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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

AO LADO DA CANTORA

Momentos inefáveis somente acontecem na esfera onírica, mas podem ser transmutados ao plano físico se as mesmas fontes não forem infectadas por pensamentos que a degeneram em sua forma original. O amor transcende tudo inclusive as dimensões do universo, assim podemos fazer até orações a Jesus, ser multidimensional que se encontra tão longe nas galáxias e tão perto da Terra ao mesmo tempo.
Uma cama se estendia no espaço onde o astral tem o seu reino, podemos dizer encantado, sem nos apegarmos as estórias que inspiraram temas de cinema, música e balé, como A Bela Adormecida, Quebra-Nozes, O Sonho de Don Quixote, Meditação de Thais, A Filha do Faraó, Giselle e outros personagens que encantam as plateias do mundo inteiro em todas as épocas.
Pela primeira na vida, eu a encontrei deitada ao meu lado. Cada um de nós usava apenas uma peça íntima, eu, a masculina e ela, a feminina. Mas não demos importância a esse detalhe que no plano físico seria o máximo no conceito de quem vê apenas sexo entre as pessoas. É claro que há, mas existe algo mais que transcende ao plano físico.
O meu ombro esquerdo estava colocado ao ombro direito dela numa quietude que nos fazia extasiados com tanta beleza ao nosso redor. Não houve nenhum movimento, se houvesse poderia tirar o encantamento da hora. O recato da cantora estava à flor da pele e fiquei imóvel mergulhado na plenitude.
Ela se levantou e foi em direção de uma plataforma que era um grande palco, suspenso no ar. Acolitada por mensageiros que a protegiam, ela deixou-se vestir num vestido longo de rendas que se estendia em saia rodada e voltou a deitar na cama.
Agora, o corpo dela não estava paralelo ao meu, formava um ângulo de 35°, mas nossas cabeças estavam unidas e pude ver o vestido de saia rodada formar um grande leque no espaço entre mim e ela.
O canto repercutia sonoro e encantador como era a voz dela ao cantar, encantando milhões de pessoas que seguiam na onda flutuante manifestada pelo inconsciente coletivo de que nos falou Carl Jung. Ela ouvia a própria voz no ambiente e usufruía dos momentos de deleite que nos envolvia. Eu lhe disse: eu te amo. Ela respondeu: eu sei.
Canções de amor na voz dela enchiam todo o ambiente, não eram transmitidos por nenhum aparelho de som, era o espaço que se enchia com a voz dela: encantadora. Ela estava silenciosa ao meu lado ouvindo a própria voz numa satisfação que me alegrava.
Estávamos felizes pela hora que nos unia. Sou fã dela, desde há muito tempo, quando rapaz vivendo na minha terra-natal, São Luís do Maranhão, sentia àquela época um sonho de encontrá-la pela vida afora. O sonho veio e me satisfez da maneira que nem imaginei ser possível receber o amor que ela nutre por mim, amor imortal em nossa jornada rumo às estrelas. Que estrela tão linda esteve tão perto de mim e ainda está!

domingo, 29 de janeiro de 2017

VIAJANDO EM NAVIO SUECO

O navio sueco, conduzindo os passageiros suecos, parou na encosta marítima, apenas um passageiro embarcou, era eu, sem malas e sem documentos, acolhido pela tripulação que estava no convés no navio.
Fui direto ao porão, onde um grupo de pessoas sentadas em cadeiras confortáveis, conversavam alegremente, apenas um grupo estava de pé, perto da porta de saída. Fiquei um pouco à frente para observar melhor o comportamento saudável desse povo nórdico.
Havia alegria nesses passageiros como a atestar que havia neles uma frequência de onda onde os desencantos não estão mais presentes, muito comum nas notícias divulgadas pelo pela mídia acerca do que se passa no Levante e em suas cercanias onde refugiados se protegem contra as investidas islâmicas dos egressos que saíram do caminho.
O sorriso das mulheres nórdicas era de uma alegria contagiante como se já tivesse visto elas, desde antes em outras plagas do destino que o tempo guarda em seus recônditos sagrados.
Não é à toa que na Suécia não há mais penitenciária nem presos para recolher, conforme divulgado pela imprensa, onde a lei é cumprida com respeito sem ter esses recursos e medidas que adiam a execução da lei ou a faz inútil diante da expectativa popular. Essas notícias fazem alterar o ânimo das pessoas que esperam o desfecho das situações aflitivas que prejudicaram milhões de pessoas. É claro que a lei alcançou quem morou em palácio de governo e empresários que acumularam imensa fortuna às custas de benefícios de órgãos de governos transitórios.
Não se envolver com polícia, com justiça, com demandas que nos levam a situações embaraçosas que alteram o nosso viver. Uma simples briga com qualquer pessoa já nos levaria ao desconforto emocional, ao contrário do estilo de vida que devemos manter caminhando com leveza.
O navio prosseguiu viagem em alto mar, cruzando águas do Atlântico em direção da Suécia, o destino programado pela viagem. Na condição onírica, o tempo e o espaço não são subordinados a etapas conhecidas no plano físico. Uma viagem pode durar o tempo do sono ou simplesmente uma fração de segundo, se assim for a opção escolhida.
Se na Suécia não há essa gritante separação de gente que se vê, como num todo, na consciência planetária em que é acentuada a competitividade e a separatividade, no navio sueco essa acolhida que tive foi notada por mim como se fosse um conterrâneo deles ou irmão de jornada terrena.
Com o fechamento de presídios, a Suécia, no ranking mundial, ocupa o 112º lugar em população carcerária [The Guardian – 11/11/2013].
Na crônica anterior, publiquei um tema nórdico: O SONHO DE MARIANNE que integra o filme Cenas de um Casamento, do diretor sueco Ingmar Bergman. Vale salientar um trecho:
Numa entrevista concedida a repórter Palm (Anita Wall) destinada à matéria sobre casamento feliz levada ao ar pela televisão sueca, o casal Johan (Erland Josephson) e Marianne (Liv Ullmann), ao completar 10 anos de casados, tem sucesso em suas carreiras: ela, uma advogada e ele, um professor universitário. Depois de alguns anos, a revelação de Johan que estava apaixonado por Paula, mulher mais nova do que a esposa, fez com que o casamento não fosse mais o mesmo.
Na parte final do filme Cenas de um casamento, dirigido por Ingmar Bergman, nos idos de 1973, há um reencontro dos amores que tiveram experiências frustradas fora do relacionamento em que o casal desabafou entre si para eliminar todas as suposições do que ocorreu longe um do outro.
A essa altura, Johan estava desiludido com a amante Paula que se mostrava ciumenta e possessiva, sem ter aquele jogo de cintura que a esposa Marianne sempre demonstrava, cobrindo-lhe com mil atenções e suspiros de apaixonada.
Quando eles foram dormir, um sono terrível de Marianne a fez despertar agitada e com pânico. Ela se abraçou ao marido como criança desprotegida e revelou o pesadelo: caminhando com as filhas, queria segurá-las com as mãos, mas não tinha mãos, apenas o cotoco, resto do que foi amputado, que os seus antebraços formavam. As filhas, Eva (Gunnel Lindblom) Karin (Lena Bergman) seguiam em frente caminhando e se distanciando de Marianne, isto foi horrível para ela. Que arcano é esse que estava arquivado dentro das camadas do tempo? [O SONHO DE MARIANNE 28 de janeiro de 2017 – blog Fernando Pinheiro, escritor].

