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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

VOCÊ VIU, CALE A BOCA


Integrante do acervo do Instituto Moreira Salles a foto do Carnaval no Bonde/RJ – 1954 – Você viu, cale a boca, nome de bloco carnavalesco, passando de bonde pelo centro do Rio de Janeiro, à época a capital da República. As pessoas idosas dizem que, nas décadas de 40 e 50, os bondes enfeitados eram o melhor do carnaval carioca.
A propósito, vale mencionar alguns depoimentos colhidos no facebook: “o bonde do Seu Souza, que fazia a alegria dos moradores da Zona Norte (subúrbios), levava multidões à Avenida Suburbana em quase todo seu percurso, pelo menos do Largo da Abolição até Madureira.” [Armando Bruno – facebook Rio de Janeiro – Memória e Fotos].
“Todos os sábados de carnaval, acordávamos cedo para ver a passagem do bonde do Souza, motorneiro da linha Cascadura que trabalhava cantando, independentemente de ser carnaval.” [Paulo Felipe Filho – facebook Rio de Janeiro – Memória e Fotos].
Acreditamos que uma das causas da retirada dos bondes de circulação do Rio de Janeiro, excetuando-se o bonde do bairro de Santa Tereza, seja a mesma da cidade do Recife que possuía, na década de 1920, a 3ª maior rede de bondes urbanos do Brasil: “Por causa da segunda guerra mundial, a importação ficou mais difícil e os trilhos passaram a ser cobertos pelo asfalto.” [Diário de Pernambuco – Editorial – 14 de agosto de 2016].
É importante não passar adiante o que vemos em todos os lugares onde pessoas estão passando atrocidades no viver. Silenciemos sempre, pois o silêncio é uma forma de não divulgar o que sentimos vir de fora, façamos o inverso de dentro para fora possamos emitir a vibração suscetível de abrandar os corações aflitos. [BRASIL NO CARNAVAL – 17 de janeiro de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Os filmes de violência, programas policiais, pornografia passam a ser valorizados na medida em que dermos peso e referência, caindo sempre na área do medo e acionando a rede de neurônios que fabricam cortisol, o hormônio do estresse, que enfraquece o sistema imunológico, surgindo o distúrbio mental. [TÁ COM MEDO DE QUÊ? – 16 de janeiro de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Não comentar nada, não criticar nada e nem criticar ninguém é ponto inicial em qualquer conjuntura difícil. Não ligar a televisão quando o noticiário é sobre violência. Então, por que falamos? Falamos porque acreditamos em nosso ser profundo que se liga com a fonte, particularidade comum a todos os seres humanos, pois as ocorrências acima mencionadas não existiriam se houvesse o conhecimento. [LAGOA PROFUNDA (II) – 10 de dezembro de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Quanta bagagem de detritos mentais foi acumulada ao longo da vida em hábitos que continham a antimatéria (medo, desamor, saudades aflitivas de amores que partiram, sentimentos de culpa que engendram comportamentos depressivos e outros lixos mentais), tudo isso fervilhando em pensamentos, por ser energia, causando circuitos que destroem neurônios! Em consequencia, o sistema imunológico é afetado e a doença se instala de vez [DEMÊNCIA PRECOCE – 07 de setembro de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Temos abordado o tema da transição planetária em várias oportunidades e sempre alertamos as pessoas amigas não comentar nem criticar nada e não criticar ninguém, mesmo que a mídia dê espaços a assuntos relevantes de interesse coletivo. O silêncio e a meditação de nossos passos é o que deve prevalecer. [VENTOS DO AMANHECER – 11 de abril de 2016].
Os noticiários dos jornais e da televisão são instrumentos que espalham o medo quando a referência é morte, assalto, escândalos na política e no governo, confronto de população com a polícia e outros desaires que não é bom comentar, pois estamos em outra alternativa do viver onde sentimos a felicidade. [AVE DE RAPINA – 20 de fevereiro de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
O não agir do taoísmo não é a ausência da ação, pois Gandhi libertou a Índia do jugo inglês com uma revolução pacífica. Compreender o Tao é deixar que a ação tenha o seu curso natural como o rio que corre em direção do mar. Quanto maior pressão para acontecer menos possibilidades de acontecer surgem. No amor também é assim. [COMUNICAÇÃO – 24 de fevereiro de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Aproveitando o tema: um minuto de silêncio em homenagem a Patrice Munsel, soprano americana que teve apenas um amor na vida, Robert C. Schuler, o marido dela, numa vivência em comum durante 50 anos, faleceu, em 04 de agosto de 2016, em sua residência no local aprazível em Schroon Lake, N.Y. [The New York Times – 10/08/2016]. 
 
