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sábado, 30 de julho de 2016

LEMBRANÇAS AMÁVEIS (VIII)

Maestro e compositor, Rossini Silva (posse no BB: 12/7/1923, falec. 15/8/1955), nos idos de 1939, funcionário da Agência de Florianópolis – SC, apresenta ao público de Floripa, em julho/1939, suas composições “Impressões” (sonata), “Mariotti” (valsa) e “O amor se foi ...” (fox) tocadas ao violão, na sede do Sindicado dos Bancários, prestigiado pela presença dos funcionários Walter Lange, Ney Varela, Daniel Faraco, entre outros. No mês seguinte, o inspetor Mello Nóbrega está em disponibilidade do Banco Português do Brasil [Revista AABB – 1939].
Cearense da cidade de Redenção, Rossini Silva, violonista e compositor das peças musicais Sonho de Harpa, Sinfonia do Guarani e Gemidos ao Luar, entre outras, mereceu destaque na literatura portenha: Silva, Rossini – Guitarrista y compositor brasileno, de muy destacada actuación em su pais [Domingos Prat in Dicionário Biográfico, Bibliográfico, Histórico e Crítico – Apud “Hobby”, por Mário Nogueira – Revista AABB – Rio – dez/1949].
Nos idos de 1948, quando o médico Guilherme da Silveira dirigia os destinos do Banco do Brasil, o funcionário Lourenço da Fonseca Barbosa, Capiba (posse no BB: 16/9/1930, apos. 1/2/1961) escreveu a canção Alamôa, retratando uma lenda do arquipélago Fernando de Noronha que narra a história de um trágico romance de amor, com reminiscências de noites de assombração em dias de temporal.
Sobre o autor, ressaltamos que, nos idos de 1943, escreveu a canção Maria Betânia, destinada à Senhora de Engenho, peça teatral de Mário Sette, dirigida pelo teatrólogo Hermógenes Vianna (José Hermógenes de Araújo Vianna – posse no BB: 8/9/1920, apos.: 1/11/1950), membro da Academia Pernambucana de Letras. Posteriormente, a canção foi gravada pelo cantor Nelson Gonçalves, hoje um dos maiores clássicos da música popular brasileira. Outro sucesso do compositor foi a canção Serenata Suburbana, na voz de Dalva de Oliveira. 
A respeito do disco Mestre Capiba – Raphael Rabello e convidados, lançado, nos idos de 2002, sob o patrocínio do Banco do Brasil, estatal que divulga a memória nacional, os arranjos são perfeitos nas mãos do mais genial violinista brasileiro [PIMENTEL, 2002].
Na área erudita, Capiba escreveu um concerto para piano e outro para flauta, um trio para violão, violino e cello, e ainda uma suíte para piano, orquestrada pelo compositor Guerra Peixe. Nos idos de 1950, obteve o 2° lugar no concurso comemorativo ao 1° Centenário do Teatro Santa Isabel, na capital pernambucana, com a apresentação de uma abertura solene para orquestra sinfônica. [...] 
No movimento lento, com simplicidade e vivo, a música Tu e o vento, do maestro e compositor Edino Krieger, escrita em 2/5/1954, em Teresópolis, na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, traz a letra de Adelmar Tavares. 
Imortalizado pelas letras e advogando para o BB (1925/1930), Adelmar Tavares foi eleito, em 1924, para a Academia Brasileira de Letras, presidindo-a em 1948. Foi o 1° funcionário do Banco do Brasil a ingressar na Academia Brasileira, depois seguiram João Neves da Fontoura (1936), Afonso Penna Júnior (1948) e Afonso Arinos de Melo Franco (1958). No período 1949/1950, Adelmar Tavares ocupa o cargo de presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.