sábado, 28 de janeiro de 2017

O SONHO DE MARIANNE

Numa entrevista concedida a repórter Palm (Anita Wall) destinada à matéria sobre casamento feliz levada ao ar pela televisão sueca, o casal Johan (Erland Josephson) e Marianne (Liv Ullmann), ao completar 10 anos de casados, tem sucesso em suas carreiras: ela, uma advogada e ele, um professor universitário. Depois de alguns anos, a revelação de Johan que estava apaixonado por Paula, mulher mais nova do que a esposa, fez com que o casamento não fosse mais o mesmo.
Na parte final do filme Cenas de um casamento, dirigido por Ingmar Bergman, nos idos de 1973, há um reencontro dos amores que tiveram experiências frustradas fora do relacionamento em que o casal desabafou entre si para eliminar todas as suposições do que ocorreu longe um do outro.
Johan insistia em revelar que estava ligado à outra mulher, a Paula, e não abria mão da aventura amorosa em viagens a Paris. No filme, a outra, como é conhecida a amante, nunca aparecia, apenas no relato do marido.
Com a saída de casa do marido, a esposa tem um caso com o psiquiatra. Esta revelação foi anotada no diário dela revelado ao marido Johan, quando ele retornava de suas viagens. O ciúme estava no ar, mas a dedicação da esposa suplantava tudo e fazia convencer o marido de que nada tinha mudado.
Ao completar 20 anos de casados, os dois estão no cinema sem que houvesse combinado o encontro. Ela o viu e sentiu que ele estava solidário precisando de cuidados de mulher. No encontro caloroso reacendeu a chama inicial que os dois acenderam desde o primeiro encontro.
Quando estão abraçados a sós, resolvem comemorar o aniversário de casamento e ele telefona para o amigo Peter (Jan Malmsjö) pedindo-lhe a casa de veraneio para passar o final de semana. A chave estava debaixo da pedra conhecida. Contente com a anuência, Johan pede a ele não dizer nada a Katarina (Bibi Andersson), esposa de Peter.
A essa altura, Johan estava desiludido com a amante Paula que se mostrava ciumenta e possessiva, sem ter aquele jogo de cintura que a esposa Marianne sempre demonstrava, cobrindo-lhe com mil atenções e suspiros de apaixonada.
Quando eles foram dormir, um sono terrível de Marianne a fez despertar agitada e com pânico. Ela se abraçou ao marido como criança desprotegida e revelou o pesadelo: caminhando com as filhas, queria segurá-las com as mãos, mas não tinha mãos, apenas o cotoco, resto do que foi amputado, que os seus antebraços formavam. As filhas, Eva (Gunnel Lindblom) Karin (Lena Bergman) seguiam em frente caminhando e se distanciando de Marianne, isto foi horrível para ela. Que arcano é esse que estava arquivado dentro das camadas do tempo?
Para retratar o sonho de Marianne, contido no filme CENAS DE UM CASAMENTO, ou, de modo geral, os sonhos que todos sonhamos, é oportuno vir à tona assuntos pertinentes, abordados em crônicas anteriores. Vale salientar:
Preliminarmente, antes de abordar o tema do sonho contido no filme, é oportuno transcrever textos de nossas crônicas recentes pertinentes a sonhos e a acontecimentos que chamam, distintamente, a atenção de milhões de pessoas:
No mundo físico em que a realidade é sentida pelos cinco sentidos, o sonho, nas camadas do inconsciente, traz sempre uma relação do que estamos vivendo. Existe essa oportunidade de sentir a real necessidade em tudo que nos cerca e manter o ânimo firme em toda circunstância que nos chega como aprendizado e revelação. [PÉGASO (LXI) – 12 de dezembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
A ligação do passado é mantida viva porque os pensamentos criam essa condição que os fazem ficar ligados uns aos outros, embora não haja vontade atual para ficar juntos pelo desgaste que o tempo consumiu.
É que os engramas do passado são forças coercitivas superiores à mudança de atitudes de quem busca se beneficiar em atitudes que ocasionaram perdas. O interlocutor carrega os pensamentos que lhe deixamos como carga que o faz sucumbir ou se elevar, se houver enlevo amoroso. É que as pessoas necessitam caminhar em direção de novas paisagens tanto íntimas quanto externas que repercutem no mundo onírico.
Alguém não está podendo dormir direito? Então, verifique a situação em que está. Não é necessário conversar pessoalmente com os desafetos. Nos sonhos, a conversa pode surgir, desde que os pensamentos entre ambos estejam interligados. Ninguém gosta de carregar peso em caminhadas em que se verifica a vida não acabar nunca, nesse estágio de transmutação. [PÉGASO (LXIII) – 21 de dezembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
O mundo dos sonhos é o mundo de frequência de ondas onde colocamos o pensamento, assim podemos sonhar com pessoas que sentimos afinidade, independente se elas estão vivendo no mundo físico ou não, pois não há obstáculo de comunicação em que a sintonia é realizada.
E mesmo não há barreiras entre as dimensões de consciência planetária, tanto neste orbe de densa consciência, onde a dor ainda existe, como naqueles mundos felizes em que a multidimensionalidade está presente plasmando o paraíso sonhado. [PÉGASO (XXXIX) – 22 de fevereiro de 2017 – blog Fernando Pinheiro, escritor]

