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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

PÉGASO (LXVI)

Cheguei ao endereço de minha viagem no plano extrafísico onde estava um grupo de pessoas em frente à porta de um edifício a lembrar-me como acontecia antigamente no Rio de Janeiro: pessoas em frente de suas casas, em noites de lua cheia, a conversar, a cantar suas modinhas e declamar poesias, só com apenas uma diferença: elas estavam paradas e silenciosas.
Perguntei-lhes, apenas para confirmar, onde ficava o nome da rua e o número do logradouro que estava procurando. Seria aqui? Recebi apenas um leve aceno de cabeça de uma senhora atenciosa ligada, no passado, por liames afetivos com uma das pessoas presentes.
Em seguida, segui o grupo, subindo um elevador que me levou à cobertura do prédio, vi que a área estava coberta de vegetação, um convite para pensar na natureza. O líder do grupo se encaminhou à frente, fazendo-me conhecer o acesso que dava ao outro ambiente. Até brinquei com ele: você sabe o segredo do cofre e o dinheiro escondido! Ele não pôde responder pela impossibilidade da situação em que estava.
Quando cheguei a um salão, vi uma professora dando uma aula, era a mesma aula que ela proferia quando estava no plano físico. Ninguém era aluno de ninguém, como se vê aqui na Terra, eles mesmos nem estavam ouvindo ou entendendo o que dizia a professora, com o mesmo modo austero em que desempenhava as funções quando estava na Terra.  
A essa altura, estava acompanhado de um antigo servidor da empresa que trabalhei, prestigiando a minha presença no local. Aliás, quando ele estava, no plano físico, era sempre atencioso naquilo que eu dizia.
Lembro-me de um fato ocorrido quando ele desempenhava as funções de representante de entidade do funcionalismo: mostrei-lhe uma foto que tinha do casamento de Ovídio Cunha, o primeiro funcionário a exercer o cargo de presidente do Banco do Brasil. O então representante me disse que Sílvio Piza Pedrosa é muito querido pelo povo potiguar assim como JK em Minas Gerais.
Foto n° 75 – ARAXÁ–MG – 22/3/1952 – Solenidade do casamento do deputado federal OVÍDIO DE ABREU, presidente do Banco do Brasil (29/7/1949 a 18/12/1950) com a Srta. JÚLIA SANTOS DE ABREU. – Ao centro, Dom CARLOS CARMELO DE VASCONCELOS MOTA, cardeal–arcebispo de São Paulo, ladeado (E) pelos governadores SÍLVIO PIZA PEDROSA (Rio Grande do Norte) e ARNON AFONSO DE FARIAS MELO (Alagoas) e o deputado federal BENEDITO VALADARES, e à direita por JUSCELINO KUBITSCHEK, governador de Minas Gerais. – Cópia do original (dimensão 30 x 24 cm). – Autorização concedida, em 21/1/2008, por Júlia Santos de Abreu, viúva de Ovídio Xavier de Abreu, ao escritor Fernando Pinheiro. – Acervo: Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil.
A maioria das pessoas naquela colônia, com aspecto de gente idosa, parecia com os internos das casas de repouso, aqui no plano terreno, não falava, apenas assistia ao que estava ocorrendo em silêncio.
Um minuto pensei na possibilidade, em outra ocasião, voltar a essa colônia, a fim de proferir palestra, ou apenas revê-la, dando o meu carinho e afeto, mas o convite seria impossível, aliás ninguém teria condições de me convidar, pois não dispunha mais do colapso da função de onda, vivendo apenas de resultados, é o que sobra da morte no plano terrestre.
No final de minha visita aquelas paragens, assisti a um coral uniformizado, também de passagem como eu encarnado na matéria, tendo à frente uma orquestra sinfônica, suspensa no ar, que apresentou um barítono interpretando Sogni d´amore e, em seguida, um tenor que cantou Quando nascesti tu, árias da ópera Lo Schiavo, de Carlos Gomes. Essas músicas eu as ouvi primeiro em sonho, identificadas no próprio sonho e depois no Youtube.
Observando o estado de torpor dos moradores da colônia, veio-me a ideia de transmitir aos meus leitores a importância das horas que têm os viventes do plano físico, a fim de aproveitar a oportunidade em fazer o colapso da função de onda, recurso inefável que lhe trarão luz, o equivalente a fabricar fótons, usando expressão da física teórica.

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

PÉGASO (LXV)

O sentido de propriedade particular não existe no mundo de beleza transcendente. Tudo é de todos, na unidade de que se reveste. Há um reflexo dessa beleza aqui na Terra quando vivenciamos, em todos os instantes, a presença do amor.
Chegamos a uma propriedade rural cercada de montanhas e de vale coberto de pastos verdejantes. Havia uma extensa cerca de arame demarcando os limites da propriedade e pudemos compará-la com outras, nas cercanias vizinhas, como a mais rica de vegetação.
Não entramos na luxuosa casa da propriedade rural, vimos que era muito grande num estilo do século 19, onde os barões do café construíram suntuosas fazendas, esse traço veio-nos por considerar que isto tinha mais ligação com os avós da mulher que estava passando uns dias por lá.
Era a mesma mulher que, na noite passada, entrou no pequeno chalé, onde moro na Mata Atlântica, e deixou no banheiro um biquíni com desenhos verdes, demonstrando que estava interessada em tomar banho de cachoeira, próximo da residência.
Anteriormente, essa mulher mereceu a nossa atenção em outra narrativa de 20 de dezembro de 2016:
Nas camadas do tempo, uma fase desabrochou como desabrocham as flores do campo carregando sutilmente o perfume. Era que a realidade feminina veio a mim para que pudesse desfrutá-la como se saboreia uma fruta madura. Apenas um toque, entre as pernas, a despertou para o envolvimento que nos unia.
Nesse enlevo aconchegante, preferi comemorar o sucesso da hora que viria, sem ansiedade, sem buscas, por milhões de segundos que o meu coração acalentava. Saí do ambiente acolhedor, usando apenas um calção e comecei a correr pelos caminhos da mata em direção à cidade.
Era que o meu contato com a natureza tinha uma percepção mais acentuada do que a agitação de pessoas nas ruas, em busca de comprar presentes neste final de ano. A minha corrida era em passos firmes e velozes. [PÉGASO (LXII) – 20 de dezembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Não temos ainda a liberdade em que pudéssemos ser eu, o morador, e ela, a visitante, que me daria a honra de estar presente. Por esta circunstância, não entramos na casa da propriedade rural. Tiramos umas fotos do celular (telefone móvel), admirando a beleza que a circunda. Os pastos verdejantes era num terreno plano do tamanho de um campo de futebol.
Árvores frondosas com frutas maduras e um pequeno riacho de onde se ouvia um ruído de águas levemente cantantes, pássaros cantavam, em pequenos gorjeios, pulando de galho em galho.
Quando estava tirando a última foto, uma surpresa chamou-nos a atenção: uma catedral em frente à casa da propriedade rural, apenas algumas árvores no meio as separava, encobrindo a visão de quem se aproximasse.
A ligação com a mulher da casa tinha requintes de sagrado pela presença da catedral, dando a ideia de que nossa caminhada em comum estava desenhada, o desenho valendo mais do que o dito, numa união dos amores eternos.
Na vida real das aparências do mundo quase profano, os amores eternos são apenas sonhos que o tempo consome, na verdadeira vida em que a nossa espiritualidade se faz mais presente, esses amores vivem em inexcedível beleza, num clima que nos lembram as blandícias do paraíso.
Um romance está no ar, pensamentos de união familiar, em fase embrionária, estão se formando nesses campos verdejantes que têm a presença de pássaros e riachos cantantes e uma catedral onde poderemos fazer juras de amor eterno.
O amor está no ar, não importando se ainda não há um envolvimento de presença física. A beleza nasce nesses recantos felizes.
Será que uma linda mulher se encaminhando à velhice deixaria o balneário onde mora, com atrativos múltiplos e variados, para morar num chalezinho. Será que isto não nos remeteria ao conhecido romance de um amor e uma cabana?
A resposta está no coração de cada de nós, irreveláveis antes da hora? O segredo ainda é a chave do negócio, no dito popular, mas para nós já está desenhado no sonho que vivenciamos no meio de encantamento e de alegria.