Empossado em 1/6/1953, o funcionário Sérgio da Silva Netto Machado, nos idos de 1964, trabalhou na Agência Copacabana – Metr. RJ, maestro e compositor, dirigiu a Orquestra Sinfônica de Amadores do Rio de Janeiro, Orquestra de Câmara do Conservatório Brasileiro de Música e Orquestra Guanabarina de Amadores. Obra: 2 sinfonias, 1 choro sinfônico, 2 suítes, 1 concerto para piano, várias canções [Revista AABB – Rio – outubro – 1962].
Vale ressaltar que, nos idos de 1955, o Andante de uma das sinfonias de Sérgio da Silva Netto Machado foi apresentado pela Orquestra Sinfônica Brasileira, sob a regência do maestro Eleazar de Carvalho [Revista AABB – Rio – outubro – 1962].
Em 11/6/2000, aos 75 anos de idade, faleceu Geraldo Ventura Dias, funcionário aposentado do Banco do Brasil, onde fez carreira em agências do interior, ocupando o cargo de gerente. Músico, escreveu dezenas de composições, inclusive o Hino de Petrópolis e os hinos do Petropolitano Futebol Clube e do Serrano Futebol Clube. Autor de crônicas e poesias, membro titular da Academia Petropolitana de Letras (Cadeira n° 8, patronímica de D. Pedro II).
Quando se aposentou do Banco do Brasil, sob a presidência de Nestor Jost, nos idos de 1972, o funcionário Wilson Dias da Fonseca já era um compositor consagrado (músicas para canto, peças sacras, valsas, modinhas, toadas, tangos e canções, obras para duetos, trios e orquestra). Dez anos depois, em 1/2/1982, em cerimônia presidida pelo governador do Estado do Pará, Cel. Alacid Nunes, no Theatro da Paz, em Belém, o compositor e maestro tomou posse na Academia Paraense de Música.
Acompanhado de Eduardo Portella, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, o ministro Francisco Weffort proferiu de improviso, em 8/12/1998, palestra acerca da cultura nacional na Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil. Em seguida, a convite do escritor Fernando Pinheiro, que presidia a solenidade, o ministro permaneceu, no Auditório, para ouvir a conferência em homenagem ao Visconde de Mauá, na voz do acadêmico Paulo de Tarso Medeiros, o representante do Banco do Brasil, em Washington, DC, que veio especialmente dos Estados Unidos para o evento.
No dia anterior, o ministro da Cultura cumpriu agenda no Theatro Municipal do Rio de Janeiro para homenagear a Orquestra Jovem “Wilson Fonseca”, de Santarém, sob a regência do maestro José Agostinho da Fonseca Neto, filho do maestro, pianista e compositor Wilson Fonseca que, ao longo de 3 décadas, trabalhou no Banco do Brasil, naquela cidade paraense, a pérola do Tapajós.
Em sessão solene de 4/5/2006, a Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão presta homenagem a um funcionário do Banco do Brasil: empossado em 5/12/1979 no BB – CESEC–Brasília – DF e transferido em 1990 para o CESEC – São Luís–MA, Antônio Francisco de Sales Padilha, ex–instrutor de Relações Humanas no BB, detentor de licenciatura em Música e bacharelado em trompete pela Universidade de Brasília – UNB, secretário estadual de Cultura do Maranhão (governo José Reinaldo Tavares), maestro e membro–fundador do Quinteto de Metais do Maranhão, professor da Universidade Federal do Maranhão.
Chefe do CEASP – Centro de Assistência ao Pessoal – Recife, o médico Luiz Guimarães Gomes de Sá, compositor e intérprete, aposenta–se  em 1996. Dois anos mais tarde, ingressa na Academia Pernambucana de Música (Cadeira patronímica de Luís Gonzaga).
In HISTÓRIA DO BANCO DO BRASIL, DE FERNANDO PINHEIRO, obra disponibilizada ao público, pela internet, no site www.fernandopinheirobb.com.br