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

CHAMA INICIAL

A canção “Eu só estive esperando por você”, o original “Je N´Attendais Que Vous”, na voz do cantor francês Garou, diz que o casal manteve dentro de si o sol ardente: “um fogo que desperta, apesar de tudo, apesar da dor de ontem, estamos tornando tudo mais fácil.” Diz também a canção que o casal ao recarregar os olhos, com novas cores, tudo se torna claro, novamente, reacendendo a chama inicial.
Nas camadas do tempo, uma fase desabrochou como desabrocham as flores do campo carregando sutilmente o perfume. Era que a realidade feminina veio a mim para que pudesse desfrutá-la como se saboreia uma fruta madura. Apenas um toque, entre as pernas, a despertou para o envolvimento que nos unia. [PÉGASO (LXII) – 20 de dezembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].  
Ela olhou para mim, estática, a reter o que sentia de mais belo de nosso passado no meio de pensamentos turbinados. Algo a fazia ficar parada, sem ideia do que poderia acontecer, é que os engramas repercutiam nela fazendo ficar sem ação. Tomei a iniciativa e lhe disse: vem cá. Ela retrocedendo esses engramas, jogou-os na lixeira, veio a mim, na entrega que estava guardada em recônditos sublimes que o seu pensamento podia imaginar. Liberada de todo peso, aconchegou-se a mim, doando-se por completa. [PÉGASO (LXIV) – 25 de dezembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Em concerto recente realizado em Berlim, Alemanha, a Orquestra Filarmônica de Berlim, conduzida pelo maestro argentino Daniel Barenboim, ao piano e na regência ao mesmo tempo, apresentou esse clima amoroso com o tango El dia en que me quieras, de Carlos Gardel.
A música se expressa tão bem com a sonoridade dos instrumentos como também pelas palavras articuladas do cantor, ícone da canção portenha em outra época, de igual modo, o amor se manifesta em palavras como também no silêncio que parece traduzir música.  
A jovem mulher, que está se encaminhando à velhice, chegou-se a mim a dar boas-vindas em silêncio. É que o pensamento diz mensagem imediata mais rápida que a palavra falada que é uma consequência desse fluxo do pensar. Os animais se entendem sem que haja necessidade da palavra articulada, embora a palavra esteja revestida do pensamento. [PÉGASO (LXVII) – 28 de dezembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor]. 
Era a mesma mulher que, na noite passada, entrou no pequeno chalé, onde moro na Mata Atlântica, e deixou no banheiro um biquíni com desenhos verdes, demonstrando que estava interessada em tomar banho de cachoeira, próximo da residência. [PÉGASO (LXV) – 26 de dezembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor]. 
A parede de vidro surgiu entre nós dois: eu e o amor do passado distante. Acostumada a reaparecer onde estou com reivindicação e cobrança, admirou-se com a barreira entre nós e apresentou a justificativa de que eu gosto muito do sexo, como se o sexo fosse a única justificativa para unir um casal.
Assim como surgiu a parede de vidro, no campo astral, refletindo a circunstância que nos envolve, o mesmo material pode nos oferecer uma taça como símbolo de um brinde de vitória, se assim houver a anuência em expor o amor que sentimos um ao outro. É tão simples, basta anular o ego ou transcender a uma etapa onde somente o amor existe. [PÉGASO (LXIX) – 22 de fevereiro de 2017 – blog Fernando Pinheiro, escritor]. 
Em visita a amores do passado espiritual, no campo etérico em que se manifesta a imortalidade, pois a consciência nunca se extingue, mesmo que haja períodos longos ou curtos de inconsciência, deparamo-nos com cenas que não foram transmudadas.
Amores que demos nossas melhores energias estão sendo levados a mundos afins, neste mesmo diapasão de paixões resvaladas a níveis em que o abismo já está presente entre eles. No entanto, nunca iremos desistir de amar. Algo fica plantado no ar, assim como as chuvas, um dia, as águas retornam. [CHOVENDO – 21 de janeiro de 2017 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Não queremos perder essa oportunidade de continuar um amor que nasceu um dia, no vigor da juventude mais acentuada, fisicamente, e rejuvenescida com as horas que revelam a chama inicial, num novo despertar mais caloroso sobre a realidade iluminada que nos une. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

PÉGASO (LXIX)

