coral dos Funcionários do Banco do Brasil, tendo como solista a soprano Marivi Santiago, sob a regência do maestro Alfredo Duarte.
Em retrospectiva, Ernane Galvêas lembra, em 1989, os tempos idos na Sumoc:
“O Herculano teve uma visão muito ampla de todos esses acontecimentos em relação ao que seria o trabalho na Sumoc, e mandou muita gente estudar fora. Ele estimulou muitas as pessoas a irem fazer cursos no exterior. O Guilherme Pegurier foi para o Fundo Monetário fazer curso de balanço de pagamentos, o Sidney Latini foi para o Fundo Monetário fazer curso de balanço de pagamentos. Casimiro Ribeiro foi para a Inglaterra... É. Eu ai... Havia um curso de “Teoria e Política Monetária” no México que muita gente ambicionava fazer. Era um curso de oito meses no CEMLA – Centro de Estudos Monetários Latino–Americano... Fiz o curso no México em 1954.” (71)
(71) ERNANE GALVÊAS – in Depoimento prestado, nos idos de 1989, à Fundação Getúlio Vargas – Rio de Janeiro – RJ.

Vamos observar o papel relevante de Sydney Alberto Latini no cenário econômico nacional, a partir da indústria de carros, no Brasil, ter nascido na gestão do presidente Juscelino Kubitschek, através do GEIA – Grupo Executivo da Indústria Automobilística. Para coordená-lo foi entregue a Latini que fazia parte do Conselho de Desenvolvimento do Governo Federal.
O economista Latini passou a coordenar, além das atividades do GEIA (1957/1963), as deliberações dos grupos executivos de autopeças e de matérias–primas. A liderança do ministro Lúcio Meira foi importante também na implantação da indústria automobilística (1956/1959) [Revista AABB – Rio – 1963].
Nos idos de 1963, Geraldo de Andrade Carneiro, diretor da CREAI, foi substituído por Érides Guimarães e o ministro Antônio Balbino nomeia o funcionário Sydney Alberto Latini (posse no BB: 1944), para o cargo de secretário da Indústria do Ministério da Indústria e Comércio.
Nos idos de 2007, a Editora Alaúde publica a obra A Implantação da Indústria Automobilística no Brasil, de Sydney Latini, membro do Conselho Técnico da CNC e do Conselho de Energia da FIRJAN.
Tempos mais tarde, em 19/8/1982, Herculano Borges da Fonseca é eleito presidente da Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil, no momento em que se apresentava como prestigiado autor das obras Regime Jurídico do Capital Estrangeiro – Editora Letras e Artes – 350 pp. (1963) e As Instituições Financeiras do Brasil (editada em português, inglês e francês, por Crown Editores Internacionais – 544 pp. (1976), com o Prefácio do Prof. Antônio Delfim Netto, ministro da Fazenda.
Segundo a Revista AABB – Rio – 1951 e confirmando o depoimento de Ernane Galvêas, em novembro/1951, à Fundação Getúlio Vargas, Guilherme Augusto Pegurier estava em missão especial da Presidência do Banco do Brasil.
Nesse mês (dezembro/1951), dentre outras nomeações oriundas da Direção Geral, Ernane Galvêas, perito de Balanço – Agência Central – DF, José Fernandes de Luna, secretário–de–gabinete (DG – CAMIO) e Mário Collazi D´Elia, inspetor da 28ª Zona (Catanduva), escritor de méritos reconhecidos por Agrippino Grieco que prefaciou o romance O neto de Laura Giolitti, de Mário C. D´Elia.
Nos dias 14 a 24 de outubro de 1963, foi realizada no Copacabana Palace Hotel, Rio de Janeiro, a 7ª Reunião dos Bancos Centrais do Continente Americano. A comissão organizadora do evento foi presidida por Francisco Medina Coeli, chefe-de-gabinete – PRESI [Retratos originais p & b – 24 cm x 17,5 cm – Acervo: Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil].
Foto n° 330 – COPACABANA PALACE HOTEL – Rio de Janeiro – 14/10/1963 – 7ª Reunião dos Bancos Centrais do Continente Americano – De pé, CARVALHO PINTO, ministro da Fazenda, profere o discurso de abertura do evento, ladeado à esquerda por ARTURO PÉRES GALLIANO, representante do Banco da Guatemala, e à direita, por NILO MEDINA COELI, presidente do Banco do Brasil (20/7/1963 a 31/3/1964). – Autorização concedida, em 20/12/2007, por  Anna Maria Medina Lower, filha de Nilo Medina Coeli, ao escritor Fernando Pinheiro.
