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domingo, 17 de novembro de 2013

TOCANDO EM FRENTE

Conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs, é preciso amor pra poder pulsar,” versos da canção Tocando em frente, de Almir Sater e Renato Teixeira, foi gravada por Maria Bethânia, Almir Sater, Paula Fernandes, Santanna, o cantador, a dupla Rio Negro e Solimões.
Correu longe, em todo o Brasil, a divulgação, em 14/11/2013, do resultado do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal. Aquilo que damos peso e referência passa a ser verdade, nisto trabalha a mídia na repercussão de notícias.
Temos abordado, no decorrer do blog Fernando Pinheiro, escritor, temas sobre o que está acontecendo na humanidade a respeito da transição planetária e incluímos agora a citação de um escritor que está nesse caminho:
“Se você vir tudo o que pode acontecer exteriormente como dor e sofrimento, você estará projetando dor e sofrimento ao seu redor. E se você acessar sua alma, seja ela de onde for, verá tudo com mais naturalidade, porque estará entendendo o que está acontecendo.” [Conexão Urano 6 – A Nova Consciência, de Fábio Del Santoro].
A crítica leva ao julgamento e o julgamento separa, assim a separatividade se manifesta nesta densa consciência planetária que, por outro lado, ganha impulsos para ascender a outra dimensão planetária, pois o jogo social da humanidade carrega as marcas da separação do joio e do trigo, tanto na matrix quanto do outro lado da matrix.
Conhecer as manhas do envolvimento social que levam a desencantos e dissabores inenarráveis e conhecer as manhãs como símbolo de um novo amanhecer que apaga as sombras da noite. Na Índia, em outra cultura, o sagrado está em tudo, embora haja as castas como hierarquia que se reflete naquele mundo espiritual hindu.
Os mantras são cânticos que despertam a nossa alma, como disse Fábio Del Santoro, “seja ela de onde for” fazendo ter a lucidez do que está ocorrendo ao redor do ambiente social em que vivemos. Falamos em mantras, mas pode ser qualquer música que tenha harmonia de sons, como “Tocando em Frente”, ou outros cânticos ou música de câmara ou obras sinfônicas de grande enlevo musical.
A música íntima que fazemos no coração, o nosso ser profundo que se conecta com a fonte, está acima dessas oscilações que vêm das notícias que ouvimos nos meios de comunicação de massas.
O nosso ser profundo não adoece, não fica triste e nem se impressiona com o mundo externo, revela-nos como somos em essência, todos têm essa essência, sem exceção. A própria música frisa bem isto: “cada ser em si carrega o dom de ser capaz e ser feliz.”
Em tudo vemos a vida resplandecer, ouvi um breve depoimento, no dia 9 de novembro de 2013, na TV Globo que transmitiu a UFC diretamente de Goiânia – GO, após o nocaute que ocorreu aos 1m17s, do primeiro round, da luta entre Dan Henderson x Vitor Belfort, o lutador brasileiro disse:
“Quando alguém falar para você que você não pode, que já era, Deus coloca uma vida em você. Deus me deu isso, eu conquistei, e você também pode conquistar”.
A música realça “é preciso amor pra poder pulsar”, como enlevo sedutor que nos desperta o ânimo firme para caminhar, namorar, redigir crônicas, até mesmo lutar, falar a todos ou silenciar, quando oportuno, das circunstâncias que a vida nos dá.
Quando fizemos o curtir da música no facebook de nossa amiga Nadia Novais: linda música, linda mulher, ela nos respondeu: óh, obrigada, bjos, sou sua fã Fernando Pinheiro.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