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domingo, 14 de agosto de 2016

DEMOCRACIA

Na Grécia antiga, Sólon (638.a.C. – 558 a.C.), estadista, poeta e legislador,  criou a eclésia (assembleia popular) destinada a todos os homens livres atenienses, bem como um tribunal de justiça, a hilieia, contrariando a aristocracia que não queria perder privilégios. [Wikipédia – a enciclopédia livre].
No tempo de Sólon, o Oráculo de Delfos, na Grécia, era o centro onde convergiam as pessoas para pedir explicação sobre os fatos que estavam ocorrendo no mundo. Em outra região, um pouco antes do tempo de Sólon, no reino de Judá, o profeta Isaías (765 a.C. – 681 a.C.) anuncia o nascimento do Messias, evento atualmente festejado no mundo inteiro no dia 25 de dezembro, o dia do Natal.
Conforme estudo de Michelle Alexander, socióloga da Universidade de Ohio, atualmente há mais negros na prisão do que escravos nos Estados Unidos nos idos de 1850. Centenas de anos mais tarde, aquele país ainda não conseguiu uma democracia igualitária, permanecendo o mesmo resultado dos tempos da escravidão, conclui a socióloga em The New Jim Crow.
O título da obra de Michelle Alexander foi inspirado em The Strange Career of Jim Crow, de C. Vann Woodward, escrito nos idos de 1955, referenciado por Martin Luther King Jr., como “bíblia histórica do Movimento dos Direitos Civis”   [ALEXANDER, 2010].
O final do império romano, recrudescido nos tempos atuais, é revelado na crônica DE OLHOS SALTADOS – 28 de junho de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor:
O recrudescer do império romano domina o quadro político da atualidade, impedindo que haja a ascensão de consciência planetária mais sutil, onde já existe em muitos lugares do mundo, inclusive em muitas áreas do Brasil onde não há a presença desse recrudescer.
Quando foi dissolvida a espessa camada de poder, recrudescendo as intrigas palacianas dos césares da antiga Roma, fez eclodir um vespeiro revelado no momento político em que o Brasil e outros países vivem. É uma metáfora que tem um sentido real. [VENTOS DO AMANHECER – 11 de abril de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Nero, em nova roupagem do recrudescer, é visto como um semideus ou muito mais, intocável até pela justiça que não quer arriscar o prestígio de que se reveste para não contrariar a onda que passou em momentos de encantos mas que foi flagrada caminhando em sentido contrário.
No plano emocional, vivenciando o dualismo humano, todas as estruturas de comportamento tendem a se desestruturar, esta é a terceira dimensão dissociada do planeta que está indo embora, com a chegada das vibrações de pensamentos que se alinham com a perspectiva da Era de Aquarius. [PÉGASO VI – 27 de agosto de 2013 – Blog Fernando Pinheiro, escritor].
O modelo econômico sustentado pelo sistema financeiro internacional que estipula o dinheiro como meio circulante, os sistemas de governo, democratas ou não, estão no paradigma da consciência planetária que se mantém viva pela competitividade e separatividade, intimamente interligadas. Isto abrange a tudo e a todos que precisam de meios para sobreviver. [FAMÍLIA SEM FILHOS – 13 de abril de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
A democracia igualitária que os Estados Unidos ainda não conseguiu, na visão da escritora Michelle Alexander, é demonstrado aqui, no Brasil, esse percurso dentro do Auditório do Ed. Sede III, Banco do Brasil, Brasília – DF, em 28/9/1993, em solenidade de posse da bailarina e escritora Ruth Lima na Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil, presidida pelo escritor Fernando Pinheiro, no discurso de improviso de Synval Guazzelli, presidente do Banco do Brasil, interino (12/5/1993 a 15/5/1993), (30/5/1993 a 5/6/1993), (26/9/1993 a 6/10/1993), (1/12/1993 a 4/12/1993):