Além da participação ativa de Inácio Copete–Lizarralde, gerente financeiro do Inter-American Development Bank, e do Prof. Robert Triffin, vale ressaltar a presença de Herculano Borges da Fonseca que integrou, com destaque, a delegação do Brasil, e, especificamente, a da SUMOC, no evento.
Herculano Borges da Fonseca, com bagagem rica de conhecimentos adquiridos na passagem pela Chefia do Departamento Econômico da SUMOC, exerceu, em épocas diferentes, os cargos de Diretor Executivo do FMI – Fundo Monetário Internacional, após ter concluído, nos idos de 1951, o curso de pós–graduação em assuntos econômicos, em Washington, DC, EE.UU; assessor da Presidência da República, e de diversos ministros. Mais tarde, em 19/8/1982, idealiza, cria e preside, para gáudio nosso, a Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil.
Ao abrir, com maestria, o discurso (é viva a emoção em falar sobre antecessor nosso na Presidência da Academia), Herculano Borges da Fonseca abordou o assunto Conjugação da Política Monetária com a Política Fiscal e a Política Salarial, destacando os fatores dos desequilíbrios na balança de pagamentos.
Vale mencionar que, à época, a SUMOC, com um quadro de cerca de 300 funcionários, possuía 4 pilares: Departamento Jurídico, chefiado por Jaime Bastião Pinto, Departamento Econômico, sob a chefia de Herculano Borges da Fonseca, Inspetoria Geral de Bancos e a Secretaria Geral [GALVÊAS, 1989].
A equipe do Departamento Econômico da SUMOC, conduzida por Herculano Borges da Fonseca, com quem Ernane Galvêas trabalhou junto, era formada por Casimiro Ribeiro, chefe da Divisão Econômica e assessores: Eduardo Silveira Gomes, Basílio Martins, Paulo Pereira Lira (área monetária), Guilherme Pegurier, Sidney Lattini (área externa de capitais estrangeiros). Nos idos de 1961/1963, Ernane Galvêas já não está na SUMOC, era assessor econômico do Ministério da Fazenda [GALVÊAS, 1989].
Herculano Borges da Fonseca era filho de Homero Borges da Fonseca (posse no BB: 12/6/1916, apos.: 11/1/1961) que desempenhou importantes funções na agência do Banco do Brasil em Buenos Aires, Argentina, e tesoureiro da Matriz, sediada no Rio de Janeiro.
Na coluna Olhando para trás... de Rodolpho Ambronn, observamos que, no período de 1901 a 1945, o Banco do Brasil teve apenas 6 tesoureiros: João Antônio Fernandes Pinheiro (veio a falecer quando estava ainda em atividade profissional), Carlos Lírio, Francisco da Gama Berquió, Manoel Pinto Miranda Montenegro, Jorge de Figueiredo e Homero Borges da Fonseca [Revista AABB – Rio de Janeiro, edição out/nov/1945].
Dentre as disponibilidades verificadas em abril/1966, destacamos: Herculano Marcos Borges da Fonseca, COJUR, Ministério da Indústria e Comércio, Hugo Rocha Braga, DG, Banco Central, ambos iriam mais tarde, em épocas distintas, presidir os destinos da Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil, bem como as disponibilidades dos funcionários José de Ribamar Bastos da Silva, Agência Senador Pompeu – CE, para Governo do Estado do Maranhão, Miguel Tavares, CACEX, Gabinete do Ministro Extraordinário para Coordenação de Organismos Regionais, Raul Santos Costa, Cuiabá – MT, Governo do Estado de Mato Grosso, Regina Maria Benevides da Rocha, DG, Banco Central [Revista AABB – Rio – 1966].
Eleito em 2/10/1995 para ocupar a Cadeira que pertenceu a Herculano Borges da Fonseca, Victor Giudice (1934/1997) não chegou a tomar posse na Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil, devido ao prolongado estado de enfermidade que o levou à morte física, em 22/11/1997. [LEMBRANÇAS AMÁVEIS (VII) – 29 de julho de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Amado pela classe artística, Victor Giudice teve a solidariedade da sociedade carioca que promoveu concertos beneficentes no Espaço Cultural FINEP e na Sala Cecília Meireles, com a finalidade de angariar fundos para pagamento de despesas hospitalares, pois àquela altura, nos idos de 1997, o Serviço Médico do Banco do Brasil, implantado pelo presidente Guilherme da Silveira (1ª gestão: 11/9/1929 a 24/10/1930), já não mais existia. [LEMBRANÇAS AMÁVEIS (VII) – 29 de julho de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].