A parede de vidro surgiu entre nós dois: eu e o meu amor do passado distante. Acostumada a reaparecer onde estou com reivindicação e cobrança, admirou-se com a barreira entre nós e apresentou a justificativa de que eu gosto muito do sexo, como se o sexo fosse a única justificativa para unir um casal.
A mercadoria exposta na prateleira não encontrou quem a levasse, isto acontece também com as pessoas que ficam sozinhas depois de usufruir vantagens que o tempo consome. Não cabe analisar o mérito da questão porque as circunstâncias são outras no tempo em que as oportunidades são perdidas.
Somente o amor pode transladar etapas que se sucedem em variações diversas, sem se consumir ou se desgastar, ao contrário ganhando novas forças nas provas ultrapassadas, se formos olhar o percurso percorrido com sacrifício e perda de outras oportunidades de refazimento no caminhar em companhia de outros amores que poderiam, igualmente, dar sentido em nossa vida.
Não somos vidraceiros para criar parede de vidro, isto aconteceu entre nós pelas mãos invisíveis do destino que fazem unir as almas em direção do paraíso, destino de todos nós, mais cedo ou mais tarde, numa precisão de tempo que ninguém, no plano físico, pode prever. O corpo pode ser avaliado pela idade e a alma se perde na contagem dos tempos, segredo que os sábios sentem que é assim, como nós estamos nos acostumando com o tempo que passa sem a presença da pessoa amada.
Saudade, isto é o apego ao percurso do caminho, desprendimento chave que deslinda os enigmas do caminhar, esperança alimentada apenas da fé que o tempo apresenta como oportunidade a ser usufruída. Há deleites entre os amores que se doam como há harmonia no canto dos pássaros e na música clássica que nos dá enlevos sublimes.
Anteriormente, tivemos outros sonhos, ligados a este sonho, conforme descrevemos, a seguir:
Este enredo de sonho compõe-se de três partes distintas: a primeira é ambientada na praia onde um grupo de mulheres estão tomando banho de sol. De repente, eis-me em pé, observando o mar que empurrava ondas que morriam e ressuscitavam ao influxo da maré numa cantilena imortal que desafiam a inspiração dos poetas.
A jovem mulher, que está se encaminhando à velhice, chegou-se a mim a dar boas-vindas em silêncio. É que o pensamento diz mensagem imediata mais rápida que a palavra falada que é uma consequência desse fluxo do pensar. Os animais se entendem sem que haja necessidade da palavra articulada, embora a palavra esteja revestida do pensamento.  [PÉGASO (LXVII) – 28 de dezembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Era a mesma mulher que, na noite passada, entrou no pequeno chalé, onde moro na Mata Atlântica, e deixou no banheiro um biquíni com desenhos verdes, demonstrando que estava interessada em tomar banho de cachoeira, próximo da residência. [PÉGASO (LXV) – 26 de dezembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor]. 
O ambiente em que estava era o ambiente em que vivo no momento atual cercado de muito verde e pássaros ao redor, só que em dimensão planetária diferente da conhecida e vivenciada por milhões de pessoas.
Nas camadas do tempo, uma fase desabrochou como desabrocham as flores do campo carregando sutilmente o perfume. Era que a realidade feminina veio a mim para que pudesse desfrutá-la como se saboreia uma fruta madura. Apenas um toque, entre as pernas, a despertou para o envolvimento que nos unia.
Nesse enlevo aconchegante, preferi comemorar o sucesso da hora que viria, sem ansiedade, sem buscas, por milhões de segundos que o meu coração acalentava. Saí do ambiente acolhedor, usando apenas um calção e comecei a correr pelos caminhos da mata em direção à cidade.
Era que o meu contato com a natureza tinha uma percepção mais acentuada do que a agitação de pessoas nas ruas, em busca de comprar presentes neste final de ano. A minha corrida era em passos firmes e velozes.
Corri, corri e, quando me dei conta, estava na cidade circulando nas avenidas, viadutos, pontes e veredas que se interligam a lugares afastados do que normalmente costumo transitar.
Pressenti a necessidade de retornar ao ambiente campestre em que saí e busquei um retorno que me indicasse a direção. Avistei uma pequena alameda que era o local próprio do retorno. Preferi ir mais a frente, pensando logo retornar ali e cheguei ao fim da rua, onde pude ver na colina onde estava a parte da cidade que abrigava igrejas e monumentos, área de estudo e observação.
Reconheci o lugar onde antes já tinha estado em excursões anteriores. Lembra-me de outras épocas, de outras circunstâncias em que o tempo guarda em suas memórias. Já não mais precisava rever ambientes que passei, embora sabendo que de lá há amáveis lembranças que não mais precisam ser relembradas porque a vida continua em descobertas sempre alvissareiras.
Retornei ao ponto do retorno e comecei o caminho de volta, correndo em velocidade máxima de automóvel. No campo físico, não tenho essa condição física em correr tão rápido, mas no plano etéreo posso correr, voar e estar em lugares longínquos em fração de segundos ou num piscar de olhos.
Há situações especiais em que preferimos deixar a pessoa amada curtir a impressão comovedora que lhe deixamos para que possa avaliar a profundidade do que sentimos por ela. Nesse caso, ficando a sós, é uma meditação contemplativa em que somente quem sente pode avaliar a grandeza que a cerca.
Nesse campo fértil está preparado a receber um plantio que irá gerar ótima colheita, embora não pensamos em colheita quando estamos no momento de semear. Apenas, para explicar que inevitavelmente acontecerá o que pensamos ser realidade a acontecer.
Se mundo físico tivesse a percepção da realidade que o envolve, tudo seria mais fácil de ser conseguido em todas as áreas, em todos os momentos em que sentimos a vida ser mais amena e acolhedora em nossos sonhos que nascem em nosso ser profundo.
Caminhemos com leveza, embora haja a rapidez dos automóveis em velocidade extrema, como aconteceu comigo em sonhos em que nos sentimos confortáveis em percorrer por caminhos que nos levam à realidade sonhada. {PÉGASO (LXII) – 20 de dezembro de 2016, blog Fernando Pinheiro, escritor].
No segmento do sonho, vi muita roupa suja amontoada que estava sendo levada ao aeroporto para ser lavada dentro do avião em pleno voo. Avistei uma camisa minha de malha que estava usando, no dia anterior, e a retirei da trouxa de roupa.
Assim como surgiu a parede de vidro, no campo astral, refletindo a circunstância que nos envolve, o mesmo material pode nos oferecer uma taça como símbolo de um brinde de vitória, se assim houver a anuência em expor o amor que sentimos um ao outro. É tão simples, basta anular o ego ou transcender a uma etapa onde somente o amor existe.

sábado, 21 de janeiro de 2017

CHOVENDO

O verde da vegetação se espalha pela mata afora. Aqui, dentro desta residência campestre, um lugar aprazível para morar e viver por longo tempo, sem os cuidados que a cidade exige. A natureza nos possibilita o contato mais íntimo, fazendo aflorar a nossa essência implantada dentro de nós.
Mesmo sozinho, não há solidão dado ao convívio de pássaros e animais que sempre estão elaborando sons e pegadas que chegam ao nosso conhecimento. Dado à aproximação, passamos a entender a linguagem deles, numa apreciação silenciosa, e sentimo-nos mais próximos deles de modo que a vida deles é a nossa vida.
A chuva caía mansamente, quase imperceptível, sem raios e trovoadas, olhamos lá fora e sentimo-nos protegidos, essa proteção era também quase imperceptível porque fazia parte da normalidade de nosso viver.
Mas a apresentação da chuva a cair já denotava que algo estava sendo limpo e varrido, embora essa limpeza e varredoura não estivesse ligada diretamente com os nossos corpos (físico e astral), mas exercia influência pela captação do ambiente que nos rodeia, quando assim buscássemos os pensamentos.
Que ambiente é esse que estava sendo removido? No campo astral, onde os pensamentos vivem e viajam na direção que escolhermos, tem o combustível que nutre os nossos passos, razão porque a escolha é fundamental.
A influência da densa consciência planetária é imensa em função da maioria dos habitantes do planeta sobre tudo e sobre todos que nos rodeiam, formando a egrégora que reúne e agrega, em movimentação constante, esse fluxo que passa de roldão a caminhos afins.
Se houver identificação de nós mesmos nessa egrégora, seremos impulsionados a fluir por caminhos desconhecidos já escolhidos, adrede, numa escolha sem saber, o que é algo perigoso e quase não notado por essa imensa massa de manobra em todo o mundo. Assim, está sendo a separação do joio e do trigo numa torrente avassaladora nesta transição planetária.
Cada ser humano vai para onde está a sua própria vida, buscando o tesouro que amealhou, isto sem implicar se é bom ou mal, certo ou errado, é o que tem que ser, na realidade em que foi criada por vontade própria, usando sempre a escolha, frisando mais uma vez: a Terra está a caminho dos mundos felizes. [A HOSPEDEIRA – 5 de dezembro de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Amores que demos nossas melhores energias estão sendo levados a mundos afins, neste mesmo diapasão de paixões resvaladas a níveis em que o abismo já está presente entre eles. No entanto, nunca iremos desistir de amar. Algo fica plantado no ar, assim como as chuvas, um dia, as águas retornam.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

