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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A MORTE DO DINHEIRO


“A vinda do colapso do dólar e do sistema monetário internacional é totalmente previsível. . . . Somente as nações e os indivíduos que fazem disposição hoje vão sobreviver ao turbilhão que há de vir.” [The Death of Money: The Coming Collapse of the International Monetary System – 2014, by James Rickards].
Na referida obra, James Rickards menciona que, nos últimos 100 anos, o sistema monetário internacional entrou em colapso durante 3 vezes: 1914, 1939 e 1971, gerando danos para a estabilidade da economia global em que surgiram  guerras e distúrbios civis. 
Desde o final da Segunda Guerra Mundial, alega o escritor americano, a moeda de reserva global tem sido o dólar, se a moeda americana falhar, todo o sistema monetário desaba. Concorrentes ao mercado do dólar, China, Rússia e as nações produtoras de petróleo no Oriente Médio estão fazendo o possível para ver a derrubada da hegemonia monetária americana. Esta é a característica da consciência planetária que está indo embora: competitividade e separatividade.
“É preciso convir, entretanto, que o capitalismo moderno tem características muito próprias: primeiro é um capitalismo monetário, segundo é altamente competitivo, terceiro é um capitalismo que procura competir por meio de associações econômicas, hoje chamadas boom; é o velho trust, a concentração do capital para poder competir. Não obstante, a característica do capitalismo é, antes de tudo e mais nada, o crédito.” (1)
(1) – in A Evolução da moeda no Brasil e no mundo, de Ovídio da Cunha (1912/1997), ex-Professor de Sociologia da Universidade Federal Fluminense (Niterói – RJ), palestra realizada em 24/11/1995, ao ensejo da realização do 1° Seminário Banco do Brasil e a Integração Social, organizado pela Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil, sob a presidência do escritor Fernando Pinheiro.
Observa ainda o sociólogo Ovídio da Cunha que no Egito antigo, assim como os astecas, os incas não tiveram moeda, possuíam o sistema de peso, entre eles não havia escassez. A fome no Egito foi apenas um episódio bíblico. Ele também comentou que a moeda, no dizer de Marx, crítico do capitalismo, nasceu da escassez dos víveres.
Uma ideia que vislumbra reaparecer: Vollgeld (“dinheiro inteiro”), antigo sistema monetário alemão, onde não há bolhas de crédito e crises financeiras Nesse sistema, defendido por Frank Breitenback, os bancos comerciais não terão mais o poder de criar dinheiro. A oferta do dinheiro seria exclusiva do Estado, através de bancos centrais. [Valor Econômico – 17/8/2016].
Quando os bancos e financeiras emprestam dinheiro, esse dinheiro vem do nada, conforme menciona a revista. É um artifício que é aceito pelos mutuários, amparado por lei. Na densa consciência planetária, que está indo embora, o sistema Vollgeld cairá no mesmo caos.      
É oportuno transcrever textos da crônica SISTEMA DE CRENÇAS (II) – 31 de outubro de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor:
O sistema financeiro, um dos aspectos desse sistema global, será o último a cair na mudança de paradigma desta densa consciência planetária. A propósito, abordamos nos dois parágrafos, a seguir, este aspecto da vida cotidiana da maioria da população mundial, anteriormente publicado em nossa crônica FAMÍLIA SEM FILHOS – 13 de abril de 2015:
O modelo econômico sustentado pelo sistema financeiro internacional que estipula o dinheiro como meio circulante, os sistemas de governo, democratas ou não, estão no paradigma da consciência planetária que se mantém viva pela competitividade e separatividade, intimamente interligadas. Isto abrange a tudo e a todos que precisam de meios para sobreviver.
Com a queda do sistema financeiro no mundo inteiro levará de roldão o dinheiro, os bancos, as empresas, os orçamentos do governo (municipal, estadual, federal) e tudo que está no mercado de moeda comprovando a ineficácia de um sistema que enriqueceu uma pequena minoria, carregando em seu bojo a miséria e a carência de recursos da maioria da população mundial.
A crença no dinheiro e no mundo subjetivo ajudaram bastante a humanidade em seu progresso material, mas da maneira em que foi empregada levou-a à escravidão, roubando a juventude de pessoas que não tiveram tempo para dedicar-se ao lazer e desfrutar de um conforto material. Há leis amparando tudo isto, mas é apenas um lenitivo passageiro onde permanecem os engramas do passado trazendo estigmas.
Quando o mundo era bucólico, corria menos dinheiro em circulação, mas a qualidade de vida era melhor do que no mundo industrializado. O sentido gregário dos animais não foi aplicado na vida comunitária dos povos, os interesses isolados de grupos de pessoas falaram mais alto e deu no que está: uma população mundial doentia e enfraquecida.
Os privilegiados existem, sim, mas em pequena minoria, privilegiados que não perceberam que a consciência está imantada em tudo, porque tudo é energia, é o átomo que está presente em tudo, inclusive no vácuo quântico, onde tudo emana. Como segurar um elétron que corre no endereço astral onde está o sofredor? Elétron que partiu de um pensamento humano dissociado da realidade única que nos une.
Por discordar do paradigma atual, reconhecemos o conceito de Alfred Korzybiski, filósofo, engenheiro e matemático, divulgado ao ensejo da realização de um encontro da American Mathematical Society: “o mapa não é o território.’’
É tempo de reverter tudo isto, simplesmente vivenciado em 5 pilares: simplicidade, humildade, transparência, alegria e gratidão. Outras fórmulas podem conseguir essa reversão, mas levará muito tempo em que para muitos custa uma eternidade. O joio separado também, um dia, no decorrer dos milênios, será transformado em trigo, mas não será mais neste planeta que está sendo sacralizado.

