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sábado, 6 de agosto de 2016

BACHIANAS BRASILEIRAS nº 5 – Ária

Destinada para soprano e orquestra de violoncelos, Ária das Bachianas nº 5, de Heitor Villa-Lobos, é, a nosso ver, o símbolo maior da música erudita brasileira para o canto, embora o autor tenha reconhecido na suíte Floresta do Amazonas, que inclui A Canção do Amor e a Melodia Sentimental, o seu canto de cisne.
A ária, representando uma cantilena, começa no movimento adágio e ganha amplo voo vocalizado em “a” e se apoia nos sons dos violoncelos que imprimem compassos em pizzicatti.
No canto puramente declamado, surgem os versos de Ruth Valadares Correia.
A letra da música é lírica e romântica, inspirada em tema que representa a natureza. A chave de ouro é a mesma que inicia o poema.
Quando os ventos brandos correm aos desertos, levantando camadas de areia, ficamos a imaginar o som da música que se espalha nas folhas das palmeiras.
Nesses instantes que nos toca à alma, o clima de ternura e a suavidade total levam-nos à imaginação dos mundos de beleza que recebem luz do luar. Quantas luas, na via-láctea, refletindo claridade em tonalidades suaves?
A poesia revelou a fonte dos sonhos, criando arquétipos que estabeleceram marcos de conduta, como também foi intérprete da arte reveladora dos caminhos que conduzem à mesma fonte de onde a vida surge em grau de consciência.
O luar sempre foi a claridade que envolveu os poetas em noites de inspiração, os namorados nos enlevos em que a ternura se fazia mais presente e nos templos da Antiguidade os ofícios religiosos ganhavam um destaque todo especial.
O luar... os ventos brandos... as palmeiras... o clima de poesia que nos envolve para despertar a beleza íntima, escondida pelas paisagens que a natureza nos dá em mãos.
Os ventos viajam mundos, estabelecem compassos musicais nas ondas do mar, sacodem as folhas das palmeiras em ritmos que despertam a sensibilidade das próprias árvores e daqueles que as observam. 
As palmeiras são altaneiras nos climas tropicais e ficam pequenas na aridez dos desertos, revelando que a natureza escolhe espaços adequados à dimensão de formas que inspiram lições que passam despercebidas.
Mas os ventos vão e voltam para levar as folhas secas e sacudir as que permanecem ligadas às árvores como a demonstrar que outros ventos de interpretações variadas levam tudo aquilo que não está ligado às suas origens.
O luar sobre as palmeiras fala mais alto, numa linguagem íntima que coloca na mesma direção a claridade da luz doce e a suavidade que sentimos ser real.
Villa-Lobos revelou, numa das mais fascinantes melodias já escritas no Brasil, a impressão sonora da alma de nossa gente e nos faz lembrar a ária para a corda de sol, da suíte nº 3, de Bach, de que se inspirou.

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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