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terça-feira, 30 de agosto de 2016

VALSA PARA BRUNO STEIN

Ambientado no município de Caçapava do Sul (RS), o filme Valsa para Bruno Stein dirigido por Paulo Nascimento, nos idos de 2007, inspirado no romance de Charles Stein, traz no elenco os principais artistas: Walmor Chagas (Bruno Stein), Ingra Liberato (Valéria), Fernanda Moro (Verônica), Marcos Verza (Gabriel). A música é de André Trento. Realização Accorde Filme, com patrocínio da Petrobras. Classificação indicativa: 12 anos.
O filme rendeu à atriz Ingra Liberato o troféu Kikito de melhor atriz no longa brasileiro no Festival de Gramado – 2007. Ao receber o prêmio ela agradeceu as pessoas que a apoiaram na realização do filme por fazer um papel, no dizer da atriz: “uma personagem interiorizada, tão sutil, tão linda”.
Conforme mencionada pela repórter da TV Brasil que entrevistou a atriz Ingra Liberato, “esse filme foi a volta ao cinema do ator Walmor Chagas, depois de ter feito São Paulo Sociedade Anônima”. Em outra entrevista, o diretor Paulo Nascimento, disse que Valsa para Bruno Stein é “um filme que fala da alma das pessoas”.
O cenário é uma casa no interior onde vive Bruno Stein e a família. Imigrante alemão, ele conserva o costume de seus ancestrais no labor de uma pequena olaria com quatro empregados e, na vida particular, cultivando a arte na tentativa de fazer esculturas no barro.
O filme começa com a chegada de Gabriel que veio à procura de serviço. Bruno Stein o emprega sem ter preocupação com referências pessoais. A mulher dele o questiona dizendo que ele contratou esse moço sem ao menos conhecê-lo. A resposta foi imediata: “conheço as pessoas pelo jeito que elas me olham”.
Quando Verônica se prepara para ir à vila, a mãe dela pergunta se ela já teve envolvimento íntimo com outra pessoa. A filha acha isso fora de moda e vai mais fundo declarando que já se entregou, sim, empregando uma expressão mais popular.
Num lance em que a irmã de um colega de trabalho de Gabriel o aborda com a intenção de alfabetizá-lo, ele aceita o convite todo feliz. Quando ela se retira na caminhonete do irmão, chega Bruno Stein e lhe diz sorrindo: “ela é uma bela mulher. É preciso ter coragem para ser feliz.”
Há um enlevo à flor da pele aflorando em furtivos momentos de solidão entre Bruno Stein e Valéria, sogro e nora. Primeiro, quando ele está na biblioteca lendo um livro em alemão, ela se aproxima e estende as mãos, ele também estende as mãos por cima das mãos dela, mas não a toca.
Outras cenas similares acontecem: quando ele se prepara para tomar banho, entra no banheiro e vê Valéria debaixo do chuveiro, aquela impressão de encantamento lhe envolve com febril emoção.
Numa noite em que não pôde conciliar o sono, ao lado da mulher, Bruno Stein diz a ela que vai respirar lá fora um pouco de ar e, no alpendre da casa, vê a luz de lampião acessa na casinha de hóspede. Vai até lá e surpreso vê Valéria, vestida de camisola, que se entrega a ele com incontida paixão. Ele a corresponde no mesmo calor.
A neta Verônica, insatisfeita com a vida pacata do lugarejo, num jantar comunica a família a decisão de partir para cidade onde pretende refazer a vida.
Há um conflito de gerações: ela quer saber o que pensa o avô, ele disse que ela já tomou a decisão e foi mais austero ao mencionar que ela está sendo influenciada pela televisão e concluiu dizendo que ela está com o demônio. Ela lhe respondeu, de pronto: “o demônio só existe em sua cabeça”. Ele se retirou da sala de jantar, formigando mil pensamentos.
Depois de algum tempo, já na cidade, Verônica escreve a mãe dela dizendo que encontrou um emprego e está estudando, mandando abraços para o avô que recebe a notícia no alpendre da residência.
O título do filme Valsa para Bruno Stein é em decorrência do sonho que Bruno Stein teve ao ouvir um violinista tocar uma música para amenizar seus dias numa relação em que não havia uma comunicação integral devido à solidão em três gerações na mesma família, no mesmo lugar. São três gerações convivendo dos problemas em comum que se entrelaçam.
Numa narrativa que virou lenda, o astrônomo Jérôme Lalande teria dito que o diabo viera aprender com o compositor Giuseppe Tartini (1692-1770), em troca de satisfações pessoais, isto aconteceu também com o personagem Fausto, de Goethe. No final das aulas, o compositor entregou-lhe o violino, a fim de testar a habilidade do inusitado aluno. [SONATAS DE TARTINI – 2 de abril de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor] 
Tempos depois, nos idos de 1824, o pintor Louis-Léopold Boily retratou num quadro o sonho de Tartini com o diabo. Para surpresa do compositor, o diabo tocou tão bem que Tartini ficou impressionado com o virtuosíssimo apresentado que lhe inspirou compor Devil´s Trill Sonata in G minor, revelando que a música sonhada era muito superior a que ele tinha escrito. [Wikipedia, la enciclopedia libreApud SONATAS DE TARTINI – 2 de abril de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Atores que completam o elenco do filme Valsa para Bruno Stein: Nicola Siri, Araci Esteves, Sirmar Antunes, Leonardo Machado, Clemente Viscaino, Yonara Karam, Sérgio Mantovanim.