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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

VOCÊ VIU, CALE A BOCA


Integrante do acervo do Instituto Moreira Salles a foto do Carnaval no Bonde/RJ – 1954 – Você viu, cale a boca, nome de bloco carnavalesco, passando de bonde pelo centro do Rio de Janeiro, à época a capital da República. As pessoas idosas dizem que, nas décadas de 40 e 50, os bondes enfeitados eram o melhor do carnaval carioca.
A propósito, vale mencionar alguns depoimentos colhidos no facebook: “o bonde do Seu Souza, que fazia a alegria dos moradores da Zona Norte (subúrbios), levava multidões à Avenida Suburbana em quase todo seu percurso, pelo menos do Largo da Abolição até Madureira.” [Armando Bruno – facebook Rio de Janeiro – Memória e Fotos].
“Todos os sábados de carnaval, acordávamos cedo para ver a passagem do bonde do Souza, motorneiro da linha Cascadura que trabalhava cantando, independentemente de ser carnaval.” [Paulo Felipe Filho – facebook Rio de Janeiro – Memória e Fotos].
Acreditamos que uma das causas da retirada dos bondes de circulação do Rio de Janeiro, excetuando-se o bonde do bairro de Santa Tereza, seja a mesma da cidade do Recife que possuía, na década de 1920, a 3ª maior rede de bondes urbanos do Brasil: “Por causa da segunda guerra mundial, a importação ficou mais difícil e os trilhos passaram a ser cobertos pelo asfalto.” [Diário de Pernambuco – Editorial – 14 de agosto de 2016].
É importante não passar adiante o que vemos em todos os lugares onde pessoas estão passando atrocidades no viver. Silenciemos sempre, pois o silêncio é uma forma de não divulgar o que sentimos vir de fora, façamos o inverso de dentro para fora possamos emitir a vibração suscetível de abrandar os corações aflitos. [BRASIL NO CARNAVAL – 17 de janeiro de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Os filmes de violência, programas policiais, pornografia passam a ser valorizados na medida em que dermos peso e referência, caindo sempre na área do medo e acionando a rede de neurônios que fabricam cortisol, o hormônio do estresse, que enfraquece o sistema imunológico, surgindo o distúrbio mental. [TÁ COM MEDO DE QUÊ? – 16 de janeiro de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Não comentar nada, não criticar nada e nem criticar ninguém é ponto inicial em qualquer conjuntura difícil. Não ligar a televisão quando o noticiário é sobre violência. Então, por que falamos? Falamos porque acreditamos em nosso ser profundo que se liga com a fonte, particularidade comum a todos os seres humanos, pois as ocorrências acima mencionadas não existiriam se houvesse o conhecimento. [LAGOA PROFUNDA (II) – 10 de dezembro de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Quanta bagagem de detritos mentais foi acumulada ao longo da vida em hábitos que continham a antimatéria (medo, desamor, saudades aflitivas de amores que partiram, sentimentos de culpa que engendram comportamentos depressivos e outros lixos mentais), tudo isso fervilhando em pensamentos, por ser energia, causando circuitos que destroem neurônios! Em consequencia, o sistema imunológico é afetado e a doença se instala de vez [DEMÊNCIA PRECOCE – 07 de setembro de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Temos abordado o tema da transição planetária em várias oportunidades e sempre alertamos as pessoas amigas não comentar nem criticar nada e não criticar ninguém, mesmo que a mídia dê espaços a assuntos relevantes de interesse coletivo. O silêncio e a meditação de nossos passos é o que deve prevalecer. [VENTOS DO AMANHECER – 11 de abril de 2016].
Os noticiários dos jornais e da televisão são instrumentos que espalham o medo quando a referência é morte, assalto, escândalos na política e no governo, confronto de população com a polícia e outros desaires que não é bom comentar, pois estamos em outra alternativa do viver onde sentimos a felicidade. [AVE DE RAPINA – 20 de fevereiro de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
O não agir do taoísmo não é a ausência da ação, pois Gandhi libertou a Índia do jugo inglês com uma revolução pacífica. Compreender o Tao é deixar que a ação tenha o seu curso natural como o rio que corre em direção do mar. Quanto maior pressão para acontecer menos possibilidades de acontecer surgem. No amor também é assim. [COMUNICAÇÃO – 24 de fevereiro de 2014 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Aproveitando o tema: um minuto de silêncio em homenagem a Patrice Munsel, soprano americana que teve apenas um amor na vida, Robert C. Schuler, o marido dela, numa vivência em comum durante 50 anos, faleceu, em 04 de agosto de 2016, em sua residência no local aprazível em Schroon Lake, N.Y. [The New York Times – 10/08/2016]. 
 