EU TE AMO

O poema para canto e orquestra, Eu te amo, de Villa-Lobos, foi escrito nos idos de 1956, e apresenta os seguintes movimentos: andantino, suave, quase andante, pianissimo, crescendo, poco più mosso, meno, poco più mosso, a tempo, rallentando.  
A letra da música é de autoria da poetisa e diplomata Dora Vasconcelos (1910/1953).
Desdobrando uma suave cantilena, a música Eu te amo, revela uma longa jura de amor, nos tempos em que o romance entre os casais necessitava de uma confirmação para se afirmar.
A jura amorosa tinha um sentido de honra e, hoje para que não haja um comprometimento maior, não é mais usado esta prática. Os gestos já falam por si. O grau de envolvimento está na relação dos interesses mútuos, sendo que, às vezes, em muitas ocasiões, o silêncio fala mais alto.
Falar por si mesmo já tem um valor próprio e, quando acrescentado a fatores diversos, aumenta ainda mais a jura de amor, se apreciarmos o sentido que contém cada uma das comparações formuladas. 
A cantilena é longa, mas ficamos imaginando na beleza que sentimos ao ver as asas das gaivotas, a luz do crepúsculo sobre as águas paradas, o perfume das flores de laranjeiras, os primeiros cânticos da infância, as seis baladas da Ave-Maria, a noite branca nas magnólias e o murmúrio intimo das fontes. 
As juras de amor da canção vêm desde as promessas cumpridas pela poetisa e por tudo que ela quis ser e devia ter sido pela bifurcação do caminho. Há uma ressalva que justifica que nem tudo é possível se realizar. Ela talvez tenha se esquecido das palavras do manual e das orações antigas, seus cabelos se tenham enrolados pelo vento. 
Buscando ser melhor entendida, a poetisa anuncia as juras de amor revelando imagens de parábola tiradas do cenário bucólico: o ninho de palha, o sabor do mel, o abandono do espantalho e o destino do besouro dourado.
A letra da música finaliza afirmando, no último canto da cantilena, a jura de amor: “te amo e te amarei até o princípio do futuro.” Quando será o princípio do futuro? Só os amores verdadeiros sabem.
Na obra MÚSICA PARA CANTO E PIANO, de Fernando Pinheiro, disponibilizada ao público pela internet, contém 42 crônicas a respeito da música de vários compositores brasileiros, ressaltando as canções de Villa-Lobos: A cascavel, Canção do amor, Invocação em defesa da pátria, Melodia sentimental, Samba clássico e Veleiro.
Apresentamos alguns comentários postados no facebook a respeito da crônica:
Alice Assayag Botelho, S.Paulo – SP – 28/09/2012 – Lindo, Fernando!!! Parabéns pela qualidade do texto.
Cleusa Rodrigues do Amaral, Petrópolis – RJ – 28/09/2012 – Linda colocação acerca do tema “Eu te amo”. Quando será o princípio do futuro?
Eronildes Souta Pasta, S.Paulo - SP – 28/09/2012 – Lindo texto “Eu te amo”.
Graça Andrade, Rio de Janeiro - RJ – 28/09/2012 – Que poema lindo! Falar sobre amor toca meu coração. Rsrsrs
Kátia Calixto, Rio de Janeiro – RJ – 28/09/2012 – Olá, que lindo poema, amei.
Nelmar Teixeira Cardoso, Rio de Janeiro - RJ – 28/09/2012 – Magníficio poema. Cala profundamente em nossas almas sensíveis. O amor ainda é o sentimento mais sublime que une a humanidade.
Inna Chebotareya, Omsk, Sibéria, Rússia – 2/10/2012 – Muito bonito, adorei.        

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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