domingo, 25 de dezembro de 2016

PÉGASO (LXIV)

No campo etérico os nossos pensamentos viajam levando o que somos em essência. Onde colocares o pensamento, colocarás o teu tesouro, repercute na egrégora mundial em que é comemorado o dia de Natal.
Ela olhou para mim, estática, a reter o que sentia de mais belo de nosso passado no meio de pensamentos turbinados. Algo a fazia ficar parada, sem ideia do que poderia acontecer, é que os engramas repercutiam nela fazendo ficar sem ação. Tomei a iniciativa e lhe disse: vem cá. Ela retrocedendo esses engramas, jogou-os na lixeira, veio a mim, na entrega que estava guardada em recônditos sublimes que o seu pensamento podia imaginar. Liberada de todo peso, aconchegou-se a mim, doando-se por completa.
A blusa com tiras na parte superior nas costas denotava o estilo moderno que busca a liberdade dos costumes antigos que preserva o recato acima de tudo. Não houve uma preparação, um namoro que identificasse a proposta de estarmos juntos. Isto revelado na ausência de cama e de lar.
O encontro aconteceu no chão sem nenhuma toalha ou cobertor que lembrasse a ideia de leito nupcial. O acoplamento aconteceu como as cápsulas espaciais que se unem no momento do voo.
Toda uma vida, todo um sonho pode acontecer num estalo de dedos que denuncia a troca de posturas íntimas. A superfície em que corria as impressões de aparências e suposições de ideias, juguladas ao estilo de vida moderna que promove o hedonismo, estava agora limpa, deixando transparecer o que vinha do nosso ser profundo que todos nós temos, independente de crença ou aceitação.
A Terra, como um todo, está saindo da fase hedonista em que se compraz pelo jugo mitológico de Prometeu que furtou o fogo do Olimpo, falsificando-o, e entrando numa era de retomada de valores esquecidos ou invertidos em que o amor foi o mais prejudicado. No princípio era o Verbo é a retomada da consciência de que Jesus nasceu.
Há movimentação constante de forças criando o destino de futuras flores, ainda inseminadas nos pólens de árvores que os pássaros sacodem; há energias mentais, que se cristalizaram nos sorrisos e na ternura, construindo o sonho dos amores numa vida em comum.  in Anunciando a encarnação do Verbo, da obra JESUS, LUZ DO MUNDO, de Fernando Pinheiro, disponibilizada ao público pela internet no site www.fernandopinheirobb.com.br
A doação em que ela se manifestara era espontânea e livre vivenciada em campos sublimes em que a Terra toda, no porvir de um futuro risonho, terá para sempre. Uma vez que revigora nesses campos o amor, a repercussão a nível terreno será em plenitude sem receio algum de surgir outros engramas que, nesse caso, é impossível acontecer. A plenitude ocupa todos os espaços em que o coração é doado. Só existe o amor.
Por que não aconteceu antes? A resposta está em cada um, é o mesmo se perguntar por que o fruto não está colhido, se a semente germina debaixo do solo fértil?
A semente foi plantada com o aconchego acolhedor dos abraços que se envolveram com a ternura almejada nos sonhos acalentados e não revelados por receio de serem destruídos por impressões de que um pensa do outro. Isto é a superfície que se vê, no íntimo há luz no amor que sentimos.
O nosso código é simples como temos demonstrado nos 4 pilares: simplicidade, humildade, transparência e alegria, como meio de viver que nos possibilita alçar voos que nos situam em dimensão planetária em que a Terra está ascendendo: de 3ª para 5ª dimensão de consciência planetária.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

PÉGASO (LXIII)

Numa paisagem amena em que estava eu a contemplar, surgiu inconformada a mulher que tinha sido durante muitos anos minha amada amante. A hora de seguir outro caminho tinha chegado tanto para mim quanto para ela. Eu já estava sabendo da mudança do lugar em comum, mas ela insistia em permanecer na mesma situação onde sentiu prazeres inesquecíveis que ela ostenta como troféu, vitória de um tempo que passou. O argumento que usou foi o sexo vitorioso que sempre existiu entre nós.
Como tudo no universo tende a ter uma complementação definitiva, embora tenha estágios que vão se formando nessa direção, somos também procurados nos sonhos por pessoas que buscam se reajustar na harmonia da natureza, em momentos de paz e de conforto.
Não buscar nem fugir atinge o mundo onírico, realidade que dispensa qualquer comprovação porque a necessidade da comprovação é do mundo da incerteza, condição em que está subjugada a Terra.
Filmes, novelas, relação de casais estão nesse mundo para que haja controle e subjugação dos manipuladores de massas humanas no modelo que impõe todos seguir. O objetivo de tudo isto é fazer do ser humano um fantoche, um zumbi onde se vê a predominação de substâncias que induzem ao torpor e inação.
Quando o cinema começou a ser mostrado ao público, nas primeiras décadas do século XX, havia uma busca para beneficiar o público com fontes que inspiram a beleza, assim como a tragédia grega, no início de sua aparição, trazia uma mensagem proveitosa no sentido de viver melhor, inspirada na filosofia que tinha uma ética para durar para sempre.
A bebida alcoólica os faz acostumar a ter uma sensação diferente do normal, como se fosse algo acima do cotidiano em que vivem. Beber socialmente é um disfarce da realidade mais tangível, esse beber é aceito, com requintes de apreciação, como se aprecia os bons vinhos, pois a egrégora sempre tem força de persuadir.
Em datas em que poderiam ser aproveitadas como oportunidade que possa fortalecer uma relação afetiva ou amorosa, como aniversário ou qualquer comemoração festiva, são desperdiçadas para ceder espaço ao que é trival, mantendo-os sempre na zona de conforto, expressão que é aceita nesse jugo social.
A ligação do passado é mantida viva porque os pensamentos criam essa condição que os fazem ficar ligados uns aos outros, embora não haja vontade atual para ficar juntos pelo desgaste que o tempo consumiu.
É que os engramas do passado são forças coercitivas superiores à mudança de atitudes de quem busca se beneficiar em atitudes que ocasionaram perdas. O interlocutor carrega os pensamentos que lhe deixamos como carga que o faz sucumbir ou se elevar, se houver enlevo amoroso. É que as pessoas necessitam caminhar em direção de novas paisagens tanto íntimas quanto externas que repercutem no mundo onírico.
Alguém não está podendo dormir direito? Então, verifique a situação em que está. Não é necessário conversar pessoalmente com os desafetos. Nos sonhos, a conversa pode surgir, desde que os pensamentos entre ambos estejam interligados. Ninguém gosta de carregar peso em caminhadas em que se verifica a vida não acabar nunca, nesse estágio de transmutação.
Até os planetas tem transição de consciência coletiva em graus que ascendem a patamares de beleza onde não existe mais a condição coercitiva, comum nos mundos sofredores e de desencantos que estão se transformando, no decorrer dos tempos, em mundos felizes, o destino da Terra, por exemplo.
A matrix vai sempre para o outro lado da matrix, não há morte, apenas uma breve cerimônia nos cemitérios que, por tradição, é carregada de desencantos e de lágrimas. Basta um avião cair para despertar as pessoas ou o próprio mundo para realidade que não morre.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