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sexta-feira, 29 de julho de 2016

LEMBRANÇAS AMÁVEIS (VII)

Assistente na Direção Geral – CACEX/DEPEM–RJ, na década de 80 (posse no BB: 9/4/1963, apos.: 27/2/1986), Victor Marino Del Giudice foi professor da Faculdade de Comunicação Hélio Alonso, na cidade do Rio de Janeiro, conferencista nas áreas de literatura e música.
Através da prestigiada obra e do Jornal do Brasil, onde mantinha coluna sobre música clássica, Giudice tem a reconhecida notoriedade nacional, assim como os compositores imortais da música sinfônica que tem presença no mundo inteiro, através dos grandes palcos.
Bibliografia do autor: Necrológio (1972) que contém o conto Arquivo publicado em nove países; Os banqueiros (1979); Bolero (1985); Salvador janta no Lamas – Prêmio concedido, em 1989, na categoria Ficção, pela Associação Paulista de Críticos de Artes. Em 1995, Victor Giudice ganhou o Prêmio Jabuti com a obra O Museu Darbot e outros mistérios. Em 1996, veio à lume O sétimo punhal (romance), apresentado pelo autor no Centro Cultural Banco do Brasil [Iconografia: Jornal do Brasil – 6/12/1997].
Eleito em 2/10/1995 para ocupar a Cadeira que pertenceu a Herculano Borges da Fonseca, Victor Giudice (1934/1997) não chegou a tomar posse na Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil, devido ao prolongado estado de enfermidade que o levou à morte física, em 22/11/1997.
Amado pela classe artística, Victor Giudice teve a solidariedade da sociedade carioca que promoveu concertos beneficentes no Espaço Cultural FINEP e na Sala Cecília Meireles, com a finalidade de angariar fundos para pagamento de despesas hospitalares, pois àquela altura, nos idos de 1997, o Serviço Médico do Banco do Brasil, implantado pelo presidente Guilherme da Silveira (1ª gestão: 11/9/1929 a 24/10/1930), já não mais existia.
Com a finalidade de estabelecer integração com o acionista, o Banco do Brasil fez o lançamento, em outubro/1979, do BIA – Boletim de Informação ao Acionista, publicação trimestral, 8 páginas, com tiragem de 200 mil exemplares. Ao ensejo da posse de Paulo de Tarso Medeiros no cargo de diretor de Finanças do Banco do Brasil (4/6/1991 a 23/1/1992), o Boletim apresentou uma entrevista com o diretor recém–empossado.
Doutorado (PhD) em Economia – The University of Chicago (1969/1975), “Master” em Economia – The University of Chicago (1971), com extensa obra publicada nas áreas de Economia e Finanças, Paulo de Tarso Medeiros entra para Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil, em 30/10/2003, em solenidade presidida pelo escritor Fernando Pinheiro, prestigiado pela presença de Hélio Portocarrero, diretor executivo do MAM – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Bruno Torres Paraíso, diretor/editor da Revista Rumos, Carlos Duarte Caldas, diretor–superintendente da Previndus.
No livro de presença da Academia de Letras, constatamos a presença de autoridades representando Furnas, Eletrobras, CBMERJ, e um grupo de pessoas que veio especialmente de Cachoeiro de Itapemirim – ES, terra natal do homenageado, prestigiar o evento.
Paulo de Tarso exerceu o Magistério na Escola de Pós–Graduação em Economia da FGV – Fundação Getúlio Vargas, Professor no Curso de Economia da Universidade Santa Úrsula – Rio de Janeiro – 1986/1991. Ainda na FGV: Professor de Sistema Financeiro e de Mercado de Capitais (1977, 1981, 1983, 1984, 1985, 1986), Professor de Estatística (1974, 1985). Professor de Econometria, nos idos de 1973/1974, da PUC – RJ.
Na área externa do Banco do Brasil, Paulo de Tarso Medeiros assumiu, nos idos de 1992, o cargo de representante do Banco do Brasil – Washington, DC – EE.UU., desenvolvendo atividades pertinentes à geração de negócios, dentre as quais destacamos: “operações de “trade finance”, negócios de “correspondent banking”, obtenção de linhas de crédito bancárias, captação de depósitos, cartas de crédito, contatos com entidades multilaterais (BID, Banco Mundial, FMI)”. (188)
(188) PAULO DE TARSO MEDEIROS, diretor de Finanças do Banco do Brasil (4/6/1991 a 23/1/1992), membro da Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil (Cadeira patronímica de Visconde de Mauá)
Vale ressaltar ainda a participação de outros funcionários do Banco do Brasil que exerceram, naqueles tempos, cargos comissionados no exterior e que se dedicam à literatura: 
Esdras do Nascimento, gerente–adjunto do Banco do Brasil – Grand Cayman – Ilhas Cayman (1980/1983/1985), escritor romancista.
Bruno Ratti, gerente–adjunto da Agência de New York – EE.UU. (1972/1977), Mestre em economia pela Vanderbilt University – EE.UU, escritor nas áreas de câmbio e comércio exterior.
Francisco Carlos Farias Trigueiro, subgerente do BB em Madri, Espanha (1980), gerente do BB: Macau, Macau (1983/1985), Quito, Equador (24/10/1983 a 1/2/1987), Roma, Itália (23/7/1990 a 14/4/1991), romancista, contista.
De passagem pelo Rio de Janeiro, em 24/10/2000, Ednaldo Soares, funcionário da Área Internacional – GEROI–SP, visita a Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil. Autor de trabalhos técnicos reconhecidos e distribuídos pelo BB, vale assinalar: apostila de câmbio (coautoria) destinada ao DESED aos candidatos do concurso interno para o nível superior, em 1988; apostila contendo informações básicas sobre “bonds” distribuída aos clientes da Agência em Roma, Itália, e aos gerentes de negócios internacionais – GENIN/UEN – Internacional.
Na capital romana, publicou 2 livros de poemas (edição bilíngue): de palavra em palavra – di parola in parola – Antonio Pellicani Editore, 1999, 208 p.; sonhos, quase–mistérios – sogni, quasi – misteri, Spel Edizione, 120 p., que foi lançado, em 16/5/2000 na Embaixada do Brasil. Texto do convite: “L´Ambasciatore del Brasile in Italia – Paulo de Tarso Flecha de Lima – La Presidente dell´Associazione ItaliaBrasile – Clelia Zuliani Luppis hanno il piacere di invitare la S.V. alla presentazione del libro sonhos, quase – mistérios – sogni, quasi–misteri, di EDNALDO SOARES16 Maggio 2000 – ore 18.15Centro Studi Dell´Ambasciata del Brasile – Piazza Navona, 18 – Roma.”