CANTO ÁRCTICO

Escrito por Einojuhani Rautavaara, compositor finlandês, nos idos de 1972, Cantus Arcticus, op. 61, apresenta três movimentos: “o pântano abre com uma flauta, em dueto, depois por outros instrumentos de sopro, seguido por aves. O segundo movimento, Melancolia, apresenta o canto da cotovia costeira. O movimento final, a emigação de cisnes toma a forma de um longo crescendo para orquestra, com os sons de cisnes selvagens.” [Da Wikipédia, a enciclopédia livre].
Depois de Sibelius, o compositor Einojuhani Rauatavaara se destaca como um dos nomes exponenciais da música finlandesa, sendo que Terceiro Concerto para Piano, escrito por ele, foi muito divulgado pelo lendário pianista e maestro russo Vladimir Ashkenazy que esteve em visita ao Brasil, em junho de 1995, fazendo apresentações solo de piano no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e Theatro Municipal de São Paulo.
O maestro Vladimir Ashkenazy retornou ao Brasil em setembro de 2014 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro que abriu o programa com The lark ascending, de Vaughan Williams, com a participação da violinista americana Esther Yoo. O pianista brasileiro Nelson Freire fez o solo de O Imperador, de Beethoven.
No programa do Cantus Arcticus – Concerto para pássaros e orquestra – op. 61: think of autumn and of Tchaikovsky – a música começa descrevendo o pântano e termina com a migração de cisnes. É uma música da natureza com influência humana, assim como está nos poemas sinfônicos de Sibelius, conterrâneo de Rautavaara.
O murmúrio do mar Egeu é apresentado no Prelúdio do III Ato da ópera O Corsário, depois desdobra-se a cena da ária Eccomi Prigioniero, de Giuseppe Verdi. [ECCOMI PRIGIONIERO – 13 de março de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Há ressonância magnética quando ouvimos pessoalmente as ondas do mar ou em vídeos do YouTube da internet. O que o mar nos dá, nós lançamos em pensamentos que vagueiam por aqui e alhures, estamos bem e esse bem-estar circula em espaços que se agregam em egrégoras afins. [ECCOMI PRIGIONIERO – 13 de março de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
A oportunidade é o vento que nos acaricia. Uma sensação de leveza nos embala aos grandes voos como se fôssemos pássaros que batem as asas e, quando atingem as alturas, planam suavemente. [OS PÁSSAROS – 8 de julho de 2012 – blog Fernando Pinheiro, escritor].  
Enquanto o homem não sentir o momento oportuno em que deve fluir nas energias dos seus sonhos, será sempre um pássaro batendo asas. Depois, muito depois flutuar observando as paisagens que ficaram lá embaixo. [OS PÁSSAROS – 8 de julho de 2012 – blog Fernando Pinheiro, escritor].  
Os pássaros de Respighi, em que ele buscou inspiração para compor uma pequena suíte para orquestra, certamente estavam fazendo acrobacias, em voos rasantes para encantar as pessoas e batendo asas para ganhar altura e, bem no alto, sustentados pelas correntes de ar, deslizavam espalhando seus cantos de alegria. [OS PÁSSAROS – 8 de julho de 2012 – blog Fernando Pinheiro, escritor].  
Além da influência de Sibelius, o compositor Rauavaara pede aos instrumentistas pensar no outono e em Tchaikovsky. A música russa tem influência nas composições de Rautavaara, principalmente Tchaikovsky, Mussorgsky e Borodin, é tanto que a sua ópera Rasputin é sobre o místico russo, sendo que grande parte da sua música, conforme observado pelo jornal Telegraph (edição 01/08/2016), tinha uma dimensão etérea, espiritual.

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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O CANTO ABSOLUTO

Destinada para coro misto e orquestra, a cantata O Canto Absoluto, do compositor Brasílio Itiberê, inicia-se no movimento allegro festivo (jubiloso como um hino). O intermezzo da música, que se inicia no momento em que surgem as palavras “meu canto universal...”, é vivo, gracioso e jovial.
O movimento allegro festivo é característica do compositor Brasílio Itiberê, como se vê em duas apresentações de pianistas, no Youtube: A Sertaneja – Brasílio Itiberê – Mayra Albano – A Sertaneja op. 15 de Brasílio Itiberê da Cunha – Celso Barrufi Jr.
A letra do Canto Absoluto é do poeta paranaense Tasso da Silveira, filho do poeta simbolista Silveira Neto. Fazemos apenas uma citação: “Canto essencial e profundo e profundo como o das noites referentes de mundos inumeráveis.”
O Canto Absoluto é, em sua essência, um hino triunfal que celebra a alegria de saber da existência do Senhor e evoca momentos jubilosos que nos fazem lembrar a presença da natureza, em suas múltiplas formas e conteúdos que se desenvolvem à nossa frente e seguem em rumo a uma transcendência maior da consciência do planeta que está saindo da terceira dimensão dissociada.
Quanta alegria ao sabermos que estamos no caminho da multidimensionalidade, ou seja, na ascensão de consciência, seremos seres multidimensionais!
Nessa dimensão, não haverá mais dor, separação, engano, simulação, tristeza, pois os pensamentos de todos os habitantes serão identificados por todos os habitantes. A Terra está sendo sacralizada, como falamos anteriormente, quando abordamos assuntos da transição planetária.
Na canção há sentimentos de inocência e de candura como nos pássaros matinais ou mesmo de algo novo igual aos filhotes de pássaros que estão no ninho, sem possibilidade ainda de voar.
O cântico é refrescante como as águas que descem das fontes virgens, nos flancos verdes das montanhas, e se estende pelas vastidões oceânicas e traz a imensidão dos mundos efervescentes que se espalham pela galáxia afora.
A dor do canto que se espalha na Terra não chega a esses mundos de beleza imperecível, a paz é imperturbável, embora o autor busque inspiração que vem dos altos cimos. Ficamos com alegria que existe nas searas e nos jardins.
Em 29 de setembro de 2012, a amiga Alice Assayag Botelho se manifestou a respeito de O Canto Absoluto: “texto que nos transmite muita paz e alegria. Muito lindo.”
Somos gratos pela receptividade.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