PÉGASO (LXII)

O ambiente em que estava era o ambiente em que vivo no momento atual cercado de muito verde e pássaros ao redor, só que em dimensão planetária diferente da conhecida e vivenciada por milhões de pessoas.
Nas camadas do tempo, uma fase desabrochou como desabrocham as flores do campo carregando sutilmente o perfume. Era que a realidade feminina veio a mim para que pudesse desfrutá-la como se saboreia uma fruta madura. Apenas um toque, entre as pernas, a despertou para o envolvimento que nos unia.
Nesse enlevo aconchegante, preferi comemorar o sucesso da hora que viria, sem ansiedade, sem buscas, por milhões de segundos que o meu coração acalentava. Saí do ambiente acolhedor, usando apenas um calção e comecei a correr pelos caminhos da mata em direção à cidade.
Era que o meu contato com a natureza tinha uma percepção mais acentuada do que a agitação de pessoas nas ruas, em busca de comprar presentes neste final de ano. A minha corrida era em passos firmes e velozes.
Corri, corri e, quando me dei conta, estava na cidade circulando nas avenidas, viadutos, pontes e veredas que se interligam a lugares afastados do que normalmente costumo transitar.
Pressenti a necessidade de retornar ao ambiente campestre em que saí e busquei um retorno que me indicasse a direção. Avistei uma pequena alameda que era o local próprio do retorno. Preferi ir mais a frente, pensando logo retornar ali e cheguei ao fim da rua, onde pude ver na colina onde estava a parte da cidade que abrigava igrejas e monumentos, área de estudo e observação.
Reconheci o lugar onde antes já tinha estado em excursões anteriores. Lembra-me de outras épocas, de outras circunstâncias em que o tempo guarda em suas memórias. Já não mais precisava rever ambientes que passei, embora sabendo que de lá há amáveis lembranças que não mais precisam ser relembradas porque a vida continua em descobertas sempre alvissareiras.
Retornei ao ponto do retorno e comecei o caminho de volta, correndo em velocidade máxima de automóvel. No campo físico, não tenho essa condição física em correr tão rápido, mas no plano etéreo posso correr, voar e estar em lugares longínquos em fração de segundos ou num piscar de olhos.
Há situações especiais em que preferimos deixar a pessoa amada curtir a impressão comovedora que lhe deixamos para que possa avaliar a profundidade do que sentimos por ela. Nesse caso, ficando a sós, é uma meditação contemplativa em que somente quem sente pode avaliar a grandeza que a cerca.
Nesse campo fértil está preparado a receber um plantio que irá gerar ótima colheita, embora não pensamos em colheita quando estamos no momento de semear. Apenas, para explicar que inevitavelmente acontecerá o que pensamos ser realidade a acontecer.
Se mundo físico tivesse a percepção da realidade que o envolve, tudo seria mais fácil de ser conseguido em todas as áreas, em todos os momentos em que sentimos a vida ser mais amena e acolhedora em nossos sonhos que nascem em nosso ser profundo.
Caminhemos com leveza, embora haja a rapidez dos automóveis em velocidade extrema, como aconteceu comigo em sonhos em que nos sentimos confortáveis em percorrer por caminhos que nos levam à realidade sonhada.

domingo, 18 de dezembro de 2016

PÉGASO (LXI)