FILMES E SONHOS

Dirigido pelo cineasta Michael Haneke, o filme “Amor”, premiado em Cannes, conta o enredo de um casal de professores de música: Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva), ambos octogenários vivendo num luxuoso apartamento de rua tranquila de Paris. A filha Eva (Isabelle Huppert) também é musicista e tem uma vitoriosa carreira que lhe obriga a fazer apresentações internacionais.
Atores franceses que fizeram sucesso no passado: Jean-Louis Trintignat (de “Um Homem, Uma Mulher”, 1966), e Emmanuelle Riva (de “Hiroshima, Meu Amor”, de 1959), voltam a surpreender o público com magnífica apresentação.
Transcorrem os dias em clima de felicidade. Numa cena, a filha comenta que, no passado quando chegava em casa, o casal estava sempre fazendo amor, talvez seja este o motivo do título, em português, do filme, mas não basta isso. No decorrer do tempo, vemos muita dedicação e amor numa situação de solidariedade face à gravidade que vem a ocorrer quando Anne necessita de cuidados médicos.
Submetida à cirurgia, a operação teve grave sequela, paralisando o lado direito do cérebro, obrigando-a a andar de cadeiras de rodas, em consequência, a musculatura facial fica paralisada, impossibilitando-a a falar. Traumatizada, ela rejeita nova internação no hospital, passando a fazer o tratamento em casa, sob os cuidados do marido que vem a precisar de enfermeiras (Carole Franck e Dinara Droukarova).
No mundo dos sonhos, passamos por igual situação do filme “Amor” revelada na crônica PÉGASO (XVII) – 18 de fevereiro de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor:  
A narrativa de hoje é pertinente ao encontro que tivemos com Alice, não é a Drª Alice Howland do filme Para Sempre Alice, protagonizado pela atriz Julianne Moore, no papel-título, revela o sentido das juras eternas que fiz, em 25 de julho de 2012, quando entramos, eu e ela, na Catedral de Petrópolis, ouvindo a música de Bach tocada no órgão.
Elegantemente vestida de uma camisola rosa, ela surgiu defronte de mim que estava parado na entrada social do apartamento. Distante alguns metros, na sala-de-estar, estavam três funcionárias que faziam parte do home care que prestava assistência à ela. Reconheci uma delas, a senhora que estava presente na minha despedida, em 17 de julho de 2013, da capital paulista.
Ela aproximou-se de mim, pegou na minha mão, com carinho, e me conduziu ao sofá, abrindo num átimo e fechando em seguida a parte superior da camisola onde pude ver, num relance, seios em forma de pera ressequida, pois o tratamento psiquiátrico envolveu muita medicação e a fez bem magra, magra de dar pena. Ser magra no mundo da moda é requinte de beleza.
O encontro aconteceu como se nunca tivéssemos separados: a nudez espontânea numa fração de segundo revelava que a intimidade estava à minha disposição. A satisfação do encontro era mútua, de ambas as partes, explicando melhor.
Ela me falou: eu gostaria de estar com você na cama, mas precisamos conversar. Interessante tudo que tínhamos de falar já estava revelado às claras, sem a necessidade de revelar, como se faz quando estamos acordados. No plano físico, isto iria custar muitas horas de conversa para revelar os fatos ocorridos em nossa ausência e as impressões que viriam com a nossa apreciação.
No filme Para Sempre Alice, a personagem Alice sofre de Alzheimer (veja a nossa crônica ALZHEIMER – 9/11/2014) e Alice dos sonhos meus não sofria de nada e acabou sendo levada pelo filho (ausente no sonho), a consultório médico que receita medicação que causa dependência química.
A propósito, é oportuno destacar os dois primeiros parágrafos da nossa crônica VISÃO MÉDICA (II) – 30 de dezembro de 2014:
Vale salientar a opinião do Dr. Ernesto Venturini, médico italiano que participou da reforma psiquiátrica que culminou com a Lei Basaglia, de 1978, que aboliu os hospitais psiquiátricos (manicômios) na Itália: “a psiquiatria hoje é um simulacro.”
A medicalização e os conhecimentos de uma psiquiatria vazia foram os temas debatidos no 4º Congresso Brasileiro de Saúde Mental, organizado pela Abrasme – Associação Brasileira de Saúde Mental, realizado entre 4 e 7 de setembro de 2014, na cidade de Manaus – AM.
Os sonhos são reveladores da verdade que todos buscam encontrar. Tenho no meu coração o título do filme: Para Sempre Alice.
Na crônica MOMENTO MUTÁVEL comentamos outro filme, textos, a seguir:
O filme You´re Not You, com roteiro de Jordan Roberts e Shana Feste, adaptado do romance de Michelle Wildgen, dirigido por George C. Wolfe, leva ao público o conhecimento da doença de Lou Gehrig que afeta as células nervosas no cérebro. Considerando ser uma doença degenerativa, o paciente vai tendo dificuldade em falar, andar e até mesmo respirar.
O filme começa, no clima de felicidade, apresentando a festa de aniversário da pianista Kate (Hilary Swank), ao lado do marido Evan (Josh Duhamel) onde compareceram amigos e familiares. Quando ela, ao piano, vai interpretar a Polonaise em A major, Op. 40, n° 1, de Chopin, seus dedos começam a tremer. Um ano e meio depois, ei-la numa cadeira de rodas. A situação se agrava quando ela descobre que o marido a traiu, fazendo-a ter raiva e culpa, ao mesmo tempo.
Os personagens centrais deste filme que recebeu, no Brasil, o título Um momento pode mudar tudo, não são a mulher e o marido, e sim a paciente Kate com a cuidadora Bec (Emmy Rossum). Há ainda a participação dos atores Jason Ritter (Will), Stephanie Beatriz (Jill), Julian Mc Mahon (Liam), Ali Larter (Keely), Loretta Devine (Marlyn), entre outros.
No momento em que o mundo vive a mulher invisível, o homem invisível, tão comum no relacionamento de casal, como aconteceu com Bec (Emmy Rossum) que cuida de Kate, pessoa que sofre de doença degenerativa, vivida pela atriz Hilary Swank, no filme Um momento pode mudar tudo (título original You´re Not You), dirigido por George C. Wolfe. No final do filme, Kate, no leito de morte, diz a Bec: “você procure casar com alguém que lhe enxergue.” [SOFRER E NÃO SOFRER – 30 de dezembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Retomando a narrativa inicial, o filme “Amor” apresenta a cena final onde vimos Anne, recuperada da saúde, saindo a passeio, ao entrar na rua, disse sorrindo ao marido: “você não vai apanhar o seu casaco?”
Essa recuperação já estava sendo alimentada por ela mesmo, quando da visita de Alexander, ex-aluno de Anne no filme, em sua residência, que lhe perguntou pela doença. O pianista Alexandre Tharaud, interpreta ele mesmo, Alexandre, pianista e ator, ao mesmo tempo. Na resposta, ela lhe disse: vamos mudar de assunto, conte-me como está a sua carreira, e pediu a ele tocar ao piano uma música de Schumann que ela lhe ensinara.
Somente existe doença se dermos peso e referência. Se trocarmos a preocupação, qualquer que seja, no caso a da doença, por um momento de prece, poderá acontecer, se você acreditar, coisas inimagináveis, reafirmando o titulo do filme em português: Um momento pode mudar tudo. [MOMENTO MUTÁVEL – 31 de dezembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor]. 
Observar o luar esplêndido é muito melhor do que dar atenção a notícias e filmes que transmitem desencantos divulgados pela mídia, afinal somos o que nos alimentamos, principalmente do alimento que nos dá a sustentabilidade do corpo físico e de outros corpos mais sutis que estão intrinsecamente interligados. [PÉGASO (XXII) – 2 de junho de 2015 – blog Fernando Pinheiro, escritor]~.  
 