SISTEMA FINANCEIRO

O sistema de crenças, obstáculo de ascensão planetária, seguindo na zona de conforto, abrange o sistema financeiro que será o último a cair na mudança do paradigma planetário com a chegada dos ventos que anunciam o terceiro milênio.
O sistema financeiro global é exercido, com forte domínio, pelo FMI – Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Mundial, de modo que esse monopólio concentra a maior parte da riqueza do planeta nas mãos de poucos.
Essa situação chamou a atenção da Rússia, China, Índia, África do Sul e Brasil que resolveram marcar encontros com a finalidade de criar o Brics ou Banco do Brics que é o Novo Banco de Desenvolvimento, a ser instalado, nos idos de 2017, em Shangai, China, com o capital inicial de 50 bilhões de dólares, destinado a amparar as operações de infraestrutura nos países-membros e demais comunidades internacionais.
A iniciativa da Rússia nesse empreendimento é dar uma resposta ao Ocidente, pois foi excluída do Grupo G-8 (países mais industrializados do mundo) por causa da anexação da Crimeia no território russo, em março de 2015. Aliás, essa guerra vem desde há muito tempo, pois quando o atual Banco do Brasil, nos idos de 1854, sob a presidência de Lisboa Serra, abriu as portas para o público, a guerra da Crimeia estava em ação.
É uma forma desses países diminuirem a presença do FMI e do Banco Mundial no cenário econômico mundial. O poder da moeda, no paradigma atual, pode mudar de mãos, mas continua o mesmo processo de dominação dos mais ricos sobre a grande massa populacional do planeta.
Essa desigualdade social foi apreciada durante o Seminário Democracia na América Latina, realizado em 27 de julho de 2016, em Curitiba – PR, com a presença de Pepe Mujica, ex-presidente e atual senador da República do Uruguai, que declarou: “nossa luta não é só por democracia, mas por outra civilização” e ressaltou “temos 80 senhores que possuem o mesmo que outros 3 bilhões de habitantes”, isto numa população mundial de 7,3 bilhões.  [DEMOCRACIA – 28 de julho de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
O terceiro milênio é mais uma questão de atitude do que um evento, de maneira que essa chegada em sua plenitude está em vias de acontecer, dependendo do modo de pensar e agir da maioria populacional do planeta nos cinco pilares (simplicidade, humildade, transparência, alegria e gratidão), sendo que a minoria de 1,7 bilhão de habitantes está seguindo firme nesse propósito.
O modelo econômico sustentado pelo sistema financeiro internacional que estipula o dinheiro como meio circulante, os sistemas de governo, democratas ou não, estão no paradigma da consciência planetária que se mantém viva pela competitividade e separatividade, intimamente interligadas. Isto abrange a tudo e a todos que precisam de meios para sobreviver. [FAMÍLIA SEM FILHOS – 13 de abril de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Será que todos têm noção do que acontece no mundo ou a mídia o faz pensar no paradigma vigente? Onde está o conceito de consciência que o cientista Wigner explicitou, se a maioria nem sabe que até os insetos têm consciência? Nem vamos falar sobre o dinheiro do fundo líbio que sumiu. Será que 1 bilhão de dólares é pouco? Não importa, 1 centavo sumido já denota essa densa consciência planetária. [FAMÍLIA SEM FILHOS – 13 de abril de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
No plano emocional, vivenciando o dualismo humano, todas as estruturas de comportamento tendem a se desestruturar, esta é a terceira dimensão dissociada do planeta que está indo embora, com a chegada das vibrações de pensamentos que se alinham com a perspectiva da Era de Aquarius. [PÉGASO VI – 27 de agosto de 2013 – Blog Fernando Pinheiro, escritor].