Preliminarmente, antes de abordar o tema do sonho contido na crônica, é oportuno transcrever textos de crônicas anteriores pertinentes a sonhos e a acontecimentos que chamam, distintamente, a atenção de milhões de pessoas:
No mundo físico em que a realidade é sentida pelos cinco sentidos, o sonho, nas camadas do inconsciente, traz sempre uma relação do que estamos vivendo. Existe essa oportunidade de sentir a real necessidade em tudo que nos cerca e manter o ânimo firme em toda circunstância que nos chega como aprendizado e revelação.
A onça-bebê estava ao meu lado, enquanto a onça-mãe tinha saído para caçar. Sabia que a mãe tinha ciência de que eu estava perto da filha, através do colapso da função de onda que a filha fazia em permanente pensamento na mesma sintonia que a mantinha ligada à mãe.
Logicamente, a mãe sabia que a filha não corria perigo, senão interromperia a caça e viria protegê-la. Esta conexão também existe entre os humanos, desde que entre eles existam o mesmo modus operandi dos animais. A busca de caminhos diferentes do seu mundo interno não permite perceber essa conexão.
A onça-bebê veio a mim, buscando proteção e, ao mesmo tempo, brincar de criança, deixando a espontaneidade fluir, sem temores. Quanto a mim, educado numa cultura que prevê medidas de segurança, eu me afastei da onça-bebê, e ela se encaminhou em minha direção.
Não corri, fiquei parado para sentir o que estava havendo entre nós. Havia reciprocidade em doar-se, com maior intensidade nela e aceitei estar perto para apreciá-la melhor e me entregar pensando no doce enlevo que nos envolvia.
Olhei a onça-bebê, a senti como se fosse uma gatinha, uma dessas que enternecem os lares das mulheres que lhes dão assistência e proteção. Não há diferença no modo de ser entre uma onça e uma gatinha, são iguais em tudo. É o que senti dentro do sonho. [PÉGASO LX – 25 de setembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Em dia de tela quente, 28/11/2016, a Rede Globo de Televisão exibiu o filme russo Voo de Emergência. Um dos episódios mais envolventes ocorre numa ilha ameaçada pela erupção de vulcão. Na pista do aeroporto, duas aeronaves à disposição dos sobreviventes que estavam fugindo da calamidade. Muito fogo e larva ameaçam a decolagem.
Poucas horas depois da exibição do filme, já na madrugada do dia seguinte, um voo de emergência foi notícia no mundo inteiro, com o avião Avro RJ–85, da empresa boliviana LaMia, saindo de Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, com destino a Medellin, Colômbia, conduzindo o time Chapecoense que tinha jogo programado com o Nacional da Colômbia pela final da Taça Sul-Americana de Futebol. Do trágico acidente 6 feridos e 71 mortos. (...)
No filme russo Voo de Emergência, título original Flight Crew, a dianteira e a cauda do avião UTair saindo do Aeroporto de Moscou com destino a Munique estampa o desenho de uma figura mitológica, Pégaso, com apenas a cabeça e o tronco do cavalo alado. Pégaso é o nome da série de sonhos (I a LX) narrados por nós no blog Fernando Pinheiro, escritor.
O piloto do avião comparece ao gabinete do dono da empresa aérea para ser admoestado: “como você deixou o estagiário sair da cabine, uma briga no avião. O vídeo está na internet.” Isto ocorreu porque o estagiário pediu a um passageiro apagar o cigarro no momento antes da decolagem. Um dos aviões da companhia é fretado e o dono encarrega o comandante a missão de realizar outra viagem, atribuindo a ele a escolha dos copilotos.
Na cena de amor na cama, Leonid, interpretado pelo ator Vladimir Mashkow, está acompanhado de Alexandra, papel da atriz Agne Grudyte, que lhe diz: “é tão complicado ser piloto, você não acha? Ainda mais piloto mulher. É tão cansativo, a gente tem que trabalhar muito para ser tratada com igualdade, senão somos humilhadas.”
Por ironia do destino, os dois amantes vão ser os copilotos escolhidos pelo comandante do avião para trabalhar juntos no voo com destino a uma ilha na Ásia para resgatar passageiros em desespero.
Quando o avião chega ao aeroporto da ilha vulcânica, o quadro é desolador: uma multidão está ávida para embarcar. Outro avião está também fazendo o resgate no meio de fogo e labaredas que se alastram a todo vapor.
Depois da decolagem, a viagem é realizada em cenas que mostram o traslado de passageiros de um avião para o outro, em pleno voo, por meio de um cabo de aço que sustenta uma rede de salvamento. A operação é realizada com sucesso, embora haja uma perda de um dos grupos de pessoas no traslado.
Apreciamos a coragem dos pilotos em resgatar os passageiros que saíam da ilha vulcânica, destacando a espera dos carros que foram buscar os moradores do lugarejo perto do vulcão, arriscando a própria vida diante da iminência de erupção, com pouco tempo de agir, aliás a saída deles é no meio do fogo.
Uma parte dos passageiros conseguiu embarcar e ser salva da catástrofe. No traslado em pleno voo de uma aeronave a outra, alguns conseguiram ser resgatados, outros passageiros morreram na tentativa de fazer a baldeação no ar com a ruptura da rede de salvamento.
No elenco do filme Voo de Emergência os principais artistas: Agne Grudyte (Alexandra), Vladimir Mashkow (Leonid), Sergey Shakurov (Nikolai), Sergey Gazarov (Shestakov), Yang Ge (Liu), Irina Pegova (Lena), Katerina Shpitsa (Vika), Elena Yakovleva (Irina). A música é de Artem Vassiliev. [VOO DE EMERGÊNCIA – 5 de dezembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
A realidade existencial, que ultrapassa a condição física na Terra, surgiu no ambiente que conheci, quando estava em atividade profissional, agora apresentada no duplo que a ciência comprova existir.
Esse campo etérico era onde estava seguindo de carro no trecho perto do Consulado do Estados Unidos na cidade do Rio de Janeiro. Atravessei o sinal que estava apagado, sem nenhum veículo próximo, seguindo em frente, quando estava para atravessar o final da Av. Rio Branco em direção da Praça Paris, o carro parou, apesar de apertar o acelerador.
Estava com R$ 1.050,00 na carteira do bolso e, como era madrugada, sem trânsito de pessoas, surgiu em minha frente um homem noctívago que se apraz em assaltar quem passa por aquela área. Ele viu que o carro parou e veio correndo em minha direção.
Então, dei marcha a ré no carro com velocidade em que o noctívago não podia me alcançar, aliás ele desistiu e fiz a curva a caminho da Av. Beira Mar, onde havia famílias reunidas e um clima de segurança estava presente.
De repente, passa um ônibus especial, onde a porta abria como se fosse vans de passageiros. Fiz um sinal, ele parou um pouco adiante e o motorista me esperou embarcar. Disse-lhe parar perto do metrô onde poderia seguir viagem a caminho de casa.
Este sonho é um aviso a quem está ligado a mensagens de cinema e de televisão que abordam temas de catástrofe, escândalos políticos, violência de modo geral como aparecem nos programas Tela Quente e Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão, embora haja abordagens de jornalismo investigativo e de utilidade pública.