QUADRANTE T

A configuração astrológica, no dia 13 de novembro de 2013, um quadrante T heliocêntrico entre Júpiter, Urano e Plutão, onde houve uma liberação intensa de energias adamantinas, sentida em todo o sistema solar onde a Terra gira, chegou ao Brasil ao ensejo da realização de dois eventos históricos nas cidades:
1) Salvador - BA, a primeira capital do Brasil, o time de futebol, com o desenho da constelação de estrelas Cruzeiro do Sul, é consagrado campeão brasileiro;
2) São Borja – RS, a exumação do corpo de João Goulart, presidente da República (1961/1964), que foi expulso, em 31/3/1964, por contingências políticas de Brasília, capital da República, onde recebeu, em 14/11/2013, na Base Aérea, as honras oficiais do governo que busca se redimir para elucidação da História.
O maior obstáculo da Terra para ascender a graus de multidimensionalidade em consciência planetária é o medo. As crenças em dualidade e separação impõem sempre ídolos, fazendo refletir nas massas humanas uma superioridade de algo ou de algum ser, refletidas desde a mitologia grega que fez crer ao mundo ocidental o mundo dos deuses e dos mitos.
O que é convencionado ser bom para um, pode não ser para o outro, principalmente quando há culturas diferentes, tanto nos países estrangeiros quanto no próprio País, onde há forte influência da imigração estrangeira como de nossa própria cultura puramente brasileira.
A separatividade, originária da crítica e do julgamento, se une a competitividade onde são descartados os vencidos ou perdedores. Isto é refletido até mesmo nas famílias onde há partilhas de bens na separação judicial ou no espólio dos falecidos parentes que deixaram fortunas.
O sentido da família é algo sagrado na Terra onde os liames afetivos se aglutinam em sentimentos de mútua participação nos enlevos que unem sempre. Nos amores venusianos não existe a família no modelo adotado na Terra, lá vivenciando uma consciência planetária unificada, não há separação nem competitividade. Todos namoram todos, todos amam todos, não na forma em que é conhecida aqui na Terra.
A expansão dos raios adamantinos, ou raios-gama dos cientistas, oriunda do centro da galáxia Via-Láctea, principalmente da constelação das Plêiades e agora entrando em nosso sistema solar num grande oceano galáctico que está banhando a atmosfera dos planetas Júpiter, Urano e Plutão, no quadrante T heliocêntrico.
As camadas isolantes da ionosfera e da magnetosfera foram rompidas e ensejaram esse fenômeno astral beneficiar a passagem da luz do centro da Via-Láctea ao nosso sistema solar.
Vale transcrever, em quatro parágrafos, o que nos reportamos em nossa crônica O Alinhamento das Plêiades, Sol e Lua – 3 de dezembro de 2012, constante do blog Fernando Pinheiro, escritor:
Aqueles que têm dificuldade em compreender o que está acontecendo, recomendamos a ter a vivência em quatro pilares: simplicidade, humildade, transparência e alegria.
20 de maio de 2012 – O alinhamento das Plêiades, Sol e Lua – mudança de consciência planetária: a saída da dimensão trina dissociada e a entrada da quinta dimensão unificada. A mídia irá informar apenas o eclipse anular do Sol.
No momento em que o sistema solar, que envolve a Terra, está mergulhado no grande oceano astral, a onda galáctica, a denominada camada de fótons ou cinturão de Alcíone, uma das sete Plêiades da constelação de Touro, no périplo que se completa nos idos de 2012, e pela irradiação de Beltegeuse, estrela do trapézio de Órion, e confirmada essa irradiação pelos cientistas que a mencionaram de supernova, e o anúncio desde antes por Nostradamus (o retorno da luz pela seta de Sagitário), evidenciando a transição planetária, é necessário refletirmos sobre a realidade em que vivemos:
(...) Vale salientar a reminiscência antiquíssima da profecia: “Poderás impedir as delícias das Plêiades ou desatar os ligamentos de Órion? (Job, 38:31). Destacamos, uma vez mais, que a irradiação de Beltegeuse, estrela do trapézio de Órion, que chega ao planeta Terra, foi confirmada pelos cientistas que a mencionaram de supernova.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