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domingo, 14 de agosto de 2016

DEMOCRACIA

Na Grécia antiga, Sólon (638.a.C. – 558 a.C.), estadista, poeta e legislador,  criou a eclésia (assembleia popular) destinada a todos os homens livres atenienses, bem como um tribunal de justiça, a hilieia, contrariando a aristocracia que não queria perder privilégios. [Wikipédia – a enciclopédia livre].
No tempo de Sólon, o Oráculo de Delfos, na Grécia, era o centro onde convergiam as pessoas para pedir explicação sobre os fatos que estavam ocorrendo no mundo. Em outra região, um pouco antes do tempo de Sólon, no reino de Judá, o profeta Isaías (765 a.C. – 681 a.C.) anuncia o nascimento do Messias, evento atualmente festejado no mundo inteiro no dia 25 de dezembro, o dia do Natal.
Conforme estudo de Michelle Alexander, socióloga da Universidade de Ohio, atualmente há mais negros na prisão do que escravos nos Estados Unidos nos idos de 1850. Centenas de anos mais tarde, aquele país ainda não conseguiu uma democracia igualitária, permanecendo o mesmo resultado dos tempos da escravidão, conclui a socióloga em The New Jim Crow.
O título da obra de Michelle Alexander foi inspirado em The Strange Career of Jim Crow, de C. Vann Woodward, escrito nos idos de 1955, referenciado por Martin Luther King Jr., como “bíblia histórica do Movimento dos Direitos Civis”   [ALEXANDER, 2010].
O final do império romano, recrudescido nos tempos atuais, é revelado na crônica DE OLHOS SALTADOS – 28 de junho de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor:
O recrudescer do império romano domina o quadro político da atualidade, impedindo que haja a ascensão de consciência planetária mais sutil, onde já existe em muitos lugares do mundo, inclusive em muitas áreas do Brasil onde não há a presença desse recrudescer.
Quando foi dissolvida a espessa camada de poder, recrudescendo as intrigas palacianas dos césares da antiga Roma, fez eclodir um vespeiro revelado no momento político em que o Brasil e outros países vivem. É uma metáfora que tem um sentido real. [VENTOS DO AMANHECER – 11 de abril de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Nero, em nova roupagem do recrudescer, é visto como um semideus ou muito mais, intocável até pela justiça que não quer arriscar o prestígio de que se reveste para não contrariar a onda que passou em momentos de encantos mas que foi flagrada caminhando em sentido contrário.
No plano emocional, vivenciando o dualismo humano, todas as estruturas de comportamento tendem a se desestruturar, esta é a terceira dimensão dissociada do planeta que está indo embora, com a chegada das vibrações de pensamentos que se alinham com a perspectiva da Era de Aquarius. [PÉGASO VI – 27 de agosto de 2013 – Blog Fernando Pinheiro, escritor].
O modelo econômico sustentado pelo sistema financeiro internacional que estipula o dinheiro como meio circulante, os sistemas de governo, democratas ou não, estão no paradigma da consciência planetária que se mantém viva pela competitividade e separatividade, intimamente interligadas. Isto abrange a tudo e a todos que precisam de meios para sobreviver. [FAMÍLIA SEM FILHOS – 13 de abril de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
A democracia igualitária que os Estados Unidos ainda não conseguiu, na visão da escritora Michelle Alexander, é demonstrado aqui, no Brasil, esse percurso dentro do Auditório do Ed. Sede III, Banco do Brasil, Brasília – DF, em 28/9/1993, em solenidade de posse da bailarina e escritora Ruth Lima na Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil, presidida pelo escritor Fernando Pinheiro, no discurso de improviso de Synval Guazzelli, presidente do Banco do Brasil, interino (12/5/1993 a 15/5/1993), (30/5/1993 a 5/6/1993), (26/9/1993 a 6/10/1993), (1/12/1993 a 4/12/1993):