sábado, 17 de dezembro de 2016

COMENDAS

Em ato solene, muito comum nas academias de letras, o governo federal no Palácio do Planalto concedeu, em 16/12/2016, onze comendas a personalidades colombianas e brasileiras.
Dentre elas destaca-se Johan Alexis Ramírez Castro, um jovem de 15 anos de idade que ajudou a resgatar os corpos da vítima do trágico acidente aérea na Colômbia que transportava a delegação da Chapecoense, um time de futebol.
Em dia de tela quente, 28/11/2016, a Rede Globo de Televisão exibiu o filme russo Voo de Emergência. Um dos episódios mais envolventes ocorre numa ilha ameaçada pela erupção de vulcão. Na pista do aeroporto, duas aeronaves à disposição dos sobreviventes que estavam fugindo da calamidade. Muito fogo e larva ameaçam a decolagem. [VOO DE EMERGÊNCIA – 5 de dezembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Poucas horas depois da exibição do filme, já na madrugada do dia seguinte, um voo de emergência foi notícia no mundo inteiro, com o avião Avro RJ–85, da empresa boliviana LaMia, saindo de Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, com destino a Medellin, Colômbia, conduzindo o time Chapecoense que tinha jogo programado com o Nacional da Colômbia pela final da Taça Sul-Americana de Futebol. Do trágico acidente 6 feridos e 71 mortos. [VOO DE EMERGÊNCIA – 5 de dezembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor]. 
Além de Johan Castro foram condecorados com a medalha Ordem do Rio Branco as seguintes autoridades:
Federico Gutiérrez Zuluaga, prefeito de Medellin,
Victoria Eugenia Ramirez Vélez, secretária do Governo de Antioquia,
Sergio Escobar Solórzano, diretor executivo da Agência de Cooperação e Investimentos de Medellín e Área Metropolitana,
Camilo Zapata Wills, diretor do Departamento Administrativo de Gestão de Risco e Atenção a Desastres de Medellín,
Mónica Patricia Jaramillo Giraldo, apresentadora da TV Caracol,
Luciano José Buligon, prefeito de Chapecó – SC.
Receberam a comenda Ordem do Mérito da Defesa as seguintes autoridades colombianas:
Major-general-do-Ar Carlos Eduardo Bueno Vargas, comandante da Força Aérea Colombiana,
Major general Jorge Hernando Nieto Rojas, diretor-geral da Polícia Nacional da Colômbia,
Coronel Fabio Alberto Sánchez Montoya, comandante do Comando Aéreo de Combate nº 5,
Gustavo Villegas Restrepo, secretário de Segurança e Convivência de Medellín,
Juan David Arteaga Flórez, subsecretário de Proteção Social de Antioquia.
As comendas representam o reconhecimento do trabalho dos homenageados a serviço da Pátria. Na área acadêmica, concedemos, em épocas distintas, medalha de ouro aos membros honorários da ALBB: José Carlos Moreira Alves, presidente do Supremo Tribunal Federal (1985/1987), o único funcionário que trabalhou no Banco do Brasil a ocupar o cargo de presidente da República, na vaga do presidente José Sarney, em viagem oficial à Itália; Synval Guazzelli (1930/2001), presidente-interino do Banco do Brasil; Ruth Lima, primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro; Artur da Távola (1936/2008) e Epitácio Cafeteira, senadores da República.
Outras autoridades do governo receberam de nossas mãos a insígnia da ALBB, ao ensejo da posse do jurista Geraldo Magela da Cruz Quintão, em nossa Academia, à época, advogado-geral da União, e Marcos Vilaça, ministro do Tribunal de Contas da União.
A insígnia da ALBB compõe-se dos seguintes elementos:
i) na medalha do colar acadêmico – em campo circular granitado, com 60mm de diâmetro, dois ramos entrelaçados pelas extremidades inferiores, sendo um de carvalho, com seus frutos ou bolotas, e outro de café, com seus frutos, nas  cores que lhes são próprias. Circundado pelos ramos, um livro aberto, esmaltado de branco, com dizeres em letras douradas, na folha à esquerda do observador, ACADEMIA DE LETRAS DOS FUNCIONÁRIOS DOS, em quatro linhas horizontais, ligeiramente onduladas, e na folha à direita, FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, em cinco linhas, com iguais disposições. Na parte inferior da medalha, na altura do exergo, inscrição em latim, em três linhas horizontais, MENS AGITAT MOLEM. Todos os elementos são estampados em relevo. A medalha apresenta olhal (argola), articulado a passador (alça), para fita verde, formando o colar acadêmico;
ii) no distintivo para lapela – em campo circular, com 18mm de diâmetro, os mesmos elementos e concepção artística da medalha,  sendo o campo esmaltado de azul ou nas cores da medalha,  filetado a ouro, livro esmaltado de branco e ramos e inscrições em ouro, com alfinete tipo espigão.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O VOO

O filme O Voo é de ação e suspense, onde o comandante Whitaker (Denzel Washington) consegue manobrar, com destreza, uma aeronave, em voo de emergência, fazendo aterrissagem numa relva. Admirado por ter evitado uma tragédia de maiores consequências, seus amigos Hugh, o advogado do sindicato dos pilotos, papel do ator Don Cheadle e Charlie (Bruce Greenwood) buscam ajudá-lo no inquérito que apura as causas do acidente.
Entre os ocupantes que faleceram no acidente aéreo estavam Margareth e Katerina “Trina”, comissárias de bordo, interpretadas pelas atrizes Tamara Tunie e Nadine Velazquez, respectivamente. Se Katerina estivesse permanecido na cadeira destinada à tripulação, possivelmente se salvaria, como se salvou Ximena Suarez, a comissária da aeronave boliviana que caiu na Colômbia, conforme assinados nos seguintes parágrafos:
Em dia de tela quente, 28/11/2016, a Rede Globo de Televisão exibiu o filme russo Voo de Emergência. Um dos episódios mais envolventes ocorre numa ilha ameaçada pela erupção de vulcão. Na pista do aeroporto, duas aeronaves à disposição dos sobreviventes que estavam fugindo da calamidade. Muito fogo e larva ameaçam a decolagem.
Poucas horas depois da exibição do filme, já na madrugada do dia seguinte, um voo de emergência foi notícia no mundo inteiro, com o avião Avro RJ–85, da empresa boliviana LaMia, saindo de Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, com destino a Medellin, Colômbia, conduzindo o time Chapecoense que tinha jogo programado com o Nacional da Colômbia pela final da Taça Sul-Americana de Futebol. Do trágico acidente 6 feridos e 71 mortos. [VOO DE EMERGÊNCIA – 5 de dezembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Após o acidente do filme O Voo, o comandante Whitaker é procurado por amigos que preparam terreno para ele se sair bem na investigação. O advogado do sindicado, com argumentos convincentes, consegue anular as provas de exame que comprovam teor de álcool no sangue recolhido do comandante Whitaker.
Ainda no hospital, sai do quarto e caminha em direção da escadaria do 3° andar onde encontra Nicole, viciada em tóxicos, interpretada pela atriz Kelly Reilly. Entre ambos surge uma conversa de identificação de comportamento, acrescida da presença de um paciente que chega carregando os instrumentos do hospital. Ele quer fumar e Whitaker lhe dá um maço de cigarros, depois sai, deixando o casal a sós. Ela lhe dá o endereço e ele promete visitá-la, quando sair.
Dado ao excelente estado de recuperação da saúde, Whitaker tem alta do hospital e, despistando a atenção da imprensa, vai para a velha fazenda do avô que está abandonada. Lá, ele se desfaz de grande parte da bebida estocada, mas continua bebendo algumas garrafas que sobraram.
No endereço que tem em mãos, o comandante Whitaker encontra Nicole numa situação difícil em que está sendo despejada pelo dono do apartamento onde vive. Intervindo a seu favor, ele paga ao dono o valor dos aluguéis atrasados e a leva para a fazenda.
Nicole tenta ajudá-lo para sair do vício, pois estava frequentando um grupo de ajuda a viciados. Ele não aceita a ajuda e continua bebendo. Ele a convida para se mudar para Jamaica pilotando um avião monomotor que está no hangar da fazenda. Mas ela não acredita que ele vai deixar o vício e abandona a velha fazenda, com o auxílio de amigos.
Na véspera da audiência pública que apura a responsabilidade dos culpados da tragédia da aeronave, ele passa a noite na casa do amigo Charlie. No dia em que ele vai depor perante o juiz, é encontrado deitado no chão. O traficante Harling, interpretado pelo ator John Goodman, lhe dá uma dose de tóxico, apenas para cheirar um pouco.
Mesmo nessa circunstância de drogado, ele comparece ao tribunal, respondendo as perguntas da investigação do National Transportation Safety Board conduzida por Ellen Block, no papel da atriz Melissa Leo. No final da sessão, o comandante Whitaker confessa ser dependente de drogas e estava drogado quando dirigia o avião que caiu. Com a confissão, é preso e conduzido à penitenciária.
Na cena final, aparece o filho do ex-comandante Whitaker, interpretado pelo ator Justin Martin, para visitá-lo e lhe diz que está fazendo um ensaio literário sobre a vida dele para ser apresentado no colégio. Pergunta inicial: quem é Whip Whitaker? Ele, sorrindo ao filho, lhe diz: boa pergunta.
Dentro de nossas atividades intelectuais, tivemos a honra de participar de viagens aéreas, onde os passageiros são saudados pela tripulação e também em solenidades que marcam a vida da empresa que servimos, destacando que dentro do Banco do Brasil e na Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil, ao comemorar, em 25/10/1999, o Centenário de Nogueira da Gama, o senador Bernardo Cabral prestou uma homenagem histórica que muito honra estas instituições.
Na ocasião, o escritor Fernando Pinheiro, que presidia a solenidade, sentia–se muito feliz e triunfante, tendo em vista que estava participando da Mesa de honra a diplomata Lourdes Planas Giron, cônsul–geral da República da Venezuela, e o Major Aviador Celestino Todesco, representando o Exmo. Sr. Major Brigadeiro do Ar, Flávio de Oliveira Lencastre, comandante do III COMAR – Rio de Janeiro (Aeronáutica do Brasil), além de outras distintas autoridades. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