“Distinguiu também uma representante das Artes, Ruth Lima, bailarina e coreógrafa e, nesta hora, seguramente nós haveremos de ter sempre presente a importância da Arte como expressão de cultura, nós que desejamos construir uma sociedade brasileira melhor, uma sociedade brasileira justa, equânime, democrática e que possa alcançar níveis de avanço e de expressão cultural que representem toda a potencialidade desta Nação e dos sonhos melhores de nossa própria sociedade.” [DUAS BAILARINAS – 11 de fevereiro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Dentro do Banco do Brasil e na Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil, ao comemorar, em 25/10/1999, o Centenário de Nogueira da Gama, o senador Bernardo Cabral prestou uma homenagem histórica que muito honra estas instituições.
Na ocasião, o escritor Fernando Pinheiro, que presidia a solenidade, sentia–se muito feliz e triunfante, tendo em vista que estava participando da Mesa de honra a diplomata Lourdes Planas Giron, cônsul–geral da República da Venezuela, e o Major Aviador Celestino Todesco, representando o Exmo. Sr. Major Brigadeiro do Ar, Flávio de Oliveira Lencastre, comandante do III COMAR – Rio de Janeiro, além de outras distintas autoridades. Vale assinalar o discurso do senador Bernardo Cabral:
“Na raiz da força do Parlamento está a presença marcante daqueles que, ao longo do tempo, o integram. Não há como fugir a essa verdade incontestável. Nenhuma instituição pode subsistir se não houver, comandando-a ou nela atuando, gente de personalidade, de caráter, de princípios, de determinação. (...)
Camilo Nogueira da Gama, que tanto enobreceu o Senado Federal, inclusive presidindo-o, foi acima de tudo um homem do Direito, entendido como a via natural da Justiça. [in HISTÓRIA DO BANCO DO BRASIL, de Fernando Pinheiro].  
Considerando que a democracia faz parte da política, citamos o Globoesporte – edição 07/08/2016 em que menciona a vitória da judoca Majlinda Kelmendi, ouro olímpico para  Kosovo, na categoria leve até 52kg, na Arena Carioca 3: “entrou para as histórias do esporte e da política.”
No dia seguinte (08/08/2016), categoria leve até 57kg, a judoca Rafaela Silva levou a primeira medalha de ouro do Brasil nos Jogos Olímpicos – Rio 2016. A medalha de ouro de judô, categoria peso-meio-pesado (até 78kg), foi conquistada, em 11/08/2016, pela americana Kayla Harrison, medalhista de ouro por duas vezes: Londres 2012 e Rio 2016.
Na noite de domingo de 14 de agosto de 2016, o Estádio do Engenhão, nos Jogos do Rio, entrou para história com a vitória do jamaicano Usain Bolt ao sagrar-se tricampeão olímpico nos 100 metros rasos, marca de 9s81. O gesto  de Bolt com as mãos arremessando a flecha é em homenagem a menor etnia do Brasil: o índio. “Foi o primeiro homem da história a vencer a prova mais nobre do atletismo três vezes consecutivas.” [Estadão – 14/08/2016].
A Roma que Darcy Ribeiro sonhava, ele já sentira fazendo elogios ao Brasil, em seu canto de cisne, em 1995: “na verdade das coisas, o que somos é a nova Roma.” [O Povo Brasileiro: a Formação e o Sentido do Brasil, de Darcy Ribeiro]. No entanto, o tempo corre e ele não chegou a ver esse sonho ser realizado. Na América do Norte, I have dream, de Martin Luther King, também repercutiu nesse mesmo diapasão.
Hoje, com o recrudescer do fim do império romano pelos mesmos protagonistas do passado, em nova roupagem carnal, vemos o desmoronar de um tempo que não tem mais força para continuar, no entanto os estertores agônicos ainda estão em pleno processo de desintegração arrastando milhões à miséria e à penúria. No entanto, voltemos o olhar para o horizonte onde o novo amanhecer é a promessa sagrada desta madrugada em que o mundo passa.