In HISTÓRIA DO BANCO DO BRASIL, DE FERNANDO PINHEIRO, obra disponibilizada ao público, pela internet, no site www.fernandopinheirobb.com.br

quinta-feira, 28 de julho de 2016

LEMBRANÇAS AMÁVEIS (VI)

Pianista de renome internacional, Homero Ribeiro de Magalhães, funcionário do Banco do Brasil (posse: 11/12/1943, apos. 1/7/1974), estudou com o compositor Barroso Neto e com a célebre pianista Magdalena Tagliaferro.

Em Paris, onde esteve como bolsista do governo francês, recebeu orientações de Alfred Cortot. Na École Normale de Musique fez o curso sobre a obra de Chopin e no Conservatório de Paris recebeu o diploma de pianista [Almanaque do Pessoal – 1964; Revista AABB – Rio – dez/1963].

Nos idos de 1954, Homero de Magalhaes foi para Viena fazer o curso de regência. Quando estava se formando na Academia de Viena, estava entrando Cláudio Abbado, mais tarde tornou-se célebre maestro, conforme ele mencionou na entrevista concedida ao radialista Lauro Gomes no programa “Música e Músicos do Brasil” levado ao ar, em 18 de janeiro de 1988, pela Rádio MEC.

Ainda na entrevista Homero de Magalhães disse que gravou os Prelúdios de Debussi (2º Caderno), deu recitais na Europa. Em Berlim, com a regência do maestro Cláudio Santoro, gravou o 4º Concerto de Villa-Lobos, primeira audição na Alemanha.

Com bagagem rica sobre o piano, conseguiu lograr êxito, em 1950, no Concurso Internacional de Genebra e, no ano seguinte, no Concurso Marguerite Long – Jacques Thibaud. De volta ao Brasil, exerceu atividades didáticas e apresentação de concertos no Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Belo Horizonte, e outras capitais [Almanaque do Pessoal – 1964; Revista AABB – Rio – dez/1963].
Nos idos de 1954, recebendo bolsa de estudos, ei–lo na Áustria onde estudou Regência e obteve o diploma de diretor de orquestra, sob a direção de Bruno Seidhofer. De lá, seguiu rumo a Paris, Viena, URSS, Suíça, e a antiga Tchecoslováquia, realizando apresentações em grandes orquestras [Almanaque do Pessoal – 1964; Revista AABB – Rio – dez/1963].
Discografia de Homero de Magalhães [Almanaque do Pessoal – 1964; Revista AABB – Rio – dez/1963]. Obras de Schubert para piano a quatro mãos, com a parceria da pianista Lili Kraus (Les Discophiles Française). 2° Caderno de Prelúdios, de Debussy, e 3 Suítes para cravo de Couperin. As 16 Cirandas de Villa–Lobos – Plaza Discos Ltda. (LP/1960) e (CD/2000) [Revista AABB –Rio – dez/1963]
A convite do Itamaraty, Homero de Magalhães realizou concertos em tournée por diversas cidades da América Latina (Buenos Aires, Montevidéu, Santiago, Valparaíso, Viña del Mar, Lima, Bogotá e Caracas) [Almanaque do Pessoal – 1964; Revista AABB – Rio – dez/1963].
Na gestão de Nilo Medina Coeli, presidente do Banco do Brasil (20/7/1963 a 31/3/1964), o funcionário Homero Ribeiro de Magalhães, devido aos grandes méritos alcançados e, por outro lado da Empresa, sensibilizada pela presença de raro talento, manteve–o, algumas vezes, no Quadro Suplementar com Proventos [Almanaque do Pessoal – 1964].