“Distinguiu também uma representante das Artes, Ruth Lima, bailarina e coreógrafa e, nesta hora, seguramente nós haveremos de ter sempre presente a importância da Arte como expressão de cultura, nós que desejamos construir uma sociedade brasileira melhor, uma sociedade brasileira justa, equânime, democrática e que possa alcançar níveis de avanço e de expressão cultural que representem toda a potencialidade desta Nação e dos sonhos melhores de nossa própria sociedade.” [DUAS BAILARINAS – 11 de fevereiro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Dentro do Banco do Brasil e na Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil, ao comemorar, em 25/10/1999, o Centenário de Nogueira da Gama, o senador Bernardo Cabral prestou uma homenagem histórica que muito honra estas instituições.
Na ocasião, o escritor Fernando Pinheiro, que presidia a solenidade, sentia–se muito feliz e triunfante, tendo em vista que estava participando da Mesa de honra a diplomata Lourdes Planas Giron, cônsul–geral da República da Venezuela, e o Major Aviador Celestino Todesco, representando o Exmo. Sr. Major Brigadeiro do Ar, Flávio de Oliveira Lencastre, comandante do III COMAR – Rio de Janeiro, além de outras distintas autoridades. Vale assinalar o discurso do senador Bernardo Cabral:
“Na raiz da força do Parlamento está a presença marcante daqueles que, ao longo do tempo, o integram. Não há como fugir a essa verdade incontestável. Nenhuma instituição pode subsistir se não houver, comandando-a ou nela atuando, gente de personalidade, de caráter, de princípios, de determinação. (...)
Camilo Nogueira da Gama, que tanto enobreceu o Senado Federal, inclusive presidindo-o, foi acima de tudo um homem do Direito, entendido como a via natural da Justiça. [in HISTÓRIA DO BANCO DO BRASIL, de Fernando Pinheiro].  
Considerando que a democracia faz parte da política, citamos o Globoesporte – edição 07/08/2016 em que menciona a vitória da judoca Majlinda Kelmendi, ouro olímpico para  Kosovo, na categoria leve até 52kg, na Arena Carioca 3: “entrou para as histórias do esporte e da política.”
No dia seguinte (08/08/2016), categoria leve até 57kg, a judoca Rafaela Silva levou a primeira medalha de ouro do Brasil nos Jogos Olímpicos – Rio 2016. A medalha de ouro de judô, categoria peso-meio-pesado (até 78kg), foi conquistada, em 11/08/2016, pela americana Kayla Harrison, medalhista de ouro por duas vezes: Londres 2012 e Rio 2016.
Na noite de domingo de 14 de agosto de 2016, o Estádio do Engenhão, nos Jogos do Rio, entrou para história com a vitória do jamaicano Usain Bolt ao sagrar-se tricampeão olímpico nos 100 metros rasos, marca de 9s81. O gesto  de Bolt com as mãos arremessando a flecha é em homenagem a menor etnia do Brasil: o índio. “Foi o primeiro homem da história a vencer a prova mais nobre do atletismo três vezes consecutivas.” [Estadão – 14/08/2016].
A Roma que Darcy Ribeiro sonhava, ele já sentira fazendo elogios ao Brasil, em seu canto de cisne, em 1995: “na verdade das coisas, o que somos é a nova Roma.” [O Povo Brasileiro: a Formação e o Sentido do Brasil, de Darcy Ribeiro]. No entanto, o tempo corre e ele não chegou a ver esse sonho ser realizado. Na América do Norte, I have dream, de Martin Luther King, também repercutiu nesse mesmo diapasão.
Hoje, com o recrudescer do fim do império romano pelos mesmos protagonistas do passado, em nova roupagem carnal, vemos o desmoronar de um tempo que não tem mais força para continuar, no entanto os estertores agônicos ainda estão em pleno processo de desintegração arrastando milhões à miséria e à penúria. No entanto, voltemos o olhar para o horizonte onde o novo amanhecer é a promessa sagrada desta madrugada em que o mundo passa.