PORTELA NA AVENIDA

Usando sapato alto e vestido azul e branco, Clara Nunes lota o Estádio do Morumbi, na cidade de São Paulo, nos idos de 1982, e leva ao público a poesia de Paulo César Pinheiro, o seu grande amor, no samba Portela na Avenida. Um ano depois, esse amor vira saudade e enluta o Brasil inteiro nas exéquias mais calorosas de mulher que se estenderam pelas ruas superlotadas de gente nas ruas do bairro do Botafogo, na cidade do Rio de Janeiro.
O amor de Clara Nunes não se concentrava apenas no marido. No Brasil, onde abriu o mercado feminino, pois foi a primeira mulher a vender mais de 100.000 cópias de um disco, e descortinar o mundo da beleza, onde a música tem o seu reino, era o seu grande amor e continua sendo em esferas resplandecentes onde colocou o coração, antes mesmo de partir.
A música é de samba-enredo da Escola de Samba Portela que traz o ritmo do Brasil, esse ritmo que Villa-Lobos espalhou pelo mundo, inclusive no Samba-Clássico, Melodia Sentimental, A Cascavel, Canção do Amor, Veleiro, Invocação em Defesa da Pátria, comentadas no mês de outubro de 2012, no blog Fernando Pinheiro, escritor, disponibilizadas ao público no site www.fernandopinheirobb.com.br
A letra evoca a potência do ser (Jung) que é a libido (Freud), vista mais na área sexual, pois é o mais poderoso chacra, o básico, onde se encontra o aparelho reprodutor humano.
Essa evocação é diante do elogio, o argumento que levanta o astral ou o despertar na definição jungiana ou freudiana:
“Portela, eu nunca vi coisa mais bela, quando ela pisa a passarela e vai entrando na avenida, parece a maravilha de aquarela que surgiu o manto azul da padroeira do Brasil Nossa Senhora Aparecida.”
A Virgem dos poetas, um ser multidimensional, se apresenta, neste quintal planetário (3a. dimensão dissociada) e nos mundos felizes (multidimensionais), com o manto azul e branco para mostrar que a sua origem é de Sirius, estrela flamejante de brilho azul-branco, da Constelação de Cão Maior (9a. dimensão unificada), e somente foi possível, há dois mil anos, a encarnação da luz crística pelo seu intermédio que possui elementos quintessenciados.
A egrégora de luz de Maria de Nazareth que se concentra nas esferas resplandecentes é a maior de nosso sistema planetário, perdendo apenas para a luz crística que é a luz do mundo. Não há perda, mas isto é dito apenas para compreensão da grande massa humana que ainda está envolvida na separatividade, neste dualismo humano, pois a egrégora da Virgem está incluída na luz crística.
Há uma evocação histórica religiosa do Brasil que se manifesta nesta tradição cantada por Clara Nunes. O que prevalece acima de tudo e de toda comparação é que a alegria é fator determinante para a ascensão de consciência planetária fragmentada por ideologias e crenças sectárias e ainda por influência dos mitos helênicos para a consciência planetária unificada onde está surgindo a Era dourada, a Era de Aquarius.
O Brasil, que expande suas riquezas para o mundo, é cenário de encantadora beleza onde está surgindo esse despertar de alegria, alegria triunfante em que a descoberta do ser profundo de que tanto nos falou as tradições orientais e reconhecidas por Carl Jung:
“Minha tarefa como médico é ajudar o paciente a tomar-se apto para a vida. Não posso ter a presunção de julgar suas decisões últimas, pois sei por experiência que toda coerção, desde a mais sutil sugestão ou conselho a quaisquer outros métodos de persuasão, apenas produzem, em última análise, um obstáculo à vivência suprema e decisiva, isto é, o estar a sós com o Si-mesmo, com a objetividade da alma ou como quer que a chamemos.”
A Escola de Samba da Portela, berço de bambas, cantadores, passistas e poetas, saúda o samba, saúda a santa, saúda a águia, o símbolo do poder, saúda o manto azul e branco da Portela.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