sábado, 31 de dezembro de 2016

MOMENTO MUTÁVEL

O filme You´re Not You, com roteiro de Jordan Roberts e Shana Feste, adaptado do romance de Michelle Wildgen, dirigido por George C. Wolfe, leva ao público o conhecimento da doença de Lou Gehrig que afeta as células nervosas no cérebro. Considerando ser uma doença degenerativa, o paciente vai tendo dificuldade em falar, andar e até mesmo respirar.
O filme começa, no clima de felicidade, apresentando a festa de aniversário da pianista Kate (Hilary Swank), ao lado do marido Evan (Josh Duhamel) onde compareceram amigos e familiares. Quando ela, ao piano, vai interpretar a Polonaise em A major, Op. 40, n° 1, de Chopin, seus dedos começam a tremer. Um ano e meio depois, ei-la numa cadeira de rodas. A situação se agrava quando ela descobre que o marido a traiu, fazendo-a ter raiva e culpa, ao mesmo tempo.
Os personagens centrais deste filme que recebeu, no Brasil, o título Um momento pode mudar tudo, não são a mulher e o marido, e sim a paciente Kate com a cuidadora Bec (Emmy Rossum). Há ainda a participação dos atores Jason Ritter (Will), Stephanie Beatriz (Jill), Julian Mc Mahon (Liam), Ali Larter (Keely), Loretta Devine (Marlyn), entre outros.
No momento em que o mundo vive a mulher invisível, o homem invisível, tão comum no relacionamento de casal, como aconteceu com Bec (Emmy Rossum) que cuida de Kate, pessoa que sofre de doença degenerativa, vivida pela atriz Hilary Swank, no filme Um momento pode mudar tudo (título original You´re Not You), dirigido por George C. Wolfe. No final do filme, Kate, no leito de morte, diz a Bec: “você procure casar com alguém que lhe enxergue.” [SOFRER E NÃO SOFRER – 30 de dezembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor]. 
A doença batizada como o nome de Lou Gehrig, em homenagem ao famoso jogador de beisebol do New York Yankees, nas décadas de 20 e 30, sete vezes campeão americano. Além dos atletas esportivos, essa doença atinge também os artistas na área da música, entre outros, basta apenas um sintoma de perda, em qualquer nível, para que a doença se instale.
Nos idos de 1942, Hollywood presta homenagem a Lou Gehrig com o filme Ídolo, Amante e Herói, na versão original The Pride of the Yankees, dirigido por Sam Wood, tendo nos principais papéis os atores Gary Cooper e Teresa Wright.
Numa das cenas mais empolgantes é aquela em que Lou Gehrig, no Yankees Stadium lotado, profere o famoso discurso de despedida destacando “sou o homem mais sortudo do mundo”, optando pela receptividade carinhosa do público que o aplaudiu, esquecido que já sofria de esclerose lateral amiotrófica.
O desapego a tudo e a tudo é o melhor caminho, mas como dizer isso a quem se acostumou a tocar piano com virtuose, como no filme Um momento pode mudar tudo, principalmente na música em que Chopin é expressão máxima do romantismo, sem nos referir a outros autores clássicos, igualmente importantes, que estão no mesmo patamar de beleza.
A culpa da paciente Kate em ter perdido o marido para outra mulher desencadeou o agrave da situação. O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade elucida o tema: “amar o perdido deixa confundido este coração.” Quando há engramas do passado, a solução é esquecer.
Ela olhou para mim, estática, a reter o que sentia de mais belo de nosso passado no meio de pensamentos turbinados. Algo a fazia ficar parada, sem ideia do que poderia acontecer, é que os engramas repercutiam nela fazendo ficar sem ação. Tomei a iniciativa e lhe disse: vem cá. Ela retrocedendo esses engramas, jogou-os na lixeira, veio a mim, na entrega que estava guardada em recônditos sublimes que o seu pensamento podia imaginar. Liberada de todo peso, aconchegou-se a mim, doando-se por completa. [PÉGASO (LXIV) – 25 de dezembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Somente existe doença se dermos peso e referência. Se trocarmos a preocupação, qualquer que seja, no caso a da doença, por um momento de prece, poderá acontecer, se você acreditar, coisas inimagináveis, reafirmando o titulo do filme em português: Um momento pode mudar tudo.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