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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

LANTERNA DE ZEWAIL

Na Real Academia Sueca, o rei Gustavo XVI Gustavo da Suécia entregou ao egípcio Ahmed Hassan Zewail o Prêmio Nobel de Química – 1999 por seu trabalho em capturar imagens ultra-rápidos de reações atômicas e, no mesmo ano, Zewail esteve no Cairo para receber a mais elevada comenda do governo do Egito – Nile Necklace (colar acadêmico do Nilo) entregue pelo presidente Hosni Mubarak.
Reconhecido no mundo inteiro como o “father of femtochemistry”, de grande prestígio nos EE.UU., onde era professor, Ahmed Zewail era membro do conselho consultivo de ciência e tecnologia do governo Barak Obama no período de 2009 a 2013.
Na área acadêmica, centenas de artigos científicos e mais de uma dúzia de livros publicados por Zewail. Era dele a patente de vários dispositivos solares concentradores de energia que ajudam a concentrar a energia do sol para gerar eletricidade, conclui o jornal The Telegraph (edição 8/8/2016).
No Brasil existe baixa utilização da energia solar porque “a política energética na área de geração simplesmente relega esta fonte energética” – [CartaCapital 3/9/2015]  
A ganância em ocupar terras indígenas, no Brasil, favorecem os grupos que dizimam a riqueza nacional, principalmente na floresta amazônica e seus luxuriantes recursos hídricos naturais. Nesse contexto, são erguidas as hidrelétricas, alternativa principal de geração de energia.
Segundo o Portal Brasil – Infraestrutura 2016: “estudos para o planejamento do setor elétrico em 2050 estimam que 18% dos domicílios no Brasil contarão com geração fotovoltaica.”
A energia solar fotovoltaica no Brasil traz benefícios econômicos para as pessoas que possuem casas com instalação dessa energia, tendo a possibilidade de se livrar da conta de luz das empresas fornecedoras.  
Não vemos maior crescimento dessa demanda no setor elétrico. Acreditamos que as empresas distribuidoras da energia elétrica não querem perder um mercado já conquistado com a saída dos consumidores da energia solar. Mas, essas empresas veem a entrada no mercado mundial da China ameaçando-lhes o lugar ou mesmo sendo compradas pelo capital chinês.
A empresa chinesa State Grid, com 1,5 milhão de funcionários, a maior do mundo na área de energia, está no Brasil desde 2000 operando com 7 mil km de linhas de transmissão e outros tantos em construção. O diretor da LCA Consultoria, Fernando Camargo enfatizou que “os chineses são praticamente os únicos com disponibilidade financeira hoje para viabilizar os grandes leilões do governo brasileiro”. Nisto está incluído o setor elétrico nacional. [Revista EXAME – 11/08/2016].
Nos voos da ciência, ficamos a imaginar que não há distância que não pode ser vencida, como no emaranhamento quântico que comprova elétrons que se interagem, até bilhões de milhas de distância, “o que implica alguma forma de comunicação entre eles mais rápido do que a velocidade da luz” [The Telegragh – 19 Aug 2015].
Ahmed Hassan Zewail (1946/2016), o primeiro egípcio – primeiro árabe – a ganhar o Prêmio Nobel de Química  decifrou um enigma que a ciência buscava entender nas reações químicas desdobradas, passo a passo, em escalas de tempo de milionésimos de um bilionésimo de um segundo, graças ao uso de pulsos de laser ultracurtos. [The Telegraph – 8/8/2016].
A pesquisa inovadora do Prêmio Nobel 1999 explica também a forma como o olho humano se ajusta ao escuro, esta é a lanterna que Zewail deixou para o mundo.

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domingo, 7 de agosto de 2016

AVES DORMEM VOANDO

Nos idos de 1839, nas Ilhas Galápagos, Charles Darwin observou o hábito das fragatas que mergulham no mar, sem molhar as asas. No mesmo lugar, nos idos de 2016, uma equipe de observadores, liderada pelo Niels Rattenborg do Instituto Max Planck de Ornitologia, Alemanha, registrou que as aves dormem quando estão voando, resultado da pesquisa com as aves equipadas com registrador de dados montado na cabeça contendo sensores de eletroencefalograma miniaturizados e um acelerômetro [The Guardian – 5/8/2016].
Nesses aparelhos pode ser medido a capacidade das aves ter sono REM, revelando a destreza de navegação aérea em manobras ou em linhas retas em dias, semanas, sem parar. Inúmeras vezes, as fragatas entram em sono de ondas lentas por vários minutos, enfatiza o jornal. 
No entanto, no voo dos pássaros esse sono dura 5 a 7 minutos, é relativamente muito pouco, mas comprova que as aves dormem. Em média, as fragatas dormem cerca de 40 minutos por dia, enquanto o ser humano cerca de 8 horas diárias.
O sono de qualidade é comum nas aves e não é, em geral, com os seres humanos, daí outra pesquisa divulgada pelo The Guardian que as mulheres preferem ter sono de qualidade do que satisfação sexual. É que o sexo está incluído na relação afetiva que pode ser conturbada prejudicando o sono.
Os estímulos da vida moderna, onde as tarefas para atingir determinada meta ou projeção são cobradas e fiscalizadas, tiram muito da pessoa a capacidade de ter uma qualidade de sono satisfatório. No entanto, a afetividade e o carinho contribuem bastante para que isso aconteça.
Não é que devemos ter dependência de outrem naquilo que diz respeito ao nosso mundo íntimo, ao contrário a independência em todos os aspectos é fator que possibilita ter uma vida saudável. A vida em solitude, como vimos escrevendo, é tão saudável quanto a daquela em que a pessoa está acompanhada ou vivendo uma vida a dois. 
Manter a paz e direcionar a vida num propósito que alcance aquilo que está no íntimo tem um significado profundo que irá repercutir definitivo em sua felicidade permanente e inalterável, já que as injunções ligadas ao parceiro podem levar situações que ficarão sempre algo a completar. [SOLITUDE (II) – 3 de junho de 2016, blog Fernando Pinheiro, escritor].
As mulheres sabem que não é fácil dormir no clima em que a saudade é atroz ou outro acontecimento impedindo o eclodir da estabilidade emocional. As pessoas portadoras de depressão encontram dificuldade para conciliar o sono, e quando vem, vem aos poucos, dormindo pouco.
Acrescenta aquela pesquisa científica que, quando o sol se põe, as aves param de voar em busca de comida, depois prosseguem a jornada de voo de corrente em corrente de ar.
Em pesquisa levantada por cientistas europeus, usando scanners de laser, foram observadas as mudanças que revelam uma sonolência noturna em árvores [Frontiers in Plant Science] – Apud AS PLANTAS DORMEM – 10 de maio de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor]
A perda da pressão de Turgor, diminuição na pressão interna de água dentro da árvore, foi a justificativa dos pesquisadores para esclarecer o adormecimento nos galhos e ramos, ocorrido à noite, como forma de manter a conservação de energia da fotossíntese ocorrida no período de luz solar, durante o dia. As plantas dormem.  [AS PLANTAS DORMEM – 10 de maio de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
As aragens do mar, carregadas de salutares eflúvios, fortalecem as aves tanto em terra como no ar, até mesmo as árvores recebem essa energia que vem dessas correntes de ar.