Na referida entrevista na Rádio MEC, concedida em janeiro de 1988, já aposentado do Banco do Brasil, Homero de Magalhães exercia atividades profissionais nos cursos que lecionava no Instituto de Artes na capital paulista. 

A propósito, vale mencionar a informação constante do currículo de Lucia Amato Muner, pianista, professora, regente do Coral Infanto Juvenil Artmanhas do Som (2001 a 2010), Homero de Magalhães foi seu Professor, em 1982 a 1983, no Curso “Análise das Sonatas de Beethoven e, em 1984, no Curso “Sonatas Românticas” do Instituto de Artes – UNESP – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – São Paulo – SP.

Ainda na área acadêmica, a discografia de Homero de Magalhães contém a obra de Bach: Prelúdios e Fugas I – 256 pp. – Editora Novas Metas, São Paulo, 1988. A obra completa do autor ainda está fora de nosso alcance.

Homero Ribeiro de Magalhães nasceu em São João Del Rei (MG) no dia 17 de dezembro de 1924 e faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 08 de março de 1997.

Conciliando os horários de trabalho no Banco do Brasil, Homero de Magalhães lecionava nos Seminários de Música Pró–Arte do Rio de Janeiro e, também, em particular. Era casado com a pianista argentina Estela Caldi com quem teve 4 filhos: Homero de Magalhães Filho, Alain Pierre, Alexandre Caldi e Marcelo Caldi, todos músicos.
Homero de Magalhães Filho é maestro e flautista, reside em Paris, desde 1981. Professor de regência coral do Centro de Arte Polifônica de Paris, e de canto coral do Conservatório de Châtillon. Apresentou–se, como regente, em diversos países: Brasil, França, Holanda e Canadá. Em 1/6/2004 esteve no CCBB – São Paulo e regeu o Réquiem de Brahms.
A pianista Estela Caldi, a viúva do ex-funcionário do Banco do Brasil, Homero de Magalhães, é mestre em música pela Escola de Música da UFRJ e professora de piano da UniRio, desde 1983.
O conjunto LiberTango é formado pelo trio: Estela Caldi (piano) e por dois de seus filhos: Alexandre Caldi (sopros) e Marcelo Caldi (acordeon). No repertório quatro CDs lançados com músicas brasileiras e portenhas. Na América Latina, a pianista Estela Caldi é considerada uma das maiores intérpretes do compositor Astor Piazzolla.
A Caixa Cultural Rio de Janeiro apresentou, em 29 a 31 de março de 2016, o show Tangos Hermanos – 20 anos do grupo LiberTango, com a participação especial da cantora, atriz e bailarina Soraya Ravenle (voz) e Yamandu Costa (violão) e Hamilton de Holanda (bandolim) – Jornal do Brasil – 28/03/2016.    

 

Fonte:

HISTÓRIA DO BANCO DO BRASIL, de Fernando Pinheiro.

Entrevista concedida por Homero Ribeiro de Magalhães ao radialista Lauro Gomes no programa “Música e Músicos do Brasil” levado ao ar, em 18 de janeiro de 1988, pela Rádio MEC.

Jornal do Brasil – 28/03/2016.   

 

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quarta-feira, 27 de julho de 2016

LEMBRANÇAS AMÁVEIS (V)