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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

VIRGINDADE NA BERLINDA

Casablanca evoca o clima romântico de um casal de atores, imortalizado pelo cinema: Humphrey Bogart (Rick) e Ingrid Bergman (Ilsa). Hoje é manchete no mundo inteiro como uma das cidades de Marrocos, incluindo Rabat, Marrakesh, Tetuan e Tânger, como também as cidades autônomas espanholas, Ceuta e Melilla, situadas no norte da África, que realizam a himenoplastia.
Segundo o doutor Mansur, a reconstituição do hímen veio atender à necessidade de devolver à mulher africana a dignidade tirada no estupro, pois o repúdio da população não se restringe apenas à vítima, mas à família inteira, pois fica impossibilitada de arranjar casamento para filha. [El Pais – 26 de julho de 2016].
No sistema de crença existente a obrigação da mulher ser pura, conceito que abrange a parte física. Nos tempos da virgindade no Brasil, ocorrida antes da chegada da pílula anticoncepcional, ser pura é ser virgem. Há muitos boleros da época que confirmam essa assertiva. Mas, para muita gente a virgindade continua.
Embora não tenha valor jurídico, o certificado de virgindade da mulher é muito solicitado, nos países africanos, pelas noivas para atender ao pedido do noivo. Segundo o doutor Mansur, as reconstituições de hímen são “uma passagem simples, rápida e barata rumo à liberdade da mulher”. Conclui o médico que, em 90% dos casos a operação funciona. [El Pais – 26 de julho de 2016].
O edital do concurso público para admissão de mulheres no Corpo de Bombeiros Militares do Distrito Federal – CBMDF –, Brasília causou repercussão a nível nacional, em decorrência da exigência dos exames de colpocitologia oncótica, popularmente conhecido como Papanicolau (prevenção ao câncer do colo do útero) e HPV. Ainda de acordo com o edital, “estariam dispensadas da obrigatoriedade do teste as mulheres que possuírem “hímen íntegro”. [Pragmatismo Político – 28/07/2016].
Assim como os médicos ginecologistas africanos emitem atestado médico comprovando a virgindade, a pedido da paciente por exigência do parceiro que pretende se casar, aqui no Brasil, o CBMDF exige esse mesmo atestado, constrangendo as mulheres a se expor em situação bastante desconfortável.
A manchete “Bela, Recatada e do Lar” surgiu, em abril de 2016, na revista Veja. Isto fez criar uma polêmica com o público como se fosse um vínculo da mulher a padrões que a fazem ficar submissa ou apoderada a valores do passado que repercutem atualmente ou do próprio homem que a tem com direitos adquiridos na lei ou no recinto religioso, conhecidos com o nome de casamento ou união estável. [BELA, RECATADA E DO LAR – 24 de abril de 2016 – blog Fernando].
Na década de 50, nas regiões Norte e Nordeste, as filhas dos senhores abastados de riqueza e prestígio social quando perdiam a virgindade eram deportadas para cidade do Rio de Janeiro, a capital da República, em navios a vapor, tomavam um ita no Norte ou seguiam de avião.
O tempo da virgindade no modelo do passado mudou, embora continue recrudescido nas mulheres que pretendem se proteger contra as intempéries do tempo, mesmo assim estão abertas ao relacionamento. [AMORES GRIS – 12 de julho de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor].