VELUDO AZUL

De longe, recebendo cobertura de Sandy (Laura Dern), o garoto Jeffrey (Kyle MacLachlan), carregando um aparelho de dedetização, vai ao apartamento da cantora Dorothy (Isabella Rossellini, filha da atriz Ingrid Bergman com o diretor italiano Roberto Rossellini).
Isto é apenas um pretexto para descobrir uma pista de crime. Jeffrey fica apenas na cozinha, trabalhando. Na saída, ela olha pra ele, dando um suspiro. No carro conversível vermelho, Sandy, ao lado do amigo confidente, fica na dúvida se ele é um detetive ou um tarado.
Com uma cópia de chave, ele volta ao apartamento de Dorothy. Em seguida, ela chega, vai ao banheiro, fica despedida e volta para trocar de roupa. Ela percebe que tem gente escondida no armário, pega uma faca de cozinha e encara o invasor.
Quando Jeffrey, escondido no armário, é descoberto, uma faca segura por mão firme o faz ficar paralisado. Dorothy lhe pergunta como ele entrou ali e o que viu? Ele, assustado pela ameaça, disse-lhe que era apenas para vê-la de perto, admirando-lhe a nudez, mais tímido do que conquistador.
Ela ordena ao rapaz tirar a roupa e passa a fazer carinho nele, perguntando se ele está gostando? Ele responde que sim. Ela pede pra ele tocar-lhe os seios, acariciando-os e se envolvendo toda na entrega amorosa.
Um toque de campainha na casa faz com que Dorothy empurre o garoto para o armário e pede pra ele ficar quieto e vai atender Frank (Dennis Hopper) que chega para dar vazão ao sadismo de que é portador, obrigando-a a fazer sexo com requintes de crueldade: estupro e violência.
Depois que Frank sai, ele sai do armário em direção de Dorothy que está deitada no chão, com o intuito de reconfortá-la. Ela aceita a ajuda de Jeffrey. Quando ele se prepara para sair, ele lhe disse: ajude-me.  
Acostumada a apanhar do sequestrador, Dorothy pede ao garoto bater nela. Mas ele não o faz, trazendo consigo a pureza da criança que ainda demonstrava ser.
Ela o chama de Don, nome do marido sequestrado, pedindo para ser abraçada e espancada, como estava acostumada pelo sequestrador. Ele apenas a abraça e se recusa a espancá-la. Então, ela ordena: então, vai embora. Ele, com receio de ser expulso, faz apenas um leve gesto, mas no fundo não a agride, é só carinho.
Na noite seguinte, Jeffrey conta a Sandy que o mundo é estranho, descobriu que Frank sequestrou o marido e o filho de Dorothy. É um mistério que ele busca desvendar. Sandy conta-lhe o sonho que teve na noite em que o conheceu: o mundo estava escuro sem pintarroxos. Quando os pássaros aparecem, desaparecem os problemas. Esses pássaros tem a simbologia do amor, assim como a pomba branca.
No mundo físico em que a realidade é sentida pelos cinco sentidos, o sonho, nas camadas do inconsciente, traz sempre uma relação do que estamos vivendo. Existe essa oportunidade de sentir a real necessidade em tudo que nos cerca e manter o ânimo firme em toda circunstância que nos chega como aprendizado e revelação. [PÉGASO (LX) – 25 de setembro de 2016].
Jeffrey passa a frequentar a casa de Dorothy, mantendo relações sexuais. Uma dessas vezes, ela lhe disse sorrindo que o procurou no armário, parece loucura, não é? Ele lhe disse que não é loucura, é amor.
Numa das saídas da casa, ele se defronta com o Frank que o indaga onde mora. Ele se diz ser vizinho. Ele é obrigado a dar umas voltas com Frank e sua gangue e chegam a um prostíbulo onde tem várias mulheres e a presença de Paul (Jack Nance), Ben (Dean Stockwell), Raymond (Brad Dourif), todos eles ligados ao mundo do crime. Ben recebe um maço de dinheiro e, em troca, entrega drogas a Frank.
O desfecho do filme acontece na cena no apartamento de Dorothy onde aparecem mortos o detetive Tom Gordon (Fred Pickler), Don (Dick Green) e a chegada de Jeffrey que retira a arma do bolso do detetive morto para atirar, em legítima defesa, no sequestrador Frank, abrindo caminho para os pintarroxos, fazendo-nos lembrar da alegoria contida no sonho que Sandy contou a Jeffrey.
Uma cena que chamou muito a atenção acontece em frente do prédio onde mora Dorothy, quando surge Mike (Ken Stovitz) que vai tomar satisfação com Jeffrey por ter tomado a namorada. Sai em defesa dele, Dorothy completamente nua que o abraça, dando a entender que entre ambos há um envolvimento, desfazendo o ciúme de Mike.
Sandy insiste no romance que tem com Jeffrey e ambos permanecem juntos com o apoio do pai, o detetive Williams, interpretado pelo ator George Dickerson, e a mulher dele na pele da atriz Hope Lange. 
Um pássaro surge na janela de uma casa, despertando a atenção dos moradores. É a alegoria do sonho de Sandy. No jardim, Dorothy está contente com a volta do filho que brinca sob a proteção da mãe.
O filme Veludo Azul, título original Blue Velvet, em decorrência da canção de Bobby Vinton, sucesso dos idos de 1963, é ambientado na pacata cidade americana de Lumberton, na Carolina do Norte, sob a direção de David Lynch, e trilha sonora supervisionada por Angelo Badalamenti, traz ainda no elenco os artistas: Frances Bay (tia Bárbara), Priscilla Pointer (Srª Beaumont), Jack Harvey (Tom), entre outros. A produção é de 1986.