AO LONGE O MAR

Em abraços calorosos é construído um porto calmo que serve de abrigo contra as tempestades da vida de quem nos busca. O futuro maior se estende pela frente descortinando horizonte suave que a luz do sol ilumina e passando esta imagem ideoplástica, para dentro de nós, faz-nos um bem muito grande.
Podemos pensar nas paisagens bucólicas do interior do País, vendo a vida correr lentamente e com o ritmo do cantarolar dos riachos e das fontes cristalinas que escorrem águas cantantes entre pedras alisadas. Este canto também vai alisando os corações desconhecidos.
A promessa de esperar o melhor num mundo que engravida os contrastes, a dicotomia, os paradoxos, alimentado pelo dualismo humano, já não faz muito sentido, pois do improviso nasce melhores esperanças do que aquilo que poderia ser manipulado.
Em causa própria, ser advogado de defesa de nós mesmos teria alguma credibilidade? A reação é sempre do ego e não de nosso ser profundo, assim como acontece com a luz, que não se defende, mas tem o direito de se manifestar.
No improviso ou no inesperado, a letra da música Ao Longe o Mar, na voz da cantora portuguesa Madredeus, afirma: “vem da névoa saindo a promessa anterior. (...) Sim, eu canto a vontade, canto o teu despertar.”
Essa vontade é apenas manifestada em nós, simplesmente, não há uma designação antecipada que mostra o futuro escrito nas estrelas, até mesmo lá muito longe, em milhões de milhas de distância, apenas pode-se prever o que vai acontecer um minuto antes à nossa frente, é o sinal da multidimensionalidade, que ainda estamos a caminho de conseguir. Mas temos a intuição do clima que se desenrola em nosso ambiente em que vivemos.
O seu despertar, amores meus, é o nosso despertar porque isto nos completa como ser que se expande na comunicação externa e dentro de nós mesmos, em sintonia sublimada que expande energias ao nosso corpo. Os animais de estimação têm também essa energia que passam suavemente aos seus donos.
Os hospitais das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo estão abrindo as portas para esses animais serem recepcionados pelos seus donos como uma espécie nova de agentes de saúde, embora não tenham essa predisposição dos seres humanos em classificar sintomas e doenças.
Ao longe o mar, ao longe o mundo de fantasias e de ilusões que esta civilização expõe a todos os seus habitantes para vivenciá-las, se houver atração de afinidades, ou, simplesmente, o olhar para mais longe do mar, onde o horizonte é mais promissor e onde estão os amores dos nossos sonhos, os amores de nossa vida.
O encontro de almas afins ou almas gêmeas, não no sentido do nascer do mesmo parto, mas gêmeas pela igualdade em sintonia de vibrações que ambos já vivenciam, desde antes, desde antes de se conhecer nesta paisagem turbulenta em que o planeta passa.
Que oportunidade de ouro, todos nós estamos tendo, num mundo de ferro enferrujado (símbolo) porque está a caminho a modificação do DNA humano de partículas de carbono para as de silício, no decorrer de mais alguns séculos, não confundir com o cilício, uma forma equivocada de pagar os pecados através do suplício, outra imposição dos agentes do medo que controlavam vidas humanas e ainda hoje controlam em novas roupagens sofisticadas na aparência.
Ao longe o mar, apreciemos as águas, as pessoas que nos chegam para alegrar o nosso viver neste caminho pelo mundo em transição planetária que temos a honra de assistir e vivenciar as mudanças planetárias que se desenrolam na Terra e temos notícias de que isto se desenrola em todo o nosso sistema solar, mas fiquemos aqui apenas observando ao longe, o mar.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