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sábado, 6 de agosto de 2016

BACHIANAS BRASILEIRAS nº 5 – Ária

Destinada para soprano e orquestra de violoncelos, Ária das Bachianas nº 5, de Heitor Villa-Lobos, é, a nosso ver, o símbolo maior da música erudita brasileira para o canto, embora o autor tenha reconhecido na suíte Floresta do Amazonas, que inclui A Canção do Amor e a Melodia Sentimental, o seu canto de cisne.
A ária, representando uma cantilena, começa no movimento adágio e ganha amplo voo vocalizado em “a” e se apoia nos sons dos violoncelos que imprimem compassos em pizzicatti.
No canto puramente declamado, surgem os versos de Ruth Valadares Correia.
A letra da música é lírica e romântica, inspirada em tema que representa a natureza. A chave de ouro é a mesma que inicia o poema.
Quando os ventos brandos correm aos desertos, levantando camadas de areia, ficamos a imaginar o som da música que se espalha nas folhas das palmeiras.
Nesses instantes que nos toca à alma, o clima de ternura e a suavidade total levam-nos à imaginação dos mundos de beleza que recebem luz do luar. Quantas luas, na via-láctea, refletindo claridade em tonalidades suaves?
A poesia revelou a fonte dos sonhos, criando arquétipos que estabeleceram marcos de conduta, como também foi intérprete da arte reveladora dos caminhos que conduzem à mesma fonte de onde a vida surge em grau de consciência.
O luar sempre foi a claridade que envolveu os poetas em noites de inspiração, os namorados nos enlevos em que a ternura se fazia mais presente e nos templos da Antiguidade os ofícios religiosos ganhavam um destaque todo especial.
O luar... os ventos brandos... as palmeiras... o clima de poesia que nos envolve para despertar a beleza íntima, escondida pelas paisagens que a natureza nos dá em mãos.
Os ventos viajam mundos, estabelecem compassos musicais nas ondas do mar, sacodem as folhas das palmeiras em ritmos que despertam a sensibilidade das próprias árvores e daqueles que as observam. 
As palmeiras são altaneiras nos climas tropicais e ficam pequenas na aridez dos desertos, revelando que a natureza escolhe espaços adequados à dimensão de formas que inspiram lições que passam despercebidas.
Mas os ventos vão e voltam para levar as folhas secas e sacudir as que permanecem ligadas às árvores como a demonstrar que outros ventos de interpretações variadas levam tudo aquilo que não está ligado às suas origens.
O luar sobre as palmeiras fala mais alto, numa linguagem íntima que coloca na mesma direção a claridade da luz doce e a suavidade que sentimos ser real.
Villa-Lobos revelou, numa das mais fascinantes melodias já escritas no Brasil, a impressão sonora da alma de nossa gente e nos faz lembrar a ária para a corda de sol, da suíte nº 3, de Bach, de que se inspirou.