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domingo, 31 de julho de 2016

LEMBRANÇAS AMÁVEIS (IX)

Em janeiro/1949, o escritor Mello Nóbrega (Humberto Galiano de Mello Nóbrega) é designado inspetor do Banco do Brasil, atuando na 14ª Zona de Inspeção. Naquele ano, era membro da Comissão de Estudos Econômicos do Senado Federal. Eram decorridos 10 anos que ele tinha recebido premiação na Academia Brasileira de Letras pela publicação da obra Olavo Bilac (crítica) – 1939, láurea compartilhada com Cecília Meireles (poesia) [Revista AABB – Rio].
José Arraes de Alencar nasceu em 20/11/1896, na Vila do Araripe, Ceará, e faleceu em 6/12/1978, casou–se, em 23/7/1921, em Belém-PA, com Alda Pequeno Arraes de Alencar com que tivera os seguintes filhos: Miguel Alfredo Arraes de Alencar, tenente–coronel; Josaldo Pequeno Arraes de Alencar, engenheiro civil e eletricista, mestre em Engenharia da Produção, licenciado em Letras Clássicas e bacharel em Ciências Econômicas, integrou o quadro de engenheiros do Banco do Brasil; José Pequeno de Arraes Alencar, advogado do Banco do Brasil (Direção Geral – Carteira de Câmbio – década de 60); Alfredo Pequeno de Arraes Alencar, subchefe–de–seção (à época, designação do nível da carreira) do Banco do Brasil, antigo professor do Estado da Guanabara [ALENCAR, 1975].
Outro cearense de boa cepa, fraseado pitoresco e alegre dos bons filhos da terra dos verdes mares: Marcelo Caracas Linhares. Nos idos de 1950, era chefe–de–serviço da CREAI da Agência de Quixadá, sob as ordens do gerente Nemésio Bezerra Filho e do contador Argemiro Luiz de Assis (Revista AABB – Rio – 1950).
A Cadeira patronímica de José Arraes de Alencar, da Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil, era ocupada por Marcelo Linhares, conhecido parlamentar que exerceu quatro mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados, em Brasília–DF (1971/1987), viajou muito pelo Brasil e pelo exterior, como a indicar o próprio nome Marcelo composto por mares e céus [NOBRE, 2001].
Marcelo Linhares era natural de Fortaleza onde nasceu em 15/3/1924 e faleceu na mesma cidade em 14/8/2007, deixando viúva Irismar Machado Linhares. O casal não teve filhos. Acadêmico, era membro efetivo do Instituto do Ceará – Histórico, Geográfico e Antropológico – Fortaleza – CE, Academia Maçônica de Letras de Brasília – DF, Academia Maçônica de Letras do Estado do Ceará e da Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil.
O jurista Fernando Mendonça exerceu o magistério na Universidade Gama Filho: Professor de Direito Comercial, de Direito dos Transportes e de Direito Agrário, membro do Instituto dos Advogados Brasileiros e da Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil. Bibliografia do autor: Debêntures, SP, Saraiva, 1988, Direito dos Transportes, SP, Saraiva, 1984 (1ª edição) e 1990 (2ª edição), Títulos de Crédito Rural, Rio de Janeiro, Editora Central da Universidade Gama Filho, 1989, Cédulas de Crédito Comercial e seu Negócio Subjacente, Ed. Lumen Juris, Rio de Janeiro, 1993, Vítima da Ditadura e Mártir da Educação (A Defesa do Prof. Nunes Mendonça), Editora Lumen Juris – 1993.
Fernando Mendonça, presidente do Instituto Carvalho de Mendonça de Direito Comercial, proferiu, em 27/5/1997, na Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil, palestra em homenagem a J.X. Carvalho de Mendonça, consultor jurídico do Banco do Brasil (1922/1930) e fez recrudescer, dentro do Banco do Brasil, momentos inesquecíveis do passado.