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

BOA SORTE

O filme Boa Sorte, dirigido por Carolina Jabor, nos idos de 2014, é ambientado numa clínica psiquiátrica onde vivem, entre os internos, Judite, possuidora de vírus HIV, com breve tempo de vida, e João internado pela família por ter sido diagnosticado de sintoma de depressão.
Ambos passam a ter um romance dentro do clima de incerteza e indagação em que vivem, mas deixam brotar no íntimo um sentimento que simplifica todo esse questionamento. Ela está ligada ao apelo religioso não importando a designação para não haver a comparação conhecida de que o boi de um é melhor do que o boi de outro.
Isto faz-nos lembrar de uma frase publicada no facebook: “O amor encontra você. Você não o encontra. Todos os sentimentos cansam e desistem, menos o amor.”
Deborah Marzano, pós-graduada em ESERP, Barcelona, Espanha, a tua citação acima, de autor desconhecido, no facebook, está dentro de uma realidade transitória do planeta que está ascendendo a uma realidade maior, a uma dimensão maior onde tudo se interliga numa consciência ampliada, eliminando a camada densa desta terceira dimensão dissociada que está indo embora.
Respeitada a liberdade de escolha de cada um, ressaltamos que aqueles que se identificarem como luz eterna, descobrirem o Eu Superior, nesta transição planetária, nesta Era Dourada que está se abrindo (Era de Aquarius, para a mídia), sem dúvida, encontrarão o amor, pois são o próprio amor.
Quanta beleza está surgindo, o fim do confinamento, o fim do medo, o fim da separação e a chegada da libertação interior de cada um, imantado no amor. Em várias crônicas do blog Fernando Pinheiro, escritor, disponibilizado ao público na Internet, falamos sobre a transição planetária e abordagem sobre assuntos que envolvem milhões de pessoas.
Na crônica O DESMAME publicada em 28 de fevereiro de 2013, abordamos tema relacionado à psiquiatria. Vale transcrever alguns trechos:
Na psiquiatria a retirada do uso de antipsicóticos, sem o acompanhamento médico, pode causar sérios problemas para o paciente com o surgimento da discinesia tardia (DT) e a acatisia tardia, distúrbios que provocam movimentos involuntários no corpo. A DT também surge com o uso prolongado de antipsicóticos. Acrescentamos que o uso do álcool, drogas, entraves que a sociedade se debate, são também fatores de risco para o surgimento de DT [BASSITT/2003].
Os movimentos involuntários no corpo podem ser causados pela presença de almas errantes que se aproximam na mesma faixa vibratória em que se encontram os sofredores desses distúrbios.
Como o pensamento é um atributo da alma, a morte física não o extingue e corre no mesmo teor vibratório em que vive, estabelecendo liames que o passado espiritual delineia numa realidade em que há engramas. Na área da psicanálise é aquele inconsciente coletivo de que nos fala Carl Jung.
Nesse conluio que se converte em obsessão mútua, pensamentos do mesmo trama se digladiam em tormentosa situação, com danos prejudiciais a ambas as partes. No plano material, a obsessão atinge o cérebro, danificando-o seriamente. Nesse caso, a prece intercessora ou a própria prece do doente pode neutralizar essas energias deletérias que procedem do plano astral inferior. Uma vez instaladas, requerem um tratamento médico, pois há lesões cerebrais. Essas lesões nem sempre caracterizam o distúrbio mental.
Segundo o depoimento do Prof. Valentim Gentil Filho na entrevista concedida a Mônica Teixeira, publicada na Revista TEMAS – Teoria e Prática do Psiquiatra – v. 35, n. 68-69, p. 104 – Jan/Dez 2005, foi mencionado que no Estado de São Paulo ocorrem, todos os anos, mais de 10.000 autorizações de internação hospitalar apenas para depressão bipolar e mania, evidenciando a falta de prevenção secundária efetiva.
A atividade intelectual na qual o coração se faz presente nos ideais sublimes, a atividade esportiva, mesmo que seja caminhadas regulares, a sociabilidade nos grupos afins (clubes, entidades de classe, saraus recreativos que apresentam declamação de poesias, música e dança) são ótimas referências destinadas aos dependentes de medicamentos. No entanto, na recreação deve ser levado em consideração a qualidade da egrégora que se forma.
A egrégora, que se forma dos grupos sociais afins, estimula o participante a acompanhar as atividades que aí se desenvolvem. É por isso que é mais fácil fazer uma prece em grupo, fazer exercícios físicos em academia de ginástica, pois o estímulo é visível e ao alcance de todos que estão presentes.
Mas é no recolhimento interior que se encontra a realidade espiritual de cada um, o lado exterior funciona apenas como uma sugestão que deve ser filtrada e condicionada à realização de caminhos que devem ser percorridos, se houver receptividade espontânea e livre.
Na obsessão de almas errantes, o quadro clínico se complica, o paciente já não mais possui a liberdade de escolha e os tremores involuntários do corpo se confundem na patologia da discinesia tardia, distúrbio que a Psiquiatria apresenta questionamentos para estudo e observação.
O desmame não é apenas o tratamento médico que acompanha o desenrolar de sintomas que vão aos poucos desaparecendo com a retirada criteriosa de medicamentos, mas também o esquecimento de engramas do passado que tiveram outras direções onde o nosso pensamento já não pode mais acompanhar.
Olhemos para o horizonte. Caminhemos com leveza. [O DESMAME – 28 de fevereiro de 2013 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
A música do filme Boa Sorte é de autoria de Lucas Marcier. Aparecem ainda na trilha sonora as canções Talk to Me, Não Consigo e O Vampiro. 
Embora não faça parte do roteiro musical do filme, observamos que num clima de quem é da noite, o samba Toda Hora, de Zeca Pagodinho, revela a situação de quem vive na boemia, logicamente com o chamado de gente pra zoar, gente pra beber: “ninguém me chama pra benzer, ninguém me chama pra rezar”.
O filme Boa Sorte traz no elenco os artistas: Cássia Kis Magro (médica Lorena), Edmilson Barros (enfermeiro Marcos), Fernanda Montenegro (Célia), Deborah Secco (Judite), João Pedro Zappa (João), Felipe Camargo (Luís), Gisele Froés (Ana), Pablo Sanábio (Felipe), Amanda Veras (namorada de Beto), Yasmin Catramby (filha de João), Fabrício Belsoff (Beto).