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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

EU TE AMO

O poema para canto e orquestra, Eu te amo, de Villa-Lobos, foi escrito nos idos de 1956, e apresenta os seguintes movimentos: andantino, suave, quase andante, pianissimo, crescendo, poco più mosso, meno, poco più mosso, a tempo, rallentando.  
A letra da música é de autoria da poetisa e diplomata Dora Vasconcelos (1910/1953).
Desdobrando uma suave cantilena, a música Eu te amo, revela uma longa jura de amor, nos tempos em que o romance entre os casais necessitava de uma confirmação para se afirmar.
A jura amorosa tinha um sentido de honra e, hoje para que não haja um comprometimento maior, não é mais usado esta prática. Os gestos já falam por si. O grau de envolvimento está na relação dos interesses mútuos, sendo que, às vezes, em muitas ocasiões, o silêncio fala mais alto.
Falar por si mesmo já tem um valor próprio e, quando acrescentado a fatores diversos, aumenta ainda mais a jura de amor, se apreciarmos o sentido que contém cada uma das comparações formuladas. 
A cantilena é longa, mas ficamos imaginando na beleza que sentimos ao ver as asas das gaivotas, a luz do crepúsculo sobre as águas paradas, o perfume das flores de laranjeiras, os primeiros cânticos da infância, as seis baladas da Ave-Maria, a noite branca nas magnólias e o murmúrio intimo das fontes. 
As juras de amor da canção vêm desde as promessas cumpridas pela poetisa e por tudo que ela quis ser e devia ter sido pela bifurcação do caminho. Há uma ressalva que justifica que nem tudo é possível se realizar. Ela talvez tenha se esquecido das palavras do manual e das orações antigas, seus cabelos se tenham enrolados pelo vento. 
Buscando ser melhor entendida, a poetisa anuncia as juras de amor revelando imagens de parábola tiradas do cenário bucólico: o ninho de palha, o sabor do mel, o abandono do espantalho e o destino do besouro dourado.
A letra da música finaliza afirmando, no último canto da cantilena, a jura de amor: “te amo e te amarei até o princípio do futuro.” Quando será o princípio do futuro? Só os amores verdadeiros sabem.
Na obra MÚSICA PARA CANTO E PIANO, de Fernando Pinheiro, disponibilizada ao público pela internet, contém 42 crônicas a respeito da música de vários compositores brasileiros, ressaltando as canções de Villa-Lobos: A cascavel, Canção do amor, Invocação em defesa da pátria, Melodia sentimental, Samba clássico e Veleiro.
Apresentamos alguns comentários postados no facebook a respeito da crônica:
Alice Assayag Botelho, S.Paulo – SP – 28/09/2012 – Lindo, Fernando!!! Parabéns pela qualidade do texto.
Cleusa Rodrigues do Amaral, Petrópolis – RJ – 28/09/2012 – Linda colocação acerca do tema “Eu te amo”. Quando será o princípio do futuro?
Eronildes Souta Pasta, S.Paulo - SP – 28/09/2012 – Lindo texto “Eu te amo”.
Graça Andrade, Rio de Janeiro - RJ – 28/09/2012 – Que poema lindo! Falar sobre amor toca meu coração. Rsrsrs
Kátia Calixto, Rio de Janeiro – RJ – 28/09/2012 – Olá, que lindo poema, amei.
Nelmar Teixeira Cardoso, Rio de Janeiro - RJ – 28/09/2012 – Magníficio poema. Cala profundamente em nossas almas sensíveis. O amor ainda é o sentimento mais sublime que une a humanidade.
Inna Chebotareya, Omsk, Sibéria, Rússia – 2/10/2012 – Muito bonito, adorei.        

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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