VOCÊ TEM TUDO PARA SER FELIZ

Lirismo mais acentuado de uma época que passou na música brasileira, em que tivemos tantos cantores românticos, a voz de Anísio Silva recrudesce nestes tempos em que os casais se separam, como nunca houve nas estórias de amor, e nos brinda com a música, composta pela dupla Evaldo Gouveia e Jair Amorim, VOCÊ TEM TUDO PARA SER FELIZ.
O maior sucesso musical de Anísio Silva foi Alguém me disse, prestigiado pela gravação de outros cantores famosos: Maysa, Gal Costa, Núbia Lafayette, Nelson Gonçalves, Nilton César, Emílio Santiago, Gilliard, Mauro Silva, Ana Carolina.
No enlevo amoroso, quando surge em doces encantos, só não é feliz quem não quer. A transparência é a nossa realidade que caracteriza a mudança de consciência planetária que está ganhando um novo patamar de grandeza, sendo que os casais são altamente beneficiados.
Nos sonhos podemos ver, bem claro, apenas com as imagens ideoplásticas que surgem de nosso ser profundo em contato com os amores que nos chegam para fazer parte de nosso roteiro de vida. Tudo é transparente e a falsidade só existe no ser humano que não se conhece, pois no íntimo ele também possui arquivado em seu recôndito profundo esta verdade.
O que se chama amor no dualismo humano é apenas uma extremidade que pode oscilar para o outro lado, desvirtuando um propósito que tinha sonhos para crescer. A flama acesa que é energia que se expande no espaço é a transparência do coração, o nosso ser profundo.
Anísio Silva derrama sonoridade na voz e afirma convicto: “confie em si, seja mulher, então me abrace com carinho, amor, encoste seu rosto no meu, você tem tudo para ser feliz, vivendo assim você e eu.”
Na canção os engramas do passado são libertados do coração e uma nova ligação se faz presente com o amor que chega, unindo casais de enamorados, onde o sorriso surge espontâneo e feliz e no beijo o florescer de tanta vida. A identificação do mundo sonhado por um é o mesmo mundo que o outro sonhou.
No momento em que a internet liga o mundo num ponto só, conhecido por aldeia global, vemos os sites de relacionamentos crescer na busca constante de parceiros que trocam impressões amorosas, o facebook é o mais prestigiado de todos. Só temos o facebook, não temos outros, há sombras que povoam ambientes em que o amor ainda não chegou.
Ampliamos o nosso conhecimento, além da linha do equador, visitando pessoas na internet, no curtir e compartilhar, e recebendo carinhosas mensagens que nos proporcionam crescer nesse campo afetivo e amoroso.
Entre tantas mensagens que recebemos hoje, vale destacar a de Luisa Ventura, da cidade de Cartaxo, na região do Alentejo, em Portugal, após a leitura da crônica APROXIMAÇÃO, de Fernando Pinheiro, endereçada a uma escritora amazonense: “boa tarde, quero bem a tudo que me envolve e tenho por ti uma grande amizade que gostaria que fosse eterna.”
Na canção a expressão seja mulher é mais forte do que qualquer outra porque faz despertar nela o que Carl Jung chamou de “a potência do ser” e Freud “a libido”, ligada ao chacra básico, o mais poderoso de todos por ser o chacra de reprodução humana.
Quando estimulamos as pessoas a despertar as forças interiores que possuem, estamos simplesmente dando a elas o direito de ser como são, independentes, com direito a escolhas em suas próprias vidas, e lembrando-nos da canção que enfatiza: você tem tudo para ser feliz.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