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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

BALÉ DON QUIXOTE

Don Quixote é a história de Kitri, uma garota volúvel que ama Basílio, um barbeiro sem dinheiro, contra a vontade do pai. Nesse percurso para ser feliz, ela anda por um mercado de praça onde estão moradores, toureiros, artistas de rua e as andanças do cavaleiro titular e seu escudeiro, Sancho Pança. [The Guardian – 31 de julho de 2016].     
No Ato 1 do balé Don Quixote a cena se desenvolve no mercado de praça em Barcelona com muita música folclórica. Quando Kitri aparece, a multidão vai à loucura. Os toureadores a cortejam em danças alegres, colocando balizas por onde ela tem que passar. Quando ela demostra predileção por Basílio, o pai dela chega e separa os dois, não se conformando com a situação.
Vale mencionar algumas estrelas do balé que interpretaram, nos últimos anos, os personagens Kitri e Basílio: Olesya Novikova e Leonid Sarafanov (Mariinsky Theatre, 2006), Miki Hamanaka e Demiil Simkin (Lithuanian National Opera – 2007), Svetlana Zakharova e Andrei Uvarov (Bolshoi Ballet – 2009), Sylvie Guillem e Nicolas Leriche (Paris Opera Ballet – 2009), Evgenia Obraztsova e Vladimir Shklyarov (Mariinsky Theatre – 2011), Maria Alexandrova e Mihail Lobuhin (Bolshoi Ballet – 2012), Paloma Herrera e Cory Steams (American Ballet Theatre – 2014).  
No Ato 2 é o momento idílico dos namorados Kitri e Basílio que trocam olhares e gestos apaixonados, a dança tem enlevo embriagador impulsionando a coragem de quem ama de verdade. Mas surge um grupo de ciganos que separa o casal. Ainda no segundo ato, temos Mercedes Variation apresentada por uma dançarina de rua ou de estrada.
Vale mencionar as bailarinas famosas que interpretaram Mercedes, nos últimos anos: nos idos de 2015, Svetlana Gaida no Kraków Centre Ballet Theatre; em 2013, Eun Won Lee no Korean Ballet Association; em 2012 Laura Hecquet no Paris Opéra Ballet; em 2010, Jaclyn Ann Higgins no Hungarian National Ballet, Yulia Stepanova no Mariinsky International Ballet Festival, Rússia; em 2008, a bailarina Luiza Bertho esteve se apresentando com a Companhia Brasileira de Ballet no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e, em 2007, Ekaterina Kondaurova em Kirov Mariinsky.
Com cenário que aparece moinhos de vento, Don Quixote e seu fiel escudeiro Sancho Panza entra no meio da confusão, como a fazer justiça diante do amor do casal que foi prejudicado pela presença dos ciganos. Com a luta renhida, ele adormece e tem um sonho.
Esse sonho foi narrado em nossa crônica de 31 de maio de 2016, ressaltando a presença de Cupido e Dulcineia, a seguir: 
Cupid Variation aparece no 2º Ato do balé Don Quixote, de Ludwig Minkus, coreografia de Marius Petipa. No romance de Miguel de Cervantes a busca de Don Quixote de La Mancha estava na situação e na circunstância em que ele mesmo definiu em versos:
“Sonhar o sonho impossível
Sofrer a angústia implacável,
Pisar onde os bravos não ousam,
Reparar o mal irreparável,
Amar um amor casto à distância,
Enfrentar o inimigo invencível,
Tentar quando as forças se esvaem,
Alcançar a estrela inatingível:
Essa é a minha busca.”
– Don Quixote, de Miguel Cervantes
Na coreografia do balé, Don Quixote estende os braços tentando acompanhá-las, mas não tem jeito para dançar, mesmo assim ele as acompanha. Cavaleiro que é, ele se ajoelha, faz gesto de mãos ao peito e oferece a espada a Cupid, mas ela não está ligada em espada, apenas na dança que inspira o amor. [CUPID VARIATION – 31 de maio de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
A amada Dulcineia se aproxima de Don Quixote, mas ele não pode tocá-la, não a alcança porque a dança está em movimento. Fica então parado, uma pequena dançarina o puxa para o meio do salão, mas ele não a acompanha, então, levanta as mãos, acompanhando a música, sai da cena de dança e fica nos fundos vendo as bailarinas dançar. [CUPID VARIATION – 31 de maio de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
O Ato 3, no dizer da bailarina russa Natalia Osipova, em entrevista concedida, nos idos de 2014, ao ensejo da apresentação do balé Don Quixote no Teatro alla Scalla di Milano: “o terceiro ato é um tributo ao clássico com grandes pas de deux”. 
Vale salientar que o balé Don Quixote, de Ludwig Minkus, com um prólogo e 3 atos, coreografia de Rudolf Nureyev,  apresentou, em 25 de setembro de 2014, no Teatro alla Scalla di Milano, trazendo no elenco o maestro Alexander Titov, diretor da Orchestra del Teatro alla Scala, Makhar Vaziev, diretor artístico do Corpo de Baile do Teatro alla Scala, Massimo Tomirotti, diretor de produção, e os seguintes personagens e intérpretes:
Don Quixote (Giuseppe Conte), Sancho Panza (Gianluca Schiavoni), Lorenzo (Matthew Endicott), Kitri/Dulcineia (Natalia Osipova), Basílio (Leonid Sarafanov), Gamache (Riccardo Massimi), Una ballerina di strada (Vittoria Valerio), Due amiche di Kitri (Lusymay Di Stefano, Denise Gazzo), Espada (Christian Fagetti), La regina delle Driadi (Nicoletta Manni), Um zíngaro (Antonino Sutera), Amore (Serena Sarnataro), Due zíngare (Deborah Gismondi, Emanuela Montanari), Il Re e la Regina degli zingari (Luigi Saruggia, Caroline Westocombe), Uma damigella d´onore (Virna Toppi), Solisti fandango (Vittoria Valerio, Christian Fagetti).
É oportuno mencionar que O Sonho de Don Quixote, coreografia de Márcia Haydée, está em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, de 12 a 22 de novembro de 2016 – São Paulo – Companhia de Dança. Anteriormente, em julho de 2016, a estrela da dança Márcia Haydée, dirigindo o Ballet de Santiago, Chile, apresentou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro a versão para balé de Zorba, o grego.
No filme transmitido pela RAI, o maestro Alexander Titov disse que “este balé tem claramente uma música romântica e muito alegre, muito vivaz que causa emoções positivas”. O bailarino Leonid Sarafanov fez uma referência à bailarina Natalia Osipova: “a partner é a razão de motivação porque você precisa estar ao nível dela e pular tão bem como ela faz.”