Após seis meses no cargo, despede-se, em 15/10/1955, da Presidência do Banco do Brasil, Alcides Vidigal, substituído pelo diretor Arthur Santos. A interinidade no cargo se estendeu até 16/11/1955 [Revista AABB – Rio – 1955].
No discurso de despedida, o presidente referiu-se à conjuntura econômica nacional e aos seus atos na Presidência. E ressaltou, com destaque, a colaboração recebida da Diretoria e dos funcionários do Banco do Brasil, e frisou o feliz reencontro do seu companheiro de juventude, Arthur Santos, que ora recebia de suas mãos a Presidência [Revista AABB – Rio – 1955].
Em seguida, fez o uso da palavra Arthur Santos ao assumir interinamente a Presidência do Banco do Brasil, elogiando a atuação eficiente de seu antecessor e a honradez de seus pares, e afirmou: 
“funcionário da Casa, a cujos quadros me ufano de pertencer, saberei preservar, no posto a que fui alçado pela confiança do eminente Senhor Presidente da República, as tradições de honradez, compostura e pundonor, que tem sido o apanágio dos bons brasileiros que aqui mourejam e que construíram, através de mil vicissitudes, esta gloriosa instituição que é o Banco do Brasil”. (109)
(109) ARTHUR SANTOS, presidente (interino) do Banco do Brasil (15/10/1955 a 16/11/1955) – in Discurso de posse – Revista AABB – Rio – 1955].
Finalizando, o presidente interino, Arthur Santos, expôs colocar em prática, no Banco do Brasil, o programa de restauração nacional fixado pelo governo da República, no tocante à produção e à circulação da riqueza. Na curta gestão do presidente interino, assumiu o cargo de chefe-de-gabinete da Presidência do Banco do Brasil, Miguel Soares da Silva [Revista AABB – Rio – 1955].
No Gabinete da Presidência destacamos, ainda, a presença de José Aragão de Carvalho, João Paulo dos Reis Veloso (ministro do Planejamento – 30/10/1969 a 14/3/1979), Carlos Alberto Vieira e Júlio Marques Luz (tempos depois, viriam a ser presidente e diretor– administrativo do BEG – Banco do Estado da Guanabara, respectivamente). Nazareno Paranhos e Paulo Guajará da Cruz Saldanha que foram designados para assumir o cargo de gerente nas Agência Central – Brasília – DF e Goiânia – GO, respectivamente [ANDRADE, 1988].
Vale destacar a retrospectiva sobre a vida e a obra de Arthur Ferreira dos Santos: acadêmico, ingressa em 13/4/1946, na Academia Paranaense de Letras, recebido por Laertes Munhoz, em solenidade presidida por Oscar Martins Gomes, prestigiado pela presença de Oscar Borges de Macedo, ex–interventor (interino) do Paraná, desembargador Clotário Portugal, presidente do Tribunal de Apelação, e Dom Ático Euzébio da Rocha, arcebispo metropolitano de Curitiba – PR.
Na ocasião, afirmou: “A minha produção intelectual nasceu dos imperativos da advocacia e da política. Serviram às causas que eu patrocinava nas tribunas dos Pretórios e do Parlamento.” (110)
(110) ARTHUR SANTOS – in Apud Discurso em homenagem a Artur Ferreira dos Santos (1894/1972) proferido, em 11/10/1994, por Mário Diney Corrêa Bittencourt, em sessão solene promovida pela Academia Paranaense de Letras. 
Deputado Federal constituinte de 1934, professor de Direito Constitucional da Faculdade de Direito do Paraná (1941/1946), senador da República (1946/1951), Arthur Santos recebeu do senador Nereu Ramos, presidente do Senado Federal, a honrosa tarefa de saudar, em setembro/ 1947, no Palácio Monroe, Harry Truman, presidente dos Estados Unidos, em visita oficial ao Brasil.
Deputado Federal (1951/1955), Arthur Santos exerce o cargo de presidente da UDN – União Democrática Nacional no período de 1953/1955. Enfrentou, na tribuna da Câmara dos Deputados, a irreverência de Carlos Lacerda e a erudição acadêmica de Aliomar Baleeiro e Afonso Arinos, oradores de reconhecida notoriedade.
Em 16/11/1955, houve mudança na direção do Banco do Brasil. Com o deslocamento de Arthur Santos, presidente interino, para o cargo de diretor da CREAI (1955/1961), o presidente passou a ser Mário Brant, retornando ao cargo que exercera no período de 4/11/1930 a 5/9/1931. Interinamente, naquele mês, Edmundo Manoel de Mello Costa respondia pela Consultoria Jurídica [Revista AABB – Rio – 1955].
Designado pelo senador Nereu Ramos, presidente do Congresso Nacional, em 1947, Arthur Santos, senador da República (1946/1951), proferiu discurso de saudação a Harry Truman, presidente dos Estados Unidos, no Palácio Monroe, sede do Senado Federal, no Rio de Janeiro, em visita oficial ao Brasil [BITTENCOURT, 1994].
Integrante da Delegação brasileira à Conferência Interamericana de Bogotá, em 1948, o senador Arthur Santos defendeu a tese do princípio de arbitramento e recebeu elogios de Raul Fernandes, ministro das Relações Exteriores. Ainda em 1948, proferiu o discurso de boas– vindas a Manoel Prado, presidente da República do Peru, ressaltando os ideais pan-americanos, sem dúvida, a ideia germinadora do Mercosul [BITTENCOURT, 1994].
Em 1949, de volta a capital paulista, Arthur Santos, advogado do BB, proferiu conferência na Faculdade de Direito de São Paulo, onde se diplomou, pelo transcurso do 30° aniversário de formatura da turma de 1919. A Revista dos Tribunais, vol. 184, publicou a matéria [BITTENCOURT, 1994].
Na década de 60, do século XX, além de Arthur Santos, vale salientar as atividades políticas de dois diretores do Banco do Brasil: 
José Ferreira Keffer, diretor da CREGE – 2ª Zona (23/6/1963 a 4/6/1964), vereador da Câmara Municipal de São Paulo, deputado estadual em duas legislaturas e secretário de duas pastas – Trabalho e Governo (gestão governador Lucas Garcez).
Samuel Vital Duarte, advogado do Banco do Brasil, assumiu a direção da CREAI em 9/11/1961. Deputado Federal (1935 a 1937 e de 1946 a 1954). Participou, como convidado, da Delegação brasileira na 35ª Conferência Internacional do Trabalho, realizada, em 1952, em Genebra. Presidente nacional da OAB (1967/1969). Presidente da Câmara dos Deputados (1947 a 1949).
In HISTÓRIA DO BANCO DO BRASIL, DE FERNANDO PINHEIRO, obra disponibilizada ao público, pela internet, no site www.fernandopinheirobb.com.br