CHÃO DE ESTRELAS

Ao anoitecer, vínhamos andando pelo canal das Tachas, na Comunidade do Terreirão, bairro do Recreio dos Bandeirantes, na cidade do Rio de Janeiro e ouvimos o som de um carro estacionado à beira da calçada de um restaurante, onde havia pessoas sentadas ao redor de mesas ao ar livre em animada conversa e no passar das pessoas que iam e vinham. A gravação era da voz do saudoso cantor Jessé, cheia de lirismo, suave e elegante.
CHÃO DE ESTRELAS, escrita pelos compositores Sílvio Caldas e Orestes Barbosa, foi interpretada por uma plêiade de cantores: Sílvio Caldas, Nelson Gonçalves, Jessé, Francisco José, Maysa, Maria Creuza, Elizeth Cardoso, Trio Irakitan, Os Mutantes.
A letra da valsa-canção se desdobra numa retrospectiva feliz de quem alcançou os louros nesta vida, sempre após a aposentadoria relembrada, com carinho, por seus amigos ou sem eles no ostracismo que lança para fora a ostentação do brilho de outrora.
Em nossa carreira sempre há um palco iluminado, pois a empresa a que servimos está estruturada em bases sólidas que vem de longe, no tempo, e que nos faz lembrar do deputado Lisboa Serra (PL/MA), presidente-fundador do Banco do Brasil, em discurso proferido, em 21/6/1853, na tribuna da Assembleia Legislativa Imperial: “a instituição com que queremos dotar o País há de ser fonte de muitos benefícios.”
É muito importante sabermos distinguir a nossa personalidade que é muito importante para nós e para a empresa que trabalhamos ou deixamos de trabalhar, por aposentadoria, e o que somos realmente dentro de nós que é sempre inalterável e eterno: o nosso ser sublime que transcende tudo isto e resplandece no campo vibracional em que mantemos a nossa vida, vida eterna.
O barracão no Morro do Salgueiro, como diz a canção, tinha o cantar alegre de um viveiro, e pensamos que existem viveiros de luz em outros mundos de beleza onde resplandece o amor que sentimos em nosso coração.
Lembranças felizes despertam saudades, mesmo na ausência da mulher amada que seu foi, pássaro que voou, deixa voar, estamos voando também em outras direções, os ventos, as marés, as luas estão esparzindo energias para quem voa. É momento de festa, regozijemo-nos todos nós, com muita alegria, esfuziante e bela.
A evocação da natureza é o ponto máximo da valsa-canção:
“A porta do barraco era sem trinco, mas a lua furando nosso zinco, salpicava de estrelas nosso chão, tu pisavas nos astros distraída, sem saber que a alegria desta vida, é a cabrocha, o luar e o violão.”
No lirismo encontramos a forma de viver e tudo que aprendemos vem da natureza, pois somos natureza, a natureza tem prodígios e temos esses prodígios quando despertamos para a nossa realidade existencial.
Esqueçamos o mote: “eu vivia vestido de dourado”, como diz a valsa-canção, e as andanças pelo mundo “entre as palmas febris dos corações”, àquela altura dentro das fantasias, e vamos encontrar, em companhia das mulheres, o nosso público favorito, o lirismo, a forma de viver, o encantamento que elas nos transmitem.
O Morro do Salgueiro foi lembrado em outra comunidade, a do Terreirão, onde a colônia de moradores nordestinos está presente e lembranças de nossas raízes do Brasil lírico e perfumado vem à tona neste chão de estrelas.