CANTO ÁRCTICO

Escrito por Einojuhani Rautavaara, compositor finlandês, nos idos de 1972, Cantus Arcticus, op. 61, apresenta três movimentos: “o pântano abre com uma flauta, em dueto, depois por outros instrumentos de sopro, seguido por aves. O segundo movimento, Melancolia, apresenta o canto da cotovia costeira. O movimento final, a emigação de cisnes toma a forma de um longo crescendo para orquestra, com os sons de cisnes selvagens.” [Da Wikipédia, a enciclopédia livre].
Depois de Sibelius, o compositor Einojuhani Rauatavaara se destaca como um dos nomes exponenciais da música finlandesa, sendo que Terceiro Concerto para Piano, escrito por ele, foi muito divulgado pelo lendário pianista e maestro russo Vladimir Ashkenazy que esteve em visita ao Brasil, em junho de 1995, fazendo apresentações solo de piano no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e Theatro Municipal de São Paulo.
O maestro Vladimir Ashkenazy retornou ao Brasil em setembro de 2014 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro que abriu o programa com The lark ascending, de Vaughan Williams, com a participação da violinista americana Esther Yoo. O pianista brasileiro Nelson Freire fez o solo de O Imperador, de Beethoven.
No programa do Cantus Arcticus – Concerto para pássaros e orquestra – op. 61: think of autumn and of Tchaikovsky – a música começa descrevendo o pântano e termina com a migração de cisnes. É uma música da natureza com influência humana, assim como está nos poemas sinfônicos de Sibelius, conterrâneo de Rautavaara.
O murmúrio do mar Egeu é apresentado no Prelúdio do III Ato da ópera O Corsário, depois desdobra-se a cena da ária Eccomi Prigioniero, de Giuseppe Verdi. [ECCOMI PRIGIONIERO – 13 de março de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Há ressonância magnética quando ouvimos pessoalmente as ondas do mar ou em vídeos do YouTube da internet. O que o mar nos dá, nós lançamos em pensamentos que vagueiam por aqui e alhures, estamos bem e esse bem-estar circula em espaços que se agregam em egrégoras afins. [ECCOMI PRIGIONIERO – 13 de março de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
A oportunidade é o vento que nos acaricia. Uma sensação de leveza nos embala aos grandes voos como se fôssemos pássaros que batem as asas e, quando atingem as alturas, planam suavemente. [OS PÁSSAROS – 8 de julho de 2012 – blog Fernando Pinheiro, escritor].  
Enquanto o homem não sentir o momento oportuno em que deve fluir nas energias dos seus sonhos, será sempre um pássaro batendo asas. Depois, muito depois flutuar observando as paisagens que ficaram lá embaixo. [OS PÁSSAROS – 8 de julho de 2012 – blog Fernando Pinheiro, escritor].  
Os pássaros de Respighi, em que ele buscou inspiração para compor uma pequena suíte para orquestra, certamente estavam fazendo acrobacias, em voos rasantes para encantar as pessoas e batendo asas para ganhar altura e, bem no alto, sustentados pelas correntes de ar, deslizavam espalhando seus cantos de alegria. [OS PÁSSAROS – 8 de julho de 2012 – blog Fernando Pinheiro, escritor].  
Além da influência de Sibelius, o compositor Rauavaara pede aos instrumentistas pensar no outono e em Tchaikovsky. A música russa tem influência nas composições de Rautavaara, principalmente Tchaikovsky, Mussorgsky e Borodin, é tanto que a sua ópera Rasputin é sobre o místico russo, sendo que grande parte da sua música, conforme observado pelo jornal Telegraph (edição 01/08/2016), tinha uma dimensão etérea, espiritual.

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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O CANTO ABSOLUTO

Destinada para coro misto e orquestra, a cantata O Canto Absoluto, do compositor Brasílio Itiberê, inicia-se no movimento allegro festivo (jubiloso como um hino). O intermezzo da música, que se inicia no momento em que surgem as palavras “meu canto universal...”, é vivo, gracioso e jovial.
O movimento allegro festivo é característica do compositor Brasílio Itiberê, como se vê em duas apresentações de pianistas, no Youtube: A Sertaneja – Brasílio Itiberê – Mayra Albano – A Sertaneja op. 15 de Brasílio Itiberê da Cunha – Celso Barrufi Jr.
A letra do Canto Absoluto é do poeta paranaense Tasso da Silveira, filho do poeta simbolista Silveira Neto. Fazemos apenas uma citação: “Canto essencial e profundo e profundo como o das noites referentes de mundos inumeráveis.”
O Canto Absoluto é, em sua essência, um hino triunfal que celebra a alegria de saber da existência do Senhor e evoca momentos jubilosos que nos fazem lembrar a presença da natureza, em suas múltiplas formas e conteúdos que se desenvolvem à nossa frente e seguem em rumo a uma transcendência maior da consciência do planeta que está saindo da terceira dimensão dissociada.
Quanta alegria ao sabermos que estamos no caminho da multidimensionalidade, ou seja, na ascensão de consciência, seremos seres multidimensionais!
Nessa dimensão, não haverá mais dor, separação, engano, simulação, tristeza, pois os pensamentos de todos os habitantes serão identificados por todos os habitantes. A Terra está sendo sacralizada, como falamos anteriormente, quando abordamos assuntos da transição planetária.
Na canção há sentimentos de inocência e de candura como nos pássaros matinais ou mesmo de algo novo igual aos filhotes de pássaros que estão no ninho, sem possibilidade ainda de voar.
O cântico é refrescante como as águas que descem das fontes virgens, nos flancos verdes das montanhas, e se estende pelas vastidões oceânicas e traz a imensidão dos mundos efervescentes que se espalham pela galáxia afora.
A dor do canto que se espalha na Terra não chega a esses mundos de beleza imperecível, a paz é imperturbável, embora o autor busque inspiração que vem dos altos cimos. Ficamos com alegria que existe nas searas e nos jardins.
Em 29 de setembro de 2012, a amiga Alice Assayag Botelho se manifestou a respeito de O Canto Absoluto: “texto que nos transmite muita paz e alegria. Muito lindo.”
Somos gratos pela receptividade.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