Relembrou os dias ditosos em que trabalhou na COJUR – Consultoria Jurídica do Banco do Brasil, à época localizada na Rua Primeiro de Março, 66, na cidade do Rio de Janeiro, onde Carvalho de Mendonça exerceu o cargo de consultor jurídico (20/3/1922 a 20/10/1930) e se emocionava a olhar o busto em bronze de Carvalho de Mendonça que ornamentava o gabinete da COJUR.
O acadêmico Fernando Mendonça ressaltou que, inúmeras vezes, quando substituia o chefe–de–gabinete da Consultoria Jurídica, à época, Clóvis Gomes de Souza, sentia–se emocionado em sentar à mesma mesa redonda ocupada anteriormente pelos antigos consultores jurídicos em despachos com seus chefes–de–gabinete.
Acrescentou que não conheceu pessoalmente o consultor jurídico Carvalho de Mendonça, mas teve a satisfação de ser amigo dos descendentes dele (filho e neto): Roberto Carvalho de Mendonça, chefe do antigo DEJUR – Departamento do Contencioso, e José Roberto Carvalho de Mendonça, advogado lotado na Assessoria Jurídica Regional – Rio de Janeiro, à época, sob a chefia de Roberto Figueira de Mello.
Orgulhoso em possuir os retratos de Cesare Vivante e de Carvalho de Mendonça, ambos inspiradores de suas elucubrações jurídicas, colocados defronte da escrivaninha de trabalho, em sua bela residência na Ilha do Governador, o acadêmico Fernando Mendonça enfatizou: “Carvalho de Mendonça é – sem favor – o mais importante comercialista brasileiro de nosso século, em pé de igualdade, por orgulho nosso, com grandes especialistas do mundo, como Cesare Vivante e Alfredo Rocco, na Itália; George Rippert, Lyon Caen, na França; Endemann, na Alemanha, e Rivarola, na Argentina.” (192)
(192) FERNANDO MENDONÇA, presidente do Instituto Carvalho de Mendonça de Direito Comercial – in Carvalho de Mendonça – Homo Nobilis, palestra proferida, em 27/5/1997, na Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil.
Antônio Ferreira Rodrigues, funcionário que tomou posse, em 19/12/1936, na Agência do Recife, dois anos mais tarde, nos idos de 1938, com a peça O Coração, é laureado com o prêmio do concurso de peças teatrais, no júri composto por Cláudio de Souza (Academia Brasileira de Letras), Jarbas de Carvalho (Associação Brasileira de Imprensa), J. A. Batista Júnior (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais), Hernani Cardoso (Sociedade Mantenedora do Teatro Nacional), e ainda os Professores Oduvaldo Viana e Olavo de Barros [Revista AABB – Rio – 1938].
Em 16/9/1938, com a inauguração da nova sede do Club Ginástico Português, na Esplanada do Castelo, no Rio de Janeiro, a peça O Coração sobe ao palco sob a direção de Djalma de Castro Vianna [Revista AABB – Rio – Rio – 1938].
A bibliografia do autor pernambucano inclui, ainda, as seguintes obras: Gente Modesta (comédia em 3 atos), Raio de sol (comédia em 1 ato), Viagem de núpcias (vaudeville em 3 atos), e Alta Sociedade (comédia em 4 tempos cênicos) [Revista AABB – Rio – 1938].
Nessa mesma década, outro notável dramaturgo (autor e ator), funcionário do Banco do Brasil, radicado no Recife, José Hermógenes de Araújo Vianna (posse no BB: 8/9/1920, apos.: 1/11/1950), sócio da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (novembro/1937), membro da Academia Pernambucana de Letras (posse em 26/7/1938), faz subir no palco do Theatro Santa Isabel, naquela capital, Silêncio, uma de suas obras dramáticas, encenada posteriormente no Theatro Deodoro, de Maceió – Alagoas.