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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

LANTERNA DE ZEWAIL

Na Real Academia Sueca, o rei Gustavo XVI Gustavo da Suécia entregou ao egípcio Ahmed Hassan Zewail o Prêmio Nobel de Química – 1999 por seu trabalho em capturar imagens ultra-rápidos de reações atômicas e, no mesmo ano, Zewail esteve no Cairo para receber a mais elevada comenda do governo do Egito – Nile Necklace (colar acadêmico do Nilo) entregue pelo presidente Hosni Mubarak.
Reconhecido no mundo inteiro como o “father of femtochemistry”, de grande prestígio nos EE.UU., onde era professor, Ahmed Zewail era membro do conselho consultivo de ciência e tecnologia do governo Barak Obama no período de 2009 a 2013.
Na área acadêmica, centenas de artigos científicos e mais de uma dúzia de livros publicados por Zewail. Era dele a patente de vários dispositivos solares concentradores de energia que ajudam a concentrar a energia do sol para gerar eletricidade, conclui o jornal The Telegraph (edição 8/8/2016).
No Brasil existe baixa utilização da energia solar porque “a política energética na área de geração simplesmente relega esta fonte energética” – [CartaCapital 3/9/2015]  
A ganância em ocupar terras indígenas, no Brasil, favorecem os grupos que dizimam a riqueza nacional, principalmente na floresta amazônica e seus luxuriantes recursos hídricos naturais. Nesse contexto, são erguidas as hidrelétricas, alternativa principal de geração de energia.
Segundo o Portal Brasil – Infraestrutura 2016: “estudos para o planejamento do setor elétrico em 2050 estimam que 18% dos domicílios no Brasil contarão com geração fotovoltaica.”
A energia solar fotovoltaica no Brasil traz benefícios econômicos para as pessoas que possuem casas com instalação dessa energia, tendo a possibilidade de se livrar da conta de luz das empresas fornecedoras.  
Não vemos maior crescimento dessa demanda no setor elétrico. Acreditamos que as empresas distribuidoras da energia elétrica não querem perder um mercado já conquistado com a saída dos consumidores da energia solar. Mas, essas empresas veem a entrada no mercado mundial da China ameaçando-lhes o lugar ou mesmo sendo compradas pelo capital chinês.
A empresa chinesa State Grid, com 1,5 milhão de funcionários, a maior do mundo na área de energia, está no Brasil desde 2000 operando com 7 mil km de linhas de transmissão e outros tantos em construção. O diretor da LCA Consultoria, Fernando Camargo enfatizou que “os chineses são praticamente os únicos com disponibilidade financeira hoje para viabilizar os grandes leilões do governo brasileiro”. Nisto está incluído o setor elétrico nacional. [Revista EXAME – 11/08/2016].
Nos voos da ciência, ficamos a imaginar que não há distância que não pode ser vencida, como no emaranhamento quântico que comprova elétrons que se interagem, até bilhões de milhas de distância, “o que implica alguma forma de comunicação entre eles mais rápido do que a velocidade da luz” [The Telegragh – 19 Aug 2015].
Ahmed Hassan Zewail (1946/2016), o primeiro egípcio – primeiro árabe – a ganhar o Prêmio Nobel de Química  decifrou um enigma que a ciência buscava entender nas reações químicas desdobradas, passo a passo, em escalas de tempo de milionésimos de um bilionésimo de um segundo, graças ao uso de pulsos de laser ultracurtos. [The Telegraph – 8/8/2016].
A pesquisa inovadora do Prêmio Nobel 1999 explica também a forma como o olho humano se ajusta ao escuro, esta é a lanterna que Zewail deixou para o mundo.