SISTEMA FINANCEIRO

O sistema de crenças, obstáculo de ascensão planetária, seguindo na zona de conforto, abrange o sistema financeiro que será o último a cair na mudança do paradigma planetário com a chegada dos ventos que anunciam o terceiro milênio.
O sistema financeiro global é exercido, com forte domínio, pelo FMI – Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Mundial, de modo que esse monopólio concentra a maior parte da riqueza do planeta nas mãos de poucos.
Essa situação chamou a atenção da Rússia, China, Índia, África do Sul e Brasil que resolveram marcar encontros com a finalidade de criar o Brics ou Banco do Brics que é o Novo Banco de Desenvolvimento, a ser instalado, nos idos de 2017, em Shangai, China, com o capital inicial de 50 bilhões de dólares, destinado a amparar as operações de infraestrutura nos países-membros e demais comunidades internacionais.
A iniciativa da Rússia nesse empreendimento é dar uma resposta ao Ocidente, pois foi excluída do Grupo G-8 (países mais industrializados do mundo) por causa da anexação da Crimeia no território russo, em março de 2015. Aliás, essa guerra vem desde há muito tempo, pois quando o atual Banco do Brasil, nos idos de 1854, sob a presidência de Lisboa Serra, abriu as portas para o público, a guerra da Crimeia estava em ação.
É uma forma desses países diminuirem a presença do FMI e do Banco Mundial no cenário econômico mundial. O poder da moeda, no paradigma atual, pode mudar de mãos, mas continua o mesmo processo de dominação dos mais ricos sobre a grande massa populacional do planeta.
Essa desigualdade social foi apreciada durante o Seminário Democracia na América Latina, realizado em 27 de julho de 2016, em Curitiba – PR, com a presença de Pepe Mujica, ex-presidente e atual senador da República do Uruguai, que declarou: “nossa luta não é só por democracia, mas por outra civilização” e ressaltou “temos 80 senhores que possuem o mesmo que outros 3 bilhões de habitantes”, isto numa população mundial de 7,3 bilhões.  [DEMOCRACIA – 28 de julho de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
O terceiro milênio é mais uma questão de atitude do que um evento, de maneira que essa chegada em sua plenitude está em vias de acontecer, dependendo do modo de pensar e agir da maioria populacional do planeta nos cinco pilares (simplicidade, humildade, transparência, alegria e gratidão), sendo que a minoria de 1,7 bilhão de habitantes está seguindo firme nesse propósito.
O modelo econômico sustentado pelo sistema financeiro internacional que estipula o dinheiro como meio circulante, os sistemas de governo, democratas ou não, estão no paradigma da consciência planetária que se mantém viva pela competitividade e separatividade, intimamente interligadas. Isto abrange a tudo e a todos que precisam de meios para sobreviver. [FAMÍLIA SEM FILHOS – 13 de abril de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Será que todos têm noção do que acontece no mundo ou a mídia o faz pensar no paradigma vigente? Onde está o conceito de consciência que o cientista Wigner explicitou, se a maioria nem sabe que até os insetos têm consciência? Nem vamos falar sobre o dinheiro do fundo líbio que sumiu. Será que 1 bilhão de dólares é pouco? Não importa, 1 centavo sumido já denota essa densa consciência planetária. [FAMÍLIA SEM FILHOS – 13 de abril de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
No plano emocional, vivenciando o dualismo humano, todas as estruturas de comportamento tendem a se desestruturar, esta é a terceira dimensão dissociada do planeta que está indo embora, com a chegada das vibrações de pensamentos que se alinham com a perspectiva da Era de Aquarius. [PÉGASO VI – 27 de agosto de 2013 – Blog Fernando Pinheiro, escritor].

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