SOFRER E NÃO SOFRER

Diferente do modo de sentir dos seres humanos, os animais ditos irracionais não vivem o sofrimento diante da morte. Os seres que pensam, desde o início de sua manifestação, fazem o colapso da função de onda.
Assim como a consciência e a informação estão em tudo, os seres vivos da natureza se expandem através do colapso da função de onda até quando surge a presença da morte. Esses animais, pressentindo que seus filhotes ou outros parentes e semelhantes vão falecer, não permanecem nessa frequência de onda.
Nos seres humanos esse sofrimento repercute além da morte, pois a vida continua sempre em outros estágios, estagnando o percurso em ascensão a outros patamares de beleza edificante tanto de quem partiu nesse estado como também aqueles que permanecem imantados no sofrimento pela perda terrena de seus entes amados.
No entanto, a consciência nunca morre, embora haja entorpecimento causado pelo sofrer. Em tempo do porvir, em que não podemos precisar quando irá ocorrer, pois depende da postura de quem vive essa experiência, a consciência ressurge resplandecendo a informação, pois ambas permanecem sempre juntas.
Essa postura de quem partiu em sofrimento é semelhante a quem desce a correnteza de rio abaixo por causa de que não pode mais fazer o colapso da função da onda, a morte corta esse recurso valioso em que temos enquanto estamos vivos. Aliás, a pessoa vai para onde a sua vibração lhe conduz.
No entanto, as preces e outros pensamentos de amor, os fazem despertar para caminhada. Com esses recursos valiosos quem está do outro lado da matrix pode deixar vir à tona os pensamentos que tinha, quando na experiência terrena, fazendo-o viver momentos felizes que voltam recrudescidos pela ideia original de que foi portador.
A matrix vai sempre para o outro lado da matrix, não há morte, apenas uma breve cerimônia nos cemitérios que, por tradição, é carregada de desencantos e de lágrimas. Basta um avião cair para despertar as pessoas ou o próprio mundo para realidade que não morre. [PÉGASO (LXIII) – 21 de dezembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor].
Neste fim de ano em que fazemos uma retrospectiva do que passou, vale assinalar duas gratas recordações de amigos que conviveram conosco em nossa infância, na cidade de São Bento – MA, à época, a Suíça maranhense:
Arquimedes Vale – 25/12/2012 – Não sei quantos anos, talvez cinquenta, que esvaiu-se nossa convivência por conta de divergências de caminhos. Estou feliz por encontrá-lo, hoje, num florescente rumo de cultivo das letras. Não por acaso, também venho marcando passo por esse caminho tão gratificante. Isso me entusiasma por descobrir que, talvez, o que nos uniu na infância era a germinação dessa destinação. Tenho uma ligação de amor com o Rio de Janeiro, já que desde 1976, quando comecei a fazer Residência Médica, vou lá com muita frequência. Em média 3 vezes no ano. A última vez foi em novembro último que fui tomar posse na Cadeira nº 18 da Academia Brasileira de Médicos Escritores.
Vale assinalar o poema de Lourival Pinheiro, poeta maranhense, primo amado, postado em 29/12/2016 no facebook:
“Antes que o tempo passe nos iludindo
Ajudem alguém nos seus anseios
Seu desafeto trate sorrindo
Antes que termine este breve passeio”

No momento em que o mundo vive a mulher invisível, o homem invisível, tão comum no relacionamento de casal, como aconteceu com Bec (Emmy Rossum) que cuida de Kate, pessoa que sofre de doença degenerativa, vivida pela atriz Hilary Swank, no filme Um momento pode mudar tudo (título original You´re Not You), dirigido por George C. Wolfe. No final do filme, Kate, no leito de morte, diz a Bec: “você procure casar com alguém que lhe enxergue.”

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

PÉGASO (LXVIII)

Sobrevoando o rio Grajaú, alto sertão maranhense, onde a nossa vida profissional começou, pudemos ver o remanso, trecho mais sossegado do rio, e lembramo-nos de nossos banhos, quase diários, à tarde, depois da hora do expediente bancário.
Num átimo, como num flash de relâmpago, estávamos sobrevoando o rio Ganges, na lendária Índia, de costumes exóticos e espirituais, terra de ensinamentos milenares que perduram ainda hoje.
À beira do rio era o percurso que empreendemos para observar esse povo e suas tradições ostentadas em templos sagrados à trindade indiana, trindade imitada em tempos posteriores, em nova roupagem, pela Igreja de Roma para apresentar numa só pessoa: Pai, Filho e Espírito Santo.
Um templo perto do Ganges chamou-nos a atenção e descemos da altura, relativamente pequena, para ver seus mistérios, como um avião em direção da pista de pouso. O penhasco abrigava uma estátua com uma escadaria de acesso. Era o anoitecer que se aproximava.
Na penumbra, subimos até o topo da gigantesca estátua e na parte traseira da cabeça havia uma entrada e um pequeno altar para celebrar eventos sagrados. Identificamos lá, os registros de nossa obra guardada melhor do que a sete chaves.
É que a descoberta da ciência é fantástica: tudo tem um duplo. Os originais de nossos escritos, em sua parte etérica, estavam lá, empilhados da mesma forma em que guardamos no acervo da Academia de Letras dos Funcionários do Banco do Brasil os originais em papel, fotos e vídeos.
Ninguém poderia destruir o que realizamos para narrar a história da empresa, resumida na tríade Banco do Brasil e os ensaios literários acerca da obra Jesus, Luz do Mundo, entre outros que se destacam ainda A Sarça Ardente, Música para Canto e Piano, e o site www.fernandopinheirobb.com.br caracterizado pela abertura da música Nocturne in C≠ minor, de Chopin.
Quem levou este precioso acervo ao templo sagrado indiano? Resposta imediata: as águias, símbolo do poder reconhecido mundialmente em todas as épocas em todas as partes. Isto nos agrada muito porque as mãos humanas, na densa consciência planetária em que a Terra vive, não tem a pureza dos altos cimos que as aves ostentam.
A noite veio e nos encontrou dentro do templo sagrado onde as divindades são múltiplas, inacessíveis até mesmo pelo conhecimento humano, segredos da legendária Índia. Uma sombra veio perto de nós sem nos assustar, pois estávamos ao lado do que era nosso, como dissemos, a nossa obra.
Como tudo é sagrado e tudo é Deus naquelas paragens, pedimos licença para passar e sair daquele local, o que fomos atendidos na hora, uma ligeira superioridade estava a nosso favor, embora saibamos que tudo se interliga e não há separação alguma para discriminar a hierarquia, comum entre os humanos.
Não buscamos identificar a sombra que poderia se projetar em luz se fosse acionado o mecanismo do eu superior, o ser profundo que todos somos, sem exceção, e seria revelado que todos somos um.
Lá naquelas paragens sagradas não existe o condicionamento de atitudes que se revela, como dissemos anteriormente, no dito popular “o boi deles é melhor do que o boi dos outros”, e ainda pagam pedágios obrigatórios, como forma de submissão e escravidão disfarçada, escravos de si mesmo que persistem quando perderem o colapso da função de onda, identificação de quem passa a viver em outra fase da vida, narrada em nossa crônica anteriormente.
Observando o estado de torpor dos moradores da colônia, veio-me a ideia de transmitir aos meus leitores a importância das horas que têm os viventes do plano físico, a fim de aproveitar a oportunidade em fazer o colapso da função de onda, recurso inefável que lhe trarão luz, o equivalente a fabricar fótons, usando expressão da física teórica. (PÉGASO (LXVI) – 27 de dezembro de 2016].
Ao retorno de nossa viagem, observamos que a narrativa pertinente à empresa que servimos não atingiu a todos os servidores, embora a internet coloque o acesso disponível, e aos que, por curiosidade, buscam conhecê-la, estamos livres de toda crítica ou detração que poderia nos separar.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