domingo, 3 de novembro de 2013

O ANEL

No cenário do capítulo 143 da novela Amor à Vida, da Rede Globo, uma televisão brasileira, levada ao ar no dia 01/11/2013, um close bem ampliado das mãos, elevando-se lentamente na cama em que está a atriz Carolina Kasting, no papel de Gina, aparece um anel como símbolo do romance que está tendo com Herbert, interpretado pelo ator José Wilker que, em outra cena, introspectivo, chega ao bar para ter uma companhia mas não a encontra a seu gosto e sai em direção da casa de Pilar com vontade de chorar.
A mãe de Gina, Ordália, interpretada pela atriz Eliane Giardini, está desolada ao saber que o namorado da filha, o Herbert, foi o grande amor de sua vida. Na confidência desse segredo, Gina promete à mãe fidelidade ao amor maternal e fica confusa em ter que pensar em abandonar o sonho que estava sendo acalentado junto a Herbert, é por isso que ela disse: este anel está me apertando.
Nos recônditos do coração está o segredo da vida que pode ser revelado à luz que esse mesmo coração o fizer desabrochar. O encontro de mãe/filha é comovente porque revela a vitória do amor diante de um contexto amoroso em que a filha buscava encontrar a felicidade junto a Herbert, a mesma pessoa que abandonou a mãe dela.
A atmosfera que se estende entre a mãe e filha é a mesma que pode ser encontrada em outros segmentos sociais em que há uma interrupção de um romance por parte de um dos familiares.
A relação familiar é muito mais forte do que qualquer outra por causa dos liames que estão arquivados em engramas do passado que vivenciam do passado para o presente, naquele esquema fantástico, descoberto por Carl Jung no inconsciente coletivo.
A opção pela família, no caso de Gina, tem força no sentir a vida mais perto em sua realidade que deslinda os enigmas do caminhar. Caso contrário, se optasse em viver um romance contrariando a mãe, iria movimentar dispositivos internos que iriam despertar a culpa, automaticamente, a depressão se instalaria. O vazio seria imenso, assim como já sentiu o aperto do anel em seu dedo, ao lembrar lances anteriores em que convivera, de forma singela, com o seu namorado, Herbert.
A culpa é o principal deflagrador de distúrbios psíquicos, porque é movimentado pela própria pessoa, independente de haver pressão externa para despertá-la nesse mecanismo nefasto. É por isso que é normal as pessoas pedir desculpas em todo envolvimento social onde há atritos para que a culpa não se instale.
Mas o pedir desculpas não é o suficiente, principalmente quando a pessoa não sente vontade de pedir desculpas e desconhece o grau de aceitação ou rejeição do atrito percebido pelo interlocutor que pode ser amigo ou inimigo.
Gina, no diálogo com a mãe, falou a respeito da necessidade de não se revelar coisas íntimas diante de estranhos para não atrapalhar o relacionamento amoroso ou social. Isto é válido para se aferir a aproximação de quem está se envolvendo em questões de amor. Quanto mais amável for a pessoa, maior será a compreensão de questionamentos afetivos.
Depois do encontro com a mãe, Gina está sozinha em seu quarto, introspectiva, abre um livro e lê uma poesia, algo de novo surge em alento que a faz despertar em novo caminho que se apresenta. É porque a atividade intelectual, mesmo na leitura de alguns versos que são introjetados em sua mente, não deixa se instalar a depressão.
Em outra cena da novela, Herbert teve a sociabilidade em baixa, quando recusou o convite no bar para sentar-se à mesa com os amigos de trabalho, e teve a sábia decisão de não beber, ele como médico de hospital, sabe as implicações danosas que o álcool faz.
Não devemos dar valor ao que não corresponde ao nosso íntimo: o álcool está nessa relação, mesmo em ocasiões em que a sociedade acolhe como normal, como beber um bom vinho, bom vinho no conceito de quem não percebe a influência da matrix.
No mesmo capítulo, Denizard, no papel do ator Fúlvio Stefanini, está em reunião com a família e ouve o desabafo de Gina, e, revoltado, critica o passado da esposa, chamando-a periguete. Toda crítica leva ao julgamento que faz surgir a separação. Esta é a característica da densa consciência planetária em que a Terra vive em seus últimos estertores que promovem a doença.
Em particular, não tivemos nenhum desencontro com mulheres em que o anel tivesse uma projeção de interesses que nos ligassem.
Ao invés de anel, o vestido petit-pois, que nos comove bastante, tem uma lembrança vivenciada no clima de romance que se desfez porque a mulher amada iria vestir no dia seguinte, quando iríamos passear, mas diante da escolha entre ficar comigo e ficar com o filho que se opunha ao nosso romance, ela preferiu ficar com ele.
Na manhã do dia 18 de julho de 2013, fomos compelidos a nos retirar da cidade de São Paulo, onde encontramos belas mulheres de ancas de lua.

Nota: a crônica O ANEL, de Fernando Pinheiro, foi escrita em 2/11/2013 na AG Hot Cyber - Rua da Chegada, 162 - A, Comunidade Terreirão, no bairro Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro - RJ, onde foi levada ao ar, em 27 de junho de 2013, a cena externa do Cartório, onde ocorreu a saída de Atílio, pegando um táxi, na interpretação do ator Luís Melo, na novela Amor à Vida, da TV Globo.