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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

DANÇA DE ANITRA & CANÇÃO DE SOLVEIG

Grande cobertura da Olimpíada Rio - 2016, parabéns. Você falou em marroquinos, vai uma crônica A DANÇA DE ANITRA, de Fernando Pinheiro, que se passa em Marrocos.
No Youtube, a bailarina Elena Kulagina apresenta A Dança de Anitra que faz parte do 3º movimento da suite Peer Gynt, de Grieg. Na coreografia do balé, Anitra dança tentando seduzir Peer Gynt que estava acompanhado por uma mulher do grupo de beduínos.   
Nas andanças de Peer Gynt, percorrendo montanhas, bosques, desertos e mares, chega a Marrocos onde se torna um homem rico e de sucesso, graças ao comércio de escravos. Ao revelar como se tornou um homem de negócios, os seus sócios ficaram com inveja e roubaram-lhe o barco e as jóias.
Andando a esmo pela orla marítima, ele se depara com um cavalo, roupas e jóias roubadas e abandonadas pelos ladrões. Ele recolhe os achados e passa a se vestir na indumentária de um emir. Nessa nova aparência, um grupo de beduínos o recebe com regalias. Anita o seduz e rouba-lhe os pertences encontrados. [Peer Gynt: encontros e diálogos com a Psicanálise, de João Rodrigo Oliveira e Silva].
A Dança de Anitra esteve na temporada de 2014 no Teatro Municipal de Santiago, uma das danças do balé Peer Gynt, com coreografia de Ben Stevenson, sob a direção de Márcia Haydée, diretora artística do Balé de Santiago, Chile. O papel de Peer Gynt coube a Lucas Alarcón, primer bailarin del Ballet de Santiago.  
A Dança de Anitra está no Youtube (vídeo de Anekcon Epmakob) na cronometragem 1:21:41 a 1:24:01. Nesse vídeo, depois da dança, o bailarino Lucas Alarcón, primer bailarin del Ballet de Santiago, está no papel de Peer Gynt, faz pas de deux com Anitra, interpretada por uma bailarina que não conseguimos identificar. Na coreografia, quatro guarda-costas do sheik, pai de Anitra, vão para cimar de Peer Gynt e o separa de Anitra, depois ele toma uma surra enorme. 
A aventura em Marrocos não foi proveitosa para Peer Gynt. Lá, ele ganhou muito dinheiro, mas sofreu perdas por roubo de pessoas que se aproximaram dele: seus sócios e a mulher que o seduziu dentro de uma dança.  
No encontro de casais, onde o dinheiro é o interesse maior, revela um jogo sedutor em que o sexo é o ponto central do envolvimento. Sexo pago e sexo a pagar dá no mesmo sentido. Pode até haver uma sedução para atrair, com ou sem envolvimento íntimo, que não sabemos até quanto foi o grau em que esteve Anitra. O certo é que ela rejeitou as investidas de Peer Gynt, as mesmas que ela fez a ele, pois no encontro as partes são envolvidas.
Desde o início, já é demonstrado o que uma pessoa quer da outra, se não é percebido, é porque uma delas deseja se envolver, sem ligar para a qualidade do relacionamento que está por vir e que logo acontece quando a escolha ou a aceitação é decidida.
A personalidade de Peer Gynt, aventureiro e desbravador de cenários diversos (montanhas, bosques, desertos e mares), é abordada na obra Peer Gynt: O problema do homem para amar, de Rollo May: “o mito da masculinidade do século XX, pois é uma representação fascinante dos padrões psicológicos e dos conflitos do homem contemporâneo.” (May, 1992, p. 143 – Apud [Peer Gynt: encontros e diálogos com a Psicanálise, de João Rodrigo Oliveira e Silva].
No entanto, em nossa apreciação, o melhor da história de Peer Gynt está no regresso dele à terra natal, onde reencontra o amor de sua vida, desde os tempos da mocidade, retratado na Canção de Solveig que comentamos no post de 15 de outubro de 2012 – blog Fernando Pinheiro, escritor:
Derramando uma envolvente doçura, a voz de Solveig cantava uma canção que falava da espera do seu amado que tardava tanto a chegar. Grieg, o compositor norueguês, a   retratou em sua suíte Peer Gynt.
O romance do casal, narrado em peça dramática pelo escritor Henrik Ibsen, começou em olhares que buscavam a mesma direção, numa festa de casamento em que se  apresentaram como convidados.
 Ela estava acompanhada de seus pais e trazia em suas mãos um livro de cânticos enrolado num lenço. Seus cabelos de cor-de-trigo, seus olhos de um azul turquesa brilhavam como  as lâmpadas da festa.
 Apenas um encontro de olhares, o suficiente para Solveig não perdê-lo de vista em seu coração, embora seus olhos iriam procurá-lo pelas distâncias. O amor tem esses enigmas, esses laços que prendem, não importando as circunstâncias.
 O tempo passa como passam as paixões que incendeiam os desejos inocentes para depois mergulharem no vazio. E, assim, vamos encontrar, na velhice, Peer Gynt voltando para a  cabana onde mora  Solveig.
Vestida de roupa de domingo, carregando o mesmo livro de cânticos enrolado num lenço, como  naquele primeiro encontro, ela pressente a chegada dele e canta a canção que fala de um  amor inesquecível.
 Ao ouvi-la, ele fica atônito, deslumbrado e, acostumado à vida peregrina, não sabe o que fazer. Põe-se a correr pelos campos como a procurar o que já havia encontrado.
 Num impulso que não entende, volta à porta da cabana completamente derrotado pelas ilusões que buscou pelo mundo afora e pede para ela se queixar em voz alta de todos os erros  dele.
 Solveig, esbelta e doce, continuou em sua voz enternecida: “bem-vindo, meu querido, que fez de toda a minha  vida um cântico de amor! Que bom que você voltou!”
Ainda sentindo as emoções em desalinho que o passado refletia naqueles momentos, Peer Gynt ficou desanimado e  falou que  estava  perdido.
A voz de Solveig procura desmanchar a atmosfera sombria em que se encontrava o seu amado, como sol que surge lentamente no horizonte diluindo as brumas do amanhecer.
 O amor tem esse dom: desfazer o avesso e repor o lado direito, lá onde os sonhos aparecem para revelar que a vida tem um sentido bem maior do que aquele em que a nossa  imaginação buscava encontrar.
O aventureiro abatido pediu à sua amada para decifrar o enigma que o atormentava: “onde eu estive durante todo o  tempo em que você não me viu?”
A resposta de quem ama é fácil demais: “você estava onde sempre esteve: em minha fé, na minha esperança, meu amor”, respondeu ela, completamente enternecida.
 Peer Gynt sentiu-se como filho que volta ao lar, e um carinho todo especial, misturado à proteção que sua amada  estava  lhe oferecendo, tocou-lhe  mais  fundo.
 Enquanto o sol se levantava, ela começou a cantar uma doce canção de ninar. Peer Gynt descansava sua cabeça atribulada pelas aventuras sem direção naquele recanto onde sentiu o seu coração bem perto de sua amada.
 A Canção de Solveig é o cântico feliz de quem ama e  confia no amor. E, por assumir uma posição superior aos declínios do caminho, a sua presença vem sempre  acompanhada de proteção.  Alma que redime alma. Não importa se a mulher revela o seu lado materno quando há necessidade para desfazer traumas de caminhos de espinho.
Quem não gostaria de recompor as vestes que estão pelo avesso, apenas numa atitude simples que revela o lado bonito onde podemos nos sentir felizes, caminhando, passeando e principalmente ao lado dos amores que nos encantam   vida!
 A Canção de Solveig é a canção que prepara o leito, as condições para dormir e, num clima refeito das energias gastas, o recomeço de um novo dia em que o amor surge como se fosse  o instante primeiro.