PÉGASO (LXVII)

Este enredo de sonho compõe-se de três partes distintas: a primeira é ambientada na praia onde um grupo de mulheres estão tomando banho de sol. De repente, eis-me em pé, observando o mar que empurrava ondas que morriam e ressuscitavam ao influxo da maré numa cantilena imortal que desafiam a inspiração dos poetas.
A jovem mulher, que está se encaminhando à velhice, chegou-se a mim a dar boas-vindas em silêncio. É que o pensamento diz mensagem imediata mais rápida que a palavra falada que é uma consequência desse fluxo do pensar. Os animais se entendem sem que haja necessidade da palavra articulada, embora a palavra esteja revestida do pensamento.
Era a mesma mulher que, na noite passada, entrou no pequeno chalé, onde moro na Mata Atlântica, e deixou no banheiro um biquíni com desenhos verdes, demonstrando que estava interessada em tomar banho de cachoeira, próximo da residência. [PÉGASO (LXV) – 26 de dezembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor]. 
Uma cadeira vazia em outro grupo vizinho a das mulheres foi o recurso que a jovem mulher colocou à minha disposição, trazendo para perto de mim, a fim de que pudesse sentar. Como a cadeira foi ocupada por um homem desconhecido que foi embora da praia, notei que era inadequado aceitar o convite para estar junto ao grupo de mulheres e saí à francesa.
A segunda parte do sonho é ambientada numa bela residência vazia, à minha disposição em ocupá-la, significando que o lar está presente nessa ideia ideoplástica que se materializa em construção civil.
Na sala-de-estar observei uma jovem mulher com o filho no colo, chorando e fazendo-o chorar. É que frequência de onda que emitimos atinge o alvo almejado pela mesma frequência de onda que é recebido. Mãe e filho em simbiose.
Quando saí ao encontro da mãe desamparada, a vi sendo socorrida pela jovem mulher, que está se encaminhando à velhice, que demonstrou sinais de conforto e carinho. Quando a mãe ficou sozinha, perguntei a ela o que a senhora que saiu disse a ela? A resposta foi INSS, questão de assistência social. Sinal de benemerência que me une as pessoas.
Voltei à residência luxuosa e entrei em seus aposentos. Numa frequência de onda que os animais nos ensinam a comunicar, observei que a jovem mulher entrou pela porta da frente, sem que me pedisse licença como se o lugar também estivesse à sua disposição. Se ela sentiu assim era que deveria ser mesmo assim.
Outro sinal que ela está voltando a mim, sem que eu tivesse pensado ou aguardado. Aceito tudo que é espontâneo dentro da mesma frequência de onda que os animais se comunicam e que os humanos absorvem esse conhecimento, praticando-o, entrosando-se com os afins, criando o destino.
A jovem mulher foi feliz ao fazer o colapso da função de onda no plano fora matéria, onde o sonho se expandiu, o sonho era meu, mas ela estava presente participando do mesmo sonho. Se isto não fosse feito, essa lacuna a acompanharia dentro do tempo em que já não seria possível fazer o colapso da função de onda porque, naquele estado que todos vão se defrontar, vive-se apenas de resultados.
Observando o estado de torpor dos moradores da colônia, veio-me a ideia de transmitir aos meus leitores a importância das horas que têm os viventes do plano físico, a fim de aproveitar a oportunidade em fazer o colapso da função de onda, recurso inefável que lhe trarão luz, o equivalente a fabricar fótons, usando expressão da física teórica. [PÉGASO (LXVI) – blog Fernando Pinheiro, escritor – 27 de dezembro de 2016]. 
A terceira cena do sonho se desenvolve nos preparativos das bodas. Ei-la, em pé, acompanhada de costureiras a ajustar os últimos pontos do vestido de noiva. Tudo nela era alegria somente, sem nenhuma expectativa comum nessas horas das noivas vivendo nesse clima denso do planeta.
Um detalhe que ela deixou transparecer: o vestido de noiva era longo e com decote no busto, realçando os seios em forma de pera. A forma original ela perdera com os tempos vividos, mas há indícios de silicone em operação plástica. Com os pensamentos, ela os recriou perfeitos.
No mundo físico em que a realidade é sentida pelos cinco sentidos, o sonho, nas camadas do inconsciente, traz sempre uma relação do que estamos vivendo. Existe essa oportunidade de sentir a real necessidade em tudo que nos cerca e manter o ânimo firme em toda circunstância que nos chega como aprendizado e revelação. [PÉGASO (LX) – 25 de setembro de 2016 – blog Fernando Pinheiro, escritor]. 
A importância dos sonhos é infinitas possibilidades, corroborando os postulados quânticos de que a vida possui infinitas possibilidades. Isto frisando que não é apenas quando estamos em estado de vigília, acordados.