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

VOO DE EMERGÊNCIA

Em dia de tela quente, 28/11/2016, a Rede Globo de Televisão exibiu o filme russo Voo de Emergência. Um dos episódios mais envolventes ocorre numa ilha ameaçada pela erupção de vulcão. Na pista do aeroporto, duas aeronaves à disposição dos sobreviventes que estavam fugindo da calamidade. Muito fogo e larva ameaçam a decolagem.
Poucas horas depois da exibição do filme, já na madrugada do dia seguinte, um voo de emergência foi notícia no mundo inteiro, com o avião Avro RJ–85, da empresa boliviana LaMia, saindo de Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, com destino a Medellin, Colômbia, conduzindo o time Chapecoense que tinha jogo programado com o Nacional da Colômbia pela final da Taça Sul-Americana de Futebol. Do trágico acidente 6 feridos e 71 mortos.
No Estádio Atanasio Girardot, em Medellin, numa solenidade acadêmica, de sublime elevação, no dia programado da 1ª final do campeonato sul-americana (30/11/2016), houve a presença de milhares de pessoas vestidas de branco, fez o uso da palavra o chanceler brasileiro José Serra que agradeceu as expressões de solidariedade do povo colombiano, concluindo: “uma luz no escuro quando todos estamos tentando compreender o incompreensível”.
Fizeram ainda o uso da palavra, Juan Carlos de la Cuesta, presidente do Atlético Nacional, Alejandro Dominguez, presidente da Conmebol, Federico Gutiérrez, prefeito de Medelli, e Luis Pérez Gutiérrez, governador do Departamento de Antioquia, Colômbia.
No filme russo Voo de Emergência, título original Flight Crew, a dianteira e a cauda do avião UTair saindo do Aeroporto de Moscou com destino a Munique estampa o desenho de uma figura mitológica, Pégaso, com apenas a cabeça e o tronco do cavalo alado. Pégaso é o nome da série de sonhos (I a LX) narrados por nós no blog Fernando Pinheiro, escritor.
O piloto do avião comparece ao gabinete do dono da empresa aérea para ser admoestado: “como você deixou o estagiário sair da cabine, uma briga no avião. O vídeo está na internet.” Isto ocorreu porque o estagiário pediu a um passageiro apagar o cigarro no momento antes da decolagem. Um dos aviões da companhia é fretado e o dono encarrega o comandante a missão de realizar outra viagem, atribuindo a ele a escolha dos copilotos.
Na cena de amor na cama, Leonid, interpretado pelo ator Vladimir Mashkow, está acompanhado de Alexandra, papel da atriz Agne Grudyte, que lhe diz: “é tão complicado ser piloto, você não acha? Ainda mais piloto mulher. É tão cansativo, a gente tem que trabalhar muito para ser tratada com igualdade, senão somos humilhadas.”
Por ironia do destino, os dois amantes vão ser os copilotos escolhidos pelo comandante do avião para trabalhar juntos no voo com destino a uma ilha na Ásia para resgatar passageiros em desespero.
Quando o avião chega ao aeroporto da ilha vulcânica, o quadro é desolador: uma multidão está ávida para embarcar. Outro avião está também fazendo o resgate no meio de fogo e labaredas que se alastram a todo vapor.
Depois da decolagem, a viagem é realizada em cenas que mostram o traslado de passageiros de um avião para o outro, em pleno voo, por meio de um cabo de aço que sustenta uma rede de salvamento. A operação é realizada com sucesso, embora haja uma perda de um dos grupos de pessoas no traslado.
Apreciamos a coragem dos pilotos em resgatar os passageiros que saíam da ilha vulcânica, destacando a espera dos carros que foram buscar os moradores do lugarejo perto do vulcão, arriscando a própria vida diante da iminência de erupção, com pouco tempo de agir, aliás a saída deles é no meio do fogo.
Uma parte dos passageiros conseguiu embarcar e ser salva da catástrofe. No traslado em pleno voo de uma aeronave a outra, alguns conseguiram ser resgatados, outros passageiros morreram na tentativa de fazer a baldeação no ar com a ruptura da rede de salvamento.
Vale assinalar textos de nossa crônica publicada em 23 de fevereiro de 2013:
O sentimento de perda, que se origina da ruptura de uma relação que vinha sendo exercida anteriormente, abala as estruturas emocionais de quem ainda se prende. Isto se estende a todos os setores da vida humana, principalmente quando da perda de entes amados ou de cargos ou ainda de aposentadoria compulsória ou por tempo de serviço.
Manter-se ligado à circunstância anterior é manter-se no sofrimento. Quem anda de carro, ou mesmo a pé, em direção de algum destino, sabe que os trechos do caminho percorrido já não mais lhe desperta atenção.
Os liames sagrados da família são eternos e estamos sempre atentos para participar dos momentos que nos unem, sem perder de vista a nossa participação de caminhar juntos, embora em espaços físicos diferentes. 
Quando esses liames se espalham em direção de outros círculos afetivos, o cuidado ainda se faz presente, deixando cada um seguir o caminho que lhe convém. Se houver receptividade de nosso carinho, a alegria é sempre esfuziante.
Não tenhamos apego a nada e a ninguém, vivamos simplesmente sem esperar nada, pois a expectativa pode gerar desconforto emocional. Tudo passa, por que esse tempo que pensamos não irá passar?
A perda é considerada um dos sintomas da depressão, a antiga melancolia que vem desde a Antiguidade, na Grécia, atravessou a Idade Média quando a Igreja a condenou como pecado porque seus portadores estavam com o demônio. Paracelso e outros médicos do passado estudaram esses sintomas, notadamente Freud que estendeu a Medicina para o campo da Psicanálise.
Além da medicina helênica em que se notabilizou Hipócrates, há registros históricos anteriores: nos séculos 7-8 a.C. as Ajurvedas indianas revelavam a existência das alterações físicas e mentais no ser humano. Esses sintomas já eram observados por uma farmacopeia neosumeriana e pela escola babilônica de medicina no século 18 a.C. [SENDRAIL, 1980].
No final do ciclo planetário, onde se avoluma a separação do joio e do trigo, recrudescem as palavras do Mestre amado, Jesus, “deixai os mortos enterrar os mortos” numa referência que não devemos ficar ligados a circunstâncias que não nos pertencem. 
A densa consciência dissociada, em que o planeta está vivendo, carreia para os campos vibratórios idênticos essa massa gigantesca de população. Cada um segue a vibração que vive.
Observar, apenas observar, sem comentar nem criticar a ideologia que os grupos sociais se manifestam. Enquanto isso, as substâncias químicas usadas por dependentes estão tirando a lucidez dos que precisam andar em seus próprios tapetes. 
Este é o nosso momento de prece para que a inspiração surja. [O TAPETE – 23 de fevereiro de 2013, constante do blog Fernando Pinheiro, escritor].
No elenco do filme VOO DE EMERGÊNCIA os principais artistas: Agne Grudyte (Alexandra), Vladimir Mashkow (Leonid), Sergey Shakurov (Nikolai), Sergey Gazarov (Shestakov), Yang Ge (Liu), Irina Pegova (Lena), Katerina Shpitsa (Vika), Elena Yakovleva (Irina). A música é de Artem Vassiliev.