terça-feira, 26 de julho de 2016

LEMBRANÇAS AMÁVEIS (IV)

Com a expansão do Banco do Brasil, além da linha do equador, incrementaram as exportações de bens e serviços, gerando divisas para o País e, em consequência, os funcionários da Empresa, possuidores de um cabedal rico de conhecimentos culturais foram enriquecer, ainda mais, outras culturas onde participaram ativamente.
Poeta, folclorista e dramaturgo, entre tantos outros funcionários do Banco do Brasil, há de se destacar Wilson Woodrow Rodrigues (posse em 11/2/1946, apos.: 1/9/1963), que recebeu homenagem de Solange Rech (1946/2008), gerente da GCOOP – Gerência de Negócios do Sistema Cooperativista – Brasília – DF, em palestra proferida, em 24/9/1997, na Casa França–Brasil, Rio de Janeiro.
O poeta Solange Rech comentou que Wilson W. Rodrigues foi membro da Comissão Nacional de Folclore, e do IBECC–UNESCO e de várias outras instituições culturais estrangeiras, tendo desempenhado relevantes funções na Embaixada do Brasil na antiga República da Tchecoslováquia, no governo de Getúlio Vargas, exercendo ainda o cargo de chefe–de–gabinete do ministro Ribeiro da Costa, presidente do Superior Tribunal de Justiça.
Como vimos, inúmeros funcionários do Banco do Brasil, conseguiram projeção internacional, não apenas na esfera empresarial, mas no campo predominantemente acadêmico. Entre eles, ressalta-se a presença dos intelectuais Wilson Woodrow Rodrigues, servindo a Embaixada do Brasil na antiga Tchecoslováquia, e mais recentemente, Afonso Félix de Sousa, assistente técnico na Embaixada do Brasil em Beirute (1970/1973), Ivo do Nascimento Barroso, gerente da Agência de Estocolmo, Suécia (17/10/1983 a 30/8/1989), Francisco Carlos Faria Trigueiro, gerente do BB em Roma (23/7/1990 a 14/4/1991), e Ednaldo Soares, gerente da Agência do BB em Roma (4/1/1994 a 2/7/2000).
Destacamos, na área da poesia traduzida dois autores, funcionários do Banco do Brasil, que tiveram projeção internacional: Márcio Cotrim e Ivo Barroso, ambos imortalizados, ainda em vida no plano físico, pela Pátria e pela Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil:
Intelectual de reconhecido prestígio nacional e internacional, Márcio Cotrim, cronista, ensaísta e tradutor. Durante 10 anos (1966/1976) desenvolveu intensa atividade como tradutor das obras de Tyrus Hillway, Herman Delville, David Ewen, Judith Crist, Daniel Myrus, Robert Dubin, Alphonse Chapanis, Bernard M. Bass, James A. Vaugh, Manley Howe Jones, William J. Reddin, Rensis Likert, Cundiff, Still e Govoni, entre outros.
Ao iniciar o Prefácio da obra A caça virtual (e outros poemas), de Ivo Barroso, Editora Record–2001, o escritor Eduardo Portella, membro da Academia Brasileira de Letras, comentou: “O trabalho intelectual de Ivo Barrroso já fora oportunamente reconhecido pelos quatro cantos por onde andou”.
Na arte de fazer o texto original em poesia, a concorrência nacional é bem maior, mas vale destacar a poesia do autor como afirmação de texto seguro que nos faz lembrar algo grego, algo heroico que a mitologia sugere, embora a musicalidade francesa seja marcante, que nos lembra Gabriel Fauré. 