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domingo, 7 de agosto de 2016

AVES DORMEM VOANDO

Nos idos de 1839, nas Ilhas Galápagos, Charles Darwin observou o hábito das fragatas que mergulham no mar, sem molhar as asas. No mesmo lugar, nos idos de 2016, uma equipe de observadores, liderada pelo Niels Rattenborg do Instituto Max Planck de Ornitologia, Alemanha, registrou que as aves dormem quando estão voando, resultado da pesquisa com as aves equipadas com registrador de dados montado na cabeça contendo sensores de eletroencefalograma miniaturizados e um acelerômetro [The Guardian – 5/8/2016].
Nesses aparelhos pode ser medido a capacidade das aves ter sono REM, revelando a destreza de navegação aérea em manobras ou em linhas retas em dias, semanas, sem parar. Inúmeras vezes, as fragatas entram em sono de ondas lentas por vários minutos, enfatiza o jornal. 
No entanto, no voo dos pássaros esse sono dura 5 a 7 minutos, é relativamente muito pouco, mas comprova que as aves dormem. Em média, as fragatas dormem cerca de 40 minutos por dia, enquanto o ser humano cerca de 8 horas diárias.
O sono de qualidade é comum nas aves e não é, em geral, com os seres humanos, daí outra pesquisa divulgada pelo The Guardian que as mulheres preferem ter sono de qualidade do que satisfação sexual. É que o sexo está incluído na relação afetiva que pode ser conturbada prejudicando o sono.
Os estímulos da vida moderna, onde as tarefas para atingir determinada meta ou projeção são cobradas e fiscalizadas, tiram muito da pessoa a capacidade de ter uma qualidade de sono satisfatório. No entanto, a afetividade e o carinho contribuem bastante para que isso aconteça.
Não é que devemos ter dependência de outrem naquilo que diz respeito ao nosso mundo íntimo, ao contrário a independência em todos os aspectos é fator que possibilita ter uma vida saudável. A vida em solitude, como vimos escrevendo, é tão saudável quanto a daquela em que a pessoa está acompanhada ou vivendo uma vida a dois. 
Manter a paz e direcionar a vida num propósito que alcance aquilo que está no íntimo tem um significado profundo que irá repercutir definitivo em sua felicidade permanente e inalterável, já que as injunções ligadas ao parceiro podem levar situações que ficarão sempre algo a completar. [SOLITUDE (II) – 3 de junho de 2016, blog Fernando Pinheiro, escritor].
As mulheres sabem que não é fácil dormir no clima em que a saudade é atroz ou outro acontecimento impedindo o eclodir da estabilidade emocional. As pessoas portadoras de depressão encontram dificuldade para conciliar o sono, e quando vem, vem aos poucos, dormindo pouco.
Acrescenta aquela pesquisa científica que, quando o sol se põe, as aves param de voar em busca de comida, depois prosseguem a jornada de voo de corrente em corrente de ar.
Em pesquisa levantada por cientistas europeus, usando scanners de laser, foram observadas as mudanças que revelam uma sonolência noturna em árvores [Frontiers in Plant Science] – Apud AS PLANTAS DORMEM – 10 de maio de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor]
A perda da pressão de Turgor, diminuição na pressão interna de água dentro da árvore, foi a justificativa dos pesquisadores para esclarecer o adormecimento nos galhos e ramos, ocorrido à noite, como forma de manter a conservação de energia da fotossíntese ocorrida no período de luz solar, durante o dia. As plantas dormem.  [AS PLANTAS DORMEM – 10 de maio de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
As aragens do mar, carregadas de salutares eflúvios, fortalecem as aves tanto em terra como no ar, até mesmo as árvores recebem essa energia que vem dessas correntes de ar.

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