Na cena teatral, Hermógenes Viana representou, no Teatro Santa Isabel – Recife–PE, as seguintes peças: “A morgadinha de Valflor”, de Júlio Dantas (22 a 24/09/1945), coadjuvado com os atores Eunice Torres, José Orlando Leça, Milton Persivo Cunha, Reginalda Luna e Jovelino de Brito Silva; “A sombra”, de Dário Ricodemi (9/1/1949), no personagem Gerardo, contracenando com Reginalda Luna, Aurenita Neves, José Orlando Leça, Helena Ferraz e Estevan Torres. Iconografia: Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil.
Em pleno sucesso teatral, em 11/1/1949, Hermógenes Viana, diante de uma seleta plateia de intelectuais, fez a apresentação do Teatro dos Bancários, criado por ele, no Teatro Santa Isabel, prestigiado pela presença do delegado do Ministério do Trabalho e por dirigentes sindicais. Intelectual de grande prestígio nacional, o dramaturgo Hermógenes Viana recebeu justa homenagem de Antônio Corrêa de Oliveira, membro da Academia Pernambucana de Letras, nos idos de 1993, enaltecendo–lhe vida e obra.
Em março/1930, Alcebíades França de Faria está na Agência do Recife–PE, exercendo as funções de inspetor do Banco do Brasil. Na ocasião, encontra um seleto grupo de funcionários dedicados ao trabalho e, nas horas vagas, amantes das letras e das artes, entre os quais, destacamos:
Raymundo Mendes Sobral, gerente da Agência do Recife. Nos idos de 1939, aos domingos, dedica–se ao estudo e tradução da Doutrina Secreta, de Madame Blavasky, da qual é o tradutor, obra composta por 6 volumes.
Joaquim Ignácio Cardoso, conferente da Seção de Contas Correntes da Agência do Recife. Líder comunitário, inteligência brilhante e orador consagrado. Mais tarde, exerceu o cargo de chefe do DEPIM – Departamento de Administração do Patrimônio Imobiliário do Banco do Brasil (12/12/1957 a 2/5/1961).
Hermógenes Viana, ajudante–de–serviço da Seção de Contas Correntes da Agência do Recife. Bacharel de Direito pela Universidade de Coimbra, Portugal. Desde os idos de 1925, é vidraceiro de Taças, pois nesse ano publica a obra Taças (contos). Nas horas do cansaço, depois de ter dado as melhores horas ao Banco do Brasil, escreve crônicas para os jornais do Recife e atua, como ator, em peças para o teatro. Iconografia em nosso poder. Nesse ano, publica Silêncio!... (comédia em três atos), passando a ser ator e autor.
Antônio Ferreira Rodrigues, funcionário lotado na Agência do Recife, teatrólogo de notoriedade nacional. Um ano antes, em 16/9/1938, o Club Ginástico Português, no Rio de Janeiro, inaugura a nova sede, apresentando a peça O Coração, de Antônio Rodrigues.
Francisco Magalhães Martins, contador formado pela Faculdade de Comércio e escriturário da Agência do Recife. Três anos mais tarde, em 1942, é transferido em cargo comissionado para instalar em, 15/7/1942, a Dependência do BB em Sorocaba, interior paulista. Contista e poeta. Obra-prima: Delmiro Gouveia, Pioneiro e Nacionalista – Editora Civilização Brasileira - Rio – 1963.
Nos idos de 1975, Honório Onofre de Abreu (posse no BB: 23/7/1953) era chefe–de–serviço da Agência Centro de Belo Horizonte–MG. No ano seguinte, encarregado até 14/11/1977, quando se aposenta. À época, o BB em Belo Horizonte era constituído de 982 funcionários, sendo que 755 eram lotados na Agência Centro e 227 na Metr. Barro Preto – MG. Estava sendo implantada 1 unidade do CESEC. Autor da obra Luz Imperecível, Honório Onofre de Abreu presidiu a União Espírita Mineira (2003/2007).
In HISTÓRIA DO BANCO DO BRASIL, DE FERNANDO PINHEIRO, obra disponibilizada ao público, pela internet, no site www.fernandopinheirobb.com.br