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domingo, 21 de agosto de 2016

THE TAMING OF THE SHREW

The Taming of the Shrew, balé inspirado em A Megera Domada, obra do dramaturgo inglês William Shakespeare, com coreografia de Jean-Christophe Maillot, música do compositor russo Shostakovich, faz parte do repertório do Bolshoi Ballet desde 4 de julho de 2014, quando estreou em Moscou, Rússia. [The Guardian – 16/07/2016].
O enredo se passa na cidade de Pádua, Itália, onde reside o senhor Batista Minola, homem muito rico e respeitado, pai de duas filhas moças: Catarina, a mais velha, a megera domada, e Bianca, de temperamento dócil, aguarda o casamento da irmã para poder casar, conforme o desejo do pai.
A personagem Bianca é uma garota estudiosa e muito bonita, a filha mais nova de Batista. O jovem Lucêncio veio de Pisa para cursar filosofia na Universidade de Pádua, ao encontrar Bianca fica apaixonado. Ele se apresenta ao pai das meninas como professor de línguas, um motivo para poder estar ao lado de sua amada. [Wikipédia, a enciclopédia livre].
No 1º Ato, o casal se apresenta dançando: Bianca veste uma saia colegial azul e blusa branca de manga comprida, Lucêncio usa camisa social branca, calça cinza escuro e um cinto de pano azul para combinar com a cor da saia dela, há um aconchego entre ambos desde o primeiro instante da chegada de um ao outro.
Ele dá de presente a Bianca um livro de capa vermelha. Enquanto ela está lendo o livro, a irmã mais velha chega e a toma de suas mãos. Um beijo surge no romance que se inicia. Ao ver o casal se beijando, Hortêncio, outro pretendente de Bianca, corre em direção deles e a afasta de Lucêncio.
No 2º Ato – Pas de deux Bianca (Olga Smirnova) e Lucêncio (Semyon Chudin), a dança é realizada ao som do Prelúdio da Suite The Gadfly, Op. 97, de Shostakovich. A vestimenta deles agora é mais social, ele usa passeio completo, sem gravata, e ela um vestido social azul e branco. Num momento da danças, ambos fazem dois aros, cada um unindo as mãos no abraço entrelaçado entre os dois.
No cinema A Megera Domada foi encenada, nos idos de 1967, pelos atores Elizabeth Taylor, no papel de Kate, e Richard Burton, interpretando Petruchio, no filme dirigido por Franco Zeffirelli. No Brasil, há referência da obra nas novelas A Indomável, de Ivani Ribeiro, na Rede Excelsior, O Machão, de Sérgio Jockyan, na Rede Tupi, e o Cravo e a Rosa, na Rede Globo de Televisão [L.B.F. – 6/11/2013].
Outros personagens de A Megera Domada: Petrúquio, amigo de Hortênsio, está à procura de uma moça rica para casar, e termina se casando com Catarina. Trânio, órfão, foi adotado pelo pai de Lucêncio, tem a missão de ajudar o patrão Lucêncio a se casar com Bianca. Grêmio, de idade avançada, pretende casar-se com a Bianca, mas o pai dela o recusa. [Wikipédia, a enciclopédia livre].
A versão de John Cranko do balé The Taming of the Shrew, criada em 1969, tinha inicialmente a apresentação da bailarina brasileira Márcia Haydée, no papel de Kate, balé premiado em Stuttgart, Alemanha. – The Guardian – 16/07/2016.
O balé The Taming of the Shrew, apresentado pelo Bolshoi Ballet, traz no elenco os principais dançarinos: Ekaterina Krysanova (Catarina) e Vladislav Lantratov (Petruchio), Olga Smirnova (Bianca) e Artemy Belyakov (Lucêncio). O bailarino Semyon Chudin também interpreta o personagem Lucêncio. [The Guardian – 16/07/2016].

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sábado, 20 de agosto de 2016

PÉGASO (LIV)