Escritor de grande prestígio, Ivo Barroso traduziu para várias editoras (Record, Topbooks, Companhia da Letras, Nova Fronteira, Lacerda Editora, Delta, Imago, ARX) vários autores consagrados mundialmente, entre eles, Eugenio Montale, André Malraux, Hermann Hesse, Nikos Kazantzakis, Umberto Eco, Arthur Rimbaud, Ítalo Svevo, William Shakespeare, André Gide, August Strindberg, Ítalo Svevo, Jane Austen, Marguerite Yourcenar, Georges Perec, Ítalo Calvino, Erik–Axel Karfeldt, Romain Rolland, T.S. Eliot, André Breton, Charles Baudelaire, Giacomo Leopardi. 
Ivo do Nascimento Barroso estagiou na Embaixada do Brasil em Haia (dezembro/1967 a agosto/1970) cumprindo à risca as disposições do Convênio Itamarati – Banco do Brasil. Poliglota e redator de vernáculo escorreito, instituiu padronização de cartas em 56 modalidades e fez pesquisas de mercado e especializou–se em matéria ligada ao sistema bancário holandês.
Ao retornar aos pagos, Ivo Barroso exerceu o cargo de gerente–adjunto (1978/1981) na Agência de Lisboa, Portugal, cidade onde ingressou na literatura ao publicar “Nau dos náufragos” (1981) e posteriormente gerente do Banco do Brasil em Estocolmo – Suécia, no período de 17/10/1983 a 30/08/1989.
Em julho/1982, Ivo do Nascimento Barroso, subgerente da Filial de Lisboa, Portugal, é nomeado subgerente da Agência de Londres, Inglaterra, e João de Deus Meneses de Araújo, subgerente da Agência Mendoza, Argentina, é transferido, no mesmo cargo, para aquela filial portuguesa.
No mês seguinte, procedente de Lisboa, Ivo Barroso, “o príncipe dos tradutores brasileiros”, no dizer de José Guilherme Melchior, está em férias, de passagem pela cidade do Rio de Janeiro.
Dezessete anos depois, recebido pelo acadêmico Francisco Silva Nobre, ingressa na Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil para ocupar a Cadeira patronímica de Mello Nóbrega, em solenidade presidida pelo escritor Fernando Pinheiro.
As andanças de Afonso Félix de Sousa no Oriente Médio, acompanhado da poetisa Astrid Cabral Félix de Sousa, a jovem esposa que lhe fez juras de amor eterno, fizeram–no passar por experiências das mais encantadoras que o coração de um trota–mundo pode sentir.
Ela revelou–nos que ele tinha passado em primeiro lugar em concurso público para o Banco do Brasil, na cidade de Goiânia–GO. Lá conhecera o inspetor Manoel Albuquerque Cordovil (posse no BB: 17/2/1922, apos. 24/8/1957) que o estimulou a pedir transferência para o Rio de Janeiro. 
Assim como Villa–Lobos, no início da carreira, percorreu o Brasil para sentir a alma brasileira, em sons e evocações brejeiras e sentimentais, o poeta goiano percebeu as vibrações que vinham em cada paisagem, como se fossem almas a lhe falar de história, de cultura, de encantamento, de música sensual e lânguida imortalizada pelas cítaras que vêm desde os tempos bíblicos.
No poema “Lamentação no porto de Biblos” retratou o mundo de hoje, carregado de escombros que saltam em caleidoscópio em busca da transmutação. Até mesmo no submerso mundo invisível dos árabes, sentiu-se caminhando entre rostos de deuses, decifrando enigmas milenares que hoje são conhecidos como carma (o cilício, o vício do amor, o suplício) e darma (o amor sem vício, os auspícios).

In HISTÓRIA DO BANCO DO BRASIL, DE FERNANDO PINHEIRO, obra disponibilizada ao público, pela internet, no site www.fernandopinheirobb.com.br