Ao dar prosseguimento à Série Pégaso, vale assinalar os 3 primeiros parágrafos, constantes do início desta série, com o propósito de revelar aspectos do mundo astral:
A ideia ideoplástica é a matéria-prima usada pela mente humana que a transforma ao seu bel-prazer. O pensamento é o condutor que plasma as formas figuradas e elaboradas na projeção do propósito alcançado. A arte vive nesse meio.
O pensamento é um atributo do espírito e flui em correntes de variadas expressões que se modificam de acordo com o comando recebido.
O pensamento plasma a beleza como também pode criar modificações diferentes da beleza original em circunstâncias que a degeneram.
Estava perto de uma árvore onde tinha feito uma catarse, essa necessidade em que coloquei para fora os miasmas que tiveram vida que dei ao pensar na turbulência em que o mundo vive. Daí a importância de não criticar nada quanto mais julgar as ocorrências deste mundo em mudança de consciência global. Não era o meu caso, mas o simples fato de curtir, num click da internet, algo que não tinha identificação com o meu mundo interior.
Um batalhão de mulheres, sem uniforme militar, apareceu à minha frente, em desfile sincronizado com a marcha militar que eu não a ouvia, mas pelos gestos femininos estava em harmonia musical. Era a egrégora que tomou conta do Brasil ao ensejo da realização dos Jogos Olímpicos – Rio – 2016.
Dentre as mulheres, numa fração de segundo, escolhi uma para admirá-la. Num átimo, ela percebeu o meu olhar e continuou séria, marchando com passos firmes, dando a  entender que não estava para namoro naquela hora.
A fração de segundo é um termo usado para estabelecer o tempo máximo percorrido na conexão entre dois pólos. Esse record foi batido na teoria do cientista egípcio, ganhador de Prêmio Nobel de Química – 1999 por seu trabalho em capturar imagens ultra-rápidos de reações atômicas.
Ahmed Hassan Zewail (1946/2016), o primeiro egípcio – primeiro árabe – a ganhar o Prêmio Nobel de Química  decifrou um enigma que a ciência buscava entender nas reações químicas desdobradas, passo a passo, em escalas de tempo de milionésimos de um bilionésimo de um segundo, graças ao uso de pulsos de laser ultracurtos. [The Telegraph – 8/8/2016 – Apud LANTERNA DE ZEWAIL – 11 de agosto de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
É oportuno destacar no assunto os textos contidos na crônica Egrégora – 23 de março de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor, a seguir transcritos:
A ressonância mórfica, divulgada no nascedouro pelo Dr. Rupert Sheldrake: “o padrão de como agimos e do que somos seres humanos”, é ainda apreciada como hipótese pela ciência. Essa hipótese, assim como a constelação familiar, está no emaranhamento quântico em que tudo se interliga.
Consta-se de extensa bibliografia que há mais de 30 anos os cientistas estavam estudando o comportamento dos animais nas ilhas do Oceano Pacífico e nesse estudo foi observado que uma macaca limpava a batata doce antes de comer. Quando um determinado número de macacos começou a repetir o gesto da macaca, todos os macacos das ilhas vizinhas, sem se conhecerem, começaram a lavar a batata doce.
Os animais, inclusive o homem, estão subordinados a comportamento repetitivo, aprende-se com maior facilidade uma língua estrangeira, repetindo frases que estão sendo estudadas, e se um gatinho olhar outro gatinho comer numa vasilha, o segundo gatinho vai repetir o gesto do primeiro.
O inconsciente coletivo de Carl Gustav Jung, abrigando uma teoria psicológica, já demonstrava que existe um campo em comum onde tudo se aglutina, esse tudo daquela época estava ligado à psique, hoje apreciada numa visão biológica de campos mórficos de Sheldrake.
A ressonância mórfica é revelada no comportamento das torcidas de jogos e nos eventos de show onde o palco comanda as emoções dos espectadores, sem falar no modismo das pessoas que usam piercing e tatuagem, o uso igual das roupas femininas quando a saia sobe acima do joelho.
O efeito Maharishi, nome atribuído a Maharishi Mahesh Yogi (1918/2008), um dos divulgadores nos Estados Unidos, Inglaterra e Países Baixos, da Meditação Transcendental, tem um efeito surpreendente que alcança objetivos reveladores, assim como uma simples oração, como a luz acesa na escuridão, dissipa as trevas.
Em outro cenário do mesmo sonho, eu vi em minha mesa de trabalho um processo de empresa referente à operação de câmbio do Banco do Brasil, conduzida por mim, desde a parte escrita no papel e datilografada, com assinatura do gerente que a aprovou integralmente, sem nenhuma modificação.
Na imensa sala, onde havia apenas uma mesa, a ocupada por mim, eu disse isso aos colegas que estavam em pé em minha frente, eles responderam, com sorriso: “É, o Piauí tem pessoas notáveis”, estavam se referindo à terra natal do gerente, depois superintendente da Carteira de Câmbio – Direção Geral – Banco do Brasil que assinou o parecer, encaminhado ao Diretor, já de volta com aprovação.
E tinha mais, um bilhete dizendo: “se precisar de alguém, eu mandarei para lhe ajudar.” Era o cuidado e o zelo que ele tinha na condução dos negócios da empresa. Não havia necessidade, fiz tudo sozinho, e providenciei a comunicação à Agência, operadora de câmbio, do deferimento do pleito.
Sou imensamente grato a esse ex-superintendente do Banco do Brasil pela palestra “Saga protagonizada por brasileiros fantásticos”, proferida na entidade cultural que presido, e transcrita, com autorização, na obra HISTÓRIA DO BANCO DO BRASIL, de Fernando Pinheiro.
Evocando o pensamento do poeta hindu Tagore, “nada no universo fica incompleto”, estou agradecido ao ilustre parnaibano, que respirou os ares do mundo, pelo reconhecimento do meu trabalho, quando estava na ativa no Banco do Brasil, no campo magnético onde os pensamentos percorrem distâncias em busca da beleza.

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